sábado, 18 de janeiro de 2020

A porta do Oriente (15).

 
Em Tyr, o campo arqueológico de Al Medina corresponde à antiga cidade romana.
Uma via romana ladeada por colunas de mármore impõe-se na paisagem.
 
 
 

 
 
Uma rara arena rectangular provavelmente usada para espectáculos aquáticos:
 
 

 
As termas:
 
 
 

 
 
E sendo Tyr uma região de influência xiita não deixa de celebrar os seus heróis:
 


Fotos de 9 de Novembro de 2019
 
José Liberato
 
 
 
 

sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

Um Jorge pouco calado (e ainda bem).

 
 
Um almoço com o Jorge Calado é assim: ponto de situação da saúde, nossas e dos amigos nossos; escolha da refeição; e depois é ligar o piloto automático. Três horas de: Shakespeare como paixão da adolescência, a exposição de Rembrandt em Londres, projectos em curso, compra internacional de fotografia, Maria Lamas e As Mulheres do Meu País, Vivian Maier, a ópera em Bayreuth, o Expresso, os livros de Artur Pastor, incêndios na Austrália, o neo-realismo, Oxford e Jan Morris, alterações climáticas, presidenciais americanas, a curadoria de uma exposição no Dubai, Rita Barros e o Chelsea Hotel, amigos comuns e, para terminar, a genialidade de David Hockney e a maravilha do teatro inglês, cada vez melhor. Isto é Jorge Calado. E Portugal talvez ainda não tenha percebido que tem um tesouro preciosíssimo, a quintessência do património imaterial da Humanidade. Um grande abraço, Jorge.
 
 
 
 
 
 
 

A porta do Oriente (14)

 
 
 
 
Ainda no sítio de Al Kass em Tyr.
A estrada romana:
 
 
O aqueduto:
 
 

 

O hipódromo é um dos maiores e mais bem conservados do mundo romano, em especial as suas bancadas, que acolhiam 20.000 pessoas:




 
 
 

 
Fotografias de 9 de Novembro de 2019.

José Liberato

quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

Sociedade das Nações.







A porta do Oriente (13)

 
 
Tyr, uma cidade do Sul do Líbano, já perto de Israel, foi uma das primeiras metrópoles fenícias.
Aqui terá sido inventada a púrpura.
Citada na Bíblia por Isaías e Ezequiel, Tyr foi visitada por grandes vultos da Antiguidade como Nabucodonosor, Heródoto e São Paulo. Alexandre o Grande da Macedónia ligou as várias ilhas ao continente determinando a configuração actual da cidade.
O sítio arqueológico de Al-Bass é o mais importante da cidade. É rodeado por um campo de refugiados palestiniano.
À entrada, uma extensa necrópole romano-bizantina. Os mais belos sarcófagos estão hoje no Museu Nacional de Beirute e já foram aqui publicados:
 
 
 
 

A seguir, o Arco de Triunfo do século II e a estrada bizantina:
 
 

 
Fotografias de 9 de Novembro de 2019
José Liberato
 
 
 
 

quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

Outro Olhar - Estar vivo é o contrário de estar morto.

 
 



Outro Olhar, na Antena Dois. Ontem, Estar Vivo é o Contrário de Estar Morto (sim, sentida homenagem a Lili Caneças)
 
 


A minha Austrália.

 
 
