Dois
livros absolutamente obrigatórios. A sério, não exagero. Um, sobre alterações
climáticas, que ainda estou a ler, aterrado. It is worse, much worse, than you
think, são as palavras já célebres do livro de David Wallace-Wells, The Uninhabitale Earth. Senhores editores,
TRADUZAM-NO E PUBLIQUEM-NO CÁ. Feita esta súplica, outro livro. Este deveria
ser obrigatório em escolas, gabinetes ministeriais, salas de conselhos de
administração, em toda a parte. Deveria existir um exemplar em cada lar português.
Não, não estou a exagerar. Peter Frankopan, um reputadíssimo académico, que
ensinou em tudo o que é excelência universitária, já tinha escrito As Rotas da
Seda, traduzido cá, e muito bem. Regressa agora com As Novas Rotas da Seda.
Além de estar escrito de uma forma, digamos, arrebatadora e ligeiramente mais
sedutora do que as fotografias de Verão da Senhora Dolores Aveiro, o livro
conta histórias de pasmar, começando por referir o óbvio: todos os grandes
clubes de futebol europeus estão nas mãos de estrangeiros. Sintomático, não?
Depois, mil e um episódios: o do chinês que comprou uma propriedade de 3000 hectares
em França só para produzir trigo para uma rede de boulangeries destinada às
classes emergentes de Pequim ou Xangai, a do pó de talco com que polvilhamos os
nossos bebés vir do Afeganistão e, mais precisamente, dos talibãs (sabia?), etc.,
etc. Percebe-se aqui Trump ou o Brexit: mais não são do que estertores de um
Ocidente em agonia. Enquanto por cá andamos em querelas e xenofobias, e a
Europa e a América não têm desígnio nenhum, absolutamente nenhum (a América,
quando muito, terá o desígnio de tentar resistir à esmagadora hegemonia da
China, perante a qual tem uma dívida de biliões), enquanto por cá não temos
desígnio nenhum, dizia, a China lançou há anos a gigantesca iniciativa da Rota
da Seda, vamos chamar-lhe assim. O mais espantoso é que quando falei dela – e deste
livro – a algumas pessoas, pessoas ilustradas, ninguém sabia o que era a iniciativa
Uma Rota, Uma Faixa… É uma coisa longínqua, distante… Será? Com os nossos centros
de decisão económica já muito hipotecados aos chineses, com as vias de
construção da Rota a serem preparadas para acabarem em Portugal, com os chineses
a deixarem de ser imitadores de tecnologia e a já terem a vanguarda de muita
investigação de ponta? (ver aqui, ou aqui, e até já uma Associação Amigos da Nova Rota da Seda...) Com as sanções de Trump ao Irão e a outros países a serem
aproveitadas pela China, que de caminho engole os países africanos através de
dívidas colossais (à China…), a troco de infraestruturas megalómanas, edificadas…
pela China? De quem é o porto do Pireu, ou a EDP? Muitos de nós ainda não percebemos que o Ocidente acabou, morreu.
Na melhor das hipóteses, Portugal será um resort para turistas asiáticos, com
vinhos de marca e uns castelinhos d’encantar. Nada mais. O próximo século é do
Pacífico, e regiões limítrofes. O que se anda para lá a fazer na Ásia Central – e que este livro
mostra com abundantes exemplos –, o que se faz e as parcerias que existem no
Tajaquistão, no Cazaquistão, no Turquemenistão, etc. O quão distraídos andamos
nós, com as novelas do governo italiano ou do Brexit, enquanto China e Índia se
desenvolvem e armam à bruta. O que não percebemos que, com o domínio global da
China, que é um país não-democrático, a democracia – toda a democracia! – está em
risco em todo o mundo. O que não percebemos que para dominar um país já não são
necessárias frotas navais ou carros de assalto, nem soldados, basta a asfixia
económica, o investimento maciço, o controlo da informação, a manipulação da
Internet. Duvidam? Leiam este livro. Que ademais não é um panfleto sinofóbico,
longe disso. É um extraordinário livro, não muito grande, que se lê num ápice.
E que, insisto, devia ser obrigatório, lido por milhões de europeus, como o
livrinho vermelho do nunca renegado Mao Zedong (apesar de ter morto milhões e
milhões, quem fala disso, quem ousa clamar por justiça histórica
transnacional? Já agora, quem se ergue hoje por Taiwan ou pelo Dalai Lama?). Ia
escrever que é bom ler e meditar neste livro «antes que seja tarde», mas não:
já é tarde, já acabou. Mas convém sabê-lo, estar consciente disso. Discorda?
Leia As Novas Rotas da Seda. Já agora, uma pergunta: porque é que a sociedade de advogados Morais Leitão, Galvão Teles, Soares da Silva & Associados é sócia honorária da Associação Amigos da Nova Rota da Seda???
segunda-feira, 9 de setembro de 2019
domingo, 8 de setembro de 2019
São Cristóvão pela Europa (90).
No extremo Sudeste da Baviera (também o é da
Alemanha) encontrei várias imagens do nosso Santo.
Em Grabenstätt, junto ao Chiemsee (um dos lagos marcados pela presença de Luís da Baviera), na igreja de São João:
sábado, 7 de setembro de 2019
sexta-feira, 6 de setembro de 2019
quinta-feira, 5 de setembro de 2019
São Cristóvão pela Europa (89).
Prossigo a apresentação dos ex-votos da igreja de São Cristóvão em Steinhöring, Alemanha.
