sábado, 27 de junho de 2026

São Cristóvão pela Europa (355) .

 


 

Entre 12 e 14 de Junho deambulei pelo Estado alemão de Hesse que tem Frankfurt como cidade principal.

100 quilómetros ao Norte de Frankfurt situa-se a cidade de Alsfeld. Como muitas das cidades da Região juntou-se à Reforma Protestante por acção de Lutero que aqui esteve várias vezes.

A Igreja de Santa Walpurgis, cuja parte mais antiga data de meados do Século XIII, é uma igreja protestante que conserva vários elementos anteriores ao Século XVI tal como um belo fresco representando São Cristóvão.

 



A igreja de Cristo Rei também em Alsfeld é uma igreja moderna consagrada em 1963. 

A paróquia agregou várias paróquias antigas uma delas de São Cristóvão. Daí provavelmente a razão de conter no seu interior uma imagem do nosso Santo.



Marburg localiza-se nas margens do rio Lahn, afluente do Reno.

É uma cidade universitária. Aqui se reuniram em 1529 o Príncipe Filipe de Hesse, Martinho Lutero e Ulrich Zwingli no chamado Colóquio de Marburg com o objectivo de resolver uma controvérsia teológica que separava as tendências alemã e suíça do movimento da Reforma. Girava à volta da Última Ceia e da Eucaristia. Lutero considerava a Última Ceia como a mais profunda manifestação da Graça de Deus, Zwingli achava a Última Ceia um mero símbolo. A controvérsia não foi resolvida e as tendências ficaram separadas para sempre.

A Universidade é o ponto fulcral da cidade. Foi criada em 1527 como uma universidade protestante. Foi a primeira do mundo ocidental a ser criada sem permissão eclesiástica, privilégio papal ou autorização imperial.

A sua igreja, de 1291, é hoje protestante e anterior à criação da própria universidade, e hoje faz parte do complexo. É de estilo gótico.

Podemos imaginar a presença nos bancos da igreja de personalidades como Denis Papin (1647-1712), Professor de Matemática e Física entre 1688 e 1695, e grande percursor das máquinas a vapor da revolução Industrial, ou dos estudantes irmãos Grimm, Jacob (1785-1863) e Wilhelm (1786-1859), autores de contos infantis famosos, como A bela adormecida, Cinderela ou Branca de Neve

A igreja contem um fresco de 1947 muito curioso representando São Cristóvão. É da autoria de Franz Frank (1897-1986) a partir de uma ideia de Carl Bantzer (1857-1941), este de alguma forma ligado ao nazismo.

São Cristóvão é representado como soldado de uniforme rasgado, transportando o Menino Jesus num pântano. As cores escuras predominam.

 




 

                 Fotografias de 12 de Junho de 2026.

                                                     José Liberato

quinta-feira, 25 de junho de 2026

Um grande e belo livro.

 



A colecção Arte & Ciência tem-nos dado prodígios. Este é um deles. Escrito na melhor tradição da divulgação científica de qualidade, com exemplos surpreendentes e até desconcertantes (ex. “O Senhor do Adeus”), um livro extraordinário para nos compreendermos como humanos, demasiado humanos.

 

António Araújo


quinta-feira, 18 de junho de 2026

 




Uma comovente viagem pela Albânia otomana, republicana, monárquica, italiana, nazi, comunista:

A reposição da verdade (?) num prodigioso feito literário

 


          Tudo começa no arquivo da Autoridade para a Informação sobre a Documentação do Antigo Serviço de Segurança do Estado, em Tirana, a capital da Albânia; a autora obteve autorização para consultar o processo da sua avó, Leman Ypi, nascida em Salónica, perseguida pelo regime de Enver Hoxha, que enclausurou o marido, Asllan Ypi, e o restituiu à liberdade quase um destroço humano. Vamos mergulhar nos últimos tempos do Império Otomano, numa Salónica que será anexada à Grécia; acompanharemos os acontecimentos da independência da Albânia, a vida tumultuosa deste país que terá um Ministro da Administração Interna republicano que se autoproclamará rei, Zog I; estamos na fervilhante década de 1930 que culminará com a invasão italiana da Albânia, a ocupação de Salónica pelos alemães, no início da década seguinte é criado o Partido Comunista Albanês, o país é libertado dos nazis em 1944, dois anos depois, proclamada a Republica Popular da Albânia; começará a purga no país de adversários políticos, o casal Ypi será submetido a processos infames. Estamos a falar de Indignidade, por Lea Ypi, Casa das Letras, 2026.

