A
A
bola já rola: segundos após o início da partida de futebol.
Açor:
alcunha do ex-futebolista da selecção nacional Pedro Miguel Carreiro Resendes,
também conhecido por Pauleta, pela forma como comemorava os golos, imitando
aquela ave dos Açores.
Armador
de jogo: futebolista responsável, numa equipa, pela criação de jogadas
ofensivas. Pela sua habilidade com a bola e a capacidade de drible, os seus
passes costumam ser certeiros, sendo igualmente bom a rematar à distância na
direcção da baliza.
Acariciar: tocar suavemente ou
subtilmente na bola, com elegância.
Afinfar:
chutar, rematar.
Águas:
José Águas, um dos melhores avançados-centro da história do futebol portuguesa.
Ex-jogador do Benfica e da Selecção Nacional, e pai do também futebolista Rui
Águas e da cantora Lena de Água.
Águias
(as): o mesmo que Benfica ou benfiquistas.
Alegria
do povo: grande jogador.
Ameixa: remate forte.
Amistoso: jogo que não conta para
qualquer competição oficial e que serve, normalmente, de treino para ambas as
equipas.
Amor
à camisola: futebolista que joga por gosto, mais do que por dinheiro.
Arsenalistas:
jogadores do Sporting Clube de Braga.
Artista: jogador que faz belas jogadas
ou jogadas artísticas. Jogador que "trata a bola por tu", por dominar
o esférico e se sentir à vontade na posse do mesmo.
Assumir
as despesas do jogo: equipa que toma a iniciativa do jogo, limitando-se a
equipa adversária a defender.
Atacante
do Amor: alcunha do futebolista brasileiro Vagner Love.
Atirar-se
para a piscina: Deixar-se cair no relvado, simular uma falta na grande área,
enganando o árbitro e levando-o a assinalar uma grande penalidade a favor da
sua equipa.
Atropelar: fazer uma falta à bruta
sobre outro jogador.
Autocarro: quando uma equipa defende
amontoando todos ou quase todos jogadores na sua grande área.
Avatar (O): alcunha do ex-futebolista
Abel Xavier, conhecido pelos seus penteados exóticos e barbas louras, género
oxigenado.
Azuis e brancos: Futebol Clube do
Porto; portistas; dragões.
B
Baile ou bailarico: a equipa que,
estando a vencer, troca passes de forma consecutiva, sem forçar o ataque,
levando o público a gritar "olé! olé!". À outra equipa diz-se que
está a levar um "baile" ou um "banho de bola".
Baixinho/Génio
da Grande Área: alcunhas do futebolista brasileiro Romário de Souza Faria (mede
1,67 metros).
Balázio: remate forte.
Balde de água fria: equipa que sofre
um golo de forma inesperada, sobretudo no final da partida, provocando um
arrepio geral, ou gelando o estádio.
Banho
de bola: jogar muito melhor que a equipa adversária. Lição de futebol, ou de
bem jogar à bola.
Beckenbauer
português: alcunha do ex-futebolista do Benfica, Humberto Coelho.
Benfas:
Benfica.
Bibota: jogador que ganhou duas vezes
a bota de melhor marcador de um campeonato. Alcunha de Fernando Gomes,
dianteiro do Futebol Clube do Porto, justamente por ter conquistado duas botas
de ouro.
Bichinho: alcunha do ex-guarda-redes
Vítor Baía.
Bicho (O): alcunha de Jorge Costa,
ex-jogador do FC Porto, pela forma impetuosa com que se entregava ao jogo,
investida agressivamente sobre os jogadores adversários.
Bife: alcunha de José da Silva
Oliveira, ex-jogador do FC Porto, de origem brasileira.
Bingo (fazer): equipa que completa uma
fase de apuramento apenas com vitórias.
Biqueirada: chuto dado na bola ou nas
canelas do adversário com o bico da chuteira.
Bisar: marcar dois golos no mesmo
jogo.
Blindar
o contrato: jogador com cláusulas de rescisão leoninas, de elevados valores
monetários.
Bola à flor da relva: passar a bola
junto ao relvado, sem a levantar.
Bola
parada (golo de): golo na sequência de um livre directo.
Bom
Gigante: alcunha de José Torres, futebolista do Benfica e da Selecção Nacional.
Bomba
atómica: dar uma notícia estrondosa em primeira mão relacionada com a
contratação ou despedimento inesperado de um jogador ou treinador.
Bombeiro de serviço: jogador
incansável, sempre disponível para correr, não olha a esforços. Que acorre a
vários lances de perigo, evitando o golo.
Bombo da festa: equipa mais fraca de
um grupo de qualificação.
Bonito (fazer): jogada vistosa e de
dificuldade técnica, mas que não resulta em grande coisa.
Brinca-na-areia: bom a fintar, mas
inconsequente nas jogadas.
Buldozer: jogador duro e sem
contemplações.
C
Cabazada:
goleada. Vitória com muitos golos de diferença. Ganhar por muitos golos,
resultados desnivelados, 11-0, 7-4, 9-2. Normalmente entre um grande e um
pequeno. Goleada.
"Cabecear
com a testa e de olhos abertos": golo de cabeça, com o corpo no ar, os braços
dando o impulso e o tronco projectando a cabeça para a bola. Cabeçada
tecnicamente bem executada.
Cabelinho
à Paulo Bento: penteado popularizado pelo ex-jogador e ex-seleccionador
Nacional Paulo Bento, que consiste basicamente num corte à tijela, em cabelo
liso, com um risco ao meio.
Calcio:
futebol em italiano.
Cambalhota
no marcador: equipa que passa para a frente do marcador depois de ter estado a
perder.
Campeão
de Inverno: título simbólico atribuído à equipa que a meio do campeonato está
na primeira posição.
Canarinha: selecção brasileira de
futebol.
Cândido de Oliveira: de seu nome
completo Cândido Fernandes Plácido de Oliveira, foi o primeiro capitão da
selecção portuguesa de futebol, tetracampeão regional pelo Benfica e, como
treinador, bicampeão pelo Sporting. Dá o nome à Supertaça, o jogo entre o
vencedor da Primeira Liga e o vencedor da Taça de Portugal.
Canto
à maneira curta: marcar o canto passando a bola a um jogador próximo da marca,
em vez de fazer um cruzamento para a grande área.
