domingo, 25 de janeiro de 2026

São Cristóvão pela Europa (343).

 

 

 

Ente 28 e 31 de Agosto de 2025 voltei à Áustria para nova deambulação pelo país, sempre atento aos São Cristóvãos.

E comecei por Viena, cidade que tem sido objecto de tantos posts nesta série.

No centro da cidade, a Capela de São Salvador tem uma história atribulada. Foi criada no final do Século XIII por dois irmãos, Otto e Haimo, da família Haimonen e dedicada à Virgem Maria.

Com o decorrer do tempo passou a ser conhecida pela Capela de São Ottohaim por referência aos dois irmãos que na realidade estavam longe de ser santos…

Em 1515, o Papa Leão X considerou que tal designação constituía uma heresia e determinou a sua reconsagração como São Salvador. Pouco depois, a capela passou a estar ao serviço do Conselho Municipal da cidade.

No âmbito do Concílio Vaticano I, o Papa Pio IX proclamou o dogma da infalibilidade papal. A rejeição do dogma foi o motivo da constituição de uma comunidade dirigida pelo teólogo Johann Joseph Ignaz von Döllinger (1799-1890). Chamaram-se a si próprios os “velhos Católicos e iniciaram um culto que ainda existe na Áustria, na Alemanha e na Suíça.

Em 1871, a Câmara Municipal atribuiu a capela a esta comunidade que a tem ocupado até aos dias de hoje. No mesmo ano, o Arcebispo de Viena lançou um interdito que só veio a ser revogado em 1969 pelo Cardeal König.

Na Igreja, distinguem-se um magnífico portal renascentista do início do Século XVI e um grande relevo representando São Cristóvão. Este é da autoria do escultor austríaco Franz Christian Thaller (1759-1817).

Infelizmente, perderam-se os braços esquerdos tanto do Santo como do Menino Jesus, talvez no bombardeamento que, em 1945, atingiu a igreja e o bairro em geral.

 



Nos arredores de Viena, na Sieveringerstrasse, um São Cristóvão ocupa toda a altura de um prédio.

 


Muito perto, situa-se o Währingerpark que tem uma curiosidade musical. Em 26 de Março de 1827 morreu o célebre compositor Ludwig van Beethoven (1770-1827), sendo enterrado aqui no Parque que era então um cemitério. No enterro, encontrava-se outro compositor, Franz Schubert (1797-1828), que terá mesmo ajudado a transportar o caixão. Mal sabia ele que em 19 de Novembro 1828 (ano e meio depois) seria a sua vez, com apenas 31 anos, de ser enterrado no mesmo local.

Em 1888 ambos os corpos foram transportados para outro cemitério. É um jardim desde os anos 20 do Século XX.

Hoje podemos ver os monumentos funerários dos dois grandes músicos, lado a lado, mas já vazios.

 


 

 Em Rodaun, a Igreja barroca de São João Baptista foi consagrada em 1745. No seu interior, uma imagem de São Cristóvão.

 


 

Finalmente, ainda nos arredores de Viena na margem Norte do Danúbio, existe a Igreja de São Cristóvão de Rennbahnweg, inaugurada em 1977. Faz parte de um complexo paroquial multiusos.

São várias as representações de São Cristóvão: uma estátua em madeira, um graffiti na parede, uma imagem num nicho.

 





 

                                             Fotografias de 27 e 31 de Agosto de 2025

                                                                                         José Liberato




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