Mostrar mensagens com a etiqueta São Cristóvão. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta São Cristóvão. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 6 de julho de 2026

São Cristóvão pela Europa (357).

 

 

 

E termino esta pequena incursão pelo Estado alemão de Hesse.

O Castelo de Ronneburg foi construído no Século XIII para fins de defesa e de residência sucessiva de várias famílias nobres, nomeadamente a família Ysenburg.

Foi muito afectado pela Guerra dos Trinta Anos, mas reconstruído a seguir.

Muito interessantes são os frescos do final do Século XVI, mas só recuperados no Século XX.

Um deles é dedicado a São Cristóvão, um pouco apagado. Na parede em frente uma divisa, algo cínica: Frid ist besser denn Krieg, diveil ungewis ist der Sig, ou seja, numa tradução livre, A paz é melhor que a guerra, sobretudo porque o resultado da guerra é incerto.

 




Um dos principais museus de Frankfurt é o Städel, criado pelo banqueiro Johann Friederch Städel (1728-1816) que doou a sua colecção de arte à sociedade através do mais antigo museu-fundação da Alemanha.

Da autoria do chamado Mestre do Norte dos Países baixos, um tríptico da Crucificação, também apresentando figuras de Santos e Doadores foi pintado na primeira metade do Século XVI. Esteve até recentemente na Igreja de São Mateus em Frankfurt. Um dos Santos retratados é nosso São Cristóvão. Os doadores, da cidade holandesa de Dordecht, parecem assitir à cena da Crucifiicação.

Da autoria presumida do pintor de Perugia Fiorenzo di Lorenzo, um quadro, também da primeira metade do Século XVI,  representa a Virgem e o Menino entronizados ladeados por São Cristóvão, particularmente elegante, e São Sebastião.

 







 

Finalmente, e à terceira tentativa, consegui visitar a Igreja de São Cristóvão de Rüsselsheim, consagrada em 1963. O elemento distintivo é a torre sineira que finalmente não tem sino. 




Uma imagem do nosso Santo acolhe os visitantes.



 

                                            Fotografias de 13 e 14 de Junho de 2026

                                                                                       José Liberato




sexta-feira, 3 de julho de 2026

São Cristóvão pela Europa (356).

 

 

 

Prosseguindo no Estado Alemão de Hesse, cheguei à cidade de Limburg an der Lahn. Junto às margens do rio Lahn, na parte ocidental do Estado, situa-se numa encruzilhada de vias fluviais, rodoviárias e ferroviárias.

O Castelo de Limburg, pairando sobre a cidade e o rio e com origens merovíngias, adquiriu a sua forma actual no Século XIII, nomeadamente na sua parte residencial e na sua igreja. A igreja contem um notável fresco medieval datando de cerca de 1300 representando São Cristóvão.

 




 A majestosa Catedral possui sete torres é dedicada a São Jorge.

Foi consagrada em 1235 e sofreu inúmeras remodelações. De notar que Limburg an der Lahn conservou-se predominante católica durante a Reforma talvez devido à influência da Diocese de Trier. Desde 1821 é sede de Bispado.

No seu interior, um mural do Século XVII representa o nosso Santo.

 



A 14 quilómetros a Sudeste de Limburg, situa-se o município de Selters, importante cidade termal, na origem do muito publicitado medicamento Alka-Seltzer.

Em Niederselters, a igreja Paroquial é mesmo dedicada a São Cristóvão. Consagrada em 1909, a nova igreja foi edificada em cima de anteriores no estilo neorromânico.

No seu interior uma bela imagem em madeira e um vitral.

 




                                                         Fotografias de 13 de Junho de 2026

                                                                                             José Liberato



sábado, 27 de junho de 2026

São Cristóvão pela Europa (355) .

 


 

Entre 12 e 14 de Junho deambulei pelo Estado alemão de Hesse que tem Frankfurt como cidade principal.

100 quilómetros ao Norte de Frankfurt situa-se a cidade de Alsfeld. Como muitas das cidades da Região juntou-se à Reforma Protestante por acção de Lutero que aqui esteve várias vezes.

A Igreja de Santa Walpurgis, cuja parte mais antiga data de meados do Século XIII, é uma igreja protestante que conserva vários elementos anteriores ao Século XVI tal como um belo fresco representando São Cristóvão.