Carimbar
o passaporte: classificar-se para um torneio ou fase seguinte de uma prova. Passar para a próxima ronda ou ser apurado para
o campeonato da Europa para o Mundial.
Carrasco: jogador que costuma marcar
golos sempre à mesma equipa adversária.
Carregador
de pianos: jogadores que trabalham muito, cujo trabalho é invisível, de grande
sacrifício e pouco reconhecido. Jogar com desvelo, levar a equipa às costas.
Carrinho: jogador que corta uma jogada
deslizando sobre a relva e roubando a bola.
Cartolina: cartão do árbitro para
admoestar os jogadores (cartão amarelo) ou expulsá-los do relvado (cartão
vermelho).
Catedral: denominação de alguns
estádios de futebol, pela sua história, tradição e grande lotação. Wembley, por
exemplo, é a catedral do futebol inglês, tal como o Macaranã no Brasil.
Ceifador: alcunha do futebolista
brasileiro Henrique Dourado.
Ceifar: falta cometida de forma
violenta, atropelando o jogador adversário. O mesmo que "varrer" ou
"entrar a matar".
Chalanix: alcunha de Fernando Chalana,
futebolista do Benfica e da Selecção Nacional.
Chapéu: passar a bola por cima da
cabeça do adversário.
Chicotada psicológica: despedimento do
treinador a meio do campeonato.
Chirola: alcunha de Hector Yazalde,
ex-futebolista do Sporting Clube de Portugal, de origem argentina.
Chumbaca: alcunha de Cândido de
Oliveira.
Chuveirinho: centros altos e
consecutivos sobre a defesa adversária. Lançamento constante e consecutivo de
bolas para a área adversária, tentar marcar um golo de qualquer maneira, tentar
a sorte. Sobretudo nos últimos minutos do jogo. em desespero.
Ciclone dos Açores: alcunha do
ex-futebolista da selecção nacional Pedro Miguel Carreiro Resendes, também
conhecido por Pauleta.
Cientista do futebol (o): alcunha do
ex-treinador de futebol da URSS, Valery Lobanovskyi. O nome conquistou-o pelo
estilo meticuloso, cerebral, frio e disciplinador que imprimia às suas equipas.
Cinco magníficos: linha avançada do
Benfica na década de 1960, constituída por José Augusto, José Águas, Joaquim
Santana, Domiciano Cavém e Mário Coluna
Cinco
secos: cinco golos sem resposta.
Cinco
violinos: linha ofensiva do Sporting Clube de Portugal, composta por Albano
Narciso Pereira, Jesus Correia, Fernando Peyroteo, José Travassos e Manuel
Vasques. Este "quinteto de luxo" foi o motor dos três títulos
nacionais do Sporting, entre 1946 e 1949, os anos em que os cinco jogavam
juntos. "Vasques, Travassos, Peyroteo, Jesus Correia e Albano
transportavam na alma, no sorriso e na maneira de jogar um apodo soberbo, 'Os
Cinco Violinos', criado por um jornalista de grande talento e proliferante imaginação:
Tavares da Silva, homem de estóica truculência, que levara para o jornalismo
desportivo o estilo e o jaez de Fialho de Almeida" (Baptista-Bastos, A
cara da gente).
Claques: furiosos do jogo de futebol.
Clássico:
desafio de futebol entre Benfica-Sporting.
Clubite aguda: doença dos fanáticos de
um clube de futebol
Comandante: jogador que lidera uma
equipa, normalmente por possuir mais experiência.
Contemporizar: quando o árbitro não
assinala várias faltas cometidas por um jogador ou uma equipa de futebol.
Coqueluche: melhor jogador da equipa,
o mais famoso, acarinhado pelos adeptos.
Coração de Leão: alcunha do
ex-futebolista do Sporting, Ricardo Sá Pinto, pela entrega total à equipa
leonina.
Correr atrás do prejuízo: quando uma
equipa está em desvantagem no marcador e tem de recuperar.
Costa dos Frangos: alcunha de Costa
Pereira, ex-guarda-redes do Benfica.
CR7: sigla e marca comercial do
futebolista Cristiano Ronaldo. Também conhecido, no Brasil, como "O
Robozão".
Cumprir calendário: quando o resultado
é indiferente ou irrelevante para as contas do campeonato. Já não vai mudar a
classificação final.
D
Dani:
alcunha do ex-futebolista, formado no Sporting Clube de Portugal, Daniel da
Cruz Carvalho.
Defesa
como gelatina: jogadores da defesa que hesitam e parecem ter medo de cada vez
que o adversário faz uma jogada de ataque.
Deixar a pele em campo: esforçar-se ao
máximo, até ao limite das suas capacidades.
Deixa Jogar o Mantorras: epíteto
associado ao avançado Pedro Mantorras, o ex-jogador do Benfica (hoje embaixador
do clube), de origem angolana. No auge da carreira, sofreu uma lesão grave no
joelho direito, impedindo-o de jogar ao melhor nível e fazendo com que se
retirasse quanto tinha apenas 30 anos.
Derbi: jogo entre equipas rivais da
mesma cidade.
Desafio: jogo de futebol.
Descanso: intervalo de 15 minutos, a
meio da partida (no final dos primeiros 45 minutos).
Desfeitear o guarda-redes: marcar um
golo de forma cruel ou humilhante
Despejar:
chutar a bola para a área adversária sem objectivo definido de a passar a um
companheiro. Atirar a bola sem tino para a área, nos últimos minutos; ou tirar
a bola da defesa.
Despesas do jogo: equipa que tem a
iniciativa do jogo e procura a vitória.
Dia
de todas as decisões: Jogo que decidirá tudo, a passagem a uma final ou o
apuramento para outra eliminatória. O mesmo que mata-mata (ver).
Diamante:
alcunha do ex-futebolista Diamantino Miranda (por razões óbvias).
Diamante
Negro: alcunha do futebolista brasileiro Leônidas da Silva, o autor do primeiro
golo de bicicleta. O epíteto daria origem a um famoso chocolate.
Domicílio
(jogar ao): quando uma equipa joga fora de casa, no estádio ou feudo do
adversário.
Dores
de cabeça (do treinador): quando tem jogadores cruciais lesionados.
Dragões: o mesmo que Futebol Clube do
Porto.
E
El Maestro: alcunha do
futebolista Luís Figo.
