sábado, 10 de abril de 2021

Para inglês ver.

 





Agora é o Quarteirão Inglês, à Estrela. Esteve lá o British Hospital, nas traseiras é o Cemitério Inglês, houve em tempos uma histórica companhia teatral. Zona consolidada, aprazível. E, por isso, cobiçada. Para quê? Para lá plantarem um mono, um paquiderme amansardado com um impacto visual brutal. E, claro, varandas iguais às que agora se fazem em todos, mas todos, os condomínios. Passem na Rua de O Século, no Largo das Olarias, tudo descaracterizado, uniformizado por uma arquitectura Lego de plástico, sem pinga de rasgo ou criatividade, animada pelo exclusivo propósito de aumentar volumetrias e, com elas, os lucros dos promotores. Com a cumplicidade passiva de uma CML incompetente e inculta, economicista e bárbara, Lisboa anda há décadas a ser esventrada. Vejam o rico estado da Fontes Pereira de Melo, da Avenida da República, convertidas em artérias ao melhor estilo Bogotá. E vejam, agora, a invasão rápida, inexorável, dos bairros antigos, mordidos aqui, mordidos acolá, com o passar do tempo convertidos numa coisa que não se sabe o que é, uma Albufeira trendy, com condomínios fechados – fechados ao bom senso e ao bom gosto, ao pulsar das gentes, aos ritmos que tornaram esta Lisboa uma cidade apetecível para viver ao olhar dos estrangeiros (os quais, na sua sofreguidão, acabarão por sugar o sangue e o coração da cidade, com a Câmara a olhar, sedenta e gulosa, criminosa, na mira das mais-valias).

 


2 comentários:

  1. Existe quem goste desse género de construção. Existem gostos para tudo não é mesmo?.
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    Bom fim de semana. Abraço poético.
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    Pensamentos e Devaneios Poéticos
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  2. Aplaudo de pé, até me doerem as mãos. E, se nada mais digo, é porque não sei dizer melhor. E a Câmara? Onde está ela? Estão todos cegos? Que vergonha! Que crimes!

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