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segunda-feira, 10 de agosto de 2026

São Cristóvão pela Europa (358).

 


No final do mês de Julho, andei pela Andaluzia.

O município de Gines situa-se nos arredores da cidade de Sevilha e dispõe de uma instituição de referência, a Casa de Cultura El Tronío, com assinalável actividade nas áreas da música e do teatro.

O seu pátio interior, como muitas casas andaluzas, tem um poço onde, desde os anos 40 do Século XX, foi colocado um painel de azulejos representando São Cristóvão. Em baixo pode descortinar-se uma assinatura: Isa Navia. Talvez o painel se relacione com uma Fábrica Pedro Navia, muito activa na região em meados do Século XX.





A Catedral de Sevilha, a catedral gótica que mais área tem em todo o Mundo, está na origem deste meu interesse por São Cristóvão, graças ao gigantesco fresco do Santo situado junto do túmulo de Cristóvão Colombo que tanto me impressionou e que já aqui reproduzi.

Por isso, a visitei mais uma vez. Mas, qual não foi o meu espanto quando deparei com um vitral de São Cristóvão numa parte alta da Catedral. Nunca tinha reparado nele. Na realidade, descobri depois que o vitral só foi colocado em 2025 depois de um intenso e longo processo de restauro.

O vitral é da autoria de Arnao de Flandres e é datado de 1540.

  



Finalmente, visitei o Mosteiro de Santa Clara em Moguer. O mosteiro foi fundado no Século XIV para as freiras clarissas.

Nele se destacou Doña Inés Henriquez, abadessa entre 1486 e 1516, tia do Rei católico Fernando de Aragão, grande impulsionadora das navegações feita por Castela.

Ela própria filha de um almirante, terá tido um papel importante na decisão dos Reis Católicos de financiar a primeira viagem de Cristóvão Colombo. Este, no seu regresso, terá passado a primeira noite no Mosteiro: 16 de Março de 1493. Esteve acompanhado pelos seus marinheiros oriundos de Moguer em especial por Pedro Alonso Niño, um dos seus melhores pilotos.

Na igreja do Mosteiro, o restauro de 1992 para as comemorações do V Centenário da Descoberta da América, revelou vários frescos até então ocultos. Um deles representa São Cristóvão.

 





 

                                                           Fotografias de 23 e 24 de Julho de 2026

                                                                                                   José Liberato





segunda-feira, 11 de maio de 2026

São Cristóvão pela Europa (354).

 

 

 

De volta a Espanha e à Província de Salamanca, agora com o apoio ao Malomil de uma forte equipa composta pelos curas D. Rafael, D. Carlos e D. Juan Carlos e as suas acólitas D. Maria José e D. Puri. A todos agradeço muito. Só assim foi possível visitar duas igrejas habitualmente inacessíveis.

 

Comecei pela aldeia de Retortillo que tem cerca de 170 habitantes. A igreja românica é dedicada a São Cristóvão e define a silhueta da aldeia.

No seu interior, um retábulo com uma imagem do nosso Santo. Curiosamente, o Menino Jesus não está sentado no ombro. Parece saltar.

 




Castillejo de Dos Casas é uma aldeia com cerca de 50 habitantes a um quilómetro da fronteira com Portugal. A igreja, também de São Cristóvão, ergue-se num ponto cimeiro e tem uma bela porta gótica. Terá sido construída no final do Século XV. No seu interior, uma imagem e um bastão usado em procissão, ambos com representações de São Cristóvão.

 







                                            Fotografias de 3 de Maio de 2026

                                            José Liberato

quinta-feira, 23 de abril de 2026

São Cristóvão pela Europa (353).

 


 

Continuando na província de Salamanca, agora na sua parte Sul, Beleña é um pequeno município situado em planalto. Sendo plano, atinge altitudes entre 800 e 900 metros.

Uma estátua de São Cristóvão foi criada por um artista local usando betão e cimento branco. Localiza-se junto à estrada com a intenção de proteger os condutores que passam.

A igreja, muito simples, é dedicada também ao nosso Santo. No interior, uma imagem que mal se consegue descortinar na fotografia.

 




 Ainda mais a Sul, fazendo já fronteira com a Província de Cáceres, situa-se Montemayor del Rio.

Nesta região passava a Via da Prata, caminho que ia de Astorga até Mérida. Segundo a tradição por aqui andaram Viriato, Sertório, até Aníbal Barca, o general Cartaginês.

O Castelo medieval de São Vicente, também chamado Castelo do Paraíso, do final do Século XIII, avulta na paisagem. Foi edificado certamente sobre fortificações anteriores

A Igreja de Nossa Senhora da Assunção é uma igreja construída em granito no Século XIII na transição do românico para o gótico. Possui um fresco representando São Cristóvão um pouco deteriorado.

 





Zamora é uma cidade importante na História de Portugal, em especial nos seus primórdios.

D. Teresa, mãe de D. Afonso Henriques, foi Senhora de Astorga e Zamora a partir de 1111. Passou aliás a usar o título de rainha desde essa altura.