          A autora dera com uma fotografia dos avós numa instância de ski, em Cortina d’Ampezzo, 1941, surgira nas redes sociais, houvera os comentários mais díspares, a autora escreve: “Um casal jovem e glamoroso olha para a câmara, os dois estendidos em espreguiçadeiras à frente de um hotel de luxo. A mulher está embrulhada num longo casaco de peles branco. Tem um grande sorriso e uma expressão vagamente distraída, que contrasta com a expressão mais séria, quase inquisitiva, do homem que está deitado na espreguiçadeira ao lado”. São os avós, a fotografia foi tirada em pleno tempo de convulsões com a invasão germânica da União Soviética, o ataque japonês a Pearl Harbor, o combate armado na Jugoslávia. Fotografia tirada durante a sua lua de mel.

          Começa a operação de rememoração dos acontecimentos, vamos conhecer os ascendentes de Leman Ypi, avós e tios, a sua vinda para Tirana, o encontro de Leman com Asllan, não faltam oficiais das Forças Armadas britânicas na Albânia antes da libertação; a investigação leva a uma incursão em vários pontos da península balcânica, ao tempo em que havia grão-vizir e paxás, em que a classe média superior se expressava em francês, em que se estudava tanto em Constantinopla como em Paris ou Genebra; entraremos na vida familiar da família Leskoviku, de onde provinha Leman, Lea Ypi esquiça primorosamente a atmosfera desse período de mudanças radicais em que caíram impérios e apareceram repúblicas pelos Balcãs, em que ainda se combinavam casamentos e haverá uma noiva um tanto forçada que porá termo à vida no dia da boda.

          É uma leitura um tanto compulsiva, comovente, o leitor é levado à velocidade da mudança de regimes, de invasões, de países devastados, de execuções; tempo em que os judeus gregos fogem pelas montanhas e são recolhidos pelos muçulmanos, isto numa Albânia onde os alemães vasculham tudo à procura de novas vítimas para Auschwitz. No vórtice da investigação, a autora interroga-se: “Às vezes sinto-me como uma historiadora dos princípios da Idade Moderna, a estudar os julgamentos de bruxas colhendo provas pelos registos da Inquisição. Nos raros momentos de lucidez que tenho a propósito do método que estou a seguir na minha investigação, ocorre-me que estou a alinhar com quem espiou a minha avó.  Posso andar à procura dos mesmos factos que as pessoas que vigiavam Leman; até posso estar a fazer as mesmas perguntas. Porém, tenho algo que essas pessoas não tinham: a capacidade de interpretar a realidade, de julgar a partir de uma perspetiva moral diferente. Afinal, o poder que é conferido ao arquivo é precisamente o poder que estou a tentar desmantelar.”

O informador determinante de Leman era conhecido nos serviços secretos por A Tribuna, no arquivo perguntam à autora se ela quer saber quem era o denuciante, o que na prática se irá demonstrar ser inviável, afinal de contas descobriu-se que havia uma outra Leman, quase uma duplicação, assim se descobrirá depois de tão aturada investigação que se fica a conhecer e a não conhecer Leman Ypi. E voltamos à fotografia dos Ypi em plena lua de mel, ao peso memorial que ela comporta: “A fotografia em si nunca importou; a memória sim. O passado nunca é passado, é como um parente afastado que continua a envelhecer algures, enquanto estamos ocupados a tratar do presente. A memória, diria a minha avó, e diria Santo Agostinho, é o estômago da mente, guarda as coisas sem as consumir.”

          Há factos comprovados na investigação: a avó nasceu em Salónica, nas vésperas do colapso do Império Otomano, tem etnia albanesa e cidadania grega, vem de uma família rica e com terra, de uma classe social privilegiada; as fronteiras mudam à volta dela, os limites do mundo passam a ser os da língua que fala; muda-se para Tirana, com o regime comunista nasce a suspeita que ela conspire contra o recém-criado Estado, é posta sob vigilância.” Só que as histórias agora baralham-se, há duas mulheres vigiada com o nome de Leman Ypi, descobrir-se-á que A Tribuna será executada por traição. Uma investigação que leva a autora a ler os relatórios dos serviços secretos, a conhecer a documentação britânica, a ler os apontamentos diplomáticos das autoridades fascistas, e muito mais.