El portugués: alcunha do
futebolista Paulo Futre, adquirida ao serviço da equipa espanhola Atlético de
Madrid.
Encarnados: Sport Lisboa e Benfica.
Encher o pé: pontapear violentamente a
bola, rematar utilizando todo o pé.
Endiabrado: jogador que, num jogo, se
destaca pela sua actuação.
Endossar: passar a bola.
Entrada
a todo o gás: equipa que começa a jogar bem desde o primeiro minuto, tentando
marcar golo o mais cedo possível.
Entrar
a matar: falta violenta, cometida por quem está mais interessado em parar o
adversário do que em jogar a bola.
Época
da apanha do sabonete: época sem títulos.
Equipa
de gala: quando uma equipa joga com todos os seus melhores jogadores a
titulares.
Equipa
revelação: equipa pequena que surpreende e brilha num campeonato, batendo-se
taco a taco com os melhores e ocupando uma boa posição na tabela
classificativa.
Esférico: bola de futebol.
Espanhol (O): alcunha de Vítor Damas,
ex-guarda-redes do Sporting e da Selecção Nacional.
Eusébio do Sporting: a outra alcunha
de Vítor Damas.
F
Factor
surpresa: jogar de uma forma que não é habitual numa equipa. Contar com o
factor surpresa para uma equipa mais pequena tentar ganhar àquela que é
favorita à vitória.
Falso-lento: jogador fisicamente
possante, que por isso parecia capaz de correr pouco, mas que se revela tão
rápido como os outros.
Falso-nove: meio-campista ofensivo,
que joga quase como avançado centro, sem nunca chegar a sê-lo verdadeiramente.
Pisa várias vezes a grande área para rematar à baliza.
Feiticeiro: alcunha de Béla Guttmann,
ex-treinador do Benfica, de origem húngara. Também conhecido por "O
Mago".
Felipão: alcunha de Luís Felipe
Scolari, ex-treinador de Selecção Nacional e campeão mundial pelo Brasil.
Também conhecido por "Sargentão".
Fenómeno:
alcunha do futebolista brasileiro Ronaldo Luís Nazário de Lima.
Ferrolho:
defesa muito fechada. Táctica inventada em 1934 pelo austríaco Karl Rappan
(seleccionador suíço).
Ficar
maltratado: ser completamente fintado.
Fífia: erro flagrante de um jogador ou
de uma equipa.
Filho do Vento: alcunha do futebolista
brasileiro Euller Elias de Carvalho. Também se aplicava ao ex-futebolista Paulo
Futre, pela velocidade estonteante das suas arrancadas em direcção à baliza
adversária.
Fim
de ciclo: fim de ciclo de uma equipa, quando há várias saídas de jogadores já
confirmadas.
Finalíssima:
jogo que coloca frente-a-frente dois campeões, neste caso entre o campeão da
Europa e o congénere da América do Sul.
Finalização:
remate à baliza.
Fio
Maravilha: alcunha do jogador brasileiro do Flamengo João Batista de Sales.
Flecha
Loira/Don Alfredo: alcunhas do futebolista argentino Alfredo Di Stéfano.
Folha
seca: técnica de marcação dos livros directos, junto à linha frontal da grande
área, inventada pelo brasileiro Didi na década de 1950. Remate seco, com o
peito do pé, que contorna a barreira de jogadores adversários, desenhando uma
trajectória ascendente, mas que, de repente, graças ao efeito produzido pelo
remate com a parte de dentro do pé, muda de direcção e desce velozmente em
direcção à baliza.
Fome de bola: jogador que regressa à
competição, depois de lesionado (paragem prolongada), e está sempre a correr
atrás do esférico.
Fora de série: jogador
excepcionalmente dotado.
Formiga Atómica: alcunha de Rui
Barros, ex-jogador do FC Porto, AS Mónaco, Juventus e Marselha.
Formiguinha: jogador muito
trabalhador.
Frango: falha flagrante do
guarda-redes que dá origem a um golo. Pero.
Frangueiro: guarda-redes que costuma
sofrer muitos golos.
Futebol
científico: jogado pela URSS.
Futebol falado: debates sobre futebol
na TV.
Futebol
de motor: referência ao futebol praticado, no passado, pelo Liverpool.
Fuzilar o guarda-redes: remate
desferido com grande força só com o guarda-redes à frente, sem oposição da
defesa adversária.
G
Gabriel Alves: jornalista e comentador
de futebol. Uma referência nacional, tornou-se conhecido pelos relatos
televisivos da RTP, durante os quais comunicava um estilo hipnótico, de grande
imaginação e originalidade, imprimindo aos jogos uma dinâmica e uma animação em
que as palavras corporizavam as imagens. A sua capacidade criativa mereceu-lhe
o epíteto de "trovador do desporto-rei". Viveríamos num país muito
mais enfadonho sem pessoas como ele. O anónimo autor de O Meu Pipi,
livro cuja referência ao calão ressalta do próprio título, imortalizou-o logo
na primeira página, imitando o seu estilo fresco e ágil: "Tenho dois
sonhos: um é instituir a paz no mundo, fazendo com que por meu intermédio os
dirigentes de todos os países dêem as mãos e comecem a construir juntos um
mundo melhor. O outro é dar uma foda relatada por Gabriel Alves. (...)
'Senhores telespectadores, muito nem vindos ao quarto do Pipi para mais uma
pinocada a contar para o Campeonato Nacional da Foda. Hoje, neste magnífico
cenário, palco de tantas trancadas clássicas, a catedral da foda, vamos
assistir a um derby: Pipi versus Uma Gorda Qualquer. Os fodilhões
dispensam apresentações" (Anónimo, O Meu Pipi). No final deste
capítulo, encontrarão uma amostra elucidativa de algumas das suas expressões de
alta criatividade.
Ganhar na secretaria: ganhar com
recurso a boas relações fora do terreno de jogo, sobretudo com árbitros ou
gente das instituições do futebol.
Gazela de Benguela (a): alcunha de Rui
Manuel Trindade Jordão, um dos maiores goleadores do futebol português. Brilhou
ao serviço do Sporting e da Selecção Nacional.
Gigantes de Cimento: grandes estádios
de futebol com capacidade para receber dezenas de milhares de espectadores.
Golaço: golo de fazer levantar o
estádio.