O João Miguel Tavares tem uma crónica no Público de sábado passado em que denuncia, e bem, uma mensagem do Bloco de Esquerda em que, por baixo de uma fotografia dos incêndios na Austrália (pelos vistos, uma fotografia falsa!), o BE escreveu «Não é fogo, é capitalismo».
Compreendo a indignação do João, pois é fogo, é fogo mesmo, que já fez arder uma área maior do que Portugal inteiro e já matou 800 milhões de animais (leram bem). E não é capitalismo, ou não é necessariamente capitalismo, pois a causa das alterações climáticas é muito mais vasta do que isso: a China, o maior emissor de CO2, é capitalista ou comunista?
E concordo inteiramente com ele quando diz que o movimento contra o aquecimento global está a ser, ou corre o risco de ser, apropriado por uma facção ideológica ou, mais precisamente, pela esquerda radical.
O fenómeno nem sequer é novo: todos nos lembramos como o PCP e a URSS apoiavam nos anos 80 os movimentos antinucleares no Ocidente mas, na frente doméstica, não permitiam veleidades ecologistas e o Bloco de Leste tinha centrais nucleares por toda a parte. Nem adianta falar muito: Chernobyl foi uma criação do comunismo, alguém ousa duvidar?
Isto dito, o que me parece é que a excelência do diagnóstico do meu amigo João Miguel o deveria levar um pouco mais longe – e a não deixar a batalha contra as alterações climáticas nas mãos da esquerda ou da esquerda radical.
Talvez eu esteja um passo à frente ou, decerto, uns furos abaixo do JMT, mas o diagnóstico está feito e é correcto. Ora, precisamente pelo que ele diz, que há uma apropriação da ecologia pela ideologia (de esquerda), é que importa e é fundamental mobilizar aqueles que, no outro lado do espectro político, não podem continuar a negar ou a relativizar o alcance das alterações climáticas. Ao fazerem-no, deixam campo aberto àquilo que denunciam: o monopólio desta causa pela esquerda radical.
Infelizmente, o que tenho visto por parte de pessoas amigas, que muito estimo e admiro, como o João Miguel Tavares, o João Pereira Coutinho ou o Manuel S. Fonseca, é justamente o inverso: têm feito várias intervenções, umas atrás das outras, minorando a importância deste problema, questionando sequer que ele exista ou duvidando que a sua principal causa seja humana, a chamada antropogénese.
Morreu Roger Scruton que, com tudo o que nele possamos questionar, era um conservador que bem se apercebeu da necessidade de uma green philosophy, título de um livro seu onde, já agora, existe uma denúncia de excessos do capitalismo em matéria ambiental.
Portanto, meus caros e queridos Joões (Miguel Tavares e Pereira Coutinho), meu caro Manuel (Fonseca), não estará na hora de levar a sério este problema? Ou preferem ficar-se pelo nível 1, o da denúncia da apropriação da esquerda radical, sem avançar para o nível 2, o da defesa do planeta? Sim, porque não há dúvida que na Austrália ardeu uma área superior à de Portugal e morreram 800 milhões de animais. Há dúvidas? É como Chernobyl, não dá sequer para duvidar. Portanto, ou não querem saber do planeta ou não se importam de tornar isto um feudo do BE, ou querem fazer mesmo alguma coisa, pelo planeta e pela vossa área política, e então acho que é tempo de passarem a um patamar diferente, darem um passo à frente – e acabar, de uma vez por todas, com cepticismos ou negacionismos. Por esse caminho, desculpem, não irão muito longe.
Pronto, aqui fica a minha opinião, decerto bastantes furos abaixo da vossa.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

terça-feira, 14 de janeiro de 2020

um homem bom é muito mais do que um gajo porreiro

 
 

 

não sei se éramos muitos ou apenas bastantes os que o vimos subir ao altar, para ler ao Pai. Aos poucos, como sempre acontece, a voz ficou um fio até estancar de todo; e nesse embargo de segundos vimos um homem, feito e famoso, recuar à infância e voltar a ser o menino de calções e bibe, desamparado. Toda a gente se condoeu à volta, contemplando-o como a Jesus na palha. Eu, a mim, deu-me logo grandes ganas de correr por ali fora a abraçá-lo, para que ficássemos no altar os dois, à vista de todos, cada qual apaixonado pelas suas próprias melancolias. Foi dos momentos mais comoventes do meu ano que passou.
 Pedro Mexia, são muitos anos (quantos? quinze, vinte?) A good man is hard to find, etc. e tal, eu sei. Entre os seus muitos talentos, o maior deles, caso não saibam, é a civilidade.
 
 
 
 
 
 
 

 
 
 
 

A porta do Oriente (12).