No total, ficam reproduzidos no Malomil 16 dos 30 existentes.
José Liberato
Fotografias de 8 de Agosto de 2019
quarta-feira, 4 de setembro de 2019
Amazónia, até que a voz nos doa.
Diz
a CNN, diz o World Wildlife Fund, que 10% das criaturas da Terra vivem na
Amazónia. Diz a CNN que muitos animais morreram ou irão morrer nesta tragédia.
Ainda falam de fake news? Responsáveis por isto não são apenas Bolsonaro e os
seus ministros, ou os seus apoiantes. Responsáveis por isto são também os que
negam a verdade dos factos. Ou os que, de uma forma ou doutra, pactuam «amistosamente» com o
que está a acontecer, de forma activa ou passiva. E V., o que faz? Nada?
terça-feira, 3 de setembro de 2019
Casamento-mistério.
O
Malomil adora estas histórias: um casamento homossexual em 1957, quase 50 anos
antes de ser legalizado nos Estados Unidos. Agora, existe um site e uma página
de Facebbok para tentar localizar os noivos e, creio, os convidados. Chamam-lhe
The Mystery of the 1957 Gay Wedding Photos, e até já deu uma notícia recente na
BBC, aqui.
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segunda-feira, 2 de setembro de 2019
A Amazónia e as fake news.
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Através
de um comentário do leitor Dutilleul, que muito agradeço, tomei conhecimento de
um post de José Mendonça da Cruz no blogue Corta-Fitas com o título «A Amazónia em resumo: as fake news e a realidade»
Num tempo de fake news, há algo que se
impõe, creio eu, que é restaurar a verdade. E a verdade não tem cor política
nem ideologia. E o clima e a sobrevivência da espécie humana são coisas
demasiado importantes para serem convertidas numa disputa clubística
esquerda/direita.
Mais ainda, o melhor antídoto contra as
fake news é não basearmos as nossas opiniões em comentários ou fontes
secundárias. A melhor solução, creio eu, modestamente, é ir aos sites oficiais
de instituições que ainda consideremos credíveis, como a ONU ou a NASA. Não são
credíveis, estas fontes? Se não, quais as fontes credíveis, então? Digam uma,
uma só.
Como bem refere José Mendonça da Cruz,
a Amazónia não é, em rigor, o «pulmão» do planeta, já que o oxigénio produzido
pela Amazónia é praticamente todo consumido na própria Amazónia. Isto dito e
clarificado, significa o quê? Que devemos deixar arder a Amazónia, já que ela
não oxigena o mundo? Mas, desculpem, a floresta amazónica não oxigena aquela
vasta parcela de território, várias vezes maior do que Portugal? Sim. E a
Amazónia não tem alberga 16% da água do mundo? Sim. Pode não ser o «pulmão» do
mundo, mas é o pulmão dela própria. E é o maior aquífero do mundo.
Feita esta clarificação, há uma afirmação
do texto de Mendonça da Cruz que é, no mínimo, delirante. «A Amazónia não está
a arder». Como?!??? O autor esclarece: «A grande
maioria dos 75 000 fogos ocorridos este ano deram-se em terras de cultivo e
áreas já deflorestadas, alguns iniciados por queimadas de que foi perdido o
controlo.» Como?!?!! Mesmo aceitando esta afirmação, o facto de os fogos se
darem em áreas deflorestadas (já agora, a combustão é feita a partir de quê:
terra, areia?) não significa que não existam. Há fogos, observáveis do espaço.
Aliás, Mendonça da Cruz diz «o número de fogos é muito maior do que o ano
passado» e acrescenta que, este ano, houve um aumento do número de fogos de
85%.
Portanto:
1 – aumentou o
número de fogos em 85%
2 – esses fogos
são na Amazónia
3 – e a Amazónia
não está a arder???
Fazer uma
afirmação dessas num texto que vem denunciar as fake news é, convenhamos, do
escamartilhão. Não é uma fake news, uma falsidade, uma mentira descarada e rasteira
dizer «a Amazónia não está a arder?»
O que
diz a ONU?
Isto:
https://observador.pt/2019/08/30/onu-amazonia-mostra-que-mundo-esta-a-beira-de-ponto-de-nao-retorno/
Se preferirem a fonte oficial da ONU:
O que lá diz, escrito no passado 28 de
Agosto? «Os incêndios generalizados na Amazónia podem ter libertado 225
megatoneladas de dióxido de carbono na atmosfera»
O que diz a NASA? Vamos ao site oficial
do Earth Observatory, nada de fontes secundárias. E cá está:
Em suma, vamos acabar com politiquices
e com fake news, num sentido ou noutro. Não adianta sequer falar de Morales e
da Bolívia. Porquê? Porque
o governo boliviano, com todos os defeitos que tenha (e são muitos!), pediu
ajuda à União Europeia, que prontamente lhe a concedeu e está em marcha:
Espero que este
modesto post tenha ajudado em alguma coisa.
Conselho amigo: não confiar em
blogues, incluindo este que agora ledes, nem em comentários ou coisas assim.
Ide directo às fontes oficiais de instituições tidas por independentes e
credíveis, a ONU, a NASA, a União Europeia. A menos que entendeis que toda esta
gente esquerdista do G-7, Emmanuel Macron, Angela Merkel, etc., anda metida numa
conspiração gigante e que «a Amazónia não está a arder». Nesse caso, é
aconselhável consultar um médico da especialidade.
domingo, 1 de setembro de 2019
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