sábado, 25 de maio de 2019

Hotel Rwanda (25).

 
 
 





 
O Parque Nacional de Akagera situa-se na parte Leste do Ruanda junto à fronteira com a Tanzânia.
Aqui antílopes e impalas.
 
José Liberato
 Fotografias de 24 de Janeiro de 2019
 
 
 

sexta-feira, 24 de maio de 2019

Hotel Rwanda (24).




Bíblia pousada num banco numa venda à beira da Estrada para Kigali.






Local do massacre da Igreja de Ntarama
 
 
A religião, a tese do duplo genocídio
 
 
O Cristianismo é a religião largamente predominante no Ruanda. As igrejas enchem-se de fiéis.
Em 1994, perante o terror do genocídio os refúgios mais procurados foram as igrejas.
Mas as igrejas não foram refúgios. Foram armadilhas que permitiram uma matança ainda maior.
Porquê?
A hierarquia católica teve um longo historial de colaboração com o poder hutu e não soube avaliar a sua deriva genocidária. Salvo casos limitados, os sacerdotes estrangeiros foram evacuados para os seus países de origem, enquanto muitos dos sacerdotes  ruandeses ou se deixaram contaminar pela loucura ou não tiveram coragem de se lhe opor.
Aliás, alguns países deixaram-se também alinhar com o poder dominante, apenas descolando quando era demasiado tarde.
A França é o caso mais evidente. A Operação Turquesa, desencadeada pelo Presidente Mitterrand, inspira-se bastante na tese do duplo genocídio: se os hutus matavam os tutsis, a realidade é que os tutsis também matavam os hutus. Segundo esta perspectiva, a preocupação essencial devia ser a separação dos contendores e mesmo a evacuação dos culpados do genocídio.
Se bem que tenha havido também tutsis a matar hutus, a realidade é que se tratou de casos limitados face à hecatombe que ocorreu.
Hoje, a França continua a ser acusada violentamente, enquanto a Igreja Católica recupera lentamente o seu peso.
 
 
Fotografias de 24 e 25 de Janeiro de 2019
 
José Liberato
 
 

quinta-feira, 23 de maio de 2019

Humano, demasiado humano.

 
 
Botswana

 
Uma notícia triste, tristíssima. O Botswana decidiu levantar a proibição de caça aos elefantes. Há quem diga que essas caçadas contribuem para o equilíbrio dos ecossistemas e até, paradoxalmente, acabam por salvar elefantes. Duvido. E, como eu, muitos também duvidam. De uma coisa, porém, temos a certeza: que prazer pode existir em matar e fazer-se fotografar ao lado de um animal tão majestoso, complexo e belo? Sim, que prazer existe? Há muita discussão sobre animais humanos e animais não-humanos, sobre o que nos define como espécie único. Mas, mesmo para os que entendem que somos especiais, porque somos «humanos», matar um elefante não nos torna menos humanos? Por cada elefante que é morto, é a própria humanidade do Homem – aquilo que o define como «único» - que também morre um pouco. Não é preciso termos uma atitude «animalista» para condenarmos a barbárie sobre os animais. Basta entendermo-nos sobre o que significa ser «humano», ainda que por vezes, como diria Nietzsche, humano, demasiado humano.



Entardecer em Providence.

 
 



Fotografias de Onésimo Teotónio de Almeida