 
Últimas imagens do Museu Nacional de Beirute.
Extraordinária colecção de 31 sarcófagos antropóides fenícios do Século VI a. C. São de mármore branco e provêm de Saida no Sul do Líbano:
 
 

 
Frescos originais descobertos num túmulo da época romana em Tyr. Descrevem cenos mitológicas:
 
 

 
Reproduções de hipopótamos em faiança, da Idade do Bronze e originários de Byblos:
 
 

 
E finalmente um sarcófago de criança em mármore decorado com cabeças de Górgonas Da era romana e originário de Baalbeck:
 

Fotografias de 8 de Novembro de 2019 
José Liberato
 
 

segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

Vida Social, por Carlos Alves (Cave).

 
 
 
 
Os convidados dum batuque sentam-se no chão para comer e tiram a comida com os dedos, servindo-se todos da mesma panela ou prato.


Encontrei o meu Tarzan, por Mercedes Escalante.

 
 
 
 
 
 
- Eu também tenho a minha opinião sobre ti, Olivia Matterson, e vais permitir que a exponha, já que tu te antecipaste a fazê-lo. Sem possuíres a agravante da minha posição financeira, mas possuidora do tesouro incalculável da tua graciosa e cativante personalidade, em parte tens sido também a menina mimada do género masculino.
 
 
 
 

Pensar o clássico.

 
 
 
 
Ao ler o brilhante, brilhantíssimo ensaio de Camile Paglia sobre David Bowie (in Provocações, Relógio D'Água, 2019), ocorreram-me algumas coisas que passo a expor.