Provavelmente em 1125, fez recentemente 900 anos, o jovem Infante D. Afonso Henriques investiu-se como cavaleiro. Dizem os Anais de D. Afonso, rei dos portugueses, transcritos por José Mattoso na sua biografia de D. Afonso Henriques:

Era de 1163 (ou seja 1125). O ínclito Infante D. Afonso, filho do Conde D. Henrique e da rainha D. Teresa, neto de D. Afonso, tendo cerca de 14 anos de idade (teria 16), estando na Sé de Zamora, no dia Santo de Pentecostes, tomou de cima do altar as armas militares e vestiu-se e cingiu-se a si próprio diante do altar, como é costume fazerem os reis. Vestiu-se com a armadura como o Gigante, pois era grande de corpo, e cingindo-se a si próprio com as armas para as batalhas, tornou-se nos seus actos, como um leão e como a cria do leão que ruge na caça.

Foi um primeiro momento de afirmação real de D. Afonso Henriques, três anos antes da batalha de São Mamede. Aconteceu em Zamora porque estava em território de sua mãe. Evidentemente que há que ter em conta que os Anais, escritos em 1185, são um panegírico do nosso primeiro rei.

Em 4 e 5 de Outubro de 1143, o Cardeal Guido de Vico (natural de Pisa, cardeal desde 1130, participante em na eleição de pelo menos três papas) encontrou-se em Zamora com Afonso VII de Castela e Leão e Afonso Henriques. Foi a chamada Conferência de Zamora.

Nessa conferência, de que não existem registos escritos, D. Afonso Henriques estabelece uma relação directa com a Igreja de Roma, ao mesmo tempo que vê Afonso VII reconhecê-lo como rei e afirmar-se como Imperador, dignidade superior à de Rei.

É indiscutivelmente um momento fundador da nacionalidade portuguesa.

A construção da Catedral de Zamora, tal como a conhecemos hoje, iniciou-se por volta de 1139, o que significa que a mencionada investidura de D. Afonso Henriques como cavaleiro ocorreu provavelmente na sua anterior configuração.

No seu interior, uma magnífica pintura mural de São Cristóvão, da autoria de Blas de Oña, pintor documentado entre 1531 e 1543.




 

                                                Fotografias de 3 e 4 de Abril de 2026

                                                                                      José Liberato





sexta-feira, 17 de abril de 2026

São Cristóvão pela Europa (352).

 

 

 

Entre 2 e 4 de Abril percorri as províncias espanholas de Salamanca e Zamora. Infelizmente, encontrei muitas igrejas fechadas mesmo em tempo de Semana Santa.

Ciudad Rodrigo, a 30 quilómetros da fronteira, sempre foi uma das praças fortes que defendiam a Espanha de incursões dos seus vizinhos ocidentais. Nas guerras peninsulares do início do Século XIX aqui se travaram importantes batalhas, algumas com incidência em Portugal como a que ocorreu no início da Terceira Invasão Francesa, atrasada em consequência da resistência da cidade.

A Igreja de São Cristóvão, muito antiga, mas reconstruída no Século XVIII, possui uma imagem barroca do nosso Santo em madeira policromada da época da reconstrução, integrada num altar-mor bem mais recente, já do Século XX. Tem uma originalidade: o Menino Jesus está ás cavalitas quando normalmente se apoia apena num dos ombros do Santo.

 





Nos arredores de Salamanca, a Igreja da Exaltação da Santa Cruz em Palencia de Negrilla é de origem românica e do Século XII. Foi reformada no Século XV sendo dessa época um belo portal de estilo gótico hispano-flamenco.

Notável é o retábulo do altar-mor, uma obra datada de 1599, que inclui uma imagem de São Cristóvão.

 





                                                            Fotografias de 2 de Abril de 2026

                                                                                            José Liberato




quinta-feira, 29 de maio de 2025

São Cristóvão pela Europa (309).

 

 

 

Na cidade espanhola de Cória, a igreja de Santo Inácio, inaugurada em 1959, contem uma imagem de São Cristóvão.

 



  

Na Catedral, a grande relíquia é apresentada como a toalha da Última Ceia. De origens misteriosas, o que se pode confirmar é ser realmente muito antiga e proveniente do Oriente.

Existe também um pendão processional alusivo ao nosso Santo.

 




 

                            Fotografias de 9 de Maio de 2025

                                                            José Liberato




segunda-feira, 26 de maio de 2025

São Cristóvão pela Europa (308).

 

 

 

Tive recentemente ocasião de visitar brevemente a Província espanhola de Cáceres, em especial as cidades de Plasencia e Cória.

O centro histórico de Plasencia é notável e nele avulta a Catedral de Santa Maria. Particularmente tocante foi a minha visita ter ocorrido ao som do repicar dos sinos, tocando jubilosamente pela eleição do Papa Leão XIV.

 


No Palácio de las Argollas casou-se em 25 de Maio de 1475 o nosso Rei D. Afonso V com Joana filha de Rei Henrique IV de Castela e conhecida depreciativamente como a Beltraneja.

 


Em 1484 constitui-se o Convento de Santa Clara de Plasencia. Na sua igreja, um altar contém uma bela pintura de grandes dimensões representando São Cristóvão.



 


Na Igreja de São Martinho, românica e edificada no Século XIII, um altar em pedra contém uma imagem do nosso Santo.

 



 

                                             Fotografias de 8 e 9 de Maio de 2025

                                                                                     José Liberato