Goleada: vitória por três ou mais
golos de diferença.
Golo da tranquilidade: golo que
concede uma tal vantagem que torna muito difícil (mas não impossível) ao
adversário dar a volta ao marcador. Diz-se, normalmente, quando a equipa que
está a vencer fica com dois golos de diferença. No final do jogo, a tranquilidade
é quase definitiva.
Golo de antologia: golo de grande
categoria, golaço.
Golo de carambola: golo que se marca
casualmente, depois de ressaltar nas pernas (ou noutra parte do corpo humano)
de um ou mais adversários.
Golo de honra: único golo obtido por
uma equipa, quase no final do jogo, que perde por muitos (goleada).
Golo fantasma: quando a bola
ultrapassa a linha da baliza sem que o golo seja concedido pelo árbitro, por
não ter conseguido ver o esférico para lá da linha.
Golo madrugador: golo nos primeiros
minutos da partida.
Golo da tranquilidade: golo que torna
mais difícil, às vezes quase impossível, à equipa adversária sonhar ainda com a
vitória.
H
Harry Potter: alcunha do
ex-futebolista Ricardo Quaresma, pela magia que criava dentro do campo. Também
conhecido como "Mustang".
Hat-trick: referência ao jogador que
marca três golos na mesma partida de futebol.
Homem de Borracha: alcunha de Manuel
Bento, guarda-redes do Benfica e da Selecção Nacional. Também conhecido como
"A Muralha da Luz".
Honrar
a camisola: dar o tudo por tudo num jogo para dignificar o clube que se
representa.
Hooligan:
fanático do futebol, que vai aos estádios ou às suas imediações com o único
objectivo de se envolver em cenas de pancadaria com as claques das equipas
adversárias. Para ele, a violência é mais importante que o jogo e o futebol um
mero pretexto para dar rédea solta aos seus instintos mais básicos. Nunca actua
em solitário, preferindo o conforto da multidão.
I
Infantes
(os): alcunha da selecção portuguesa que representou o nosso país no Campeonato
do Mundo de Futebol de 1986, realizado no México. O cognome surgiu a partir do
hino humorístico, cantado por Herman José e letra de Carlos Paião, composto
para aquela ocasião.
Ir
para casa mais cedo: levar cartão vermelho, ser expulso do jogo pelo árbitro.
Irreconhecível:
grande equipa que joga mal numa determinada partida.
J
Janela para o mundo: ir para uma
equipa grande onde poderá tornar-se conhecido.
Jarda: remate forte ou com muita
força.
Jejum: equipa que não ganha títulos há
muito tempo.
Jinga (ter): saber driblar com ritmo
ou swing.
JJ: alcunha de Jorge Jesus, treinador
de futebol.
Jogada de laboratório: jogada ensaiada
nos treinos.
Jogar
praticamente em casa: a jogar fora do seu estádio, mas com tantos ou mais
adeptos que a equipa adversária.
Jogo
aberto: jogo de parada resposta, ataque seguido de ataque da equipa adversária.
Jogo
a doer: quem perder é eliminado.
Jogo
impróprio para cardíacos: jogo com muitos golos de ambos os lados e com o
resultado incerto até ao último segundo.
Jorge
Perestrelo: jornalista e locutor de futebol, de voz grave inconfundível,
conhecido pelo estilo extrovertido e de grande carga emocional. Para ele, as
emoções fortes eram a melhor forma de comunicar aos ouvintes o que se passava
no relvado. Inspirado na escola brasileira de relato futebolístico, ficaram
para a história da rádio portuguesa as expressões "Ripa na
Rapaqueca", "É disto que o meu povo gosta" ou "O que é que
é isso, ó meu?". As suas reacções emocionais de alta voltagem, aliadas ao
seu poder vocal, vibrante e cheio de ritmo, que por vezes se confundiam com os
gritos dos adeptos no estádio, estariam também na origem da sua morte. A 6 de
Maio de 2005, um dia depois de relatar o golo do Sporting frente ao Alkmaar, na
Holanda, que garantiu, no último minuto, a passagem da equipa portuguesa à
final da Taça UEFA – "Golo! Gooolo! Goooolo! É do Sporting! É do Sporting!
Eu te amo, te amo Sporting!" –, o jornalista nascido em 1948, na cidade do
Lobito, em Angola, começou a queixar-se de dores no peito e, sentindo-se cada vez
pior, foi internado no Hospital da Cruz Vermelha. Morreu nesse mesmo dia,
durante a operação. Causa da morte: enfarte do miocárdio.
L
Lagarto: adepto do Sporting Clube de
Futebol.
Lampião: adepto do Sport, Lisboa e
Benfica.
Lançar
perfume em campo: jogador ou equipa com classe.
Lance:
jogada.
Lanterna vermelha: o último lugar na
classificação, último classificado.
Laranja
Mecânica: alcunha da selecção holandesa de futebol da década de 1970, em
particular a que competiu no Mundial de 1974, realizado na Alemanha.
Lenços brancos: gesto de desagrado dos
adeptos pedindo a demissão do treinador.
Leões (os): o mesmo que Sporting.
Levar a equipa ao colo: jogador que
motiva os outros dez.
Levado
ao colo: com a ajuda dos árbitros.
Locomotiva:
alcunha do ex-futebolista do Benfica da década de 1960, José Augusto.
Locomotiva
do Barreiro: alcunha de Carlos Manuel, jogador do Benfica e da Selecção
Nacional.
Luvas pretas: alcunha de João Alves,
ex-jogador do Benfica.
M
Maestro: alcunha de Rui Costa,
futebolista do Benfica e da Selecção Nacional. Actual Presidente do Sport
Lisboa e Benfica.
Mágico (O): alcunha do ex-futebolista
Simão Sabrosa.
Magriços: alcunha da Selecção Nacional
que competiu no Mundial de 1966, em Inglaterra, tendo ficado em 3.º lugar.
Malhoa (o): alcunha de Manuel Vasques,
um dos "cinco violinos" do Sporting.
Mama
(estar ou ficar à): jogador que se deixa estar perto da baliza adversária à
espera que a bola vá ter com os seus pés. Atacante que fica perto da baliza
contrária e quase nunca recua para a defesa, deixar ficar sempre na frente à
espera de que os companheiros lhe entreguem a bola para marcar golo.
