quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Futebol, futebolistas e futeboleiros (Pequeno glossário).




 

A

 

          A bola já rola: segundos após o início da partida de futebol.

          Açor: alcunha do ex-futebolista da selecção nacional Pedro Miguel Carreiro Resendes, também conhecido por Pauleta, pela forma como comemorava os golos, imitando aquela ave dos Açores.

          Armador de jogo: futebolista responsável, numa equipa, pela criação de jogadas ofensivas. Pela sua habilidade com a bola e a capacidade de drible, os seus passes costumam ser certeiros, sendo igualmente bom a rematar à distância na direcção da baliza.

          Acariciar: tocar suavemente ou subtilmente na bola, com elegância.

          Afinfar: chutar, rematar.

          Águas: José Águas, um dos melhores avançados-centro da história do futebol portuguesa. Ex-jogador do Benfica e da Selecção Nacional, e pai do também futebolista Rui Águas e da cantora Lena de Água.

          Águias (as): o mesmo que Benfica ou benfiquistas.

          Alegria do povo: grande jogador.

          Ameixa: remate forte.

          Amistoso: jogo que não conta para qualquer competição oficial e que serve, normalmente, de treino para ambas as equipas.

          Amor à camisola: futebolista que joga por gosto, mais do que por dinheiro.

          Arsenalistas: jogadores do Sporting Clube de Braga.

          Artista: jogador que faz belas jogadas ou jogadas artísticas. Jogador que "trata a bola por tu", por dominar o esférico e se sentir à vontade na posse do mesmo.

          Assumir as despesas do jogo: equipa que toma a iniciativa do jogo, limitando-se a equipa adversária a defender.

          Atacante do Amor: alcunha do futebolista brasileiro Vagner Love.

          Atirar-se para a piscina: Deixar-se cair no relvado, simular uma falta na grande área, enganando o árbitro e levando-o a assinalar uma grande penalidade a favor da sua equipa.

          Atropelar: fazer uma falta à bruta sobre outro jogador.

          Autocarro: quando uma equipa defende amontoando todos ou quase todos jogadores na sua grande área.

          Avatar (O): alcunha do ex-futebolista Abel Xavier, conhecido pelos seus penteados exóticos e barbas louras, género oxigenado.

          Azuis e brancos: Futebol Clube do Porto; portistas; dragões.

 

B

 

          Baile ou bailarico: a equipa que, estando a vencer, troca passes de forma consecutiva, sem forçar o ataque, levando o público a gritar "olé! olé!". À outra equipa diz-se que está a levar um "baile" ou um "banho de bola".

          Baixinho/Génio da Grande Área: alcunhas do futebolista brasileiro Romário de Souza Faria (mede 1,67 metros).

          Balázio: remate forte.

          Balde de água fria: equipa que sofre um golo de forma inesperada, sobretudo no final da partida, provocando um arrepio geral, ou gelando o estádio.

          Banho de bola: jogar muito melhor que a equipa adversária. Lição de futebol, ou de bem jogar à bola.

          Beckenbauer português: alcunha do ex-futebolista do Benfica, Humberto Coelho.

          Benfas: Benfica.

          Bibota: jogador que ganhou duas vezes a bota de melhor marcador de um campeonato. Alcunha de Fernando Gomes, dianteiro do Futebol Clube do Porto, justamente por ter conquistado duas botas de ouro.

          Bichinho: alcunha do ex-guarda-redes Vítor Baía.

          Bicho (O): alcunha de Jorge Costa, ex-jogador do FC Porto, pela forma impetuosa com que se entregava ao jogo, investida agressivamente sobre os jogadores adversários.

          Bife: alcunha de José da Silva Oliveira, ex-jogador do FC Porto, de origem brasileira.

          Bingo (fazer): equipa que completa uma fase de apuramento apenas com vitórias.

          Biqueirada: chuto dado na bola ou nas canelas do adversário com o bico da chuteira.

          Bisar: marcar dois golos no mesmo jogo.

          Blindar o contrato: jogador com cláusulas de rescisão leoninas, de elevados valores monetários.

          Bola à flor da relva: passar a bola junto ao relvado, sem a levantar.

          Bola parada (golo de): golo na sequência de um livre directo.

          Bom Gigante: alcunha de José Torres, futebolista do Benfica e da Selecção Nacional.

          Bomba atómica: dar uma notícia estrondosa em primeira mão relacionada com a contratação ou despedimento inesperado de um jogador ou treinador.

          Bombeiro de serviço: jogador incansável, sempre disponível para correr, não olha a esforços. Que acorre a vários lances de perigo, evitando o golo.

          Bombo da festa: equipa mais fraca de um grupo de qualificação.

          Bonito (fazer): jogada vistosa e de dificuldade técnica, mas que não resulta em grande coisa.

          Brinca-na-areia: bom a fintar, mas inconsequente nas jogadas.

          Buldozer: jogador duro e sem contemplações.

 

C

 

          Cabazada: goleada. Vitória com muitos golos de diferença. Ganhar por muitos golos, resultados desnivelados, 11-0, 7-4, 9-2. Normalmente entre um grande e um pequeno. Goleada.

          "Cabecear com a testa e de olhos abertos": golo de cabeça, com o corpo no ar, os braços dando o impulso e o tronco projectando a cabeça para a bola. Cabeçada tecnicamente bem executada.

          Cabelinho à Paulo Bento: penteado popularizado pelo ex-jogador e ex-seleccionador Nacional Paulo Bento, que consiste basicamente num corte à tijela, em cabelo liso, com um risco ao meio.

          Calcio: futebol em italiano.

          Cambalhota no marcador: equipa que passa para a frente do marcador depois de ter estado a perder.

          Campeão de Inverno: título simbólico atribuído à equipa que a meio do campeonato está na primeira posição.

          Canarinha: selecção brasileira de futebol.

          Cândido de Oliveira: de seu nome completo Cândido Fernandes Plácido de Oliveira, foi o primeiro capitão da selecção portuguesa de futebol, tetracampeão regional pelo Benfica e, como treinador, bicampeão pelo Sporting. Dá o nome à Supertaça, o jogo entre o vencedor da Primeira Liga e o vencedor da Taça de Portugal.

          Canto à maneira curta: marcar o canto passando a bola a um jogador próximo da marca, em vez de fazer um cruzamento para a grande área.

