quarta-feira, 14 de outubro de 2020

Autumn in New York.

 


 

autumn in New York

spells the thrill of first-nighting

shimmering clouds in canyons of steel

gleaming rooftops at sundown

you'll need no castle in Spain

 

Na companhia da voz de Billie Holliday, quem é que precisa de castelos em Espanha?  



  

Manuela Ivone Cunha









terça-feira, 13 de outubro de 2020

Dehesa.



Todos nos lembramos das séries do grande, enorme, Félix Rodriguez de la Fuente. Para quem gosta, dos criadores de um filme extraordinário, Cantábrico, agora surgiu Dehesa. El Bosque del lince ibérico. Fica a nota, muito elevada, máxima, com distinção e louvor.






 




Vale tudo?

 



          O que se prepara para a Fontes Pereira de Melo é vergonhosamente vergonhoso. Três tristes prédios lindíssimos que estiveram ali anos a fio, a apodrecer, à espera do camartelo. Que a CML de Fernando Medina faça uma coisa destas, não é para admirar em quem não tem um mínimo de visão e de e estratégia sobre o que deve ser uma cidade (temos o belo terminal dos cruzeiros, maravilhoso, a atestar o disparate). Também não admira que coisas destas se fizessem no tempo criminoso do engº Abecasis, que mandou abaixo o Cinema Monumental para fazer o rico serviço que lá está. Olhai o Saldanha, olhai as lindezas circundantes, com griffe de Tomás Taveira e outras coisas que tais. Percorrei as avenidas que vão do Marquês a Entrecampos, dignas de Bogotá em pior. A sério, vejam os prédios, um a um, a miséria prostituta de toda aquela arquitectura plasmada em betão e aço. Nada disto é de admirar perante o abandono a que Lisboa tem sido votada em décadas. O que é de admirar é ver um multipremiado arquitecto, senhor de Souto de Moura, assinar o abjecto traço do futuro Hotel Sana, que irá nascer das cinzas de três tristes prédios na Fontes Pereira de Melo. Vale tudo? Parece que sim. Para quem ache que não, é assinar a petição.






 

 




Que ceia de cardeais.

 



Não sou de intrigas, mas o que se está a pensar com a reabilitação do cardeal Pell e a demissão do cardeal Becciu é digno de uma novela de Dan Brown. A seguir.E, como sempre, Habemus Papam.

 





Queixa contra a melancolia.

 

 

Para quem esteja interessado/a em apresentar uma, fica uma minuta possível:

“Queixa feita em Londres para fazer passar a melancolia, a expor lentamente, com discrição”.

 

Plainte faite à Londres pour passer la Melancholie, laquelle se joue lentement avec discretion, Suite nº 30 para cravo (I), de Johann Jacob Froberger, por Christophe Rousset.



 

Manuela Ivone Cunha.





sábado, 10 de outubro de 2020

A mosca.

 



Moscas há muitas, mas só algumas são notícia. As mais espertas sabem como atrair os holofotes. Conhecem os truques todos – como o de incluir na mira de voo a presidência dos Estados Unidos da América. Ascendem então vertiginosamente ao estrelato, fazendo-se enxotar com elegância e graciosidade irreal por um incumbente; ou aderindo com eficácia de ventosa à testa de um aspirante, com a familiaridade que se tem perante velha matéria conhecida.

Porém, quanta mosca anónima merecia sair da obscuridade.  Há todo um mundo por descobrir, como conta a Musca Domestica do “Insektarium” de Berit Johansen, ou o Diário de uma Mosca do “Mikrokosmos” de Béla Bartók.

Há ainda sortes piores que a do anonimato, como ser-se até tomado por outrem e não merecer sequer o simples reconhecimento correto da identidade de inseto. É o que acontece com o famosíssimo Voo do Besouro da ópera “O Conto do Czar Saltan”, de Rimsky-Korsakov, que na tradução portuguesa acabou, sem apelo nem agravo, como o Voo do Moscardo.  

A atenuante é que, errando na letra, acertou no espírito, pois o zumbido do moscardo, quanto a mim, é muito mais irritante, vingativo e epicamente enlouquecedor – como se quer no personagem da história -- do que o do fofinho e rechonchudo himenóptero.  