          É uma investigação que conduz a autora a uma sala de espelhos um tanto estilhaçados, a analisar a culpa e a responsabilidade, a questionar o que é uma reparação para quem foi sujeito à indignidade. E como se falasse em voz alta, a autora responde-nos: “A minha avó já morreu e eu sou produto do sistema que lhe arruinou a vida. Porém, nunca me vi a mim como vítima desse sistema. Afirmar o contrário seria fazer pouco do sofrimento dela.” Porque no meio de toda esta investigação há a avó Leman e há a outra Leman que provoca um autêntico rodopio de perguntas sem resposta.

          É nessa sala de espelhos que a autora questiona o que é a dignidade, para que serve, sente-se pronta a desistir, de vasculhar mais sobre aquele passado, mas reconsidera, afinal não está pronta para desistir, e assim termina esta luminescente viagem, redigida com filtro mágico:

          “Talvez as duas Lemans sempre devessem ter estado juntas, como versões diferentes da mesma humanidade. Perdidas para o passado, mostram como a dignidade está em tentar agir com um propósito moral, mas ao mesmo tempo são idealizações dessa mesma postura. Talvez a harmonia não tenha tanto a ver como chegar ao fim de um processo, mas antes como encontrar um caminho entre os conflitos do presente.”

          Uma investigação que nos agarra do princípio ao fim, porque no fim ficamos a pensar se não desfrutámos de um belíssimo, inquietante, inesperado, romance.


                                                                Mário Beja Santos

 

sábado, 13 de junho de 2026

Missiva de Elisabete Sousa.



 


Nota dos editores: recebemos esta longa missiva da conhecida Elisabete Sousa, do X (handle: elisabetaps). Dado reconhecermos a sua influência como força-viva da sociedade pátria, e alguém que não tem papas na língua, é nosso dever indeclinável publicar este texto. Além do mais, torna-se prova irrebatível, que podemos afiançar ser verdade, que Elisabete Sousa nada tem que ver com o Doutor Nuno Palma, cuja carreira invejável fala por si, e, perdoem-nos redundância, tanta inveja causa neste país pequenino, pequeno demais para o Doutor Nuno Palma, como se atesta. Publicamos tão eminente vulto da internet portuguesa, que defende a honra de tão eminente vulto da academia global, pois, com especial prazer e regozijo.

 

Queridos amigos,

Ainda mais queridos compinchas internautas,

 

Espero-vos bem. Desculpem se não conseguir ser enxuta e ir direto ao osso, estão demasiadas pessoas lá fora a divertir-se, e isso exaure-me. Talvez que seja também desta enxaqueca que não me larga. Sou uma mulher sofrida (mas não como as alternas, eu sofro de neura mesmo, neurastenia século XIX).

E o dia não foi fácil. Esta gente está toda na boa-vai-ela, a beber cerveja e em festas para o povaréu provavelmente pagas pelo Estado e pela mamadeira de Bruxelas – ISTO É, TODOS NÓS, OS CONTRIBUINTES (Sobretudo os contribuintes altos, loiros, aprimorados nos genes, ai meu deus, que até se me dá uma coisa)! E eu aqui, que já peguei no batente por volta do meio-dia de ontem (dia 12 de Junho de 2026, sou uma pessoa de factos e de ciência, por quem sois?). É verdade que não trabalhava desde dia 5 de Junho, mais concretamente quando me envolvi numa discussão no tweet do drogado do João Galamba sobre o Doutor Nuno Palma (de Manchester em trânsito para a Florida – ou Flórida, agora já não me recordo bem). Aleivosias, como bem sabeis. Coisas de carochos.




Mas como vos dizia, e esta dor que não passa e me esmaga as têmporas, o dia hoje foi pesado.

Pelo meio-dia comecei por insultar o jornalixo do Luís Ribeiro. Um perfeito imbecil. Escreveu sobre o Trump e sabe-se que é um absoluto ignorante em tudo que tenha a ver com economia. Eu, Elisabete, é quase como se tivesse um doutoramento e fosse professora catedrática. Mas, não imaginais vós, isto foi só o início de um dia estrénuo e extenuante. Logo a seguir foram três tweets a ter de explicar às pessoas que não percebem de economia (2 vezes só para o Luís Ribeiro, outra para alguém que falou mal do  Doutor Nuno Palma – de Manchester em trânsito para a Florida – ou Flórida, agora já não me recordo bem). Depois disto, foi uma azáfama que nem vos digo. Só no tweet do Luís Ribeiro, que se atreve a sugerir que o Doutor Nuno Palma (de Manchester em trânsito para a Florida – ou Flórida, agora já não me recordo bem) é hipócrita foram sete (7) tweets a dizer que recebe dinheiro dos filhos do Berlusconi.[1] Foi mesmo exigente. Se a malta que recebe RSI tivesse de escrever 7 tweets destes por mês, não que não iam começar a capinar de bom grado. Sabem eles o que custa. E faziam-no por um sumol e uma sandes de chourição. A exaustão moral que isto me provocou, a par com as enxaquecas (calma, Nuno, não são vozes. Desculpem, Elisabete), nem fazem ideia. Precisei de descomprimir um bocado, pensar nas coisas boas da vida. Ao “O Divertido” disse-lhe que “Burra” é a que o “pariu”. Ao Pedro AF, desculpem, já não aguentava mais, e foi como o Mises sobre o Estado social: 





