Ente
28 e 31 de Agosto de 2025 voltei à Áustria para nova deambulação pelo país,
sempre atento aos São Cristóvãos.
E
comecei por Viena, cidade que tem sido objecto de tantos posts nesta série.
No
centro da cidade, a Capela de São Salvador tem uma história atribulada. Foi
criada no final do Século XIII por dois irmãos, Otto e Haimo, da família
Haimonen e dedicada à Virgem Maria.
Com
o decorrer do tempo passou a ser conhecida pela Capela de São Ottohaim por referência
aos dois irmãos que na realidade estavam longe de ser santos…
Em
1515, o Papa Leão X considerou que tal designação constituía uma heresia e
determinou a sua reconsagração como São Salvador. Pouco depois, a capela passou
a estar ao serviço do Conselho Municipal da cidade.
No
âmbito do Concílio Vaticano I, o Papa Pio IX proclamou o dogma da
infalibilidade papal. A rejeição do dogma foi o motivo da constituição de uma
comunidade dirigida pelo teólogo Johann Joseph Ignaz von Döllinger (1799-1890).
Chamaram-se a si próprios os “velhos Católicos e iniciaram um culto que ainda
existe na Áustria, na Alemanha e na Suíça.
Em
1871, a Câmara Municipal atribuiu a capela a esta comunidade que a tem ocupado até
aos dias de hoje. No mesmo ano, o Arcebispo de Viena lançou um interdito que só
veio a ser revogado em 1969 pelo Cardeal König.
Na
Igreja, distinguem-se um magnífico portal renascentista do início do Século XVI
e um grande relevo representando São Cristóvão. Este é da autoria do escultor
austríaco Franz Christian Thaller (1759-1817).
Infelizmente,
perderam-se os braços esquerdos tanto do Santo como do Menino Jesus, talvez no
bombardeamento que, em 1945, atingiu a igreja e o bairro em geral.
Nos
arredores de Viena, na Sieveringerstrasse, um São Cristóvão ocupa toda a altura
de um prédio.
Muito
perto, situa-se o Währingerpark que tem uma curiosidade musical. Em 26 de Março
de 1827 morreu o célebre compositor Ludwig van Beethoven (1770-1827), sendo
enterrado aqui no Parque que era então um cemitério. No enterro, encontrava-se
outro compositor, Franz Schubert (1797-1828), que terá mesmo ajudado a
transportar o caixão. Mal sabia ele que em 19 de Novembro 1828 (ano e meio
depois) seria a sua vez, com apenas 31 anos, de ser enterrado no mesmo local.
Em
1888 ambos os corpos foram transportados para outro cemitério. É um jardim
desde os anos 20 do Século XX.
Hoje
podemos ver os monumentos funerários dos dois grandes músicos, lado a lado, mas
já vazios.
Finalmente,
ainda nos arredores de Viena na margem Norte do Danúbio, existe a Igreja de São
Cristóvão de Rennbahnweg, inaugurada em 1977. Faz parte de um complexo
paroquial multiusos.
São várias as representações de São Cristóvão: uma estátua em madeira, um graffiti na parede, uma imagem num nicho.









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