Tudo isto é triste, razão pela qual se encerra este capítulo com A Morte do Senhor Mosca, de Eric Satie.



Manuela Ivone Cunha




quinta-feira, 8 de outubro de 2020

Uau, o livro de David Farrier!





 




São Cristóvão pela Europa (133).

 

 

Em 2017 visitei o Museu da Idade Média em Paris, conhecido como o Museu de Cluny.

Inexplicavelmente uma fotografia ficou esquecida não na poeira de um caixote mas antes numa mistura de bases de dados.

 


O Museu adquiriu este belo vitral em 1958 mas a proveniência é desconhecida. Pelo estilo pode ser datado do primeiro terço do Século XV e a origem ser a Renânia.

De notar que os pés do Santo estão bem imersos na água e rodeados de peixes.

O Museu tem estado fechado para renovação.

Fotografia de 4 de Novembro de 2017.

José Liberato





On going.

 





Li numa curta do Correio da Manhã, que não merecia ser tão curta como isso. O Tribunal de Comércio de Lisboa determinou a liquidação da Ongoing. No processo de insolvência, a empresa de Nuno Vasconcelos tem 7500 euros para pagar uma dívida de 1,2 mil milhões de euros. Repete-se, 7500 euros, 1,2 mil milhões de euros – e não se acrescenta mais nada porque não é preciso.   


Segundo a biografia da Wikipedia, «Nuno é devoto de Nossa Senhora e Santo António, "padroeiro" de Lisboa e dos negócios. Considera o poeta Fernando Pessoa o seu mestre.»





Aquecimento central.

 



Esta é aquela altura do Outono das temperaturas twilight-zone. A meia-estação das casas que arrefecem um pedaço, em graus centígrados ou psicológicos, mas não tanto que force a antever o Inverno e a exumar já-já a sua tralha -- os trapos e os aparelhos.  Ainda há a esperança em mais uns dias quentes e a ponta de desconforto que se sente não o justifica. Mas lá que se sente, sente.

É aqui que entra a calhar a música de J. Haydn. Acalora por dentro e irradia eficazmente por toda a casa. É experimentar os trios para piano, a ver se não fica tudo aconchegante num ápice. Como este, em que até o adágio aquece sem agitação. Será por isso que se diz que Haydn compunha com o sol na ponta dos dedos?

Trio para piano nº 41, III Adagio, de J. Haydn, pelo Beaux Arts Trio




 

Manuela Ivone Cunha





Traço de união.






 




quarta-feira, 7 de outubro de 2020

O Sebastião foi à pesca (mas vem já).































O Sebastião/Ião, não desfazendo, é o melhor miúdo do mundo. E o meu e o nosso mundo ficam melhores porque há o Ião e há outros iões como ele, ainda que iões talvez não tão positivos como ele, mas enfim. O Ião foi à pesca e trouxe a rede cheia de belas coisas, vejam vejam fregueses, que isto é só uma selecção para amostra, mas muita selecionada e apertadinha. E digam lá se não são fotografias de um grande amador fotógrafo, com uma argúcia de olhar que é rara, bem rara, mesmo entre profissionais tarimbados. Até dá raiva, poças, um miúdo tão novo e a fotografar assim – sobretudo para quem já chega a uma certa idade e sabe que nunca por nunca irá fazer algo igual ou sequer parecido. Fixai-lhe o nome, mortais: Sebastião Roxo, pescador de imagens.
















 


 

Um Verão mesmo à mão.

 


Ilustração de Vítor Higgs


Um Verão mesmo à mão, ou andanças da família Durrell pela ilha de Corfu. Aqui





Ver-se Greco.


 


Ilustração de Vítor Higgs





Ver-se Greco, os trabalhos e os dias de um pintor de génio, em «Péssima Companhia», no Diário de Notícias, aqui









sábado, 3 de outubro de 2020

 


Covid-19 testa positivo a Trump-20. O Estado é crítico.

 


Ricardo Álvaro









Outonos.

 



Dizer que há tantos lotes de Estações quanto compositores é um exagero. Não é um enorme exagero. É muita alma, idiossincrasia e imaginação a trasnspôr para a pauta os sons, as cores, as sensações e efeitos da Primavera, do Verão, do Outono e do Inverno. Em música, o ano é sempre sensacional.