A primeira é que as coisas que ela lá fala do Bowie, drags e vanguardismos enormes, se passaram há mais de cinquenta anos e, por isso, já são «clássicas» e tão «cultura» como outras cenas passadas há cem ou mais anos. E foi, e é, uma cultura que nos passa um bocado ao lado como tal, como cultura. Pensamos naquilo como música e dinheiro e fama, malucada e droga, androginia e gajas, mas era bom pensarmos naquilo como cultura, só mesmo cultura. É que, além do mais, como a Paglia mostra, há imensa cultura sugerida ou patente no universo Bowie, precisamos é de saber vê-la, termos cultura para a topar, tanta coisa lá está... Talvez o Bowie ainda esteja demasiado próximo de nós ou talvez saibamos demasiadas coisas sobre ele e a vida dele para o conseguirmos pensar como cultura, só mesmo cultura.
A segunda coisa que me ocorreu é saber se o classicismo não é ou está a ser um bocadinho negação da realidade. Explico: se eu agora me começasse a interessar à séria pelo Bowie (e estou mortinho por isso), havia gente a dizer que eu dera em maluco (sim, estou a pensar em si, António Duarte Silva). Mas se eu me pusesse a escrever sobre o Caravaggio ou o Bacon (e também estou mortinho por isso) o pessoal achava bem e muito culto, refinado e o gajo é sensível e elevado de espírito. Vejo agora que morreu Roger Scruton e a coisa que me ocorre perguntar é se ele ou muita gente que se dedica cada vez mais ao clássico, como o Pedro Mexia, o Frederico Lourenço, etc., não me anda numa espécie de escapismo a negar a realidade, com o pretexto de que o clássico é que é bom, os antigos é que sabiam pensar e dizer bem as coisas, está tudo inventado há três mil anos, está lá tudo, tudinho, o Montaigne é actualíssimo, o clássico dá muito nice snob de falar, etc. Com isso, a realidade actual, do Trump e dessas coisas, está a ser negada, e o mesmo sucede com o Bowie enquanto fenómeno cultural, só cultural, que é um pouco negado por esta fuga para o clássico dos clássicos. A coisa não é, ou não é só, dizer que quem vai para o clássico e antigo está a fugir do presente, a albergar-se numa Arcádia pretérita e imaginária, como forma de iludir o Trump e o resto. E claro que também há muita gente, incluindo a Paglia, que talvez escreva em modo «culto» sobre o Bowie ou sobre o Tom of Finland para parecer moderno e vanguarda, também isso é nice e snob, claro. Não é tratar o rap como «cultura» igual ao Mozart, é mais do que isso, entendam-me. A questão, e talvez tenha dificuldade em pensá-la quanto mais expressá-la, é que na ida militante para o clássico há uma desvalorização implícita do actual, a negação ao Bowie de estatuto idêntico ao do Satie ou do Couperin. Mas o Bowie já é clássico, as coisas malucas dele têm 50 anos. E o Bowie é cultura. O facto de termos dificuldade em pensá-lo assim (não digo estudá-lo assim, isso é fácil, basta ouvir discos e comprar uns livros) é uma grande falha nossa, pelo menos minha. E insistir no clássico dos clássicos e no «sublime» como forma de denial só aprofunda e aumenta essa falha nossa ou minha, acho eu. Até porque nos dá uma relação viciada e viciosa com o clássico, uma co-dependência com os gregos e com o Satie. Não é aquela coisa é tudo cultura, tudo é cultura e chocalhos a património da humanidade (agora até querem pôr a relação médico-doente a património da humanidade…). É mais isto: talvez a dimensão de entretenimento do Bowie seja tão avassaladora (ou ainda tão avassaladora, tão presentemente avassaladora) que eu não consigo pensá-lo como cultura e como clássico. O Bowie disse uma vez que queria fazer as cenas dele à maneira do Diaghilev mas eu não sou capaz de o ver assim, cono não sou capaz, já agora, de ver a Capela Sistina como entretenimento. O ensaio do Eliot sobre o Shakespeare aponta um bocadinho nesse sentido, e o Eliot aliás não foi o primeiro nem é o único a dizer isso, que o pessoal tem de pensar e compreender o Shakespeare como entretenimento, como o Bowie. O problema é que o pessoal não consegue, eu pelo menos não consigo. Ponho-me a ler aquilo (e passei um ano quase só com o Shakespeare) e é logo ai que culto que eu sou, grande masturbação onírica, ai que grande génio que este tipo era, ai que génio eu sou ao ler este génio e pronto já somos dois génios, e por aí fora. Agora já sou capaz um bocadinho de ver o Apocalypse Now como cultura, só cultura, ainda não cheguei lá mas ando lá perto (e não digam que o filme tem de ser visto compósito e holístico: cultura plus entretenimento, um mix dos dois, assim não vamos lá). Mas continuo a não conseguir pensar muito bem o Bowie como cultura nem a Capela Sistina como entretenimento (por acaso, há um livro sobre a Capela Sistina de um autor algo desvalorizado, o Ross King, chamado O Tecto do Papa, que nos ajuda um pedaço a pensar naquilo como entretenimento, mas não chega). Depois há coisas que são instantâneo-cultura, como por exemplo o último livro do Daniel Blaufuks, Não Pai, que conto ler esta semana. Logo que sai, e muito bem, é «cultura», conseguimo-lo pensar assim. Ao Bowie, temos mais dificuldade, ou pelo menos eu tenho. Porquê? Bem, boa semana.













  

 
 
 
 
 
 

 

Obrigado.




 
 
 
O Mário Beja Santos ofereceu-me este livro com uma dedicatória que não mereço. Já o livro, mereço. Eu e todos nós. O autor esteve meses num arquivo perdido em Sapadores, o arquivo do Banco Nacional Ultramarino, que, se não fosse ele, jamais saberíamos que existe e até correria (corre?) o risco de se perder. A partir daí, um livro, que estou agora a começar – e vale muito, muito a pena. Obrigado, Mário Beja Santos. Pelo livro e por tudo (e pelos meses passados a ler relatórios de gerentes bancários).  
 
 
 
 
 
 
 

domingo, 12 de janeiro de 2020

A porta do Oriente (11).


 
Ainda no Museu Nacional do Líbano em Beirute.
Fresco representando a Virgem e o menino do Século XIII:
 
 
Trono em mármore proveniente do Templo de Eshmun em Sídon:
Sarcófago em pedra , vindo de Tyr:
 
 
Num sarcófago romano do século II, proveniente de Sídon, a imagem de um navio fenício de carga:
 
 
Fotografias de 8 de Novembro de 2019
José Liberato