“Tens de ir mamar no farelo”. “O Divertido”, não satisfeito, insistiu e eu não me aguentei e sugeri-lhe APENAS (da mesma forma que o Doutor Nuno Palma não recebeu fundos europeus, só pediu um empréstimo): “Chupa devagar que custa menos”. Até ouvi um cravo a retinir (o instrumento musical, não a flor, entenda-se).




Além de extenuada, estava esfaimada, e já marchava uma bucha. Lá foi, que isto não se alimenta do ar. Comecei o turno da tarde. Ainda lá nos fundilhos de um tweet infamante do Luís Ribeiro sobre o Doutor Nuno Palma (de Manchester em trânsito etc... que não quero estar aqui a perder tempo com os acentos da Florida) comecei o turno da tarde, só para aquecer. De “muda a erva que não cagas amarelo” para um “chupa então” para outro (podem imaginar-me a entrelaçar e distender os dedos neste momento que foi o que fiz, antes de apertar com força, mas desenvoltura o seio direito... hehehe, agora agarrei-te mesmo, Nuno, não penses nisso que te faz mal ao coração). Bem, aquecimento ligeirinho, como vos dizia, mais uma coisa de sapos com a Isabel Moreira e depois alguma discussão sobre os temas que me são caros (além do Doutor Nuno Palma, interesso-me por economia). Mas pronto, voltei ao trabalho que se fazia tarde. Voltei a dizer ao Luís Ribeiro que recebia dinheiro do Berlusconi num post sobre o Doutor Nuno Palma (se não ficou claro à primeira, era para dizer que contradição por contradição, acabamos todos cegos... e não é da punheta!). Um bocado mais de relax, encharcar o Luís Ribeiro com links dos meus amigos da Página UM, dizer ao Luís Braga para meter pomada que “dói menos”. Mais um bocado de Luís Ribeiro e tal, dá-lhe aí, esfrega (calma, Nuninho, digo, Beta). E voltámos a vaca fria. Continuavam a falar mal do Doutor Nuno Palma. E eu lá tive de dizer à “Viúva Assanhada” (sic) que se “ele [Doutor Nuno Palma, em trânsito de Manchester etc...] tem a lâmpada fundida então os outros têm que voltar para o zoológico”. Mais um bocado de Luís Ribeiro e a “porrada que está a apanhar” (que eu sou adulta, e o que um adulto bem sabe é que se é para levar é para contar), mais umas merdas. 








Depois veio a Câncio que também se lembrou de chatear o Doutor Nuno Palma (em trânsito de Manchester, etc...). E uma mulher não é de ferro, eu já não aguentava mais e disse-lhe logo o que havia para dizer “a gaja que fazia broches ao Sócrates” – toma que já almoçaste. Depois já estava a chegar o fim da tarde e as pessoas estavam mesmo felizes lá fora e achei que também temos de saber conhecer e respeitar os nossos limites. Então limitei-me a fazer mais um post a dizer a mesma coisa sobre chupar pilas (não se pense que é uma obsessão, acho nojento, pelo menos de forma consciente). Ainda veio mais um moço falar com aquela porca e eu pu-lo logo no sítio “E tu o que já escreveste para se saber”? Acham que falam assim sobre um homem com obra publicada e que, além do mais, não sei se vos disse, está em trânsito. Pensam que é assim, como falar do cu para a piça. Mas o dia já estava no fim. Já só ouvia o Aperta, Aperta com Ela (e voltei a sentir um frémito). Até recuei para um post da Câncio do dia anterior a deixar claro que eu não penso exatamente como o Doutor Nuno Palma (o que prova que eu não sou o Doutor Nuno Palma). Disse-lhe e passo a citar “Eu também sou contra muitos desses fundos, mas outros ajudam. Lê primeiro o livro e fala depois. Mas tu não és capaz de ler um livro de economia de certeza, ainda te baralha o cérebro.” Ainda fiz um esforço derradeiro, já em risco de exaustão e hiperventilação, mas a alegria na rua já era muita, avassaladora, insuportável. Tudo gente do RSI.



