domingo, 21 de janeiro de 2018

William Grill.

 









Há um rapaz que me traz encantado e até quiçá enfeitiçado e que se chama, o rapaz, Guilherme Grelhado. É moço inglês, de nome inglês William Grill, que me nasceu em 1990; sendo, portanto, jovem. E, como todos os jovens d’agora, é a um tempo jovem talento e jovem empreendedor. A sua arte é deveras sedutora e dele tenho dois livros, acabadinhos de chegar a mim: The Wolves of Currumpaw, de 2016, e, permita-se o destaque, Shackleton’s Journey, de 2014. Não foi ao acaso que este último arrecadou em 2015 a Kate Greenaway Medal. William Grill é dos mais talentosos autores de livros infantis do século XXI – e muito há a esperar dele. Para quem o quiser conhecer mais amiúdo, pode ir ao sítio digital do Guilherme Grelhado, cujo endereço é este: http://williamgrill.co.uk/
 Há também uma moça russa que me tem embeiçado e que falarei dela assim que me chegarem os livritos de sua autoria. Fica a promessa. Por ora, o mui promissor e piramidal William Grill. E o seu lápis mágico.

 

 
 
 
 
 
 


 



O embrião, uma nova visão.







Para mais informação, aqui


 

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Introdução à Política.

 
 

Lisboa em Janeiro.

 
Fotografia de António Araújo
 

Natação oriental.

 


De olhos em bico - 3

 
 
 

São Cristóvão pela Europa (53).

 
 
 
 
Igreja da Abadia de Grimbergen, Bélgica, 26 de Julho de 2016
 
Louis-François Métra (1738-1804) foi um jornalista francês, autor da Correspondência literária secreta, em que reproduzia ou imaginava correspondência ou discussões entre vultos célebres do pensamento da época. A sua ousadia levou-o mesmo ao exílio.
Um desses diálogos é entre Diderot (1713-1784) e Voltaire (1694-1778). O tema é Shakespeare.
Diderot defendia acaloradamente o autor inglês, acumulando os traços de génio que justificavam a sua admiração.
Não o compreendo, diz Voltaire com humor, nem compreendo como vocês se apaixonaram por esse farsante. Estou mesmo persuadido que sem hesitar vocês lhe dão a preferência em relação a tudo o que nós produzimos nesse género.
Não, riposta Diderot, não sou suficientemente injusto para comparar o Apolo de Belvedere com o São Cristóvão de Notre Dame. Mas convenhamos que, apesar de todos os seus defeitos, este colosso gótico tem qualquer coisa de venerável e imponente.
Podem dizer-me, interrompe Madame Diderot, o nome do operário que produziu esse monumento?
Não sei, respondeu Diderot após ter procurado lembrar-se durante algum tempo, mas foi um pedreiro, acrescentou.
Ah sim, foi um pedreiro, prosseguiu Voltaire, um pedreiro está muito bem dito!
Sim senhor, repisou Diderot, não era senão um pedreiro, mas os homens mais altos podem passar entre as pernas do seu colosso.
 
Esta discussão foi publicada em 26 de Agosto de 1778. Demonstra como o debate acerca da estátua de São Cristóvão e o seu carácter rude estava bem presente entre os pensadores franceses.
 
José Liberato

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

A História é um lugar estranho (Japão, 1945)

 
 
 
 

Estava a passar por ali e vi um menino de uns dez anos, mais ou menos, com um bebé preso na suas costas. Naqueles dias, no Japão, era uma imagem habitual das ruas: crianças com os seus irmãos pequenos atados às costas. Mas aquele menino tinha algo diferente. Parece que esperava alguma ordem ou a sua vez.

Estava descalço e a expressão de seu rosto era muito dura. A cabeça do seu irmãozinho estava inclinada de lado, num sono profundo. O menino permaneceu assim durante mais de cinco minutos.

De repente, alguns homens vestidos de branco e com máscaras aproximaram-se dele e desataram as correias que sustentavam o bebé. Nesse momento senti um frio na espinha ao dar me conta de que estava morto. Apanharam-no e depositaram-no em cima de uma pira funerária onde queimavam os corpos.

O menino ficou ali, sem fazer um movimento, a olhar as chamas. Mordia o lábio inferior com tanta força que chegou a sangrar. Depois deu meia volta e foi embora sem dizer um A.
 
Joe O’Donnel, autor da fotografia (aqui e aqui)
 
 

Inspiração?

 
Steve McCurry, Afghan Girl, 1985


Santuário Kasuga Taisha, em Nara.








Fotografias de José Nunes Liberato






De olhos em bico - 2

 


De olhos em bico - 1

 



Portugal vai para o estrangeiro.