quarta-feira, 8 de abril de 2020

Capricho dissuasivo de viagens e deslocações.







Tal e qual. Sem tirar nem pôr, este capricho que J. S. Bach compôs aos 19 anos para demover o seu querido irmão mais velho de partir em viagem – no caso até à Suécia. O apego que Johann Sebastian tinha ao Johann Jacob era grande e não lhe agradava nada a ideia que se fizesse à estrada e fosse para longe se não tivesse mesmo de ser.

Amoroso-manhoso, urde então esta engenhosíssima peça com seis andamentos: o primeiro é o da dissuasão propriamente dita: expõe, argumenta, martela, suplica, com os amigos a interceder (a manha, não disse?).

Para a eventualidade de a arenga teórica não bastar para convencer o mano, segue-se a apresentação em modo slide-show musical de um rol de contrariedades e infortúnios do que lhe pode acontecer em trânsito, e por efeito da deslocação.

Depois da ilustração, a estocada final, com os amigos a lamentar o que será um resultado perfeitamente escusado se teimar na viagem.

Aqui duas versões para piano deste Capriccio sopra la lontananza del suo fratello dilettissimo (em Si bemol maior) BWV 992. A primeira, curtinha (2 minutos), fica-se pelo andamento de abertura (Arioso) – o da parte teórica “Não vás!”. A segunda, o filme completo (10 minutos), com demonstração e antevisão. Ambas por Leon Fleisher.




Manuela Ivone Cunha






2 comentários: