quinta-feira, 17 de junho de 2021

A Dança dos Adolescentes.

 

 


Ver algures lembrado o dia de hoje, 17 de junho, como o dia do nascimento de Igor Stravinsky (1882-1971), acordou de imediato na memória remota uma Sagração da Primavera que me fizera há uns anos rumar a sul, ao Coliseu, para vê-la conduzida por Esa-Pekka Salonen.

Mas o que tornou esta Sagração memorável, além da batuta de Salonen, foi a performance primaveril das cabeças dos dois adolescentes que me acompanhavam. Metal, impecavelmente heavy. Um fenomenal head-banging que Nijinsky não teria hesitado roubar na hora para coreografar uma versão contemporânea do número da “Dança dos Adolescentes”.

A energia, a precisão, a amplitude do movimento desenhado por aquela trunfa e aquele cabelame, em perfeita sincronia e sem falhar um único tempo forte das percussões, deixou-me pasmada, verde de inveja. A mim e, suspeito, ao entorno da plateia.  Aquilo era contagiante, mas não estava ao nosso alcance. Seriam precisas umas dezenas de audições para acertar daquela maneira no tempo. A mística ficou, indelével.

Agora os Melodica Men, grandes mestres saídos da Juilliard School (juro), dão uma ajuda com os instrumentos de percussão que introduziram. E dá para ficar com uma vaga ideia do que se passou no Coliseu.

Olhando ao escândalo que foi a estreia de uma das obras mais revolucionárias do século 20, Stravinsky não se vai aborrecer com esta prenda de aniversário.


Manuela Ivone Cunha.

 



   

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