Podem vós julgar que estou a defender o Doutor Nuno Palma à outrance. Nada mais falso e calunioso. Eu sei que almas corrompidas há muitos anos sugerem que ele é useiro e vezeiro no recurso a contas falsas. E eu tenho a prova de que isso é mentira. Pelo menos no meu caso. Por exemplo, ainda noutro dia lhe escrevi sobre o livro dele mesmo: “Eu vou comprar logo um dos primeiros, assim é menos um disponível para se saber como acabar com a mama dos políticos em Portugal. Este livro é um perigo para a sobrevivência dos tachos políticos em Portugal.” Eu sei que podereis julgar que isto revela o sentido de humor de um bidé que foi usado para plantar cannabis, mas fosse esse o caso e logo se revelaria que eu não posso ser o Doutor Nuno Palma, que foi ungido com um sentido de humor finíssimo, tão fino que às vezes nem se nota.




Mas nem se trata desse caso. É evidente que eu discordo frontalmente do Doutor Nuno Palma. Só passo a vida a comentar tweets que falam mal do Doutor Nuno Palma e azucrinar pessoas que recentemente o criticaram porque eu acredito numa ordem espontânea, mas que precisa, vá, dum empurrão, tal como acredita, por exemplo, o "Preso Numa Jaula" (Deus o tenha), que também tem andado numa azáfama, coitado – e preso numa jaula, imaginem! Só uma pessoa muito mal formada diria que é suspeito que o segundo nome que aparece nas contas que eu sigo seja precisamente o Doutor Nuno Palma (já me esquecia, em trânsito, etc...), logo a seguir ao C.D. Victoria C.F., que joga no Complejo Deportivo Luis Minguela, conta óbvia para se seguir se somos uma personagem fictícia e paródica que faz piadas sobre política (e manda mamar). [2] 





E só muita mesquinhez permitiria ver intenções tenebrosas e ocultas no facto de entre os meus 16 seguidores, que me gostam de ver mandar as pessoas levar no farelo, contar-se um catedrático de Manchester (em trânsito para a Florida ou Flórida). Tudo isso só pode ser maquinação das máfias que querem evitar que o Doutor Nuno Palma denuncie a corrupção desbragada, que coloca em xeque o futuro dos nossos netos (e dinossauros), que representam os fundos europeus e que o doutor Nuno Palma estudou arduamente (e se recorreu a fundos europeus fez muito bem. Uma coisa é nós dizermos o que os outros devem fazer, outra é o que fazemos. E quem disser que isto é hipócrita, sugiro que vá conversar com o Mike Billions, que ele percebe da poda). Para pôr um ponto final no assunto, devo dizer que até vou a Oeiras muitas vezes, passeio na Marginal, e nunca vi o Doutor Nuno Palma. Vejam lá que até já fui duas vezes a Manchester para ele me assinar os 4 tijolos dele que comprei, e o malandro, nada. Só não vou à Florida (ou Flórida) porque aquela gente do ICE não é de confiança e aquilo é um quebra-cabeças perigoso de legislação no que toca a imigração e cidadania (os camarados claro que vão ver aqui hipocrisia, mas podem continuar a cagar amarelo).




A infâmia é tão abracadabrante que até o meu primo Galileu, coitado, que está a recuperar de um jeito nas costas, se viu obrigado a intervir. Há quem diga, gente soez, que o Galileu é um parente do doutor Palma, ou até o próprio do Doutor Palma. Nada mais incorreto. O meu primo Galileu não escrevia desde 25 de Julho de 2025 porque, como vos dizia, aquilo das ciática não está mesmo famoso. Mas perante esta infâmia, foi que nem Lázaro. Saltou da cama já meio entrevado, e foi lá, um ano depois de ter twitado pela última vez, e escreveu, sem espinhas (a quem? Ao Luís Ribeiro, pois claro, é preciso ser tenaz): “Pelo que já percebi, o Nuno Palma pediu apenas um empréstimo bancário a um banco português, enquanto o Estado sacou milhares de euros ao PRR para renovar o Palácio da Ajuda. Mas há para aí burros que não entendem a diferença.”. E mais nada. Já sei que vão dizer que a mãe do Doutor Nuno Palma se pode ter atrapalhado com as contas do Twitter e tungas, lá espeta o coitado do Galileu, que, como o Doutor Palma, estava certo quando todo o mundo estava errado – e que, como sabemos, no caso deste Galileu segundo, andava afastado destas lides, culpa da ciática e da heteronímia. Em ambos os casos, a História os absolverá. Entretanto, está aqui muito indostânico a cantar aquelas músicas brasileiras que consistem em onomatopeias e formas mais ou menos óbvias de falar de fornicação, e estas dores não param. Espero que vos possa ter ajudado, pois se há coisa que nos une a todos (a mim, ao Doutor Nuno e ao Galileu) é o amor inquebrantável pela verdade e autenticidade.

