sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Abaixo os Chefs, viva os Cozinheiros.





De repente, os Chefs ficaram na berra. Alguns são até pensadores, artistas, verdadeiros filósofos da colher de pau. Irritantemente, a maioria invoca a cozinha da avó com emoção — mesmo que não se lembre dela, muito menos do que ela cozinhava.

As cozinhas passaram a ser o palco, e isso está bem, mas os Chefs transformaram-nas em laboratórios! Menus de degustação para provar (não para comer), o que vale é a experiência! Cozinha molecular, esferificação e gelificação, espumas e nitrogénio líquido, até já se fala de impressão em 3D com purés e massas! A sério?

O resultado está à vista - já ninguém fala das cozinheiras. Nem dos cozinheiros. Gente que está à frente do lume, que sabe fazer bem porque aprendeu com tempo, com erro, com mão. Que melhora sem desconstruir. Que alimenta — sem precisar de justificar.

Gente de valor, desconhecida na maioria dos casos, são as mãos que dão fama a templos de bem comer como o Maria Rita em Romeu, o António na Perafita, o Tia Alice em Fátima ou o Magano em Lisboa. Não querem inovar. Querem que os clientes comam com prazer. E isso, hoje, parece quase revolucionário. 


                                                        José António Nogueira de Brito



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