quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Memórias de um ex-morfinómano, de Reinaldo Ferreira.

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Quantas vezes certos indivíduos, ignorantes dos segredos das drogas – ou conhecedores apenas através de literatices ridículas dos fantasiosos, virgens de qualquer toxicomania – se encanzinavam em querer saber:

         «– Mas como foi que V. apanhou o vício da morfina? Como foi que você começou?»

         Interrogavam-me abanando a cabeça, num tom de lástima – que ocultava, quase sempre, o impulso duma excitação e duma curiosidade – gémeas às dos beatos, tartufiando contra os pecados alheios – mas tentados a espreitá-los, pelo menos, onanìsticamente…

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