          Carimbar o passaporte: classificar-se para um torneio ou fase seguinte de uma prova. Passar para a próxima ronda ou ser apurado para o campeonato da Europa para o Mundial.

          Carrasco: jogador que costuma marcar golos sempre à mesma equipa adversária.

          Carregador de pianos: jogadores que trabalham muito, cujo trabalho é invisível, de grande sacrifício e pouco reconhecido. Jogar com desvelo, levar a equipa às costas.

          Carrinho: jogador que corta uma jogada deslizando sobre a relva e roubando a bola.

          Cartolina: cartão do árbitro para admoestar os jogadores (cartão amarelo) ou expulsá-los do relvado (cartão vermelho).

          Catedral: denominação de alguns estádios de futebol, pela sua história, tradição e grande lotação. Wembley, por exemplo, é a catedral do futebol inglês, tal como o Macaranã no Brasil.

          Ceifador: alcunha do futebolista brasileiro Henrique Dourado.

          Ceifar: falta cometida de forma violenta, atropelando o jogador adversário. O mesmo que "varrer" ou "entrar a matar".

          Chalanix: alcunha de Fernando Chalana, futebolista do Benfica e da Selecção Nacional.

          Chapéu: passar a bola por cima da cabeça do adversário.

          Chicotada psicológica: despedimento do treinador a meio do campeonato.

          Chirola: alcunha de Hector Yazalde, ex-futebolista do Sporting Clube de Portugal, de origem argentina.

          Chumbaca: alcunha de Cândido de Oliveira.

          Chuveirinho: centros altos e consecutivos sobre a defesa adversária. Lançamento constante e consecutivo de bolas para a área adversária, tentar marcar um golo de qualquer maneira, tentar a sorte. Sobretudo nos últimos minutos do jogo. em desespero.

          Ciclone dos Açores: alcunha do ex-futebolista da selecção nacional Pedro Miguel Carreiro Resendes, também conhecido por Pauleta.

          Cientista do futebol (o): alcunha do ex-treinador de futebol da URSS, Valery Lobanovskyi. O nome conquistou-o pelo estilo meticuloso, cerebral, frio e disciplinador que imprimia às suas equipas.

          Cinco magníficos: linha avançada do Benfica na década de 1960, constituída por José Augusto, José Águas, Joaquim Santana, Domiciano Cavém e Mário Coluna

          Cinco secos: cinco golos sem resposta.

          Cinco violinos: linha ofensiva do Sporting Clube de Portugal, composta por Albano Narciso Pereira, Jesus Correia, Fernando Peyroteo, José Travassos e Manuel Vasques. Este "quinteto de luxo" foi o motor dos três títulos nacionais do Sporting, entre 1946 e 1949, os anos em que os cinco jogavam juntos. "Vasques, Travassos, Peyroteo, Jesus Correia e Albano transportavam na alma, no sorriso e na maneira de jogar um apodo soberbo, 'Os Cinco Violinos', criado por um jornalista de grande talento e proliferante imaginação: Tavares da Silva, homem de estóica truculência, que levara para o jornalismo desportivo o estilo e o jaez de Fialho de Almeida" (Baptista-Bastos, A cara da gente).

          Claques: furiosos do jogo de futebol.

          Clássico: desafio de futebol entre Benfica-Sporting.

          Clubite aguda: doença dos fanáticos de um clube de futebol

          Comandante: jogador que lidera uma equipa, normalmente por possuir mais experiência.

          Contemporizar: quando o árbitro não assinala várias faltas cometidas por um jogador ou uma equipa de futebol.

          Coqueluche: melhor jogador da equipa, o mais famoso, acarinhado pelos adeptos.

          Coração de Leão: alcunha do ex-futebolista do Sporting, Ricardo Sá Pinto, pela entrega total à equipa leonina.

          Correr atrás do prejuízo: quando uma equipa está em desvantagem no marcador e tem de recuperar.

          Costa dos Frangos: alcunha de Costa Pereira, ex-guarda-redes do Benfica.

          CR7: sigla e marca comercial do futebolista Cristiano Ronaldo. Também conhecido, no Brasil, como "O Robozão".

          Cumprir calendário: quando o resultado é indiferente ou irrelevante para as contas do campeonato. Já não vai mudar a classificação final.

 

D

 

          Dani: alcunha do ex-futebolista, formado no Sporting Clube de Portugal, Daniel da Cruz Carvalho.

          Defesa como gelatina: jogadores da defesa que hesitam e parecem ter medo de cada vez que o adversário faz uma jogada de ataque.

          Deixar a pele em campo: esforçar-se ao máximo, até ao limite das suas capacidades.

          Deixa Jogar o Mantorras: epíteto associado ao avançado Pedro Mantorras, o ex-jogador do Benfica (hoje embaixador do clube), de origem angolana. No auge da carreira, sofreu uma lesão grave no joelho direito, impedindo-o de jogar ao melhor nível e fazendo com que se retirasse quanto tinha apenas 30 anos.

          Derbi: jogo entre equipas rivais da mesma cidade.

          Desafio: jogo de futebol.

          Descanso: intervalo de 15 minutos, a meio da partida (no final dos primeiros 45 minutos).

          Desfeitear o guarda-redes: marcar um golo de forma cruel ou humilhante

          Despejar: chutar a bola para a área adversária sem objectivo definido de a passar a um companheiro. Atirar a bola sem tino para a área, nos últimos minutos; ou tirar a bola da defesa.

          Despesas do jogo: equipa que tem a iniciativa do jogo e procura a vitória.

          Dia de todas as decisões: Jogo que decidirá tudo, a passagem a uma final ou o apuramento para outra eliminatória. O mesmo que mata-mata (ver).

          Diamante: alcunha do ex-futebolista Diamantino Miranda (por razões óbvias).

          Diamante Negro: alcunha do futebolista brasileiro Leônidas da Silva, o autor do primeiro golo de bicicleta. O epíteto daria origem a um famoso chocolate.

          Domicílio (jogar ao): quando uma equipa joga fora de casa, no estádio ou feudo do adversário.

          Dores de cabeça (do treinador): quando tem jogadores cruciais lesionados.

          Dragões: o mesmo que Futebol Clube do Porto.

