segunda-feira, 18 de junho de 2018

Abjecto.


 
 
 
 
         Não sei quem é Luís Franco-Bastos, nem interessa. Diz ser humorista, o que também não interessa.
O que interessa é o facto de o Expresso, “semanário de referência”, ter publicado um texto de Luís Franco-Bastos que, a propósito, de um jogo de futebol da Alemanha, faz a seguinte graçola supostamente irónica:Os germânicos apostam no planeamento, continuidade, organização e trabalho colectivo, ou seja, todas as qualidades do tempo do Holocausto se mantêm – e ontem, tal como no tempo do Holocausto, essas qualidades não foram suficientes para lhes dar a vitória.”
         No Holocausto não houve vitória nem derrota. Houve seis milhões de mortos, seis milhões. Se o colunista humorista não sabe, o Expresso devia sabê-lo.
         Talvez seja possível fazer humor com o Holocausto, tema muito debatido entre os humoristas e não só.  
         Mas seis milhões de mortos merecem algum respeito, ou não?
 
        Para mais, numa altura em que o negacionismo e o neonazismo grassam por toda a Europa, ou não?
         Quererá o Expresso e a sua direcção ficarem associados a uma piada sobre o Holocausto?
         Se sim, que avisem os seus leitores, pelo menos. É o mínimo que se pede, um módico de decência para quem lê (ou lia) o Expresso – e que, sinceramente, não esperava uma abjecção destas.
 
António Araújo
 

Wight Power: 50 anos.

 
 
 
 















Portugal é Sensacional.

 

domingo, 17 de junho de 2018

São Cristóvão pela Europa (64)

 
 


 

 
 Igreja de São Tiago em Liège, 11 de Março de 2018 
 
 
 
A infância de Jesus é um livro de J. M. Coetzee, escritor sul-africano nascido em 1940, Prémio Nobel da Literatura em 2003.
 
O romance foi publicado em 2013. Os protagonistas são Simón e David, refugiados num campo na imaginária cidade de Novella. Simón é um homem de meia-idade, David uma criança de cinco anos.
 
As alusões bíblicas são muito frequentes, começando pela busca de um abrigo no início e terminando com David juntando um grupo de discípulos à sua volta um dos quais se chama João.
 
Mas também  estão muito presentes várias alegorias a São Cristóvão.
 
Como bem observa Robert Kusek da Universidade Jagiellonian de Cracóvia, Simón é um transportador, um estivador, que transporta o rapaz tanto literalmente como simbolicamente.
 
 
 
David aprende música e canta o poema de Goethe, o Rei dos Álamos, que se relaciona com o livro, com título semelhante, de Michel Tournier já mencionado no Malomil (http://malomil.blogspot.com/2018/02/sao-cristovao-pela-europa-57.html):
 
 
 
Quem cavalga tão tarde, ao vento e pela treva?
 
O cavaleiro é um pai, p’lo filho acompanhado,
 
Pai que, nos braços seus, o seu filhinho leva,
 
Cingindo-o muito, a fim de o ter agasalhado.
 
 
 
Em certo ponto do romance, vão na direcção de um lago, em busca da mãe de David.
 
 
 
Aqui e além vêem pássaros em voo, mas distantes de mais e a demasiada altura no céu para saberem ao certo de que se espécie se trata.
 
-Estou cansado- anuncia o rapaz.
 
Ele examina o mapa. Estão a meio caminho do lago, calcula.
 
-Eu levo-te durante um bocado – diz -, até te voltarem as forças.
 
Põe o rapaz às cavalitas.
 
-Canta assim que vires um lago. Há-de ser de onde vem a água que bebemos. Canta se o vires. Aliás canta se vires alguma água. Ou se vires algum camponês
 
 
 
José Liberato
 
 
 


sábado, 16 de junho de 2018

A Vénus dos Plásticos.

 


 
Tivemos já várias Vénus: a de Milo, a das Peles, a de Willendorf, a Hotentote. A esta chamam-lhe «A Vénus dos Plásticos», uma mulher caminha numa zona industrial da periferia de Jammu, norte da Índia. A fotografia é recente, foi tirada no passado dia 5 pelo grande fotorepórter Channi Anand, da Associated Press.
 
 
 
 

quinta-feira, 14 de junho de 2018

Portugal, questão que eu tenho comigo mesmo.

 
 





Esta oliveira tinha 1390 anos. Mais de mil anos, portanto. Quase mil e quatrocentos anos, é verdade. Um certificado dizia datar de 728 d.C. Estava cá antes de Portugal, mas não lhe sobreviveu (ou Portugal não foi capaz de lhe sobreviver). Colocada em Santarém, frente aos serviços do Instituto de Conservação da Natureza que, pelos vistos, foram incapazes de a salvar. Morreu há pouco, deixaram-na secar, falecida de sede – e desleixo? Portugal, questão que eu tenho comigo mesmo.

 




Evita à Venda.

 
 
 
Santa Evita, todos se lembram desse extraordinário livro. E dos caminhos e descaminhos do cadáver d’Ela. Será que lhe cortaram as mãos, como dizem? Agora, um leilão em grande, de Juan e Evita. Mesmo para quem não possa ou não queira comprar, vale a pena ver isto. Essencial para compreender o peronismo, o de ontem e o de hoje.
 
 

Yvette Horner (1922-2018).

 
 

William Eggleston: América, América (2)