terça-feira, 28 de abril de 2020

Natal na Primavera







A cantiguinha aqui em baixo já dava com muito boa gente em doida ao longo de dezembro. A perspetiva de levar com ela nos ouvidos tem levado essas almas massacradas, ano após ano, a pensar duas vezes antes de se fazerem às ruas e aos centros comerciais para as compras natalícias.

E ei-la que regressa em abril, toda arteira no Malomil. Quando – oh, ironia – levamos é com a inibição de circulação nas ruas e centros comerciais. E as compras é o que se sabe.

A culpa é de Gutenberg. Foi ele a emprestar o nome à cantiga pela mão de Mendelsohnn (o Felix, não a Fanny), que lhe chamou “Cantata Gutenberg” para comemorar os então 4 séculos de revolução na imprensa gerada pela maquineta de impressão tipográfica. Mendelsohnn não teve culpa alguma, ele que até pôs a cantiga à disposição da comunidade desde que não lhe pespegassem nenhum hino religioso em cima.

Este pormenor-pormaior perdeu-se algures na tradução, como enjoámos de saber. É prestar atenção ao título do hino, Hark! The Herald Angels Sing. Bonitinho, só que de tanto nos mandarem ouvir, Hark! virou Arrrgh!

Mas isso agora não interessa nada. Interessa sim que Gutenberg deu também o nome a um projeto que na presente época digitalícia do confinamento pôs à nossa disposição, quais prendas, 54 000 livros grátis, dispensando-nos assim não só de qualquer compra, como de ouvir o íncubo da cantiga. Há de tudo, incluindo livros para colorir e livros em várias línguas para crianças – que não é bem o mesmo que livros para crianças em várias línguas.

Projeto Gutenberg:


"Gutenberg-Kantate”, Festgesang, MWV D4 (F. Mendelsohnn) pelos Dale Warland Singers:



Manuela Ivone Cunha


















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