 

E

 

          El Maestro: alcunha do futebolista Luís Figo.

          El portugués: alcunha do futebolista Paulo Futre, adquirida ao serviço da equipa espanhola Atlético de Madrid.

          Encarnados: Sport Lisboa e Benfica.

          Encher o pé: pontapear violentamente a bola, rematar utilizando todo o pé.

          Endiabrado: jogador que, num jogo, se destaca pela sua actuação.

          Endossar: passar a bola.

          Entrada a todo o gás: equipa que começa a jogar bem desde o primeiro minuto, tentando marcar golo o mais cedo possível.

          Entrar a matar: falta violenta, cometida por quem está mais interessado em parar o adversário do que em jogar a bola.

          Época da apanha do sabonete: época sem títulos.

          Equipa de gala: quando uma equipa joga com todos os seus melhores jogadores a titulares.

          Equipa revelação: equipa pequena que surpreende e brilha num campeonato, batendo-se taco a taco com os melhores e ocupando uma boa posição na tabela classificativa.

          Esférico: bola de futebol.

          Espanhol (O): alcunha de Vítor Damas, ex-guarda-redes do Sporting e da Selecção Nacional.

          Eusébio do Sporting: a outra alcunha de Vítor Damas.

 

F

 

          Factor surpresa: jogar de uma forma que não é habitual numa equipa. Contar com o factor surpresa para uma equipa mais pequena tentar ganhar àquela que é favorita à vitória.

          Falso-lento: jogador fisicamente possante, que por isso parecia capaz de correr pouco, mas que se revela tão rápido como os outros.

          Falso-nove: meio-campista ofensivo, que joga quase como avançado centro, sem nunca chegar a sê-lo verdadeiramente. Pisa várias vezes a grande área para rematar à baliza.

          Feiticeiro: alcunha de Béla Guttmann, ex-treinador do Benfica, de origem húngara. Também conhecido por "O Mago".

          Felipão: alcunha de Luís Felipe Scolari, ex-treinador de Selecção Nacional e campeão mundial pelo Brasil. Também conhecido por "Sargentão".

          Fenómeno: alcunha do futebolista brasileiro Ronaldo Luís Nazário de Lima.

          Ferrolho: defesa muito fechada. Táctica inventada em 1934 pelo austríaco Karl Rappan (seleccionador suíço).

          Ficar maltratado: ser completamente fintado.

          Fífia: erro flagrante de um jogador ou de uma equipa.

          Filho do Vento: alcunha do futebolista brasileiro Euller Elias de Carvalho. Também se aplicava ao ex-futebolista Paulo Futre, pela velocidade estonteante das suas arrancadas em direcção à baliza adversária.

          Fim de ciclo: fim de ciclo de uma equipa, quando há várias saídas de jogadores já confirmadas.

          Finalíssima: jogo que coloca frente-a-frente dois campeões, neste caso entre o campeão da Europa e o congénere da América do Sul.

          Finalização: remate à baliza.

          Fio Maravilha: alcunha do jogador brasileiro do Flamengo João Batista de Sales.

          Flecha Loira/Don Alfredo: alcunhas do futebolista argentino Alfredo Di Stéfano.

          Folha seca: técnica de marcação dos livros directos, junto à linha frontal da grande área, inventada pelo brasileiro Didi na década de 1950. Remate seco, com o peito do pé, que contorna a barreira de jogadores adversários, desenhando uma trajectória ascendente, mas que, de repente, graças ao efeito produzido pelo remate com a parte de dentro do pé, muda de direcção e desce velozmente em direcção à baliza.

          Fome de bola: jogador que regressa à competição, depois de lesionado (paragem prolongada), e está sempre a correr atrás do esférico.

          Fora de série: jogador excepcionalmente dotado.

          Formiga Atómica: alcunha de Rui Barros, ex-jogador do FC Porto, AS Mónaco, Juventus e Marselha.

          Formiguinha: jogador muito trabalhador.

          Frango: falha flagrante do guarda-redes que dá origem a um golo. Pero.

          Frangueiro: guarda-redes que costuma sofrer muitos golos.

          Futebol científico: jogado pela URSS.

          Futebol falado: debates sobre futebol na TV.

          Futebol de motor: referência ao futebol praticado, no passado, pelo Liverpool.

          Fuzilar o guarda-redes: remate desferido com grande força só com o guarda-redes à frente, sem oposição da defesa adversária.

 

G

 

          Gabriel Alves: jornalista e comentador de futebol. Uma referência nacional, tornou-se conhecido pelos relatos televisivos da RTP, durante os quais comunicava um estilo hipnótico, de grande imaginação e originalidade, imprimindo aos jogos uma dinâmica e uma animação em que as palavras corporizavam as imagens. A sua capacidade criativa mereceu-lhe o epíteto de "trovador do desporto-rei". Viveríamos num país muito mais enfadonho sem pessoas como ele. O anónimo autor de O Meu Pipi, livro cuja referência ao calão ressalta do próprio título, imortalizou-o logo na primeira página, imitando o seu estilo fresco e ágil: "Tenho dois sonhos: um é instituir a paz no mundo, fazendo com que por meu intermédio os dirigentes de todos os países dêem as mãos e comecem a construir juntos um mundo melhor. O outro é dar uma foda relatada por Gabriel Alves. (...) 'Senhores telespectadores, muito nem vindos ao quarto do Pipi para mais uma pinocada a contar para o Campeonato Nacional da Foda. Hoje, neste magnífico cenário, palco de tantas trancadas clássicas, a catedral da foda, vamos assistir a um derby: Pipi versus Uma Gorda Qualquer. Os fodilhões dispensam apresentações" (Anónimo, O Meu Pipi). No final deste capítulo, encontrarão uma amostra elucidativa de algumas das suas expressões de alta criatividade.

          Ganhar na secretaria: ganhar com recurso a boas relações fora do terreno de jogo, sobretudo com árbitros ou gente das instituições do futebol.

          Gazela de Benguela (a): alcunha de Rui Manuel Trindade Jordão, um dos maiores goleadores do futebol português. Brilhou ao serviço do Sporting e da Selecção Nacional.

          Gigantes de Cimento: grandes estádios de futebol com capacidade para receber dezenas de milhares de espectadores.

          Golaço: golo de fazer levantar o estádio.