 

                                Um bem-haja a todos 

 

                                                    Da vossa

                                                 Elisabete Sousa (a verdadeira)





[1] Nota do revisor (paciente, muito paciente): o editor fartou-se de contar mas garante que sete fotos do Berlusconi com duas “gajas boas” (é o termo técnico) foram publicadas pela Beta. É possível que tenham sido mais, mas ao contrário da Beta eu não gosto do que faço.

[2] Nota do tradutor (com propriedades de transubstanciação): Além do Victoria, a Dra. Elisabete também segue o San Lorenzo (Argentina), o La Cisterniga (Espanha), o Valladollid (Espanha), Federácion Riojana de Futebol, 11contra11, a Real Federéracion de Castilla y Leon (espanha), ElFutbolModesto, Real Ávila, Atlético Astorga, Diocesávila, Palencia Club de Futbol e Palencia Cristo Atletico, Club Deportivo Guijuelo, Laguna, Baneza, Burgos International Futbol Academy, CD San Jose, La Factoria BCF, Burgos Club Visual, Atlético Tordesillas, Ribert, Villaralbo, Peñaranda, Santa Marta, Arandina, Cantera Unionistas, Atlético Bembimbre, Ciudada Rodrigo CF, e DAZN Portugal. Perdoarão ao tradutor se não enumerar todos os canais (Netflix Portugal e brasil) e outros media que a Beta segue, que inclui o Económico, o Observador, a Sic, + Liberdade, entre vários outros (incluindo todos os económicos). No que diz respeito a pessoas reais (até ver, às vezes não parece crível), além do Doutor Nuno Palma (em trânsito, sabem, pela consistência) só Nuno Rogeiro. Perguntais-nos, genuinamente, se é possível alguém ter uma obsessão por clubes de futebol de terceira categoria em Espanha e na Argentina (e contas de X avulsas que falam sobre futebol em espanhol), pelos canais noticiosos portugueses, com forte ênfase na economia, e nos doutores Nuno Rogeiro e Nuno Palma. Fazendo uma regressão linear, e recorrendo à teoria dos fractais, podemos dizer que não é teoricamente impossível. Mas é triste. Bastante triste.










Post-Scriptum (in memoriam): Os editores acabam de tomar conhecimento do súbito falecimento de Elisabete Sousa. O nosso coração balança. Por um lado, é sempre chato perder um vulto da cultura portuguesa deste quilate. Por outro temos a honra de ter publicado o último texto da Beta. Ademais, isto quer dizer que, à partida, não teremos de voltar a editar um lençol inane destes.


 





domingo, 7 de junho de 2026

Do as I say, not as I do.

 



Regarding economic historian Nuno Palma’s interview with Sábado magazine about his latest book — Europe's Poison Pill. The Unintend Consequnces of Cohesion Funds and Why They Must End — several questions immediately arise.

The Portuguese publisher (Publicações Dom Quixote) is marketing the book in the following terms:

"For decades, European funds have been presented as engines of convergence, modernization, and prosperity. Nuno Palma, an economic historian with international experience and a keen observer of the Portuguese case, argues the opposite: they have created dependency, distorted priorities, rewarded poor governance, and hindered crucial reforms. Portugal is the laboratory example of this addiction: billions invested in infrastructure, roads, and programs coexist with stagnation and divergence from the rest of Europe. Drawing on data, scientific studies, and concrete examples from various European Union member states, this book dismantles one of the greatest dogmas of European integration and poses an uncomfortable question: what if money from Brussels is part of the problem rather than the solution?"

