terça-feira, 30 de dezembro de 2025

São Cristóvão pela Europa (338).

 

 

 

Entramos no distrito de Hermagor, ainda no Estado austríaco da Caríntia. Agora peregrinando ao longo do vale do rio Gail, afluente do Drau.

Primeira paragem em Radnig na Igreja de Santa Catarina onde existe uma inscrição datando a construção de 1040.  Em 1473 esteve na rota de uma invasão turca. A igreja foi vandalizada e todos os que se tinham refugiado no seu interior foram massacrados.

No exterior, uma imagem do nosso Santo.

Não deixa de merecer reflexão, ao ver uma paisagem tão tranquila, como a História encerra acontecimentos tão terríveis.

 



Em Förolach, a igreja paroquial é dedicada a São Tiago Maior. De estilo gótico, foi mencionada pela primeira vez em meados do Século XIV. Os frescos, ente os quais um de São Cristóvão, são de 1518. Como noutros casos, estavam ocultos e só foram descobertos em 1977.

 



Em Tratten, a igreja é de estilo gótico tardio e é dedicada a Santa Luzia e São Jodukus. Foi construída no final do Século XV. No exterior, um fresco do nosso Santo.

 


 


 

Sempre ao longo do Rio Gail, chega-se à aldeia de Vorderberg. A igreja é de estilo gótico tardio e é do Século XV. O fresco de São Cristóvão, deteriorado, foi também tapado e posteriormente descoberto.

 



 

                                        Fotografias de 3 de Agosto de 2025

                                                                           José Liberato




domingo, 21 de dezembro de 2025

São Cristóvão pela Europa (337).

 

 

Este post trata das últimas imagens de São Cristóvão no distrito austríaco de Spittal na der Drau no Estado da Caríntia, todas ao longo do rio Drau. O rio Drau desagua no Danúbio já na Sérbia.

Em Berg im Drautal, duas igrejas têm imagens do nosso Santo. A igreja paroquial é dedicada à Natividade de Maria. Românica no início, foi fortificada no Século XV. No exterior, um fresco da primeira metade do Século XV representa São Cristóvão.

 



A outra igreja é dedicada a Santo Atanásio. Junto ao rio Drau, foi consagrada em 1485. Segundo a tradição, a primitiva igreja teria sido fundada pelo próprio Santo que foi Bispo de Alexandria. Na sequência do Concílio de Niceia, de que recentemente foram celebrados os 1700 anos com a presença do Papa, o Bispo foi exilado para Trier na actual Alemanha. No caminho instalou-se nesta região e terias fundado a igreja.

No exterior, dois frescos de São Cristóvão. Datam de cerca de 1400.

 




A pequena Igreja de são Jorge em Gerlamoos, originalmente românica, ostenta um fresco exterior de São Cristóvão.

 



Finalmente, em Gajach, a Igreja de Santo André, em estilo gótico tardio, tem no seu interior, um fresco com uma imagem de São Cristóvão.

 

 




                                                                    Fotografias de 2 de Agosto de 2025

                                                                                                     José Liberato


domingo, 14 de dezembro de 2025

São Cristóvão pela Europa (336).

 

 

 

Ao longo do rio Möll, afluente do Drava, são várias as aldeias onde podemos encontrar imagens do nosso Santo.

Em Lainach, a igreja paroquial, mistura de elementos góticos tardios e barrocos, é dedicada a Santa Margarida. Foi consagrada em 1521. No exterior, um mural representando São Cristóvão.

 



 

Heiligenblut (que quer dizer sangue sagrado) é um município a cerca de 1300 metros de altitude no sopé da montanha Grossglockner que se ergue a 3800 metros de altura. A Igreja paroquial é dedicada a São Vicente. A pintura de São Cristóvão na fachada norte da igreja será do final do Século XV.



 


A igreja de Maria Dornach em Miitteldorf foi consagrada em 1491. É importante ponto de peregrinação. No exterior, um mural do nosso Santo.