          Goleada: vitória por três ou mais golos de diferença.

          Golo da tranquilidade: golo que concede uma tal vantagem que torna muito difícil (mas não impossível) ao adversário dar a volta ao marcador. Diz-se, normalmente, quando a equipa que está a vencer fica com dois golos de diferença. No final do jogo, a tranquilidade é quase definitiva.

          Golo de antologia: golo de grande categoria, golaço.

          Golo de carambola: golo que se marca casualmente, depois de ressaltar nas pernas (ou noutra parte do corpo humano) de um ou mais adversários.

          Golo de honra: único golo obtido por uma equipa, quase no final do jogo, que perde por muitos (goleada).

          Golo fantasma: quando a bola ultrapassa a linha da baliza sem que o golo seja concedido pelo árbitro, por não ter conseguido ver o esférico para lá da linha.

          Golo madrugador: golo nos primeiros minutos da partida.

          Golo da tranquilidade: golo que torna mais difícil, às vezes quase impossível, à equipa adversária sonhar ainda com a vitória.

 

H

 

          Harry Potter: alcunha do ex-futebolista Ricardo Quaresma, pela magia que criava dentro do campo. Também conhecido como "Mustang".

          Hat-trick: referência ao jogador que marca três golos na mesma partida de futebol.

          Homem de Borracha: alcunha de Manuel Bento, guarda-redes do Benfica e da Selecção Nacional. Também conhecido como "A Muralha da Luz".

          Honrar a camisola: dar o tudo por tudo num jogo para dignificar o clube que se representa.

          Hooligan: fanático do futebol, que vai aos estádios ou às suas imediações com o único objectivo de se envolver em cenas de pancadaria com as claques das equipas adversárias. Para ele, a violência é mais importante que o jogo e o futebol um mero pretexto para dar rédea solta aos seus instintos mais básicos. Nunca actua em solitário, preferindo o conforto da multidão.

 

I

 

          Infantes (os): alcunha da selecção portuguesa que representou o nosso país no Campeonato do Mundo de Futebol de 1986, realizado no México. O cognome surgiu a partir do hino humorístico, cantado por Herman José e letra de Carlos Paião, composto para aquela ocasião.

          Ir para casa mais cedo: levar cartão vermelho, ser expulso do jogo pelo árbitro.

          Irreconhecível: grande equipa que joga mal numa determinada partida.

 

J

 

          Janela para o mundo: ir para uma equipa grande onde poderá tornar-se conhecido.

          Jarda: remate forte ou com muita força.

          Jejum: equipa que não ganha títulos há muito tempo.

          Jinga (ter): saber driblar com ritmo ou swing.

          JJ: alcunha de Jorge Jesus, treinador de futebol.

          Jogada de laboratório: jogada ensaiada nos treinos.

          Jogar praticamente em casa: a jogar fora do seu estádio, mas com tantos ou mais adeptos que a equipa adversária.

          Jogo aberto: jogo de parada resposta, ataque seguido de ataque da equipa adversária.

          Jogo a doer: quem perder é eliminado.

          Jogo impróprio para cardíacos: jogo com muitos golos de ambos os lados e com o resultado incerto até ao último segundo.

          Jorge Perestrelo: jornalista e locutor de futebol, de voz grave inconfundível, conhecido pelo estilo extrovertido e de grande carga emocional. Para ele, as emoções fortes eram a melhor forma de comunicar aos ouvintes o que se passava no relvado. Inspirado na escola brasileira de relato futebolístico, ficaram para a história da rádio portuguesa as expressões "Ripa na Rapaqueca", "É disto que o meu povo gosta" ou "O que é que é isso, ó meu?". As suas reacções emocionais de alta voltagem, aliadas ao seu poder vocal, vibrante e cheio de ritmo, que por vezes se confundiam com os gritos dos adeptos no estádio, estariam também na origem da sua morte. A 6 de Maio de 2005, um dia depois de relatar o golo do Sporting frente ao Alkmaar, na Holanda, que garantiu, no último minuto, a passagem da equipa portuguesa à final da Taça UEFA – "Golo! Gooolo! Goooolo! É do Sporting! É do Sporting! Eu te amo, te amo Sporting!" –, o jornalista nascido em 1948, na cidade do Lobito, em Angola, começou a queixar-se de dores no peito e, sentindo-se cada vez pior, foi internado no Hospital da Cruz Vermelha. Morreu nesse mesmo dia, durante a operação. Causa da morte: enfarte do miocárdio.

 

L

 

          Lagarto: adepto do Sporting Clube de Futebol.

          Lampião: adepto do Sport, Lisboa e Benfica.

          Lançar perfume em campo: jogador ou equipa com classe.

          Lance: jogada.

          Lanterna vermelha: o último lugar na classificação, último classificado.

          Laranja Mecânica: alcunha da selecção holandesa de futebol da década de 1970, em particular a que competiu no Mundial de 1974, realizado na Alemanha.

          Lenços brancos: gesto de desagrado dos adeptos pedindo a demissão do treinador.

          Leões (os): o mesmo que Sporting.

          Levar a equipa ao colo: jogador que motiva os outros dez.

          Levado ao colo: com a ajuda dos árbitros.

          Locomotiva: alcunha do ex-futebolista do Benfica da década de 1960, José Augusto.

          Locomotiva do Barreiro: alcunha de Carlos Manuel, jogador do Benfica e da Selecção Nacional.

          Luvas pretas: alcunha de João Alves, ex-jogador do Benfica.

 

M

 

          Maestro: alcunha de Rui Costa, futebolista do Benfica e da Selecção Nacional. Actual Presidente do Sport Lisboa e Benfica.

          Mágico (O): alcunha do ex-futebolista Simão Sabrosa.

          Magriços: alcunha da Selecção Nacional que competiu no Mundial de 1966, em Inglaterra, tendo ficado em 3.º lugar.

          Malhoa (o): alcunha de Manuel Vasques, um dos "cinco violinos" do Sporting.

          Mama (estar ou ficar à): jogador que se deixa estar perto da baliza adversária à espera que a bola vá ter com os seus pés. Atacante que fica perto da baliza contrária e quase nunca recua para a defesa, deixar ficar sempre na frente à espera de que os companheiros lhe entreguem a bola para marcar golo.