Mané
Garrincha/Anjo das Pernas Tortas/Alegria do Povo: alcunhas do futebolista
brasileiro Garrincha, de nome civil Manoel Francisco dos Santos.
Maniche: alcunha de Nuno Ricardo
Oliveira, que o próprio adoptou em homenagem ao dinamarquês Michael Manniche
(ex-Benfica).
Marechal
(O): alcunha do ex-futebolista Germano, pela autoridade que conseguia impor na
defesa.
Mão
de Deus: golo ilegal marcado por Armando Diego Maradona, com a mão esquerda,
contra a selecção de Inglaterra, nas meias-finais do Campeonato do Mundo de
1986, realizado no México. O golo, que passou a simbolizar a vingança da
Argentina contra a Inglaterra depois da Guerra das Malvinas, seria tema de
livros e de filmes
Mãos
de Ferro: alcunha de Frederico Barrigana, ex-jogador de FC Porto, do Sporting e
do Salgueiros.
Máquina
de fazer golos: alcunha do futebolista Peyroteo.
Maradona,
Diego Armando: um dos melhores futebolistas da história do futebol mundial,
razão pela qual mereceu as mais diversas alcunhas: Dieguito, El Pibe de Oro, El
Diez, Pelusa, Barrilete Cósmico, El Diego, D10S.
Marisco
do Eusébio: tremoços. Origem no relato incerto segundo o qual o jogador de
futebol Eusébio, quando chegou a Portugal continental, vindo de Moçambique,
terá respondido a um jornalista que o seu marisco preferido era o tremoço.
Expressão com conotações racistas.
Marlon
Brandão: ex-jogador do Boavista, Estrela da Amadora e Sporting com nome de
estrela de cinema.
Mata-mata:
jogo em que tudo ficará decidido, aquele que garantirá a vitória numa
competição, a passagem à final (por exemplo, da Liga dos Campões), à próxima
fase de uma eliminatória (oitavos de final, quartos de final ou meias-finais)
ou o apuramento para a fase final de um campeonato (do Mundo ou da Europa).
Matateu:
alcunha de Sebastião Lucas da Fonseca, ex-jogador de futebol de origem
moçambicana, que brilhou ao serviço dos Belenenses e da Selecção Nacional.
Meio-campo
de luxo: equipa com grandes futebolistas meio-campistas.
Menino
de Ouro (O): alcunha de João Vieira Pinto, ex-futebolista do Benfica, do
Sporting e da Selecção Nacional.
Meter
o turbo: correr muito depressa, mais do que todos os outros jogadores, em
direcção à baliza do adversário.
Mijadinha: remate fraco que resulta em
golo.
Ministro (O): alcunha do
ex-futebolista Costinha, devido à forma de jogar elegante e sóbria.
Míssil teleguiado: passe certeiro, com
pontaria. Remate que dá em golo, com a bola a ser colocada num local difícil,
intencionalmente pelo jogador.
Mister: treinador.
Moldura humana: conjunto do público
que assiste a um jogo nas bancadas do estádio.
Monstro Sagrado: alcunha de Mário
Coluna, ex-jogador do Benfica. Também conhecido como "Senhor Coluna",
"Grande Capitão" ou "Didi de Portugal".
Montra: equipa onde um jogador tem
mais probabilidades de ficar famoso pela qualidade do seu futebol.
Muralha: alcunha do futebolista
(guarda-redes) brasileiro Alex Roberto Santana Rafael, mais conhecido como Alex
Muralha.
N
Natal: época do ano em que o Sporting
costuma ficar praticamente sem hipóteses de disputar o título de campeão.
Namorar um jogador: quando um clube
tenta contratar um jogador.
Necas: alcunha de Jesus Correia, um
dos cinco violinos do Sporting.
Nené: alcunha de Tamagnini Manuel
Gomes Batista, ex-jogador do Benfica e da Selecção Nacional.
Noite de gala: equipa da segunda ou terceira divisão que recebe uma equipa da
primeira divisão.
Noite
mágica: quando tudo correu bem a uma equipa.
O
Oferecer
uma prenda ao adversário: autogolo ou golo marcado pelo adversário, depois de o
defesa lhe ter passado, erradamente, a bola.
Oitava
Maravilha do Mundo: alcunha do ex-futebolista Matateu, considerado uma lenda do
Belenenses.
Olheiro: indivíduo que observa a
actuação dos jogadores de outras equipas com o objectivo de prestar informações
sobre ele ao clube que lhe deu tal incumbência.
Otto Glória: nome como era conhecido
Otaviano Martins Glória, treinador brasileiro de futebol, tendo dirigido, em
Portugal, o Benfica, o Belenenses, o FC Porto e o Sporting, além da Selecção
Nacional.
P
Padeiro: remate violento que resulta
em golo, surpreendendo o guarda-redes.
Pantera Negra (o): alcunha de Eusébio
da Silva Ferreira, ex-futebolista do Benfica e da Selecção Nacional. Também
conhecido por "King", ou "o Rei".
Pantufada:
falta, pontapé nas canelas do adversário.
Papa:
nome com que é conhecido Jorge Nuno Pinto da Costa, o presidente do Futebol
Clube do Porto.
Paradinha: forma de marcar uma grande
penalidade, com o jogador parando subitamente durante a corrida em direcção à
bola, fazendo um ligeiríssimo compasso de espera, simulando que vai rematar de
imediato, enganando o guarda-redes.
Parece
que queima (a bola): jogador que, por ter medo de perder a bola, não fica com
ela nos pés muito tempo, passando-a de imediato a um companheiro de equipa.
Partir os rins: jogador que faz uma
finta tal que desequilibra o jogador oponente quando o ultrapassa, deixando-o
para trás. Desequilibrar o adversário com sucessivos dribles e fintas de corpo.
Patrícios: alcunha pela qual ficou
conhecida a Selecção Nacional que obteve o 3.º lugar no Campeonato Europeu de
Futebol de 1984, em França.
Pé de Anjo: alcunha do futebolista
brasileiro Marcelinho Carioca. O cognome foi-lhe atribuído por ser um dos
melhores marcadores de faltas.
Pé de chumbo: jogador desastrado e
lento, sem habilidade para o drible.
Pé
de Midas: jogador excepcionalmente dotado para o drible ou para acertar na
baliza.
