sexta-feira, 20 de julho de 2012

Explicação dos pássaros.

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aqui falámos de Richard Barnes, um fotógrafo que surpreende pela originalidade dos seus projectos. Há fotógrafos que criam uma «linha» e a ela permanecem fiéis, criando e recriando vezes  sem conta o mesmo modo de abordagem, geralmente os mesmos tipos e caracteres, os mesmos ambientes. Quando olhamos para imagens de Martin Parr reconhecemos logo que, muito provavelmente, são da sua autoria. Barnes inscreve-se numa aproximação distinta, que já há algum tempo faz curso: cada projecto é diferente do outro, nada é imediatamente reconhecível como «seu». A originalidade não está na criação de um «estilo» mas na forma como se concebe um «projecto», singular, irrepetível. Martin Parr não é melhor do que Richard Barnes, ou vice-versa. São formas diferentes de abordar a fotografia.
Murmur é uma série que retrata bandos de pássaros. As imagens são de uma beleza metafísica, transcendente. Partem do que há de mais natural – as aves na madrugada – para chegarem a um resultado puramente conceptual: formas estranhas, espirais, manchas que parecem desenhos a carvão ou gatafunhos a tinta-da-china. Exercícios de caligrafia feita nos céus. Mas, não sei porquê, há algo de ameaçador em algumas imagens de Richard Barnes. Talvez pelo negrume dos bandos, talvez por se assemelharem a tornados devastadores ou a explosões atómicas. Parece estarmos na iminência de uma grande tragédia.


António Araújo   

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