          Mané Garrincha/Anjo das Pernas Tortas/Alegria do Povo: alcunhas do futebolista brasileiro Garrincha, de nome civil Manoel Francisco dos Santos.

          Maniche: alcunha de Nuno Ricardo Oliveira, que o próprio adoptou em homenagem ao dinamarquês Michael Manniche (ex-Benfica).

          Marechal (O): alcunha do ex-futebolista Germano, pela autoridade que conseguia impor na defesa.

          Mão de Deus: golo ilegal marcado por Armando Diego Maradona, com a mão esquerda, contra a selecção de Inglaterra, nas meias-finais do Campeonato do Mundo de 1986, realizado no México. O golo, que passou a simbolizar a vingança da Argentina contra a Inglaterra depois da Guerra das Malvinas, seria tema de livros e de filmes

          Mãos de Ferro: alcunha de Frederico Barrigana, ex-jogador de FC Porto, do Sporting e do Salgueiros.

          Máquina de fazer golos: alcunha do futebolista Peyroteo.

          Maradona, Diego Armando: um dos melhores futebolistas da história do futebol mundial, razão pela qual mereceu as mais diversas alcunhas: Dieguito, El Pibe de Oro, El Diez, Pelusa, Barrilete Cósmico, El Diego, D10S.

          Marisco do Eusébio: tremoços. Origem no relato incerto segundo o qual o jogador de futebol Eusébio, quando chegou a Portugal continental, vindo de Moçambique, terá respondido a um jornalista que o seu marisco preferido era o tremoço. Expressão com conotações racistas.

          Marlon Brandão: ex-jogador do Boavista, Estrela da Amadora e Sporting com nome de estrela de cinema.

          Mata-mata: jogo em que tudo ficará decidido, aquele que garantirá a vitória numa competição, a passagem à final (por exemplo, da Liga dos Campões), à próxima fase de uma eliminatória (oitavos de final, quartos de final ou meias-finais) ou o apuramento para a fase final de um campeonato (do Mundo ou da Europa).

          Matateu: alcunha de Sebastião Lucas da Fonseca, ex-jogador de futebol de origem moçambicana, que brilhou ao serviço dos Belenenses e da Selecção Nacional.

          Meio-campo de luxo: equipa com grandes futebolistas meio-campistas.

          Menino de Ouro (O): alcunha de João Vieira Pinto, ex-futebolista do Benfica, do Sporting e da Selecção Nacional.

 

          Meter o turbo: correr muito depressa, mais do que todos os outros jogadores, em direcção à baliza do adversário.

          Mijadinha: remate fraco que resulta em golo.

          Ministro (O): alcunha do ex-futebolista Costinha, devido à forma de jogar elegante e sóbria.

          Míssil teleguiado: passe certeiro, com pontaria. Remate que dá em golo, com a bola a ser colocada num local difícil, intencionalmente pelo jogador.

          Mister: treinador.

          Moldura humana: conjunto do público que assiste a um jogo nas bancadas do estádio.

          Monstro Sagrado: alcunha de Mário Coluna, ex-jogador do Benfica. Também conhecido como "Senhor Coluna", "Grande Capitão" ou "Didi de Portugal".

          Montra: equipa onde um jogador tem mais probabilidades de ficar famoso pela qualidade do seu futebol.

          Muralha: alcunha do futebolista (guarda-redes) brasileiro Alex Roberto Santana Rafael, mais conhecido como Alex Muralha.

 

N

 

          Natal: época do ano em que o Sporting costuma ficar praticamente sem hipóteses de disputar o título de campeão.

          Namorar um jogador: quando um clube tenta contratar um jogador.

          Necas: alcunha de Jesus Correia, um dos cinco violinos do Sporting.

          Nené: alcunha de Tamagnini Manuel Gomes Batista, ex-jogador do Benfica e da Selecção Nacional.

          Noite de gala:        equipa da segunda ou terceira divisão que recebe uma equipa da primeira divisão.

          Noite mágica: quando tudo correu bem a uma equipa.

 

O

 

          Oferecer uma prenda ao adversário: autogolo ou golo marcado pelo adversário, depois de o defesa lhe ter passado, erradamente, a bola.

          Oitava Maravilha do Mundo: alcunha do ex-futebolista Matateu, considerado uma lenda do Belenenses.

          Olheiro: indivíduo que observa a actuação dos jogadores de outras equipas com o objectivo de prestar informações sobre ele ao clube que lhe deu tal incumbência.

          Otto Glória: nome como era conhecido Otaviano Martins Glória, treinador brasileiro de futebol, tendo dirigido, em Portugal, o Benfica, o Belenenses, o FC Porto e o Sporting, além da Selecção Nacional.

 

 P

 

         Padeiro: remate violento que resulta em golo, surpreendendo o guarda-redes.

          Pantera Negra (o): alcunha de Eusébio da Silva Ferreira, ex-futebolista do Benfica e da Selecção Nacional. Também conhecido por "King", ou "o Rei".

          Pantufada: falta, pontapé nas canelas do adversário.

          Papa: nome com que é conhecido Jorge Nuno Pinto da Costa, o presidente do Futebol Clube do Porto.

          Paradinha: forma de marcar uma grande penalidade, com o jogador parando subitamente durante a corrida em direcção à bola, fazendo um ligeiríssimo compasso de espera, simulando que vai rematar de imediato, enganando o guarda-redes.

          Parece que queima (a bola): jogador que, por ter medo de perder a bola, não fica com ela nos pés muito tempo, passando-a de imediato a um companheiro de equipa.

          Partir os rins: jogador que faz uma finta tal que desequilibra o jogador oponente quando o ultrapassa, deixando-o para trás. Desequilibrar o adversário com sucessivos dribles e fintas de corpo.

          Patrícios: alcunha pela qual ficou conhecida a Selecção Nacional que obteve o 3.º lugar no Campeonato Europeu de Futebol de 1984, em França.

          Pé de Anjo: alcunha do futebolista brasileiro Marcelinho Carioca. O cognome foi-lhe atribuído por ser um dos melhores marcadores de faltas.

          Pé de chumbo: jogador desastrado e lento, sem habilidade para o drible.

          Pé de Midas: jogador excepcionalmente dotado para o drible ou para acertar na baliza.