 



A igreja de Cristo Rei também em Alsfeld é uma igreja moderna consagrada em 1963. 

A paróquia agregou várias paróquias antigas uma delas de São Cristóvão. Daí provavelmente a razão de conter no seu interior uma imagem do nosso Santo.



Marburg localiza-se nas margens do rio Lahn, afluente do Reno.

É uma cidade universitária. Aqui se reuniram em 1529 o Príncipe Filipe de Hesse, Martinho Lutero e Ulrich Zwingli no chamado Colóquio de Marburg com o objectivo de resolver uma controvérsia teológica que separava as tendências alemã e suíça do movimento da Reforma. Girava à volta da Última Ceia e da Eucaristia. Lutero considerava a Última Ceia como a mais profunda manifestação da Graça de Deus, Zwingli achava a Última Ceia um mero símbolo. A controvérsia não foi resolvida e as tendências ficaram separadas para sempre.

A Universidade é o ponto fulcral da cidade. Foi criada em 1527 como uma universidade protestante. Foi a primeira do mundo ocidental a ser criada sem permissão eclesiástica, privilégio papal ou autorização imperial.

A sua igreja, de 1291, é hoje protestante e anterior à criação da própria universidade, e hoje faz parte do complexo. É de estilo gótico.

Podemos imaginar a presença nos bancos da igreja de personalidades como Denis Papin (1647-1712), Professor de Matemática e Física entre 1688 e 1695, e grande percursor das máquinas a vapor da revolução Industrial, ou dos estudantes irmãos Grimm, Jacob (1785-1863) e Wilhelm (1786-1859), autores de contos infantis famosos, como A bela adormecida, Cinderela ou Branca de Neve

A igreja contem um fresco de 1947 muito curioso representando São Cristóvão. É da autoria de Franz Frank (1897-1986) a partir de uma ideia de Carl Bantzer (1857-1941), este de alguma forma ligado ao nazismo.

São Cristóvão é representado como soldado de uniforme rasgado, transportando o Menino Jesus num pântano. As cores escuras predominam.

 




 

                 Fotografias de 12 de Junho de 2026.

                                                     José Liberato

segunda-feira, 11 de maio de 2026

São Cristóvão pela Europa (354).

 

 

 

De volta a Espanha e à Província de Salamanca, agora com o apoio ao Malomil de uma forte equipa composta pelos curas D. Rafael, D. Carlos e D. Juan Carlos e as suas acólitas D. Maria José e D. Puri. A todos agradeço muito. Só assim foi possível visitar duas igrejas habitualmente inacessíveis.

 

Comecei pela aldeia de Retortillo que tem cerca de 170 habitantes. A igreja românica é dedicada a São Cristóvão e define a silhueta da aldeia.

No seu interior, um retábulo com uma imagem do nosso Santo. Curiosamente, o Menino Jesus não está sentado no ombro. Parece saltar.

 




Castillejo de Dos Casas é uma aldeia com cerca de 50 habitantes a um quilómetro da fronteira com Portugal. A igreja, também de São Cristóvão, ergue-se num ponto cimeiro e tem uma bela porta gótica. Terá sido construída no final do Século XV. No seu interior, uma imagem e um bastão usado em procissão, ambos com representações de São Cristóvão.

 







                                            Fotografias de 3 de Maio de 2026

                                            José Liberato

quinta-feira, 23 de abril de 2026

São Cristóvão pela Europa (353).

 


 

Continuando na província de Salamanca, agora na sua parte Sul, Beleña é um pequeno município situado em planalto. Sendo plano, atinge altitudes entre 800 e 900 metros.

Uma estátua de São Cristóvão foi criada por um artista local usando betão e cimento branco. Localiza-se junto à estrada com a intenção de proteger os condutores que passam.

A igreja, muito simples, é dedicada também ao nosso Santo. No interior, uma imagem que mal se consegue descortinar na fotografia.

 




 Ainda mais a Sul, fazendo já fronteira com a Província de Cáceres, situa-se Montemayor del Rio.

Nesta região passava a Via da Prata, caminho que ia de Astorga até Mérida. Segundo a tradição por aqui andaram Viriato, Sertório, até Aníbal Barca, o general Cartaginês.

