sexta-feira, 10 de julho de 2020

São Cristóvão pela Europa (114).






O último São Cristóvão que vi foi a 25 de Fevereiro em Tordesillas.

Desde então muito mudou à face da Terra.

Mas a busca não pode parar. Com cuidados, sob protecção, há muito por descobrir.

O regresso ao mundo real, fi-lo na linda cidade de Portalegre.

A Igreja de São Cristóvão, do Século XVIII situa-se numa das elevações junto à cidade. Muitos dizem que o seu mirante oferece um dos mais belos panoramas da cidade. No local existia antes um fortim seiscentista já denominado de São Cristóvão.





A igreja tem no seu altar-mor uma bela imagem de São Cristóvão talvez contemporânea da edificação da igreja:




Num pequeno nicho, outra imagem que, coisa nunca vista e contrariando a iconografia do Santo, é de reduzidas proporções:


E duas imagens mais modernas:




O Culto de São Cristóvão continua a existir em Portalegre.

No último fim de semana de Julho realizam-se habitualmente os festejos. Antes da missa os fiéis provam um bago de uva pois diz-se que nesse dia já se pode avaliar como será o vinho.

Extraordinariamente, no sopé do monte corria o Ribeiro de Baco. E correm lendas sobre a passagem por Portalegre de Lísias, um suposto filho de Baco, lendariamente rei dos Lusitanos.

Fotografias de 21 de Junho de 2020

José Liberato












quinta-feira, 9 de julho de 2020

Heart of Darkness.














A Letter on Justice and Open Debate.







A Letter on Justice and Open Debate


July 7, 2020




Our cultural institutions are facing a moment of trial. Powerful protests for racial and social justice are leading to overdue demands for police reform, along with wider calls for greater equality and inclusion across our society, not least in higher education, journalism, philanthropy, and the arts. But this needed reckoning has also intensified a new set of moral attitudes and political commitments that tend to weaken our norms of open debate and toleration of differences in favor of ideological conformity. As we applaud the first development, we also raise our voices against the second. The forces of illiberalism are gaining strength throughout the world and have a powerful ally in Donald Trump, who represents a real threat to democracy. But resistance must not be allowed to harden into its own brand of dogma or coercion—which right-wing demagogues are already exploiting. The democratic inclusion we want can be achieved only if we speak out against the intolerant climate that has set in on all sides.

The free exchange of information and ideas, the lifeblood of a liberal society, is daily becoming more constricted. While we have come to expect this on the radical right, censoriousness is also spreading more widely in our culture: an intolerance of opposing views, a vogue for public shaming and ostracism, and the tendency to dissolve complex policy issues in a blinding moral certainty. We uphold the value of robust and even caustic counter-speech from all quarters. But it is now all too common to hear calls for swift and severe retribution in response to perceived transgressions of speech and thought. More troubling still, institutional leaders, in a spirit of panicked damage control, are delivering hasty and disproportionate punishments instead of considered reforms. Editors are fired for running controversial pieces; books are withdrawn for alleged inauthenticity; journalists are barred from writing on certain topics; professors are investigated for quoting works of literature in class; a researcher is fired for circulating a peer-reviewed academic study; and the heads of organizations are ousted for what are sometimes just clumsy mistakes. Whatever the arguments around each particular incident, the result has been to steadily narrow the boundaries of what can be said without the threat of reprisal. We are already paying the price in greater risk aversion among writers, artists, and journalists who fear for their livelihoods if they depart from the consensus, or even lack sufficient zeal in agreement.
This stifling atmosphere will ultimately harm the most vital causes of our time. The restriction of debate, whether by a repressive government or an intolerant society, invariably hurts those who lack power and makes everyone less capable of democratic participation. The way to defeat bad ideas is by exposure, argument, and persuasion, not by trying to silence or wish them away. We refuse any false choice between justice and freedom, which cannot exist without each other. As writers we need a culture that leaves us room for experimentation, risk taking, and even mistakes. We need to preserve the possibility of good-faith disagreement without dire professional consequences. If we won’t defend the very thing on which our work depends, we shouldn’t expect the public or the state to defend it for us.

