domingo, 15 de julho de 2012

Cósmico Tropical.

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Imagens aqui




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        Cresci literalmente ao lado da Ana Magalhães. Fomos esquerdo/direito durante vinte anos, ou mais. A Ana escreveu um livro maravilhoso, com fotografias de Inês Gonçalves, Moderno Tropical –Arquitectura em Angola e Moçambique, 1948-1975.
         Da selecção que fizeram não consta este Teatro em Moçâmedes (actual Namibe), que a Rita Almeida de Carvalho me deu a conhecer. A propósito dos spomenik jugoslavos, já aqui falei en passant de «arquitectura cósmica», termo pouco técnico que pretende ilustrar o modo como, nos países do Leste da Europa, se levou ao limite as potencialidades construtivas do betão armado. E da atracção de alguma arquitectura modernista pela concepção de edifícios que se assemelham a naves espaciais, objectos voadores, estações em órbita no espaço celeste. O que neles existe de interessante, além das suas características formais, é o facto de, em larga maioria, estarem hoje abandonados. Isso cria uma atmosfera estranha, entre a promessa pretérita de um futuro sideral e a realidade presente, ruína envolta em poeira. O contraste é particularmente evidente neste OVNI que os portugueses fizeram aterrar no deserto do Namibe. Desconheço o autor do projecto e na Net escasseiam as referências ao singular Teatro. Mas aqui fica para quem o quiser ver – e, já agora, para quem quiser fornecer alguma informação adicional sobre este Objecto Vanguardista Não Identificado. Ao que dizem aqui, num belo blogue sobre o Namibe, a obra, cujo empreiteiro era Vasco Luz, encontrava-se em construação aquando da independência. Era para se chamar cinema "Arco Íris" mas nunca foi inaugurado. Quanto ao nome do arquitecto, não sabemos quem foi.  
        
António Araújo

 





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