terça-feira, 27 de outubro de 2020
Um Verão mesmo à mão (4ª e última parte).
Um Verão mesmo à mão, a
4ª e última parte da saga dos Durrell em Corfu, aqui.
(para a Paula e para o
Rui Lima, que apesar de nunca terem ido a Kalami, é como se lá tivessem estado
sempre)
segunda-feira, 26 de outubro de 2020
A Celebração da Vida pela Elevação da Morte.
A Celebração da Vida pela
Elevação da Morte
Por Pedro Strecht, Médico Pedopsiquiatra
Pela primeira vez, desde sempre na história conhecida das
nações, muitos de nós não vamos poder estar junto dos que nos são mais queridos
e já partiram. Por razões preventivas de saúde física, sacrificando novamente
as de ordem psíquica e social (contidas na definição da OMS), a circulação
entre concelhos será proibida nas datas em que anualmente muitos se organizam
nos necessários rituais do luto necessário em volta da perda e da morte, para
que justamente a vida possa continuar a ter o seu sentido mais profundo: que há
para além de mim? Que existe depois desta existência?
Por isso, relembro nesta ocasião pequenos pontos-chave que
parecem cada vez mais omissos numa sociedade que há muito se afastou da noção
da doença, lida mal com a presença da morte e faz da vida uma corrida de
contínua corrida e falsa infalibilidade. Todos somos mortais. Todos precisamos
de, ao longo da vida, ir organizando suficientemente bem esse conceito, na
relação connosco próprios e com a noção de presença ou ausência física e
emocional dos outros.
1. A negação da morte é um
imenso ataque à noção de vida.
2. O que torna o homem
consciente de si mesmo e do outro é a percepção da finitude: a omnipresente
angústia de morte, incluindo as suas variações minor de separação e perda
3. As pessoas e as sociedades
organizam-se em volta de rituais. A sua abolição produzirá os dois efeitos
extremos: a paralisia psíquica (o desinteresse, a apatia, o vazio depressivo)
ou, no oposto, os movimentos de zanga e raiva indiscriminada.
4. A presença emocional do
outro (incluindo perante a sua ausência física como na morte) celebra-se na
continuidade do tempo, na evocação das memórias mais marcantes (incluindo as
sensitivas), das recordações significativas, em suma, de tudo quanto representa
formas de inscrições psíquicas.
5. A vida também se vive pela
morte e seus equivalentes emocionais, mesmo em tempos em que estes conceitos
parecem subitamente negados: a importância do vazio, a necessidade do silêncio,
a procura de uma luz que quer acender (uma vela)
6. A morte também precisa de
vida, de festa e celebração em seu redor, para que não seja sentida de uma
maneira tão dura e difícil: os ramos de flores, a cor e a harmonia que exibem
7. Neste ano difícil, depois
de Todos os Santos e Fiéis Defuntos, virá com certeza uma provável supressão do
Natal? Esse, alguns o disseram há muito, também já é quando o homem quiser,
tornando-se a celebração do consumo e do narcisismo.
Lisboa, 25 de Outubro de
2020
Pedro Strecht, mail:
plstrecht@gmail.com
domingo, 25 de outubro de 2020
sábado, 24 de outubro de 2020
sexta-feira, 23 de outubro de 2020
Um Verão mesmo à mão.
quinta-feira, 22 de outubro de 2020
Três pequenas notas.
Houve alguém que passou, por estes dias, 1 hora a escolher a canção da sua Juliette Greco: Trois Petites Notes de Musique (de Gorges Delerue). É também a
minha.
Manuela Ivone Cunha
quarta-feira, 21 de outubro de 2020
acabado de regressar a Lisboa...
Boa tarde
É com uma tristeza enorme e profunda que
vos comunicamos o encerramento definitivo de Santos Ofícios.
Nunca pensámos vir a dar-vos esta notícia
mas a actual pandemia COVID-19 não nos deixa outra alternativa.
Foi uma vida muito preenchida e rica
embora atribulada no aspecto financeiro, que durou 25 anos, um quarto de
século.
Sobrevivemos à crise da Troika mas esta
como todos nós já percebemos é muito mais grave e duradoura, sem uma luz, por
mais ténue que seja, que alumie no curto e médio prazos este túnel negro em que
nos encontramos.