Pé
para pé: equipa que joga com passes curtos, seguros e certeiros.
Pé
alto: situação em que dois jogadores levantam os pés ao mesmo tempo,
colocando-os nas alturas, para disputar a bola. Segundo as regras do jogo, deve
ser punida disciplinarmente, com o árbitro a assinalar um livre indirecto.
Pé
em riste: pé alto ainda mais perigoso que costuma atingir as pernas do
adversário que tem a bola.
Peladinha:
jogo de futebol num campo sem relva ou de terra batida (pelado). Futebol de
rua, que jogávamos em criança ou na adolescência, com bolas de cauchu.
Pelado:
campo de futebol de terra batida, sem relva.
Pendurar
as chuteiras ou arrumar as botas: deixar de jogar futebol. Acabar a carreira
profissional.
Pentear a bola: tocar levemente com a
cabeça na sequência de um centro, mudando ligeiramente a trajectória da bola.
Ou apenas passar a sola da chuteira sobre a bola.
Pepe: alcunha do ex-futebolista
brasileiro, naturalizado português, Kepler Laveran Lima Ferreira.
Pequeno Genial: alcunha de Fernando
Chalana, por causa da sua estatura e pela qualidade técnica.
Perder a inocência: o futebol perdeu a
sua inocência, deixou de ser apenas actividade lúdica e passou a ser sobretudo
negócio. Amor à camisola. Fazer o jogo pelo jogo. Jogar o que o jogo desse.
Quando ainda não mexia com milhões em dinheiro.
Perdulário:
jogador ou equipa que falha muitas oportunidades de golo. Perdulária no ataque:
desperdiçar muitos golos.
Pés
de fazer tudo: muito bom a driblar.
Petit:
alcunha do ex-futebolista Armando Teixeira, derivada da sua pequena estatura.
Pipi: alcunha de Rogério Lantres de
Carvalho, futebolista do Benfica, considerado o melhor de sempre daquele antes
do surgimento de Eusébio. Não confundir com o autor do livro O meu pipi.
Piscina: quando o jogador simula uma
falta inexistente projectando-se para a frente com o objectivo de enganar o
árbitro.
Pistoleiro (O): alcunha do
ex-futebolista Beto Severo, pelo modo como festejava os seus golos.
Pitbull: alcunha do futebolista Petit,
de nome civil Armando Gonçalves Teixeira.
Piu-piu: frango, peru.
Poeta do Futebol: alcunha de Pedro
Barbosa, ex-futebolista do Vitória de Guimarães e do Sporting. Também conhecido
como "Pastelão Tecnicista".
Poker: marcar quatro golos sem
resposta à equipa adversária.
Polícia: jogador que, durante um jogo,
marca de perto sempre o mesmo jogador adversário.
Pontapé de alívio: tirar a bola da
defesa com toda a força.
Pontapé na atmosfera: falhado, que não
chega a tocar na bola.
Pontapé de bicicleta: quando o
jogador, estando de costas para a baliza adversária, salta e em posição mais ou
menos horizontal, de costas para o chão, chuta a bola para a baliza.
Pontapé-canhão: remate violento.
Pontapé
do fundo da rua: remate distante da baliza.
Pontapé de moinho: lance no qual o
jogador, tendo ao seu lado a baliza adversária, ergue um pé à altura da cabeça
para chutar a bola, mantendo o outro pé no chão como apoio.
Pontapé de ressaca: remate feito na
sequência de um ressalto.
Pôr o autocarro à frente da baliza:
jogar à defesa de forma ostensiva, sobrepovoando a zona frontal à baliza.
Por baixo da rata ou pôr baixo da
cueca: passar a bola por baixo e entre as pernas do adversário. Humilhante.
Fazer um túnel.
Pôr
a carne toda no assador: arriscar tudo. Colocar em campo, nos últimos minutos
do jogo, atletas que não costumam jogar.
Pôr
o fato de macaco: jogar no duro, esforçando-se em todas as jogadas.
Predador
nato: grande goleador.
Pregado ao relvado: quando um jogador
é fintado sempre capacidade de reacção, sendo surpreendido.
Primeiro toque (jogar ao): estilo
vistoso e eficaz de jogar, passando rapidamente a bola entre os jogadores da
mesma equipa, dando-lhe apenas um toque.
Príncipe do Futebol (O): alcunha do
ex-futebolista Humberto Coelho.
Profeta: alcunha do futebolista
brasileiro Anderson Hernanes de Carvalho Viana Lima.
Pronto-socorro: jogador que resolve
muitas situações de perigo.
Pugilista (o): alcunha de Silvino de
Almeida Louro, ex-guarda-redes do Benfica e da Selecção Nacional.
Pulga (la)/Pulguita: alcunha do
jogador argentino Lionel Messi.
Pulmão de Ferro: alcunha do
ex-futebolista Minervino Pietra.
Pupilos:
jogadores em relação ao treinador.
Q
Quebrar
jejum: ganhar a uma equipa a quem nunca se ganhou antes.
Queimar
tempo: jogador que demora a voltar a colocar a bola em jogo, depois da marcação
de uma falta ou durante o pontapé de baliza.
Queimar os últimos cartuchos: últimas
oportunidades no jogo.
Quatro linhas: campo de futebol.
Quinto Beatle: alcunha do futebolista
inglês George Best, considerado o melhor jogador de sempre das Ilhas
Britânicas.
R
Raça: coragem, valentia.
Raçudo: que evidencia raça.
Ranço: sorte.
Rançoso: indivíduo cheio de sorte.
Rato Atómico: alcunha do
ex-futebolista António Simões, pela conjunção velocidade + baixa estatura.
Rato Mickey: alcunha de António Simões
Costa, ex-jogador do Benfica e da Selecção Nacional.
Recital:
jogar bem à bola, dar um banho à outra equipa.
Recolher ao balneário: ir para
intervalo.
Redondinha: bola de futebol.
Refrescar
frente de ataque: quando o treinador substitui os atacantes da sua equipa.
Rei
das Subidas (o): alcunha do treinador Vítor Oliveira. Este cognome, O Rei das
Subidas, deveu-se ao seu recorde de promoções de equipas da Segunda Liga
portuguesa: nada mais nada menos que 11 promoções ao primeiro escalão do
futebol nacional.
