terça-feira, 15 de outubro de 2019

Maravilhoso.

 
 
 

 
          Ainda me lembro de Georges Duby falar, no seu livro O Ano Mil, de uma baleia que aportou às costas de França, creio, e que logo semeou o pavor entre os milenaristas da altura, que nela viram prenúncios do final do mundo.
 
          Na semana passada, uma baleia-corcunda foi dar ao Tamisa, e Philip Hoare, o autor de um maravilhoso livro sobre baleias que maravilhosamente até está editado cá, Philip Hoare, dizia, viu nessa chegada um sinal de esperança, um ténue sinal de esperança entre prenúncios de final do mundo.
 
          É que as baleias, explica um artigo do Público, podem salvar a Humanidade. É o que diz um estudo publicado numa revista do Fundo Monetário Internacional, a Finance & Development. Chama-se “Nature’s Solution to Climate Change” e pode ser lido aqui.
 

 
          A promessa é grande: se as baleias voltassem aos números anteriores aos da baleação industrial, o planeta ganharia capacidade de fixação de CO2 equivalente à de quatro florestas como a Amazónia. Quatro Amazónias!
 
          A tarefa, no entanto, é hercúlea, passar das 1,3 milhões de baleias para 3 milhões de baleias.
 
          E, ao olhar para o estudo, que me pareceu algo «ligeiro» e elaborado por economistas generalistas e não por cientistas puros e duros, com base numa bibliografia escassa e, também ela, muito generalista, fiquei com dúvidas. Dúvidas sobre se não será uma proposta salvífica e miraculosa, anunciada aos quatro ventos mas sem grandes bases.
 

       
     Mas valeu o assombro de ficar a saber que o infinitamente pequeno, o minúsculo fitoplâncton, é tão poderoso no sequestro do carbono. E que bastaria um aumento de 1% do fitoplâncton para capturar centenas de milhões de toneladas a mais de CO2 por ano, o equivalente ao aparecimento repentino de dois mil milhões de árvores adultas.
 
          Se isso é verdade, é… maravilhoso.

 
 
 
 
 
 

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