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Fiquei
admirado: gastaram-se (gastámos) quase dois milhões de euros em projetos
de erradicação da mimosa e outras espécies invasoras. É muito dinheiro.
Mas realmente tinha de ser. As mimosas e outras acácias ocupavam já cerca
de 17 mil hectares de terrenos no continente, dois mil deles em áreas
protegidas. No Parque Natural do Montesinho, no Gerês, na serra do Açor,
em Viana, nas margens do Mondego, tudo se transformava num denso manto
dourado ao chegar a primavera. Mal punha pé, ou antes mal lançava raízes
num sítio qualquer logo começava a instalar-se, usando todas as armas de
que dispõe: cresce rapidamente, produz quantidades enormes de sementes,
que permanecem viáveis no solo durante vários anos, formando povoamentos
extremamente densos, mesmo em solos muito pobres, mesmo sem intervenção
humana. O pior é que o fazem à custa das espécies nativas que vêem o seu
crescimento dificultado pela densidade e pelas substâncias segregadas
pela mimosa. Que às tantas começaram a invadir os terrenos de cultivo.
Foi aí que se começou a tomar a sério o problema.
Porque até aí não era um problema. Pelo contrário, admiravam-lhe as
lindas flores ornamentais, com os seus caraterísticos pompons amarelos
que enfeitavam as encostas de Portugal inteiro e faziam a felicidade dos
passeios e dos fotógrafos de domingo. Eram apreciadas e procuradas. A
moda oitocentista das plantas exóticas abriu-lhe as portas: as primeiras mimosas
australianas, importadas da Austrália através de viveiristas europeus,
foram plantadas em meados do século dezanove em Lisboa, na Quinta do
Lumiar, propriedade dos futuros duques de Palmela. A seguir, o interesse
industrial abriu-lhes o caminho para a horticultura comercial: por ser de
crescimento rápido, fornecer madeira e lenha, taninos para os curtumes,
além de poder ser usada na fixação de solos e consolidação de taludes. Um
empresário portuense plantou 600 hectares de acácias e eucaliptos nas
suas propriedades orgulhosamente batizadas Nova Austrália e Nova
Tasmânia, nos arredores de Abrantes. E também o Estado via na
mimosa um auspicioso factor de desenvolvimento, pelo seu interesse
económico e florestal, e desatou a plantá-las no Gerês e em matas
públicas do litoral centro.
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