          Pé para pé: equipa que joga com passes curtos, seguros e certeiros.

          Pé alto: situação em que dois jogadores levantam os pés ao mesmo tempo, colocando-os nas alturas, para disputar a bola. Segundo as regras do jogo, deve ser punida disciplinarmente, com o árbitro a assinalar um livre indirecto.

          Pé em riste: pé alto ainda mais perigoso que costuma atingir as pernas do adversário que tem a bola.

          Peladinha: jogo de futebol num campo sem relva ou de terra batida (pelado). Futebol de rua, que jogávamos em criança ou na adolescência, com bolas de cauchu.

          Pelado: campo de futebol de terra batida, sem relva.

          Pendurar as chuteiras ou arrumar as botas: deixar de jogar futebol. Acabar a carreira profissional.

          Pentear a bola: tocar levemente com a cabeça na sequência de um centro, mudando ligeiramente a trajectória da bola. Ou apenas passar a sola da chuteira sobre a bola.

          Pepe: alcunha do ex-futebolista brasileiro, naturalizado português, Kepler Laveran Lima Ferreira.

          Pequeno Genial: alcunha de Fernando Chalana, por causa da sua estatura e pela qualidade técnica.

          Perder a inocência: o futebol perdeu a sua inocência, deixou de ser apenas actividade lúdica e passou a ser sobretudo negócio. Amor à camisola. Fazer o jogo pelo jogo. Jogar o que o jogo desse. Quando ainda não mexia com milhões em dinheiro.

          Perdulário: jogador ou equipa que falha muitas oportunidades de golo. Perdulária no ataque: desperdiçar muitos golos.

          Pés de fazer tudo: muito bom a driblar.

          Petit: alcunha do ex-futebolista Armando Teixeira, derivada da sua pequena estatura.

          Pipi: alcunha de Rogério Lantres de Carvalho, futebolista do Benfica, considerado o melhor de sempre daquele antes do surgimento de Eusébio. Não confundir com o autor do livro O meu pipi.

          Piscina: quando o jogador simula uma falta inexistente projectando-se para a frente com o objectivo de enganar o árbitro.

          Pistoleiro (O): alcunha do ex-futebolista Beto Severo, pelo modo como festejava os seus golos.

          Pitbull: alcunha do futebolista Petit, de nome civil Armando Gonçalves Teixeira.

          Piu-piu: frango, peru.

          Poeta do Futebol: alcunha de Pedro Barbosa, ex-futebolista do Vitória de Guimarães e do Sporting. Também conhecido como "Pastelão Tecnicista".

          Poker: marcar quatro golos sem resposta à equipa adversária.

          Polícia: jogador que, durante um jogo, marca de perto sempre o mesmo jogador adversário.

          Pontapé de alívio: tirar a bola da defesa com toda a força.

          Pontapé na atmosfera: falhado, que não chega a tocar na bola.

          Pontapé de bicicleta: quando o jogador, estando de costas para a baliza adversária, salta e em posição mais ou menos horizontal, de costas para o chão, chuta a bola para a baliza.

          Pontapé-canhão: remate violento.

          Pontapé do fundo da rua: remate distante da baliza.

          Pontapé de moinho: lance no qual o jogador, tendo ao seu lado a baliza adversária, ergue um pé à altura da cabeça para chutar a bola, mantendo o outro pé no chão como apoio.

          Pontapé de ressaca: remate feito na sequência de um ressalto.

          Pôr o autocarro à frente da baliza: jogar à defesa de forma ostensiva, sobrepovoando a zona frontal à baliza.

          Por baixo da rata ou pôr baixo da cueca: passar a bola por baixo e entre as pernas do adversário. Humilhante. Fazer um túnel.

          Pôr a carne toda no assador: arriscar tudo. Colocar em campo, nos últimos minutos do jogo, atletas que não costumam jogar.

          Pôr o fato de macaco: jogar no duro, esforçando-se em todas as jogadas.

          Predador nato: grande goleador.

          Pregado ao relvado: quando um jogador é fintado sempre capacidade de reacção, sendo surpreendido.

          Primeiro toque (jogar ao): estilo vistoso e eficaz de jogar, passando rapidamente a bola entre os jogadores da mesma equipa, dando-lhe apenas um toque.

          Príncipe do Futebol (O): alcunha do ex-futebolista Humberto Coelho.

          Profeta: alcunha do futebolista brasileiro Anderson Hernanes de Carvalho Viana Lima.

          Pronto-socorro: jogador que resolve muitas situações de perigo.

          Pugilista (o): alcunha de Silvino de Almeida Louro, ex-guarda-redes do Benfica e da Selecção Nacional.

          Pulga (la)/Pulguita: alcunha do jogador argentino Lionel Messi.

          Pulmão de Ferro: alcunha do ex-futebolista Minervino Pietra.

          Pupilos: jogadores em relação ao treinador.

 

Q

 

          Quebrar jejum: ganhar a uma equipa a quem nunca se ganhou antes.

          Queimar tempo: jogador que demora a voltar a colocar a bola em jogo, depois da marcação de uma falta ou durante o pontapé de baliza.

          Queimar os últimos cartuchos: últimas oportunidades no jogo.

          Quatro linhas: campo de futebol.

          Quinto Beatle: alcunha do futebolista inglês George Best, considerado o melhor jogador de sempre das Ilhas Britânicas.

 

R

 

          Raça: coragem, valentia.

          Raçudo: que evidencia raça.

          Ranço: sorte.

          Rançoso: indivíduo cheio de sorte.

          Rato Atómico: alcunha do ex-futebolista António Simões, pela conjunção velocidade + baixa estatura.

          Rato Mickey: alcunha de António Simões Costa, ex-jogador do Benfica e da Selecção Nacional.

          Recital: jogar bem à bola, dar um banho à outra equipa.

          Recolher ao balneário: ir para intervalo.

          Redondinha: bola de futebol.

          Refrescar frente de ataque: quando o treinador substitui os atacantes da sua equipa.

          Rei das Subidas (o): alcunha do treinador Vítor Oliveira. Este cognome, O Rei das Subidas, deveu-se ao seu recorde de promoções de equipas da Segunda Liga portuguesa: nada mais nada menos que 11 promoções ao primeiro escalão do futebol nacional.

