domingo, 2 de agosto de 2020

Ventura agradece.




Os que, com razão ou sem ela, acusam o livro de Riccardo Marchi de promover o Chega estão a promover o Chega muito mais do que o livro de Riccardo Marchi alguma vez conseguiria. 














4 comentários:

  1. Ai chega chega a minha agulha...
    .
    Domingo feliz
    Abraço

    ResponderEliminar
  2. Confundir contestação e direito ao contraditório com censura é o último grito das sociedades democráticas. A coisa está de tal modo descontrolada, que o grito censura, último grito esgrimido pelos defensores da liberdade de expressão que, simultaneamente, atentam contra as minorias e contra os valores democráticos e igualitários, como forma de exporem à força aquilo que não são, ou seja, procurando validar o que, tal como previsto na lei, é um crime - ou atentando noutros aspectos contra a defesa e evolução desta - fez-se a pedra de toque para perceber que a lógica anti-democrática está-se a tornar uma norma perigosa que transborda já dos elementos individualizados anti-democráticos e serve de argumento para invalidar certas formas de contestação democrática que visam uma sociedade mais equilibrada, justa e plural, apoiando-se numa análise da realidade que é tudo menos democrática e procura apenas defender os seus interesses à revelia dos interesses e das necessidades dos outros. Ou seja: os que procuram defender uma democracia de qualidade e com princípios, que procuram fazer ver que a opinião pública está a atravessar uma fase psicótica, onde cada vez mais pessoas toleram ou acreditam em valores anti-democráticos cobrindo-os com a capa demagógica da liberdade de expressão, começam a ser perseguidos e a serem apelidados de perseguidores por estarem a minar privilégios que (não) devem ser questionados. A lógica da vitimização ganha então uma aura expiatoria e procura não deixar entrever que os novos-libertários-lobos-em-pele-de-cordeiro não são mais do que os carrascos da própria democracia. Opinadores não faltam e tão pouco percebem eles ao que vêm: nos jornais, nas redes sociais, na blogosfera. Ou, se o sabem, isso torna-os ainda mais insconcientes e até asquerosos. E nisto anda felizmente, ainda assim, menos de meio mundo: a comer sem mastigar opiniões feitas que vão alimentando a opinião pública para sobrenutrir ainda mais uma prática milenar de classe, verticalizada: o de todos contra todos acreditando que há qualquer coisa de democrático nisto, na defesa deste tipo de liberdade de expressão e, claro, da exploração e serventia do próprio privilégio que se quer injusto mas livre para opinar na defesa da sua posição e dos seus direitos inquestionáveis, a grande vitória democrática de todos o que querem à força impor a sua vontade em prol, ironicamente, de uma minoria: a sua própria minoria sobre e contra todas as outras.

    ResponderEliminar
  3. Quero com isto dizer que alimentar ou não o bicho mediático em causa ainda é o menos, é no mínimo perigoso, mas há algo mais importante: clarificar o turbilhão mediático que vai enviesando o entendimento do cidadão comum empurrando-o para uma espécie verborreia ainda mais perigosa, que por sua vez alimenta o bicho, mas alimenta também a defesa de mais e mais bichos que, em vez de uma guerra retórica de trincheiras, ainda por cima usando-se de retóricas coxas, precisam é de um jornalismo e de fazedores de opinião que procurem saber primeiro o que é a liberdade de expressão e que ponham alguma ordem nisto por muito que para isso estejam a dar razão a quem não querem ou não lhes convém.

    E este problema que não é mais do que o que está em falta, acaba por ser o maior problema de todos. De repente, não se defende o Ventura mas defendem-se ideias ou teores defendidos por este, não se defende o Ventura mas ataca-se a extrema-esquerda, a defesa das minorias ou a suposta leviandade penal. E o mais engraçado no meio disto tudo é que o próprio mexilhão bebe do que lhe vai sendo dito, como algo que se repete mil vezes e finalmente se lhe entranha para logo de seguida apontar o dedo a quem defende uma sociedade mais equilibrada, na defesa de valores verdadeiramente democráticos que apenas procuram encetar uma sociedade menos discriminatória, defendendo igualdade direitos para todos, uma maior equidade fiscal, etc., etc., etc.

    E se isto não é mais perigoso do que o Ventura, se todo este circo mediático e de defesa do próprio quinhão que se vai montado não acabar, aí sim, a qualidade da nossa democracia vai mesmo pelo cano abaixo.

    ResponderEliminar
  4. Já agora, obrigado pela sugestão. Vou comprar o livro,...e vou votar no Chega.

    ResponderEliminar