Rei/Rei
do Futebol/Pérola Negra: alcunhas do futebolista Pelé, de seu nome completo
Edson Arantes do Nascimento.
Respirar
de novo: marcar golo que deixa o resultado em aberto.
Retângulo:
campo de futebol.
Regressar ao convívio dos grandes:
equipa da segunda divisão promovida à primeira.
Remate do meio da rua: remate
efectuado longe da baliza adversária, tentado marcar golo.
Ribalta (saltar para a): jogador que
se torna o centro das atenções na comunicação social.
Ricardo Coração de Leão: alcunha do
ex-futebolista e treinador Ricardo Sá Pinto.
Ripa
na Rapaqueca: expressão emblemática utilizada pelo locutor desportivo Jorge
Perestrelo (ver).
Rodriguinhos: pormenores técnicos nem
sempre consequentes.
Ronaldinho/Ronaldinho Gaúcho: alcunha
do futebolista brasileiro Ronaldo de Assis Moreira.
Rosca: pontapé efectuado de forma
defeituosa em que a bola rodopia sobre si própria acabando por adquirir uma
trajectória diferente daquela pretendida.
Rui Tovar: jornalista desportivo
português, grande conhecedor da história do futebol português. A sua linguagem
gongórica, proferida de forma tranquila e segura serenidade, eram a sua marca
de identidade.
S
Saltilho (caso): rebelião e greve dos
jogadores da selecção nacional de futebol no decurso do Campeonato do Mundo de
Futebol de 1986, realizado no México. Saltillo é o nome da cidade mexicana onde
a equipa portuguesa ficou alojada. O rastilho do incidente foi a falsa acusação
de dopagem ao jogador Veloso, como depois se viria a comprovar em resultado da
contra-análise. Para os jogadores, que acreditavam na inocência do companheiro,
aquele episódio foi o culminar da tensão existente, anterior, entre a sua situação
profissional e as precárias condições materiais oferecidas pela Federação
Portuguesa de Futebol, o que levou à ameaça de greve caso os seus prémios de
jogo não fossem melhorados. Por outro lado, os jogadores manifestaram-se
descontentes pelo facto de serem obrigados a fazer publicidade para empresas
sem que por isso fossem remunerados (por essa razão, alguns jogadores treinaram
com as camisolas do avesso, evitando assim fazer publicidade a essas empresas,
cujo único beneficiário era a Federação).
Salto
do tigre: referência ao modo de jogar de Matateu.
Salvar
sobre o apito final: marcar golo da vitória ou do empate no último minuto.
Sandokan
(O): alcunha do futebolista António Oliveira, por causa do cabelo e da barba,
fazendo lembrar a famosa personagem criada pelo italano Emilio Salgari.
Sanduíche: quando um jogador é
apertado por dois adversários, resultando em falta.
Sapatada:
bola chutada de qualquer maneira.
Sem
ideias: equipa com jogo insonso.
Special
One: alcunha de José Mourinho, treinador de futebol.
Stradivarius:
alcunha de Fernando Peyroteo, ex-futebolista do Sporting e um dos "Cinco
Violinos". Ficou conhecido com o nome do famoso violino por ser o mais
letal daquele grupo de jogadores.
Sururu: confusão no campo que pode
resultar em vias de facto, envolvendo jogadores das duas equipas e árbitros.
T
Tapete
verde: relvado. Diz-se, normalmente, quando o relvado está em excelentes
condições para a prática do futebol.
Tesouro supremo: o último cromo de uma
caderneta de futebol. O mais difícil de encontrar.
Tiqui-taca:
futebol do Barcelona treinado por Guardiola. Trocar a bola quase de olhos
fechados. Entendimento perfeito entre os jogadores de uma equipa.
Tirado a papel químico: jogada muito
semelhante à anterior.
Tira-teimas: jogo decisivo entre duas
equipas que venceram um jogo cada uma.
Tirar a tinta ao poste: remate que
raspou o poste ou que passou mesmo ao lado dele.
Titularidade:
jogador escolhido pelo treinador para entrar no início do jogo.
Tomar banho mais cedo (ir): jogador
que levou cartão vermelho, sendo expulso do jogo.
Tomba
gigantes: equipa pequena ou de menor valia que elimina de uma competição um
adversário considerado muito superior.
Toni:
diminutivo de António José Conceição Oliveira, ex-futebolista e ex-treinador do
SL Benfica. Também conhecido como "Craque Saloio" e
"Cavalão".
Toninho:
alcunha do antigo futebolista e seleccionador nacional António Oliveira.
Torres
gémeas: par de defesas muito altos, que tornam muito difícil o futebol aéreo
dos jogadores adversários.
Trata
a bola por tu: jogador de grande qualidade técnica.
Trivela: pontapé de trivela. remate
com efeito, com a parte de fora do pé.
U
Unicelha: alcunha do ex-futebolista
Bosingwa, porque os seus pêlos das sobrancelhas se encontram no centro, por
cima do nariz, criando uma linha contínua (fazendo lembrar a artista mexicana
Frida Kahlo).
V
Varrer: falta violenta cometida sobre
um jogador adversário, normalmente de carrinho. Pode também referir-se ao acto
de chutar a bola, de qualquer maneira, para fora da zona de perigo, na sua
grande área.
Veia goleadora: jogador que costuma
marcar muitos golos.
Velha raposa: alcunha atribuída ao
ex-treinador de futebol Giovanni Trapattoni.
Venceu,
mas não convenceu: equipa que ganha um jogo apesar de ter jogado mal.
Verão
Quente: processo ocorrido no FC Porto, em que os jogadores do clube se
solidarizaram com o treinador José Maria Pedroto, após o seu despedimento pela
administração do Clube.
Vértice
da água: título de um livro de poemas do treinador Artur Jorge.
Vestir o fato-de-macaco: quando uma
equipa se empenha para conseguir a vitória.
Vista grossa: quando um árbitro finge
não ver uma infracção
Visão de jogo: jogador inteligente,
que faz passes que antecipam boas jogadas.
Vitória
moral: equipa que empata ou que perde apesar de ter jogado muito melhor do que
o adversário.
Vulgarizar:
equipa pequena ou pouco cotada que, num determinado desafio, joga melhor que uma
grande equipa.
Z
Zé
da Europa: alcunha do ex-futebolista José Travassos (o primeiro português a
integrar uma selecção mundial).
