Raza é um filme de 1941 baseado no livro homónimo
que Francisco Franco publicou sob o pseudónimo Jaime de Andrade. Algumas cenas dão
bem a noção do prodigioso burlesco que é Raza
na tela, filmada por Sáenz de Heredia. Nunca li o livro semiautobiográfico de Franco, mas pelo que se vê do
filme… valha-nos Díos. Um belíssimo apontamento trágico-cómico. «Muy bien, Sáenz de Heredia, usted ha cumplido», disse Franco ao realizador, descido o pano da projecção privada que, mal rodada a fita, teve lugar no Palacio de El Pardo. Franquismo e cinema, nota final: na sua monumental biografia de Franco, o historiador Paul Preston diz que, morto o ditador, a sua quinta passou a ser usada para a rodagem de filmes de cowboys e películas pornográficas. Arriba, España!
sexta-feira, 25 de maio de 2018
quinta-feira, 24 de maio de 2018
Costa do Sol - Estudos literário-sexuais.
Era
uma lástima ver aquele esbelto rapaz de 18 anos acamaradando com vadios
engravatados e prostitutas reles.
Keir Dullea, para sempre no espaço.
Todos
se lembram de 2001: Odisseia no Espaço. Muitos terão
guardado o nome do actor principal, Keir Dullea. Aos 81 anos, Keir Dullea ainda
não fala doutra coisa que não o filme de Kubrick. Esteve em Cannes, a falar
disso, claro. Aqui.
quarta-feira, 23 de maio de 2018
Lola, Amparo e Julia, as manas Touza.
Três
heroínas no Holocausto, estas irmãs de Ourense fizeram passar para Portugal uns
500 judeus em fuga a Hitler e a uma morte certa. Mais aqui ou aqui ou aqui. E já agora;: os judeus que passavam a fronteira portuguesa deviam ser acolhidos por alguém. Quem? Quem foram as manas Touza do lado de cá?
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A Espanha vazia.
Há
um livro extraordinário de Sergio del Molino, La España vacía.
Mas as imagens falam mais que mil palavras, não é verdade?
terça-feira, 22 de maio de 2018
Notas sobre A Grande Onda - 61
61.
Além
das tatuagens, de que se falou aqui e aqui, a xilogravura A Grande Onda, de Katsushika Hokusai, tem inspirado, ainda que com
menor intensidade, obras da chamada «arte corporal» (body art), tal como se refere aqui.
Entre
elas, as unhas apresentadas por Maki Otani, manicure em San Diego, Califórnia,
na Mini Masterpiece Nail Art Competition, organizada em 2010 pela Nails Magazine, e que aí obtiveram o
primeiro prémio. Um trabalho que demorou dez horas a executar e que Maki Otani
descreveu assim: «Using a tiny brush, I painted
the waves and Mt. Fuji with acrylic paint, and then I used white acrylic powder
and monomer on the white part of the wave so it would look like it was popping
out.»
Na
mesma linha, a maquilhadora Georgina Rylan obteve o segundo lugar na edição de
2014 do IMATS Battle of the Brushes, em Sidney, com esta interpretação de A Grande Onda:
Veja-se
outro trabalho de arte corporal, apresentado aqui,
e da autoria de Danny Setiawan, do DenArt Studio.
O relógio da História.
Este relógio estava na família Duret há
muitas décadas e outras tantas gerações. Nos anos 1940, Jean Duret recebeu-o das mãos de seu pai, que por sua vez o herdara de seu avô e assim por diante. Maravilhado, Jean gravou
o seu nome no relógio familiar, bem como o nome da aldeia em que morava, Habère-Lullin, localidade
alpina em que os nazis perpetraram um massacre por alturas do Natal de 1943, quando vinte
e cinco jovens foram metralhados sem piedade pelas SS. Na altura com dezoito anos, Jean escapou
por pouco à barbárie nazi, fugindo no último minuto com alguns companheiros da
Resistência francesa. Mas o relógio ficou para trás, confiscado pelos alemães.
No
passado 10 de Janeiro, Jean Michel Duret tinha uma carta na caixa de correio.
Vinha de Berlim, remetida por uma tal de Sabine Konitzer. Sem saber bem como, Sabine herdara o
relógio de uma tia e, setenta e cinco anos depois, devolvia-o ao
filho do seu legítimo proprietário. Jean falecera entretanto em 2010, mas o
relógio, esse, está agora junto de quem deve, entregue por quem merece esta
notícia e público louvor: Sabine Konitzer, alemã de Berlim.
segunda-feira, 21 de maio de 2018
Lá no alto.
Há uns anos, poucos, pudemos ver no
DocLisboa (de 2014) um documentário espantoso. Out of the Present, de Andrei Ujică, contava a história extraordinária, de
mistério e imaginação, do cosmonauta Sergei Krikalev (ou Krikaliov), que em
1991 embarcou na estação espacial Mir ainda nos tempos da União Soviética e,
enquanto estava no espaço, não se apercebeu do colapso da pátria dos sovietes.
Chegou à Terra e já não existia URSS, dizendo-se que «foi a primeira pessoa a
observar o fim de uma era histórica do ponto de vista dos deuses».
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Serguei Krikaliev (n. 1958)
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A história de Krikalev foi agora retomada
num outro filme, que ainda não vi, e segundo sei, ainda não aterrou em Portugal
– esperemos que chegue em breve. Chama-se Sergio
& Serguéi e é uma película hispano-cubana, meio abarracada e cómica, dirigida por Ernesto Daranas.
Vamos ver, vamos vê-la.
domingo, 20 de maio de 2018
sábado, 19 de maio de 2018
sexta-feira, 18 de maio de 2018
Morte.
Morte: termo de identidade
e residência.
Ricardo Álvaro
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Notas sobre A Grande Onda - 60
60.
No mundo da moda, existem inúmeros
exemplos de influência da xilogravura A
Grande Onda, de Katsushika Hokusai.
Um dos mais relevantes é, sem dúvida, o
modelo «Suzurka-San» apresentado por John Galliano (1960-) na colecção de alta costura Primavera/Verão
da Dior em 2007, em linho branco pintado à mão e bordado.
![]() |
Julia Saner, fotografada por Patrick Demarchelier
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Mais
tarde, este modelo figuraria na exposição Inspiration Dior, patente em 2011 no
Museu Pushkin, em Moscovo (catálogo aqui; ver também aqui).
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