 



Finalmente em Zwickenberg, a igreja paroquial é dedicada a São Leonardo. Ostenta não um mas dois frescos representando o nosso Santo. Um do Século XIII que estava tapado e foi descoberto em 1942. Outro, que sempre esteve visível, data de cerca de 1500.

 




                                                Fotografias de 2 de Agosto de 2025

                                                                                 José Liberato




sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

São Cristóvão pela Europa (335).

 

 

 

O Millstättersee, ou lago de Millstatt, é o segundo maior lago da Áustria. Situa-se a mais de 500 metros de altitude e tem uma profundidade que ultrapassa os 140 metros. Há quem diga que o seu nome tem origem nas mil imagens pagãs que São Domiciano teria deitado ao lago aquando da sua conversão ao cristianismo na época de Carlos Magno. Trata-se provavelmente de uma fábula, mas o que é certo é que se insere numa paisagem de grande beleza.

 


Na sua proximidade, várias igrejas contêm imagens de São Cristóvão.

Em Obermillsttat, que se pode traduzir como Millstatt de Cima, a Igreja de São João Baptista contem um curioso quadro de meados do Século XVIII representando sete santos auxiliares (Santa Bárbara, Santa Margarida, Santa Catarina, São Vito, São Pantaleão, Santo Acácio e São Cristóvão). Ora os santos auxiliares são catorze, o que leva a pensar que terá existido outro quadro com os restantes sete.






Nos arredores de Gmund in Kärnten, a Igreja de Santa Maria Madalena, originalmente românica, mencionada desde 1455, foi atribuída ao culto protestante em 1988. No exterior, uma pintura de São Cristóvão.

 



Em Malta, a Igreja paroquial, construída no Século XI, é dedicada à Assunção de Maria. No exterior, um fresco do Século XIV representa um enorme São Cristóvão. Com uma curiosidade. Aos pés do Santo um autêntico rato Mickey. O conjunto foi descoberto em 2002.

 




                                                               Fotografias de 1 de Agosto de 2025

                                                                                                   José Liberato


sábado, 6 de dezembro de 2025

São Cristóvão pela Europa (334).

 

 

 

Seguindo nas margens do rio Drava, cheguei a Nikelsdorf. A sua Igreja de São Nicolau foi totalmente reconstruída em 1905. No exterior, um mural bastante danificado representando São Cristóvão, assim como um pequeno oratório.

 




Paternion é a sede do município. Na fachada de um edifício de habitação junto à Hauptstrasse, um belo mural datado de 1972 e da autoria do pintor austríaco Anton Hafner (1912-2012).

 

 

E entramos no distrito de Spittal an der Drau.

Em Kaning, a Igreja de São João Baptista exibe um fresco de 1515 da autoria do pintor austríaco Urban Görtschacher que voltaremos a encontrar.

 


 

Finalmente, em Sappl, a Pensão São Cristóvão tem uma estátua do nosso Santo em madeira.

 



                                                    Fotografias de 1 de Agosto de 2025

                                                                                        José Liberato




domingo, 30 de novembro de 2025

Um tempo histórico turbilhonante numa investigação não menos fulgurante.

 


 

 

 

          Maria Inácia Rezola é uma historiadora com créditos firmados da história contemporânea portuguesa, foi Comissária Executiva das Comemorações dos 50 anos do 25 de abril. Esta obra, Revolução, A Construção da Democracia Portuguesa, Publicações Dom Quixote, novembro 2025, tem como ponto de partida um outro não menos excelente trabalho, datado de 2007, 25 de Abril – Mitos de uma Revolução.

          Na introdução, e não por acaso, alude aos eventos do 25 de novembro, uma memória em disputa, marca uma fratura dos partidos políticos da esquerda à direita, cada um lê de acordo com as suas conveniências, como ela detalhará adiante houve mais do que um 25 de novembro, no evento estiveram envolvidos apoiantes do “Grupo dos 9”, com interlocução perto do PS, a esquerda revolucionária, com atividade otelista (COPCON), dos SUV, da FUR, com presença esporádica do PCP, que terá saído das manobras do golpe a tempo e horas; poderá falar-se também dos spinolistas e da direita, em convergência com os grupos bombistas, associados ou não ao ELP e MDLP. Esta intervenção, conjugada ou desarticulada, entre spinolistas e bombistas, não aparece ainda devidamente estudada.

