quinta-feira, 6 de maio de 2021

Museu Pedro Cruz.

 

Desfrutar a obra de um grande artista:

É importante visitar o Museu Pedro Cruz em Pedrógão Grande

 

Mário Beja Santos

 

José Pedro Cruz (1888-1980) foi um artista figurativo cuja obra anda dispersa por coleções particulares e alguns museus. Depois da sua morte, o seu filho, o almirante Souto Cruz, negociou com a Santa Casa da Misericórdia de Pedrógão Grande a criação de um museu para o qual doou um relevante espólio e objetos pessoais do artista. Infelizmente, esta casa de arte não é tão procurada como devia, permito-me chamar à atenção do leitor para a importância desta obra e a fluição que ela lhe pode oferecer, sem qualquer custo.

  



 

Nascido em Lisboa, Cruz seguiu para Paris em 1906, imediatamente se integrou no círculo português, caso de Emmérico Nunes, um caricaturista que se iria celebrar na Alemanha, o micaelense Domingues Rebelo e mais tarde Amadeu Souza Cardoso. Foi trabalhar para a renomada Académie Julien, aí descobriu o talento do seu compatriota Eduardo Viana. Refere nas suas memórias que em França a base fundamental do ensino artístico era o desenho, porventura a manifestação mais grandiosa da sua obra. No ateliê de um grande mestre, Paul Laurens, Cruz executava durante a semana estudos da anatomia humana, nus de homem ou mulher, jovens e às vezes velhos. Fez uma grande amizade com Amadeu Souza Cardoso, mas não gostava da sua arte, escreveu nas suas memórias:

“Amadeu vem ver-me pessoalmente e mostra-me três composições a aguarela onde para além dos traços geométricos surgia um pedaço de uma viola, um olho e nariz de mulher e mais além os dedos.

Pouco afeito àquele tipo de composição, depois de virar o desenho por todos os lados acabei por confessar-lhe:

- Não percebo nada disto.

- Pois aí é que está – respondeu ele.

- Isto é o sentir do autor e não é para qualquer entender.

- Ora bolas meu caro Amadeu. Assim não te governas.

Ficou um pouco magoado mas acrescentou:

- Ficas sabendo que este quadro é a mulher do violino e esta é e será a arte moderna”.

Este diálogo é de grande importância, Pedro Cruz, de seu nome artístico, jamais aceitou o modernismo, manteve-se dentro do classicismo.

De regresso a Portugal, manteve uma atividade profissional intensa, entre exposições individuais e coletivas.



 

Em 1934, decidiu mudar de vida, empregou-se na fábrica M. Carp, aprendeu a técnica de estampagem e a produção de desenhos a cores para tecidos. O museu em Pedrógão Grande guarda um mostruário desses trabalhos.

E um dia decidiu voltar à pintura, viajará por África, Angola e Moçambique, algumas dessas telas podem ser apreciadas no museu que a Santa Casa da Misericórdia lhe consagrou.

Visitando esta preciosa coleção, cedo se constata que Pedro Cruz tinha um domínio absoluto na composição da figura, foi magistral no uso do lápis, na retenção das linhas de um rosto, na expressão de sentimentos, no registo de um momento exato de atividades laborais. Veja-se o seu magnífico autorretrato datado de 1912 e o estudo para o quadro “Limpando metais” de 1928.

 



 

Tenho às vezes a impressão de que há um sentimento de vergonha em mostrar e/ou publicitar os nossos tesouros artísticos, monumentos, belezas naturais, património das belas artes. O Museu Pedro Cruz merece afluência, visitas de públicos de todas as idades, trata-se de um mestre académico, um pintor figurativo que merece ser reconhecido. Quando visito esta casa tão estimável, detenho-me, questão de gosto, nos belíssimos desenhos e esquiços deste grande mestre. Digo sem qualquer hesitação que estes desenhos, por clara injustiça, não deviam estar tão silenciados, são do melhor desenho académico que há em Portugal.

Para visitar o Museu Pedro Cruz o leitor deverá contactar a Santa Casa da Misericórdia de Pedrógão Grande para acordar o dia e a hora da visita: 236488060.

 


 

 

 

4 comentários:

  1. O Mário Beja Santos, para além do exemplo da pesquisa histórica, nas suas várias facetas - pintura, arquitectura, fotografia, paisagens e historiografia, tem uma necessidade de comunicar com os outro(a)s- este uma dimensão rica. Quanto ao pintor, por certo há quem concorde com ele e quem concorde com o Amadeu de Sousa Cardoso. Obrigado.

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