Zé
do Boné: alcunha de José Maria Pedroto, treinador eternamente associado ao
Futebol Clube do Porto.
Zé
Gato: alcunha de José Henrique, ex-guarda-redes do Benfica.
Adenda: algumas expressões de (ou
atribuídas a) Gabriel Alves
"Desferiu
violenta baguete lá para dentro!"
"Plantou
uma beterraba na baliza".
"Como
se lhe tivessem metido uma moeda na ranhura".
"Apareceu
como cuco a sair do relógio" (aparecer isolado na cara do guarda-redes).
"Defesa
de Portugal mais rasgada que cuecas de feira".
"Hector
Cuper trancou tudo num sarcófago e fechou a pirâmide, mas Giménez foi salteador
da arca e fez 1-0".
"Tirou
as calças, vestiu o soutien e foi a jogo".
"Com
cara de quem chumbou a matemática".
"Gareth
Bale foi coelho de luxo em cartola de seda na careca de veludo de Zidane".
"Voou
mais alto e encaixou míssil na baliza do Sporting" (golo de cabeça).
"É
prenda pretendida no sapatinho" (transferência de jogador na época do
Natal).
"Outros
apanhados em noite de festa com música, cervejas e mulheres fazendo lembrar o
célebre Caso Paula na Seleção Portuguesa".
"Lamber
as tampas dos iogurtes depois de os abrir".
"De
Bruyne é carta fora do baralho".
"Exímio
no arremesso da granada" (difícil a debater).
"Um
nómada no futebol português" (treinador que orientou muitas equipas de
futebol).
"Um
pé esquerdo com mira laser faz dele um atirador de elite nas bolas paradas e
cruzamentos".
"Sururu
entre Bruno Fernandes e Pizzi. É nestes momentos que dá jeito ter Lumor em
campo para serenar os ânimos".
"Deixou
o carro estacionado à porta do estádio e acabou rebocado".
"Magnifico
Bernardo Silva. Pezinhos de lã em pantufas de veludo. Um slalom irrepreensível
a lembrar Futre".
"Portugal
a cometer alguns erros na defesa e, tal como um fumador perto de uma botija de
gás, arrisca o pior".
"William
tem uma finta sui generis onde rodopia sobre si próprio como um
caranguejo com a pata pregada ao chão. Inovador."
"Cérebro
como a escada de Escher".
"Sem
posse, sem toque, sem paixão. Futebol platónico, portanto."
"A
verticalidade de Galeno, as diagonais de Pepê e a constante horizontalidade de
João Félix. Um jogo geométrico, portanto".
"O
Fernando foi à terra do Tintim" (Bélgica).
"Mas
parecem dois carecas a lutar por um pente".
"Central
abusa das entradas à Rambo".
"O
Benfica nas cordas, mas ainda de pé".
"Licença
para fuzilar. Tem tempo para ajeitar as cuecas, respirar fundo e meter lá
dentro" (jogador com a baliza adversária toda aberta).
"Jogo
de muita pessegada" (jogo com muita sarrafada).
"Benfica
levou duas cebolas do Portimonense".
"Onde
o Moreirense veio pedir guloseimas ao Benfica e levou 3 golos e 3 pontos".
"O
pão torra facilmente" (depois de se marcar o primeiro golo, torna-se tudo
mais fácil).
"E
se um desconhecido lhe oferecer flores? Isso seria...".
"A
dar um amargo de boca a ingleses que já cantavam vitória. 1-1!" (quando a
equipa contrária empata no último minuto ou nos descontos).
"Ponta
de lança alimentado a bife e batata. Um verdadeiro tractor de golos".
"Pressão
alta e passe curto a causar curto circuito na máquina Lusa".
"Cometer
hara-kiri na própria grande área" (fazer um penalti desnecessário).
"Desferir
chapada na cara do adversário dentro da área" (cometer grande penalidade).
"Numa
defesa sem movimento, saltou da vagem e encaixou cebola na baliza de Patrício.
Um golo vegetariano".
"Remata
muito, mas não marca. Defende bem, mas treme. Está melhor, mas continua
insuficiente".
"Tudo
ao molhe e fé em Deus".
"Litros
de futebol num pequeno pacote".
"Deschamps
culinário a transformar adversário em fondue".
"Rotação,
explosão, finalização. As ancas não mentem – um pequeno grande jogador".
"A
força da técnica do primeiro e a técnica da força do segundo abrem o marcador".
"Partida
muito tática: equipas arriscam pouco. Losango germânico a embater contra
trapézio polaco em jogo paralelepípedo".
"Cruzar
para cabeça de Moutinho é como levar o garfo à sopa".
"Até
o Dimas jogou na Juventus: tudo é possível".
"Tem
desiludido neste jogo, com o toque de bola de um camionista sem travões".
"Toque
de bola, visão de jogo, pulmão, arte, fantasia... Um virtuoso ao serviço do
futebol".
"Modric
abriu o livro! E leu em voz alta o capítulo referente aos remates de longe. Um
grande golo".
"A
Rússia lá vai fazendo o seu jogo, levando a vodka ao seu moinho".
"António
Folha desta seleção inglesa: velocíssimo, mas só cruza quando já passou a linha
de fundo".
"Gonçalo
Ramos! Golaço! Todo la dentro! 1-0" (referência implícita aos vídeos do
arquitecto Tomás Taveira).
"Encantador
de Serpentes".
"Vendedor
de tapetes".
"Errar
é o mano".
"Matam
a sede com álcool gel desinfetante".
"Aboubakar
a dizer que 'sim' à bola".
"Pujante
presença física, mas aceleração de um camião diesel e velocidade máxima de um
petroleiro. Cheio. Corre pouco".
"Telepáticos
e sempre em sintonia" (jogadores que combinam bem um com o outro, que se
entendem).
"Recebeu,
abriu e com um movimento conjugou o verbo chutar. Um golaço a fazer sonhar".
"A
precisar de reboque, Porto foi comprar atrelado".
"Fernando
Santos impõe disciplina e diz a Cristiano: 'Quem veste as cuecas nesta seleção,
sou eu!'".
"Leva
para casa o presunto".
"4-0 Portugal! Suíça a apanhar um valente chocolate. E não estou a falar daqueles Toblerones do aeroporto".
João Pedro George


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