Elliot Ackerman
Saladin Ambar, Rutgers University
Martin Amis
Anne Applebaum
Marie Arana, author
Margaret Atwood
John Banville
Mia Bay, historian
Louis Begley, writer
Roger Berkowitz, Bard College
Paul Berman, writer
Sheri Berman, Barnard College
Reginald Dwayne Betts, poet
Neil Blair, agent
David W. Blight, Yale University
Jennifer Finney Boylan, author
David Bromwich
David Brooks, columnist
Ian Buruma, Bard College
Lea Carpenter
Noam Chomsky, MIT (emeritus)
Nicholas A. Christakis, Yale University
Roger Cohen, writer
Ambassador Frances D. Cook, ret.
Drucilla Cornell, Founder, uBuntu Project
Kamel Daoud
Meghan Daum, writer
Gerald Early, Washington University-St. Louis
Jeffrey Eugenides, writer
Dexter Filkins
Federico Finchelstein, The New School
Caitlin Flanagan
Richard T. Ford, Stanford Law School
Kmele Foster
David Frum, journalist
Francis Fukuyama, Stanford University
Atul Gawande, Harvard University
Todd Gitlin, Columbia University
Kim Ghattas
Malcolm Gladwell
Michelle Goldberg, columnist
Rebecca Goldstein, writer
Anthony Grafton, Princeton University
David Greenberg, Rutgers University
Linda Greenhouse
Rinne B. Groff, playwright
Sarah Haider, activist
Jonathan Haidt, NYU-Stern
Roya Hakakian, writer
Shadi Hamid, Brookings Institution
Jeet Heer, The Nation
Katie Herzog, podcast host
Susannah Heschel, Dartmouth College
Adam Hochschild, author
Arlie Russell Hochschild, author
Eva Hoffman, writer
Coleman Hughes, writer/Manhattan Institute
Hussein Ibish, Arab Gulf States Institute
Michael Ignatieff
Zaid Jilani, journalist
Bill T. Jones, New York Live Arts
Wendy Kaminer, writer
Matthew Karp, Princeton University
Garry Kasparov, Renew Democracy Initiative
Daniel Kehlmann, writer
Randall Kennedy
Khaled Khalifa, writer
Parag Khanna, author
Laura Kipnis, Northwestern University
Frances Kissling, Center for Health, Ethics, Social Policy
Enrique Krauze, historian
Anthony Kronman, Yale University
Joy Ladin, Yeshiva University
Nicholas Lemann, Columbia University
Mark Lilla, Columbia University
Susie Linfield, New York University
Damon Linker, writer
Dahlia Lithwick, Slate
Steven Lukes, New York University
John R. MacArthur, publisher, writer









São Cristóvão pela América (27).






Termino hoje este roteiro pelas imagens de São Cristóvão que repousam nos museus americanos fechados devido à pandemia que nos assaltou este ano.

Por várias razões.

A primeira é que já não é fácil encontrar novas imagens nesses museus apesar de uma investigação minuciosa.

A segunda é que vários museus já estão a abrir.

E a terceira é que não quero cansar os leitores com uma aproximação obsessiva a este tema.

Neste post todas as peças procedem da National Gallery of Art em Washington.

Um detalhe de um altar em Chamoyo, Novo México. Aguarela da autoria da pintora americana E. Bloyd (1903-1974):


Uma gravura representando a virgem, o menino, Santa Ana, São Cristóvão e Santo Erasmo de um anónimo holandês do Século XV:


Uma aguarela do artista americano Majel G. Clafin (1893-1941)



Uma gravura colorida à mão representando São Cristóvão, São Sebastião, a Virgem, o Menino e Santa Ana, Santa Clara e São Roque. De um artista anónimo alemão do primeiro quartel do Século XV:


Uma gravura dos últimos anos do Século XV de um anónimo alemão representando São Cristóvão, São Sebastião e São Roque:


Uma gravura representando Santa Cristina de Bolsena, São Tiago Apóstolo, São Cristóvão, Santa Ana e a Virgem e os Sete Adormecidos de Éfeso. São mencionados os dias do calendário hagiológico: 23, 24, 25 e 26 de Julho. Da autoria do artista francês Jacques Callot (1592-1635):


José Liberato







terça-feira, 7 de julho de 2020

Não insultem a memória.





