De repente, os Chefs ficaram na berra. Alguns são até pensadores, artistas,
verdadeiros filósofos da colher de pau. Irritantemente, a maioria invoca a
cozinha da avó com emoção — mesmo que não se lembre dela, muito menos do que
ela cozinhava.
As cozinhas passaram a ser o palco, e isso está bem, mas os Chefs
transformaram-nas em laboratórios! Menus de degustação para provar (não para
comer), o que vale é a experiência! Cozinha molecular, esferificação e
gelificação, espumas e nitrogénio líquido, até já se fala de impressão em 3D
com purés e massas! A sério?
O resultado está à vista - já ninguém fala das cozinheiras. Nem dos
cozinheiros. Gente que está à frente do lume, que sabe fazer bem porque
aprendeu com tempo, com erro, com mão. Que melhora sem desconstruir. Que
alimenta — sem precisar de justificar.
Gente de valor, desconhecida na maioria dos casos, são as mãos que dão fama a templos de bem comer como o Maria Rita em Romeu, o António na Perafita, o Tia Alice em Fátima ou o Magano em Lisboa. Não querem inovar. Querem que os clientes comam com prazer. E isso, hoje, parece quase revolucionário.
José António Nogueira de Brito

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