When confronted by Sábado magazine with the question — "You have received European funds yourself, yet you advocate ending the Cohesion Fund. Do you see any contradiction?" — Palma denied ever having directly applied for European funds:

"Even though I would have had every right to do so. I received a bank loan under IFRRU [Financial Instrument for Urban Rehabilitation and Revitalization]. The loan was granted by a Portuguese bank. Strictly speaking, I did not need to know the composition of that loan. Therefore, in rigorous terms, I never applied for European funds. In this case, I was in the same position as the overwhelming majority of Portuguese people who 'benefit' from these funds without applying for them, in a country where, as we discussed, 90% of public investment in recent years has been paid for with such funds. It would be impossible to leave one's house without 'benefiting' from them! Whether one is for or against their existence is a separate issue... and it would be an absurd incentive toward censorship and clientelism to say that only those who do not 'benefit' may criticize them. Every Portuguese citizen has received European funds. All it takes is leaving home. All of us who pay taxes benefit from the choices the State makes, the investments it carries out, and the policies supporting them. Whether we agree with them or not. I also benefit from public investments, like any citizen."

Now, let us examine this point by point.

IFRRU 2020 did not provide non-repayable grants but rather loans on more favorable terms than those available on the market, with maturities of up to 20 years and reduced interest rates. It was intended for the comprehensive rehabilitation of buildings (residential or otherwise) and included energy-efficiency components — all through a single financing application.

It operated as a revolving financial instrument combining several sources:

1.    European structural funds;

2.    The European Investment Bank (EIB) and the Council of Europe Development Bank (CEB), which leveraged the European funds with additional capital.

These resources were then channeled through commercial banks selected through a competitive process (Santander Totta, BPI, and Millennium BCP), which made the financial products available to final beneficiaries (as happened in Nuno Palma’s case).

In total, the instrument achieved a financing capacity of €1.4 billion, generating an estimated investment of around €2 billion.

Conclusion: Nuno Palma, an economic historian, says that he did not directly apply for European funds, although he knew that IFRRU was financed by the European Union through subsidized interest rates. He also knew that this specific program depended on European funding.

Palma paid only a small fraction of the interest owed to the bank (perhaps a quarter or a fifth of what he would have paid without European support). Therefore, strictly speaking, he did not receive money directly, but he did realize a financial saving: instead of receiving a monetary transfer, he paid less than he otherwise would have paid had he not been covered by IFRRU. The portion of the interest that Palma did not pay was effectively guaranteed by the EU.

In practical terms, this amounts to the same thing: Palma benefited from European funds, just as 90% of Portuguese people have. The difference is that 89.9999% of Portuguese citizens have not written a book opposing European funds and criticizing them harshly. And the vast majority did not actually apply for European funding. Nuno Palma applied to an Urban Revitalization Fund that he knew was financed largely through European funds.

Thus, when he states in the interview, "Therefore, strictly speaking, I never applied for European funds," he is merely playing with words.

At this point, some questions become unavoidable.

Does Nuno Palma, in The Addiction to European Funds: The Consequences of Cohesion Policy and Why It Should End, analyze the "consequences" of IFRRU?

Or the potential negative impact of IFRRU and other equivalent subsidies ("creating dependency, distorting priorities, rewarding poor governance, and blocking decisive reforms")?

Does he develop the same type of argument presented to Sábado magazine in order to justify the "banal inevitability" of his own inconsistency?

In fact, only yesterday, on the social media platform X, Palma invoked his book in response to a news report noting that the Recovery and Resilience Plan (PRR) had been used to finance housing for several families in Penafiel. Apparently, others — even when facing genuine need — do not benefit from the same moral leniency that Nuno Palma generously extends to himself.

It should also be noted that a few years ago Palma criticized, on the same platform, the use of PRR funds to build housing in Oeiras, arguing that the municipality governed by Isaltino Morais is one of the wealthiest areas in the country. This is the classic "potato logic": if Oeiras is one of the richest municipalities in Portugal, then everyone who lives there must be rich, therefore PRR funds should not be used there.

(BY THE WAY: do you know where Nuno Palma’s European-fund-supported house happens to be located? Anyone who answered OEIRAS got it right.)

Let us be clear. What is at stake here is not legality but ethics, morality, and intellectual consistency. An academic and economic historian whose central thesis is that European funds are the main cause of Portugal’s backwardness and poverty objectively benefited from those very funds in order to renovate a house he owns in Portugal and in which, apparently, he does not reside.

Unless the property is being used for economic purposes, it is difficult to understand how this use of European funds contributes to the country's development — especially when Palma criticizes investments such as social housing or roads.

That Palma does not reside in Portugal can be inferred, at least, from information available on the Ciência Vitae platform (Portugal’s national scientific curriculum management system).