Há coisas que parecem mentira, mas não são.

A crer nas notícias, a próxima directora do Museu do Aljube – Resistência e Liberdade vai ser Rita Rato Fonseca, ex-deputada do PCP.

Irá substituir o reputado historiador Luís Farinha, que alcançou a idade da reforma, com uma vida dedicada ao estudo da História, em particular sobre o período do Estado Novo.

Agora, perguntais e bem: porquê, Rita Rato? Sim, porquê Rita Rato?

Tem formação académica ou outra em História? Nop.  

Tem obra publicada ou investigação feita nesse domínio? Nada, absolutamente nada.

Tem alguma experiência curricular para o cargo? Niet, nenhnuma, zero.

Então que tem ela, além de uma tremenda lata?

Tem, sem dúvida, uma apreciável dose de ignorância histórica a seu lado.

Mais, Rita Rato, tal qual os alunos cábulas, não sabe História e não se interessa por aprender História.

Uma vez, perguntaram-lhe sobre os crimes do estalinismo. Respondeu a jovem deputada... ouçamo-la, vale a pena:

- Como olha para os erros do passado cometidos por alguns partidos comunistas do Leste europeu?
- O PCP, depois do fim da URSS, fez um congresso extraordinário para analisar essa questão. Apesar dos erros cometidos, não se pode abafar os avanços económicos, sociais, culturais, políticos, que existiram na URSS.
- Houve experiências traumáticas...
- A avaliação que fazemos é que os erros que foram cometidos não podem apagar a grandeza do que foi feito de bom.
- Como encara os campos de trabalhos forçados, denominados gulags, nos quais morreram milhares de pessoas?
- Não sou capaz de lhe responder porque, em concreto, nunca estudei nem li nada sobre isso.
- Mas foi bem documentado...
- Por isso mesmo, admito que possa ter acontecido essa experiência.
- Mas não sentiu curiosidade em descobrir mais?
- Sim, mas sinto necessidade de saber mais sobre tanta outra coisa...

Tinha ela 26 anos, a licenciatura feita em Ciência Política e Relações Internacionais e, pasme-se, nunca tinha ouvido falar do estalinismo e dos seus crimes. Acreditam? 

Questionaram-na também sobre a China. De novo, a ignorância evasiva, obviamente comprometida e de má-fé:
- Concorda com o modelo que está a ser seguido na China pelo PCC?
- Pessoalmente, não tenho que concordar nem discordar, não sou chinesa. Concordo com as linhas de desenvolvimento económico e social que o PCP traça para o nosso país. Nós não nos imiscuímos na vida interna dos outros partidos.
- Mas se falarmos de atropelos aos direitos humanos, e a China tem sido condenada, coloca-se essa não ingerência na vida dos outros partidos?
- Não sei que questão concreta dos direitos humanos...
- O facto de haver presos políticos.
- Não conheço essa realidade de uma forma que me permita afirmar alguma coisa.
- Mas isto é algo que costuma ser notícia nos jornais.
- De facto, não conheço a fundo essa situação de modo a dar uma opinião séria e fundamentada.
- No curso de Ciência Política e Relações Internacionais, não discutiu estas questões?
- Não, não abordámos isto.

Diz-se agora que o júri da EGEAC a nomeou porque ela apresentou um projecto interessante» para o Museu do Aljube. Ei, amigos, estarão a gozar connosco? Não percebem que, com o seu cadastro revisionista, Rita Rato é a última das últimas pessoas a poder ser nomeada para um museu como aquele?