Quatro Estações há muitas, portanto. Resmas. Agora, é googlar e ver o que sai: 3…2…1… Vivaldi. Antonio Vivaldi. Ponto. Cadê o resto? Cadê as outras?

Mas ele há Vivaldis e Vivaldis. Resmas. É muita alma, idiossincrasia e imaginação a fazer sua aquela partitura do Antonio.

Há a interpretação assim e assado, leve e pesado, lento e apressado, cozido e frito, colorido ou a tender para o cinzentito.

Depois há as reduções, as subtrações, as comutações: tira os sopros, deixa as cordas -- a ver se o Outono não fica mais outonal, sei lá.

E, por fim, há as brincadeiras e as recomposições: o que nos podemos divertir com isto, ou inventar e imaginar a partir disto -- como luz refratada num copo.

Ao Outono de Vivaldi, então (III. Allegro).

1.Interpretações de eleição: a de Nemanja Radulovic com a Double Sens Orchestra. Há valores afirmados, como a de Amandine Beyer com Gli Incogniti. Mas esta de Radulovic (em baixo) é -- como dizer -- tão a minha favorita.

2. Brincadeiras: Les Saisons amusantes, de De Nicolas Chedeville, por Jean Pierre Rasle com o Palladian Ensemble.

3. Recomposições: a de Max Richter, por Daniel Hope com a Konzerthaus Kammerorchester Berlin

1.





2.




3.




 

Manuela Ivone Cunha




Grandes Variações.

 




Depois de tanto falatório sobre o António Variações, confesso que tinha receio deste livro, que hoje li. É uma notável biografia, com informação, investigação e ilustração, todas magníficas. Na mesma colecção, já tinha lido a do Bowie. Esta é incomparavelmente melhor. Sim senhor, conseguiram surpreender – e muito, muito positivamente.


                             



 


sexta-feira, 2 de outubro de 2020

As Listas de Sara & André.

 





São Cristóvão pela Europa (132),

 


O Convento de Cristo em Tomar é um dos mais extraordinários conjuntos monumentais do País. Pela sua dimensão, por ser o resultado de inúmeras eras artísticas, pela sua beleza arquitectónica. Também pelo seu papel na História de Portugal, que aí viveu muitos dos seus grandes momentos, desde a fundação pelos Templários à hábil reconversão da Ordem em Ordem de Cristo, desde a presença do Infante D. Henrique à realização das Cortes de Tomar que reconheceram Filipe II de Espanha como Rei de Portugal.

Dentro do Convento, a célebre charola avulta como um dos seus pontos superlativos. De forma cilíndrica no exterior, assume no interior a forma octogonal própria das construções templárias

Inspirada no que teria sido o Templo de Salomão em Jerusalém, a charola tem um tambor central ao redor do qual existe um deambulatório onde os cavaleiros faziam as suas preces.

Numa das paredes, um magnífico fresco representando São Cristóvão. Há quem queira ver nele uma imagem cinocéfala, ou seja, com cabeça de cão, como se vê no Oriente e em especial no Egipto. Mas eu não vejo tal coisa. Parece-me ser especulação.

Mas há elementos pouco habituais que parecem ter características herméticas como seja o caso dos pés tortos do Menino Jesus, a proliferação de flores, o facto da árvore empunhada por São Cristóvão parecer ser uma laranjeira, a presença de uma ave na dita árvore, o facto de a candeia segurada pelo monge estar deliberadamente apagada com o seu interior pintado de negro:



 

Fotografia de 16 de Abril de 2014.

José Liberato





quinta-feira, 1 de outubro de 2020

Os bonecos de Tom.

 


Quino.


 


Quinou o Criador.

 

 

Quino, o Criador, quinou mas deixou obra gráfica e filosófica para entreter e educar a humanidade durante séculos. Valeu bem a pena, literalmente. O primeiro e único elemento vivo da Santíssima Trindade partiu para a outra banda desenhada e deixou-nos órfãos e apeados, sem vinhetas de transporte colectivo nem pranchas de salvação. 


Ricardo Álvaro