Since August 1, 2017, Nuno Palma has held a permanent academic position at the University of Manchester (United Kingdom):

1.    Assistant Professor (University Teacher), from August 1, 2017, to July 2020;

2.    Associate Professor (University Teacher), from August 2020 to May 31, 2023;

3.    Full Professor (University Teacher), from June 1, 2023, to the present.

Nuno Palma therefore resides in England/the United Kingdom.

This brings us to another issue: Nuno Palma did not benefit from European funds only once.

Again, let us proceed step by step.

Several years ago, Palma applied to a public funding program known as the Scientific Employment Stimulus Program (CEEC), created by Decree-Law No. 57/2016 to combat precarity and promote the hiring of PhD researchers by Portuguese scientific and technological institutions.

The objective was to address the severe precariousness affecting Portugal’s scientific system — widely regarded as crucial to national development — and the thousands of researchers who spent decades in unstable positions without access to benefits such as holiday and Christmas bonuses, unemployment insurance, and other protections associated with employment contracts.

Like other programs managed by Portugal’s Foundation for Science and Technology (FCT), CEEC is co-financed by the European Union through European funds.

Although administered nationally by the FCT, European funding covers a significant portion of the costs associated with researchers’ employment contracts.

In practice, the FCT signs program contracts with host institutions, and costs are paid through a combination of state budget funds and European financial resources.

Currently, European co-financing rates for contracts in Greater Lisbon range between 40% and 50% of the total amount allocated to each researcher (€2,134.32 per month), and even more in other regions of the country.

Palma’s contract began on May 2, 2019, and ended on May 1, 2022 (at least; it should be noted that in 2025 he still maintained dual affiliation with ICS and Manchester and continued acknowledging support from the FCT).

According to the 2022 Activity Report of the Institute of Social Sciences (ICS), page 47:

"Four researchers affiliated with this research group through FCT Individual Stimulus Competitions continued their individual projects: Duncan Simpson, Renato Pistola, Valerio Torreggiani, and Nuno Palma (the latter on a part-time basis)."

Part-time?

Can a tenured university professor benefit from CEEC? Yes, but only under two circumstances:

1.    Leave without pay (suspension): If the researcher has accepted a permanent academic position at a British university, they must normally suspend the CEEC contract because such contracts generally require exclusivity in Portugal and dedication to the project.

2.    Secondment or mobility arrangement: Temporary modifications may be negotiated with the host institution and the FCT, provided that the stay abroad strengthens the approved research plan.

For the sake of transparency — given Palma’s readiness to criticize others for alleged misuse of public funds — it would be important for him to clarify this matter: did he take unpaid leave from Manchester, or did he obtain authorization for CEEC participation on a part-time basis?

As far as I know, very few people in Portugal can simultaneously benefit from CEEC and hold a permanent academic position elsewhere.

I am also unaware of cases in which CEEC beneficiaries hold permanent positions abroad.

Consider, hypothetically, that if this were generally possible, internationally established academics could easily come to Portugal and obtain a salary supplement. Anyone can apply to CEEC as long as they conduct their activity in Portugal. The purpose of stimulating scientific employment in Portugal would then be undermined.

In summary, I have serious doubts that CEEC was intended to finance researchers or professors who already hold permanent positions. If it is possible, it appears contrary to the spirit of the law, which is clearly to stimulate scientific employment, not to provide additional income to those already employed.

Everything therefore suggests that Nuno Palma may have accumulated two sources of income over several years: his salary from Manchester (presumably the main source) and CEEC remuneration (supported, it bears repeating, by European funds, which Palma himself describes as a cause of Portugal’s "backwardness").

To benefit from this kind of "salary supplement," the economic historian and fierce critic of European funds not only fed once again from the generous European funding system but also took a position that might otherwise have gone to a precarious researcher, thereby pushing that researcher into unemployment or keeping them there.

In other words, someone living in Portugal and conducting research in the country may have been denied employment and income so that Dr. Nuno Palma could receive an additional source of remuneration.

Other questions could also be raised:

How did Portugal’s investment in Nuno Palma, rather than another researcher, benefit the national scientific system?

Did his scientific output benefit Portugal, or the University of Manchester and the United Kingdom?

Did he actually conduct his research in Portugal, as required by CEEC regulations?

If events unfolded as described, is that fair and moral?

At the limit, is it even legal?

These are merely doubts — only doubts. Now, let him answer them.


    In memory of Diogo Ramada Curto (1959–2026), whom Nuno Palma called "dishonest."


                                                                            João Pedro George