sábado, 14 de junho de 2014

O Variações.







         Ontem passaram 30 anos sobre a morte de António Joaquim Rodrigues Ribeiro, artisticamente conhecido por António Variações. Há 30 anos, soube da sua morte quando ia com uns amigos a caminho da praia, num dia de calor tão quente como o que hoje esteve. António Variações morreu num dia quente de Santo António. Ontem, na Basílica da Estrela, a família mandou rezar missa em sua memória. Vi no jornal o anúncio. António Variações é hoje uma personalidade «de culto», por todos louvada, e até já se leiloaram bens que lhe pertenceram (ver o catálogo aqui). Por coincidências que nunca saberei explicar, acabei ontem mesmo a leitura da sua biografia, escrita por Manuela Gonzaga. Mais do que a marca do seu génio, o que ali impressiona é a sua desbragada e delirante ambição, que só por uma sucessão de acasos foi concretizada. Nada na vida de António Joaquim Ribeiro fazia prever que, um dia, aquele rapaz nascido numa terra chamada Fiscal, no verde Minho, seria António Variações. Nada o fazia prever, a não ser ele próprio.   








        O revivalismo-Variações é um bocado irritante, sobretudo quando nos lembramos da forma como os críticos musicais receberam à pedrada as suas primeiras canções. E sim, é claro, há grande foleirismo e kitsh em Variações, tanto nele como, acima de tudo, em muitas das evocações que agora fazem da sua memória. Muita coisa datada, do baú do piorio dos anos 80. Lembro-me de ver passar por mim aquela figura atarracada e musculosa, já mais ou menos famosa, de barba céltica e rosto fechado. Olhos postos num lugar qualquer, situado algures entre Braga e Nova Iorque, segundo reza o cliché.  Depois, morreu. Pelo caminho, deixou-nos coisas como esta, que não saem do ouvido e trauteamos vezes sem conta, mesmo que o não queiramos. Não é o que de melhor se pode dizer de uma música popular?   











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