Que isenção tem ela para o lugar, que competência, que experiência? Nada de nada. Consigo traz apenas, dizem, um «projecto interessante».

Vistas as coisas por esse prisma, também o Gulag foi um «projecto interessante». E os milhões de mortos da Coreia do Norte esses, então, são interessantíssimos.

Mas por isso nunca se interessou Rita Rato, que nunca leu nada, nunca estudou nada, não soube nada, não disse nada, um zero completo. Uma mulher que fugiu escandalosa e despudoradamente às perguntas que lhe fizeram sobre questões básicas que têm a ver com História e com Direitos Humanos, a matéria-prima de que é feito qualquer museu de resistência e liberdade digno desse nome.

O Aljube vai passar a ter, coitado, uma directora amnésica. Uma directora ignorante, falsificadora da História e assassina da memória, uma apparatchik que foi tremendamente gozada, e bem, pelo desconcerto completo das suas afirmações sobre Estaline ou a China.  

Dizer que Rita Rato é incompetente seria pressupor que tem um mínimo de competência para o cargo. Não tem. 

E nomeá-la é um insulto grave, um insulto grave aos historiadores e investigadores portugueses, a gente competente e independente, aos cidadãos desta Lisboa, aos resistentes e às vítimas pela liberdade, a todas elas, sem excepção, aos que lutaram e sofreram no Tarrafal, em Auschwitz, no Gulag, na Coreia do Norte, em Hong-Kong, em muitos lugares.

Rita Rato será decerto numa pessoa estimável e com competência para muita coisa.

Mas para dirigir o Museu do Aljube, isso tenham paciência, não, isso nunca, jamais, em tempo algum.       
















Isabel de Portugal.





Santa Isabel de Portugal, uma imagem pouco usual, em leilão, mandada por Rubem Amaral, Jr. (obrigado, Rubem!)










Paragens de autocarro soviéticas: o esplendor do betão.
















                           












segunda-feira, 6 de julho de 2020

Brincar com o fogo.




Não, não é mais uma tirada estraga-festas a ralhar à volta. O fogo do título é fogo mesmo, não do que arde sem se ver. São as labaredas e as cinzas da “flor vermelha dos humanos”, a men’s red flower que é cobiçada e receada no artigo do dia, do Livro da Selva. E a brincar sou eu comigo, com o medo que foi o fogo à porta nos incêndios de 2017, e cresce de novo com as espécies que regressaram a eito, em força e em dobro. 

Daquelas que não só ardem muito como querem arder e assim ganhar terreno sobre as autóctones, que ardem menos, e se foram nele, o fogo.

Entretanto guardo o swing do rei Louis Armstrong, que é o primeiro a dar a voz e o scat ao tema I Wan'na Be Like You, de Louis Prima, numa animação da Disney a partir do livro de Rudyard Kipling.

Logo a seguir, o mesmo tema numa versão mais recente de The Jungle Book, desta vez com o King Louie da história a ser interpretado em modalidade mafiosa por esse gigantopithicus de ator que é Christopher Walken. Sem procurar igualar o swing do antecessor, compensa a rodos na encarnação you-be-do… you-u-uuuu. True-u-uuu.






Manuela Ivone Cunha




domingo, 5 de julho de 2020

Lisboa, Roda de Choro.



São Cristóvão pela América (26).







Ainda do Philadelphia Museum of Art um quadro de autor anónimo:



Também do Philadelphia Museum of Art uma gravura do artista polaco Wladyslaw Skoczylas (1883-1934):


No Seattle Art Museum no Estado de Washington uma gravura do artista russo Mischa Dalnikoff da primeira metade do Século XX:


No mesmo museu uma noz de oração de fabricação flamenga do início do Século XVI. Em madeira de sândalo e marfim:





Do Huntington Museum of Art, no Estado da West Virginia, um óleo de um autor anónimo, oriundo do Peru. Do Século XVII:




José Liberato