O Castelo medieval de São Vicente, também chamado Castelo do Paraíso, do final do Século XIII, avulta na paisagem. Foi edificado certamente sobre fortificações anteriores

A Igreja de Nossa Senhora da Assunção é uma igreja construída em granito no Século XIII na transição do românico para o gótico. Possui um fresco representando São Cristóvão um pouco deteriorado.

 





Zamora é uma cidade importante na História de Portugal, em especial nos seus primórdios.

D. Teresa, mãe de D. Afonso Henriques, foi Senhora de Astorga e Zamora a partir de 1111. Passou aliás a usar o título de rainha desde essa altura.

Provavelmente em 1125, fez recentemente 900 anos, o jovem Infante D. Afonso Henriques investiu-se como cavaleiro. Dizem os Anais de D. Afonso, rei dos portugueses, transcritos por José Mattoso na sua biografia de D. Afonso Henriques:

Era de 1163 (ou seja 1125). O ínclito Infante D. Afonso, filho do Conde D. Henrique e da rainha D. Teresa, neto de D. Afonso, tendo cerca de 14 anos de idade (teria 16), estando na Sé de Zamora, no dia Santo de Pentecostes, tomou de cima do altar as armas militares e vestiu-se e cingiu-se a si próprio diante do altar, como é costume fazerem os reis. Vestiu-se com a armadura como o Gigante, pois era grande de corpo, e cingindo-se a si próprio com as armas para as batalhas, tornou-se nos seus actos, como um leão e como a cria do leão que ruge na caça.

Foi um primeiro momento de afirmação real de D. Afonso Henriques, três anos antes da batalha de São Mamede. Aconteceu em Zamora porque estava em território de sua mãe. Evidentemente que há que ter em conta que os Anais, escritos em 1185, são um panegírico do nosso primeiro rei.

Em 4 e 5 de Outubro de 1143, o Cardeal Guido de Vico (natural de Pisa, cardeal desde 1130, participante em na eleição de pelo menos três papas) encontrou-se em Zamora com Afonso VII de Castela e Leão e Afonso Henriques. Foi a chamada Conferência de Zamora.

Nessa conferência, de que não existem registos escritos, D. Afonso Henriques estabelece uma relação directa com a Igreja de Roma, ao mesmo tempo que vê Afonso VII reconhecê-lo como rei e afirmar-se como Imperador, dignidade superior à de Rei.

É indiscutivelmente um momento fundador da nacionalidade portuguesa.

A construção da Catedral de Zamora, tal como a conhecemos hoje, iniciou-se por volta de 1139, o que significa que a mencionada investidura de D. Afonso Henriques como cavaleiro ocorreu provavelmente na sua anterior configuração.

No seu interior, uma magnífica pintura mural de São Cristóvão, da autoria de Blas de Oña, pintor documentado entre 1531 e 1543.




 

                                                Fotografias de 3 e 4 de Abril de 2026

                                                                                      José Liberato





sexta-feira, 17 de abril de 2026

São Cristóvão pela Europa (352).

 

 

 

Entre 2 e 4 de Abril percorri as províncias espanholas de Salamanca e Zamora. Infelizmente, encontrei muitas igrejas fechadas mesmo em tempo de Semana Santa.

Ciudad Rodrigo, a 30 quilómetros da fronteira, sempre foi uma das praças fortes que defendiam a Espanha de incursões dos seus vizinhos ocidentais. Nas guerras peninsulares do início do Século XIX aqui se travaram importantes batalhas, algumas com incidência em Portugal como a que ocorreu no início da Terceira Invasão Francesa, atrasada em consequência da resistência da cidade.

A Igreja de São Cristóvão, muito antiga, mas reconstruída no Século XVIII, possui uma imagem barroca do nosso Santo em madeira policromada da época da reconstrução, integrada num altar-mor bem mais recente, já do Século XX. Tem uma originalidade: o Menino Jesus está ás cavalitas quando normalmente se apoia apena num dos ombros do Santo.

 





Nos arredores de Salamanca, a Igreja da Exaltação da Santa Cruz em Palencia de Negrilla é de origem românica e do Século XII. Foi reformada no Século XV sendo dessa época um belo portal de estilo gótico hispano-flamenco.

Notável é o retábulo do altar-mor, uma obra datada de 1599, que inclui uma imagem de São Cristóvão.

 





                                                            Fotografias de 2 de Abril de 2026

                                                                                            José Liberato