quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Vidas singulares: Inge Feltrinelli (1930-2018).

 
 
com o marido, Giacomo




 
 
 
Esta senhora que vemos ao lado de figuras gradas da intelectualidade mundial do século XX – de Hemingway a Picasso, passando por Saint-Laurent (sim, é um intelectual) ou Günter Grass (sim, foi um soldado nazi) – chama-se Inge Feltrinelli por casamento. Alemã de ascendência judaica, fotógrafa e realizadora, casou com Giangiacomo Feltrinelli e tomou conta da casa editorial antes, durante e depois do marido se envolver, como sabem, em actividades clandestinas, eufemismo de terroristas. Giacomo morreu nessas andanças – e como não lembrar o extraordinário livro Senior Service, que, pasme-se, até foi traduzido e publicado por cá? Inge morreu velhinha, no passado dia 20 de Setembro.  Aqui fica a nota, brevíssima.
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Estranhos numa terra estranha.

 





 
A Elena Piatok, sempre atenta, mandou-me esta reportagem do Guardian. Durante anos havia hotéis-casulos em que os homo laborans japoneses dormiam, longe de casa, incapazes de chegar ao lar mesmo à velocidade de um comboio-bala. Agora, nem isso. Dormem na rua, sem-abrigos de colarinho branco. Bem reza o ditado nipónico que, naquele país, as crianças vêem os pais pelas costas (ou apenas as costas do pai, sempre a ir para o trabalho). O mundo é um lugar estranho.
 

terça-feira, 16 de outubro de 2018

Rino Barillari, o rei dos paparazzi.













 
 
 
 

Christy Lee Rogers.

 
 











Gótico Americano.

 
 



Em American Gothic, o celebérrimo quadro de Grant Wood, o quadro mais famoso da América, o pintor usou como modelos a sua irmã e o seu dentista. Como conta Steven Biel em American Gothic: A Life of America's Most Famous Painting, a irmã de Wood terá ficado desagradada com o facto de parecer a mulher de um homem muito mais velho. Mas a intenção do pintor, ao que parece, era retratar um agricultor do Iowa e a sua filha. A posteridade traiu-o – e todos julgam que aqui está um casal, que o não era… Na tensão entre ambos muitos dizem estar a homossexualidade não assumida de Grant Wood, mas isso são contas de outro rosário. Fica para a próxima, que estas notas se querem curtas, de leitura rápida. 
 
 
 
 

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Vidas singulares: Cécile Aubry (1928-2010).

 
 
 
 

 
Esta boneca Anita é muito bonita mas já faleceu (e com 81 anos). Chamava-se na realidade Anne-José Bénard mas ficou mais conhecida por Cécile Aubry, nome artístico de uma promissora carreira como actriz, onde chegou a contracenar com Tyrone Power e Orson Welles. São porém os livros infanto-juvenis, adaptados à TV e ao cinema, que lhe deram (boa) fama. Bela e Sebastião, acima de todos, que até deu nome a uma banda musical escocesa, como sabeis. Este afecto às letras, ao que parece, foi ditado pelo seu casamento, na Mesquita de Paris, com um senhor de nome Si Brahim el Glaoui, filho do paxá de Marraquexe, ou seja, gente islâmica bem instalada na vida que, provavelmente, sugeriu à actriz que se deixasse de fitas. Quando se lê o livro da Bela e do Sebastião, quando se vê a saudosa série da televisão e quando se vê o filme mais recente com o mesmo nome, fica-se com a impressão que aquilo é tudo um revisitar nostálgico da velha França, de valores profundos, branca, católica, hetero ou mesmo assexuada. No entanto, nem tudo é o que parece. Para já, o Sebastião é um ciganito, filho de uma cigana que morreu ao dar-lhe luz nas montanhas. Depois, quem o interpretou na série foi o filho de Cécile e do marroquino. Tudo, portanto, bastante multicultural e inclusivo. O jovem actor Mehdi El Mezouari El Glaoui, entrou em todas as séries que a mãe dirigiu, inspiradas nos seus romances: Poly, a já citada Bela e Sebastião e o mais teenager Le Jeune Fabre. Já mais entrado na idade, volta a entrar no filme Belle et Sébastien, que Nicolas Vanier dirigiu em 2013 (como personagem secundária, o caçador André). À boleia do sucesso da película, Mehdi publicou nesse ano de 2013 as suas memórias, inevitavelmente chamadas La belle histoire de Sébastien. O moço Mehdi entrou na TV aos seis anos de idade, com Poly, e esteve lá 12 anos ininterruptos. Um pouco cansado de viver sob a égide de sua mãe Cécile, aos 17 anos estabeleceu-se por conta própria no mundo das artes. Mas, por mais que tenha feito na vida, será sempre conhecido pela sua camaradagem com uma cadela branquinha. Coisa que não percebo: a acção do livro passa-se nos Pirinéus e a Bela é um cão pirenaico. Pois para que foi Nicolas Vanier mudar a trama para os Alpes?
 
 

 
 
 
 
 

domingo, 14 de outubro de 2018

Tintorera!

 




 
         Chegou-me às mãos um livro fabuloso sobre as réplicas – ou, como agora se diz, as «declinações» – do filme Jaws, de Spielberg. Bad Requins, l’histoire de la sharksplotation, acabadinho de sair em França. Portanto, não estranhem se nos próximos dias tivermos por aqui uma ou outra nota mais frequente sobre películas que tratam de esqualos perigosos. Desta feita, Tintorera!, uma produção mexicano-inglesa de 1977. Portanto, um filme de horror mexicano da década de setenta, que foi, como se sabem, um decénio muito mexicano e horroroso. A acção passa-se na Isla Mujeres, óbvio, e a fita foi dirigida pelo sr. René Cardona Jr., que todos bem conhecem de clássicos como Fiebre de Amor (1985), Escápate Conmigo (1987) ou Deliciosa Sinvergüenza (1990). Basicamente, e pelo que se pode vislumbrar no Youtube, os tubarões são figurantes menores e adereços assaz secundários, pois o fulcro do filme está tudinho nas moças em biquíni ou topless e nos rapazes musculosos de tanga. A vertente soft porn domina a abordagem de Cardona Jr., em detrimento do horror movie (ainda que Tintorera! seja involuntária mas literalmente um filme de terror – o que, só por isso, justifica esta menção muito honrosa da parte de Malomil).
A trama está condensada na Wikipedia, que sublinha, de forma apropriada, o facto de uma das personagens, crê-se que a danada da Gabriella, se envolver sexualmente com dois homens. O filme tem a duração de 126 minutos, no México, mas foi sensatamente reduzido para 85 minutos na esclarecida Suécia. A ver, portanto.