          A autora procura oferecer uma síntese atualidade da Revolução dos Cravos. “Recorre não apenas à produção já consolidada da historiografia, mas também a investigações e publicações que, nos últimos anos, enriqueceram o conhecimento sobre os contextos, os protagonistas e as dinâmicas do processo revolucionário e a história do nascimento da democracia portuguesa. Procura cruzar diferentes perspetivas – a história política e institucional, a história militar e a história social -, sublinhando o entrelaçamento entre decisões tomadas no interior das elites e a mobilização dos setores populares e movimentos sociais.” Uma investigação repartida em três módulos: a conspiração dos capitães e a passagem dos quartéis à revolução; a imersão na energia popular de um país frenético, convulsionado; a itinerância da revolução à constitucionalização da ordem democrática. Observam-se os conflitos políticos, sociais e ideológicos que marcaram o percurso entre abril de 1974 e julho de 1976.

          Ponto um, tudo começa com um caetanismo caído num impasse, a ilusão liberal desvanecera-se, caminhava-se para a exaustão dos meios e dos recursos nas frentes da guerra colonial, a juventude universitária agitava-se, faziam-se greves, havia novas organizações da extrema-esquerda, uma ala do catolicismo contestava a guerra colonial, desde maio de 1973 que o PAIGC anulara a supremacia aérea portuguesa e dava provas inequívocas de ser um movimento libertador quem tomava a iniciativa ofensiva; e as coisas estavam a  correr muito mal em Moçambique, a FRELIMO atuava perto da Beira, a crise petrolífera de 1973 fazia explodir os preços; as reivindicações corporativas dos oficiais do quadro permanente abriram um ciclo de reuniões e em breve os militares puseram o foco no derrube do regime. Tudo somado e multiplicado, pôs-se em marcha a Operação “Viragem Histórica”.

          Ponto segundo, a historiadora desenha ao detalhe o processo conspirativo, a importância do livro de Spínola na evolução dos acontecimentos, o estabelecimento de um programa por parte dos capitães, iremos ver os momentos-chave do dia 25 de abril, do golpe desponta um conjunto de órgãos de soberania, cedo começa o conflito entre Spínola e as fações do MFA, forma-se Governo, cai Governo, Spínola perde autoridade, a questão colonial está permanentemente no ar, Spínola joga na mobilização popular e perde, demite-se; há disputas no MFA, germina o processo revolucionário, segue-se o 11 de março, a revolução vira notoriamente à esquerda, é nesta atmosfera que se realizam as eleições de 25 de abril de 1975, a autora apresenta-nos as forças partidárias, o carácter das negociações prévias com o MFA, a rotura acelera-se depois dos resultados eleitorais, os conflitos entre militares ganham aceleração, o poder popular manifesta-se em ocupações, comissões dos moradores, radicalização e greves, reforma agrária, a esquerda revolucionária instala-se nos quartéis – não há equívocos quanto à dimensão da crise do Estado, é um país onde a guerra civil está à espreita.

          A autora recorda-nos que em agosto de 1975 a revolução parecia ter atingido o seu clímax, sucedia-se a crise política, a fragmentação do MFA a tensão social era iniludível. Em setembro, uma assembleia do MFA em Tancos, contesta abertamente Vasco Gonçalves, impõe-se o “Grupo dos 9” que tem à cabeça um ideólogo, Melo Antunes. Do verão escaldante passamos a um outono escaldante. E dá-se o 25 de novembro, é aqui que a autora questiona quantos golpes de 25 de novembro existiram; e em remate da derrota da extrema-esquerda militar reconhece-se o papel determinante do general Costa Gomes, da sua atuação firme e categórica, do posicionamento do “Grupo dos 9” após o desabamento de qualquer golpe revolucionário, travou-se a sanha revanchista da extrema-direita militar e política. Spínola pôs termo à sua rede bombista e conspirativa.