Aqueles que nos conhecem melhor sabem que
somos pessoas empenhadas e resilientes, habituadas a lutar por um projecto em
que acreditamos e foi por isso mesmo que conseguimos manter a porta aberta
durante todos estes anos sem ajudas ou apoios institucionais por mais pequenos
que fossem, valendo-nos apenas nestes últimos meses
a solidariedade e compreensão do
nosso senhorio que queremos aqui relevar.
Não foi possível encontrar como era nosso
desejo uma solução de continuidade para este projecto que foi pioneiro e
inspirador para outros que apareceram posteriormente.
Resta-nos nesta hora e tempo difíceis
iniciar uma campanha de vendas com descontos significativos sem recurso a
cartão bancário, para escoar os inúmeros trabalhos que ainda possuímos dos
melhores artesãos portugueses, durante o horário actual, das 12
h às 19 h excepto domingo.
Desejamos a vossa visita e solicitamos a
melhor divulgação desta notícia entre os vossos amigos e contactos, esperando
desde já a aquisição de peças únicas para o Natal que se aproxima.
Contamos convosco.
Ficamos à vossa espera.
Homero Cardoso
Luísa Cruz
Santos Ofícios Artesanato
Rua da Madalena, 87
1100-319 Lisboa
Portugal
Tel: 00351 218 872 031
santosoficios@santosoficios-artesanato.pt
https://www.facebook.com/santosoficiosartesanato/
http://www.santosoficios-artesanato.pt/index.htm
acabado de regressar a Lisboa...
Exmo. Senhor Vereador
Eng. Ricardo Veludo
Exma. Senhora Vereadora
Dra. Catarina Vaz Pinto
C.C. PCML, AML, JF e media
Decorrido mais de um ano (Julho de 2019) sobre o embargo decretado, e bem,
pela Câmara Municipal de Lisboa às obras ilegais então promovidas pelo
proprietário da loja histórica A Minhota, e verificada há dias a existência de
indícios de novas obras,
E considerando que, como é do conhecimento de V. Exas., esta antiga
leitaria é não só classificada “Loja com História”, como o seu exterior (montra
em ferro e painel de azulejos publicitários) e interior (armários de madeira
originais, fabulosas prateleiras em pedra, tectos de estuque e diversas
raridades das leitarias do final do século XIX) são Património da cidade e por
isso estão inscritos na Carta Municipal do Património (lote 45.72
(Antiga) Leitaria e Manteigaria “A Minhota”/Rua de São José, 138-140, Rua do
Carrião, 70), não podendo ser alterados, conforme disposto no Regulamento
do PDM;
Solicitamos a V. Exa. que nos esclareça sobre o respectivo ponto de
situação, isto é, se o embargo se mantém, ou se existe projecto aprovado e
licenciado pela CML?
Com os melhores cumprimentos
Fotos: Fernando Jorge (1
e 2), Time Out (3, 2018) e O Corvo (4 e 5, 2017)
http://cidadanialx.blogspot.com
http://cidadanialx.tripod.com
quarta-feira, 14 de outubro de 2020
Autumn in New York.
autumn
in New York
spells the thrill of
first-nighting
shimmering clouds in
canyons of steel
gleaming rooftops at
sundown
you'll need no castle
in Spain
Na companhia da voz de Billie
Holliday, quem é que precisa de castelos em Espanha?
Manuela Ivone Cunha
terça-feira, 13 de outubro de 2020
Dehesa.
Todos nos lembramos das
séries do grande, enorme, Félix Rodriguez de la Fuente. Para quem gosta, dos
criadores de um filme extraordinário, Cantábrico,
agora surgiu Dehesa. El Bosque del lince
ibérico. Fica a nota, muito elevada, máxima, com distinção e louvor.
Vale tudo?