          Rei/Rei do Futebol/Pérola Negra: alcunhas do futebolista Pelé, de seu nome completo Edson Arantes do Nascimento.

          Respirar de novo: marcar golo que deixa o resultado em aberto.

          Retângulo: campo de futebol.

          Regressar ao convívio dos grandes: equipa da segunda divisão promovida à primeira.

          Remate do meio da rua: remate efectuado longe da baliza adversária, tentado marcar golo.

          Ribalta (saltar para a): jogador que se torna o centro das atenções na comunicação social.

          Ricardo Coração de Leão: alcunha do ex-futebolista e treinador Ricardo Sá Pinto.

          Ripa na Rapaqueca: expressão emblemática utilizada pelo locutor desportivo Jorge Perestrelo (ver).

          Rodriguinhos: pormenores técnicos nem sempre consequentes.

          Ronaldinho/Ronaldinho Gaúcho: alcunha do futebolista brasileiro Ronaldo de Assis Moreira.

          Rosca: pontapé efectuado de forma defeituosa em que a bola rodopia sobre si própria acabando por adquirir uma trajectória diferente daquela pretendida.

          Rui Tovar: jornalista desportivo português, grande conhecedor da história do futebol português. A sua linguagem gongórica, proferida de forma tranquila e segura serenidade, eram a sua marca de identidade.

 

S

 

          Saltilho (caso): rebelião e greve dos jogadores da selecção nacional de futebol no decurso do Campeonato do Mundo de Futebol de 1986, realizado no México. Saltillo é o nome da cidade mexicana onde a equipa portuguesa ficou alojada. O rastilho do incidente foi a falsa acusação de dopagem ao jogador Veloso, como depois se viria a comprovar em resultado da contra-análise. Para os jogadores, que acreditavam na inocência do companheiro, aquele episódio foi o culminar da tensão existente, anterior, entre a sua situação profissional e as precárias condições materiais oferecidas pela Federação Portuguesa de Futebol, o que levou à ameaça de greve caso os seus prémios de jogo não fossem melhorados. Por outro lado, os jogadores manifestaram-se descontentes pelo facto de serem obrigados a fazer publicidade para empresas sem que por isso fossem remunerados (por essa razão, alguns jogadores treinaram com as camisolas do avesso, evitando assim fazer publicidade a essas empresas, cujo único beneficiário era a Federação).

          Salto do tigre: referência ao modo de jogar de Matateu.

          Salvar sobre o apito final: marcar golo da vitória ou do empate no último minuto.

          Sandokan (O): alcunha do futebolista António Oliveira, por causa do cabelo e da barba, fazendo lembrar a famosa personagem criada pelo italano Emilio Salgari.

          Sanduíche: quando um jogador é apertado por dois adversários, resultando em falta.

          Sapatada: bola chutada de qualquer maneira.

          Sem ideias: equipa com jogo insonso.

          Special One: alcunha de José Mourinho, treinador de futebol.

          Stradivarius: alcunha de Fernando Peyroteo, ex-futebolista do Sporting e um dos "Cinco Violinos". Ficou conhecido com o nome do famoso violino por ser o mais letal daquele grupo de jogadores.

          Sururu: confusão no campo que pode resultar em vias de facto, envolvendo jogadores das duas equipas e árbitros.

 

 T


          Tapete verde: relvado. Diz-se, normalmente, quando o relvado está em excelentes condições para a prática do futebol.

          Tesouro supremo: o último cromo de uma caderneta de futebol. O mais difícil de encontrar.

          Tiqui-taca: futebol do Barcelona treinado por Guardiola. Trocar a bola quase de olhos fechados. Entendimento perfeito entre os jogadores de uma equipa.

          Tirado a papel químico: jogada muito semelhante à anterior.

          Tira-teimas: jogo decisivo entre duas equipas que venceram um jogo cada uma.

          Tirar a tinta ao poste: remate que raspou o poste ou que passou mesmo ao lado dele.

          Titularidade: jogador escolhido pelo treinador para entrar no início do jogo.

          Tomar banho mais cedo (ir): jogador que levou cartão vermelho, sendo expulso do jogo.

          Tomba gigantes: equipa pequena ou de menor valia que elimina de uma competição um adversário considerado muito superior.

          Toni: diminutivo de António José Conceição Oliveira, ex-futebolista e ex-treinador do SL Benfica. Também conhecido como "Craque Saloio" e "Cavalão".

          Toninho: alcunha do antigo futebolista e seleccionador nacional António Oliveira.

          Torres gémeas: par de defesas muito altos, que tornam muito difícil o futebol aéreo dos jogadores adversários.

          Trata a bola por tu: jogador de grande qualidade técnica.

          Trivela: pontapé de trivela. remate com efeito, com a parte de fora do pé.

 

U

 

          Unicelha: alcunha do ex-futebolista Bosingwa, porque os seus pêlos das sobrancelhas se encontram no centro, por cima do nariz, criando uma linha contínua (fazendo lembrar a artista mexicana Frida Kahlo).

 

V

 

          Varrer: falta violenta cometida sobre um jogador adversário, normalmente de carrinho. Pode também referir-se ao acto de chutar a bola, de qualquer maneira, para fora da zona de perigo, na sua grande área.

          Veia goleadora: jogador que costuma marcar muitos golos.

          Velha raposa: alcunha atribuída ao ex-treinador de futebol Giovanni Trapattoni.

          Venceu, mas não convenceu: equipa que ganha um jogo apesar de ter jogado mal.

          Verão Quente: processo ocorrido no FC Porto, em que os jogadores do clube se solidarizaram com o treinador José Maria Pedroto, após o seu despedimento pela administração do Clube.

          Vértice da água: título de um livro de poemas do treinador Artur Jorge.

          Vestir o fato-de-macaco: quando uma equipa se empenha para conseguir a vitória.

          Vista grossa: quando um árbitro finge não ver uma infracção

          Visão de jogo: jogador inteligente, que faz passes que antecipam boas jogadas.

          Vitória moral: equipa que empata ou que perde apesar de ter jogado muito melhor do que o adversário.

          Vulgarizar: equipa pequena ou pouco cotada que, num determinado desafio, joga melhor que uma grande equipa.

 

Z

 

          Zé da Europa: alcunha do ex-futebolista José Travassos (o primeiro português a integrar uma selecção mundial).