          Ponto terceiro, chegou a hora da institucionalização da ordem democrática. A revisão do pacto MFA- Partidos e qual o papel das forças armadas na vida política tornou-se na questão dominante, o pacto foi revisto, a historiadora dá-nos conta das negociações e da multiplicidade de tomadas de decisão até se chegar a um Conselho de Revolução que obteve consenso partidário, chegou-se ao II Pacto MFA- Partidos, enquanto tudo isso se passava surgiu a tensão À volta do reconhecimento da República Popular de Angola. A Constituição é aprovada em 2 de abril de 1976, seguir-se-ão as primeiras eleições legislativas. Aqui se conta como se forjaram as primeiras eleições legislativas, seguem-se as eleições presidenciais. Estava encerrada a fase revolucionária, abria-se a porta à institucionalização da democracia portuguesa.

          Em jeito de conclusão, a autora recapitula os principais acontecimentos entre o 25 de abril e o 25 de novembro e dirá que o grande mérito do 25 de novembro foi o de ter criado as condições para assegurar um desfecho democrático da Revolução, a Constituição foi alvo de um compromisso delicado, mas que, na prática, consagrava a supremacia do poder civil sobre o militar. “O balanço da revolução não se esgota no período 1974-1976: prolonga-se nos usos políticos e culturais que moldaram a memória pública. O Portugal democrático construiu-se sobre a tensão entre estes dois marcos, 25 de abril e 25 de novembro, não como datas opostas, mas como momentos complementares. Permanece a herança maior: a conquista irreversível da liberdade e a institucionalização de uma democracia pluralista.”

          Ensaio de historiografia mais do que recomendado, dá-nos a compreensão de como se consolidou meio século de paz na vida portuguesa, como nunca tinha acontecido.

 

 

Mário Beja Santos

 


quarta-feira, 26 de novembro de 2025

São Cristóvão pela Europa (333).

 

 

 

Entre 31 de Julho e 3 de Agosto últimos viajei pela Áustria, País onde abundam, como sabemos, as imagens de São Cristóvão.

Estive no Estado da Caríntia nos distritos de Villach-Land, Spittal an der Drau e Hermagor e no Estado do Tirol.

Comecei pelo distrito (bezirk) de Villach-Land que, na realidade, constitui a Área Metropolitana da cidade de Villach.

Em Göriach, a igreja de São Martinho foi destruída pelos Turcos durante a sua ocupação da Região em 1478. Foi reconstruída no final do Século XV. No exterior, um pouco apagado, um fresco representando o nosso Santo.



 

Muito próximo da cidade de Villach, em Obere Fellach, ergue-se a Igreja de São Tomé. Data de 1486 e no seu interior pode-se visitar um belo altar de abas. Ao centro, São Nicolau e São Tomé. Nas abas, a Anunciação, a Natividade de Cristo, o Baptismo de Cristo e a Decapitação de São João Baptista. Em baixo, na predela, São Jorge, São Martinho, São Cristóvão e São Roque.

 



 

Obere Fellach é a primeira de um conjunto de localidades ao longo do vale do rio Dava onde existem imagens do nosso Santo. A seguinte é Weissenstein.

A igreja paroquial é dedicada a São Leonardo. No exterior, frescos da segunda metade do Século XIV, descobertos em 1974 pois encontravam-se tapados. Um deles do nosso Santo. No interior, um altar lateral exibe os catorze santos auxiliares entre os quais São Cristóvão.






 

A Capela Maria am Bichl situa-se em Feistritz an der Drau e também possui um fresco exterior do princípio do Século XVI representando São Cristóvão. O fresco foi prejudicado pela construção de uma janela.

 



                                     Fotografias de 31 de Julho e 1 de Agosto de 2025

    

                                                                                              José Liberato