O que se prepara para a Fontes Pereira de Melo é vergonhosamente vergonhoso. Três tristes prédios lindíssimos que estiveram
ali anos a fio, a apodrecer, à espera do camartelo. Que a CML de Fernando Medina
faça uma coisa destas, não é para admirar em quem não tem um mínimo de visão e
de e estratégia sobre o que deve ser uma cidade (temos o belo terminal dos cruzeiros,
maravilhoso, a atestar o disparate). Também não admira que coisas destas se
fizessem no tempo criminoso do engº Abecasis, que mandou abaixo o Cinema
Monumental para fazer o rico serviço que lá está. Olhai o Saldanha, olhai as
lindezas circundantes, com griffe de
Tomás Taveira e outras coisas que tais. Percorrei as avenidas que vão do Marquês
a Entrecampos, dignas de Bogotá em pior. A sério, vejam os prédios, um a um, a
miséria prostituta de toda aquela arquitectura plasmada em betão e aço. Nada
disto é de admirar perante o abandono a que Lisboa tem sido votada em décadas.
O que é de admirar é ver um multipremiado arquitecto, senhor de Souto de Moura,
assinar o abjecto traço do futuro Hotel Sana, que irá nascer das cinzas de três tristes
prédios na Fontes Pereira de Melo. Vale tudo? Parece que sim. Para quem ache
que não, é assinar a petição.
Que ceia de cardeais.
Não
sou de intrigas, mas o que se está a pensar com a reabilitação do cardeal Pell
e a demissão do cardeal Becciu é digno de uma novela de Dan Brown. A seguir.E, como sempre, Habemus Papam.
Queixa contra a melancolia.
Para quem esteja interessado/a em apresentar
uma, fica uma minuta possível:
“Queixa feita em Londres para fazer
passar a melancolia, a expor lentamente, com discrição”.
Plainte faite à Londres pour passer
la Melancholie, laquelle se joue lentement avec discretion, Suite nº 30 para
cravo (I), de Johann Jacob Froberger, por Christophe Rousset.
Manuela Ivone Cunha.
segunda-feira, 12 de outubro de 2020
Folhas caídas.
Alison Balsom em Autumn Leaves,
ainda mais inspirada ao vivo do que em estúdio. Um bálsamo
em qualquer deles, sempre.
Manuela Ivone Cunha
domingo, 11 de outubro de 2020
sábado, 10 de outubro de 2020
A mosca.
Moscas
há muitas, mas só algumas são notícia. As mais espertas sabem como atrair os
holofotes. Conhecem os truques todos – como o de incluir na mira de voo a presidência
dos Estados Unidos da América. Ascendem então vertiginosamente ao estrelato,
fazendo-se enxotar com elegância e graciosidade irreal por um incumbente; ou aderindo
com eficácia de ventosa à testa de um aspirante, com a familiaridade que se tem
perante velha matéria conhecida.
Porém,
quanta mosca anónima merecia sair da obscuridade. Há todo um mundo por
descobrir, como conta a Musca
Domestica do “Insektarium” de Berit Johansen, ou o Diário de uma Mosca
do “Mikrokosmos” de Béla Bartók.
Há
ainda sortes piores que a do anonimato, como ser-se até tomado por outrem e não
merecer sequer o simples reconhecimento correto da identidade de inseto. É o
que acontece com o famosíssimo Voo do Besouro da
ópera “O Conto do Czar Saltan”, de Rimsky-Korsakov, que na tradução portuguesa
acabou, sem apelo nem agravo, como o Voo do Moscardo.
A
atenuante é que, errando na letra, acertou no espírito, pois o zumbido do
moscardo, quanto a mim, é muito mais irritante, vingativo e epicamente
enlouquecedor – como se quer no personagem da história -- do que o do fofinho e
rechonchudo himenóptero.
Tudo isto é triste, razão pela qual se encerra este capítulo com A Morte do Senhor Mosca, de Eric Satie.
Manuela Ivone Cunha
quinta-feira, 8 de outubro de 2020
São Cristóvão pela Europa (133).
Em
2017 visitei o Museu da Idade Média em Paris, conhecido como o Museu de Cluny.
Inexplicavelmente
uma fotografia ficou esquecida não na poeira de um caixote mas antes numa
mistura de bases de dados.
O
Museu adquiriu este belo vitral em 1958 mas a proveniência é desconhecida. Pelo
estilo pode ser datado do primeiro terço do Século XV e a origem ser a Renânia.
De
notar que os pés do Santo estão bem imersos na água e rodeados de peixes.
O
Museu tem estado fechado para renovação.
Fotografia
de 4 de Novembro de 2017.
José
Liberato

