          Zé do Boné: alcunha de José Maria Pedroto, treinador eternamente associado ao Futebol Clube do Porto.

          Zé Gato: alcunha de José Henrique, ex-guarda-redes do Benfica.

 




Adenda: algumas expressões de (ou atribuídas a) Gabriel Alves

 

          "Desferiu violenta baguete lá para dentro!"

          "Plantou uma beterraba na baliza".

          "Como se lhe tivessem metido uma moeda na ranhura".

          "Apareceu como cuco a sair do relógio" (aparecer isolado na cara do guarda-redes).

          "Defesa de Portugal mais rasgada que cuecas de feira".

          "Hector Cuper trancou tudo num sarcófago e fechou a pirâmide, mas Giménez foi salteador da arca e fez 1-0".

          "Tirou as calças, vestiu o soutien e foi a jogo".

          "Com cara de quem chumbou a matemática".

          "Gareth Bale foi coelho de luxo em cartola de seda na careca de veludo de Zidane".

          "Voou mais alto e encaixou míssil na baliza do Sporting" (golo de cabeça).

          "É prenda pretendida no sapatinho" (transferência de jogador na época do Natal).

          "Outros apanhados em noite de festa com música, cervejas e mulheres fazendo lembrar o célebre Caso Paula na Seleção Portuguesa".

          "Lamber as tampas dos iogurtes depois de os abrir".

          "De Bruyne é carta fora do baralho".

          "Exímio no arremesso da granada" (difícil a debater).

          "Um nómada no futebol português" (treinador que orientou muitas equipas de futebol).

          "Um pé esquerdo com mira laser faz dele um atirador de elite nas bolas paradas e cruzamentos".

          "Sururu entre Bruno Fernandes e Pizzi. É nestes momentos que dá jeito ter Lumor em campo para serenar os ânimos".

          "Deixou o carro estacionado à porta do estádio e acabou rebocado".

          "Magnifico Bernardo Silva. Pezinhos de lã em pantufas de veludo. Um slalom irrepreensível a lembrar Futre".

          "Portugal a cometer alguns erros na defesa e, tal como um fumador perto de uma botija de gás, arrisca o pior".

          "William tem uma finta sui generis onde rodopia sobre si próprio como um caranguejo com a pata pregada ao chão. Inovador."

          "Cérebro como a escada de Escher".

          "Sem posse, sem toque, sem paixão. Futebol platónico, portanto."

          "A verticalidade de Galeno, as diagonais de Pepê e a constante horizontalidade de João Félix. Um jogo geométrico, portanto".

          "O Fernando foi à terra do Tintim" (Bélgica).

          "Mas parecem dois carecas a lutar por um pente".

          "Central abusa das entradas à Rambo".

          "O Benfica nas cordas, mas ainda de pé".

          "Licença para fuzilar. Tem tempo para ajeitar as cuecas, respirar fundo e meter lá dentro" (jogador com a baliza adversária toda aberta).

          "Jogo de muita pessegada" (jogo com muita sarrafada).

          "Benfica levou duas cebolas do Portimonense".

          "Onde o Moreirense veio pedir guloseimas ao Benfica e levou 3 golos e 3 pontos".

          "O pão torra facilmente" (depois de se marcar o primeiro golo, torna-se tudo mais fácil).

          "E se um desconhecido lhe oferecer flores? Isso seria...".

          "A dar um amargo de boca a ingleses que já cantavam vitória. 1-1!" (quando a equipa contrária empata no último minuto ou nos descontos).

          "Ponta de lança alimentado a bife e batata. Um verdadeiro tractor de golos".

          "Pressão alta e passe curto a causar curto circuito na máquina Lusa".

          "Cometer hara-kiri na própria grande área" (fazer um penalti desnecessário).

          "Desferir chapada na cara do adversário dentro da área" (cometer grande penalidade).

          "Numa defesa sem movimento, saltou da vagem e encaixou cebola na baliza de Patrício. Um golo vegetariano".

          "Remata muito, mas não marca. Defende bem, mas treme. Está melhor, mas continua insuficiente".

          "Tudo ao molhe e fé em Deus".

          "Litros de futebol num pequeno pacote".

          "Deschamps culinário a transformar adversário em fondue".

          "Rotação, explosão, finalização. As ancas não mentem – um pequeno grande jogador".

          "A força da técnica do primeiro e a técnica da força do segundo abrem o marcador".

          "Partida muito tática: equipas arriscam pouco. Losango germânico a embater contra trapézio polaco em jogo paralelepípedo".

          "Cruzar para cabeça de Moutinho é como levar o garfo à sopa".

          "Até o Dimas jogou na Juventus: tudo é possível".

          "Tem desiludido neste jogo, com o toque de bola de um camionista sem travões".

          "Toque de bola, visão de jogo, pulmão, arte, fantasia... Um virtuoso ao serviço do futebol".

          "Modric abriu o livro! E leu em voz alta o capítulo referente aos remates de longe. Um grande golo".

          "A Rússia lá vai fazendo o seu jogo, levando a vodka ao seu moinho".

          "António Folha desta seleção inglesa: velocíssimo, mas só cruza quando já passou a linha de fundo".

          "Gonçalo Ramos! Golaço! Todo la dentro! 1-0" (referência implícita aos vídeos do arquitecto Tomás Taveira).

          "Encantador de Serpentes".

          "Vendedor de tapetes".

          "Errar é o mano".

          "Matam a sede com álcool gel desinfetante".

          "Aboubakar a dizer que 'sim' à bola".

          "Pujante presença física, mas aceleração de um camião diesel e velocidade máxima de um petroleiro. Cheio. Corre pouco".

          "Telepáticos e sempre em sintonia" (jogadores que combinam bem um com o outro, que se entendem).

          "Recebeu, abriu e com um movimento conjugou o verbo chutar. Um golaço a fazer sonhar".

          "A precisar de reboque, Porto foi comprar atrelado".

          "Fernando Santos impõe disciplina e diz a Cristiano: 'Quem veste as cuecas nesta seleção, sou eu!'".

          "Leva para casa o presunto".

          "4-0 Portugal! Suíça a apanhar um valente chocolate. E não estou a falar daqueles Toblerones do aeroporto". 


                                                                                                João Pedro George