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segunda-feira, 6 de dezembro de 2021

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Um grande livro.

 
 
 





Declaração de interesses: o autor (Jorge Lima) é meu amigo, o editor (João Paulo Cotrim, da Abysmo) é meu amigo. Tenho por ambos amizade  e admiração. Agora, negócios: por cada exemplar deste livro que se venda, pelo menos 50 cêntimos irão reverter para o almoço que ambos me irão pagar, espero que o mais brevemente possível.
 
 
 
António Araújo
 
 
 
 
 
 

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Acasos da Comunicação.

 
 
 
 






 
O João pediu-me autorização para publicar uma fotografia que, por um acaso onomástico, foi tirada por outro João. É de acasos onomásticos, deliberados ou involuntários, que trata este blogue, fantástico, que agora descobri. Mensagens de publicidade amadora (ou profissionalmente amadora), avisos e escritos, sínteses do quotidiano, palavras que, estas sim, dizem mais do que mil imagens. As palavras estão lá para dizer o que se pretende («não entre», «não suba», «desça por aqui», «compro» ou «vendo») mas fazem-no de uma forma que ultrapassa a intenção e a pretensão de quem as escreve. De quem as escreve de forma directa e incisiva, assertiva e comunicativa, tendo graça infinita sem desejar tê-lo. Gente que escreve exactamente como pensa, livremente, e no exercício dessa liberdade total, quase anárquica, acaba por dizer mais, muito mais, do que aquilo do que quis pensar e, logo, escrever. As pessoas que escrevem isto são os maiores heróis da liberdade de expressão ou os grandes mártires da comunicação verbal, pois subvertem, com involuntária coragem, a tirania dos códigos e dos cânones linguísticos que nos impedem de escrever exactamente como pensamos. Desenganem-se os que julgam que isto é «Portugal no seu melhor», título de uma rubrica antiga da imprensa, pois o fenómeno do involuntário comunicacional é universal (mesmo que haja uns ditos que só nesta terra soalheira, ainda que endividada, poderiam ser produzidos). O blogue Acasos de Comunicação é fantástico pois mostra o poder das palavras, a sua capacidade mágica de se libertarem das intenções de quem as profere, indo muito mais além, até raiar o melhor dos humores, aquele que é involuntário e sans conscience de soi.  É isso que torna o resultado final tão maravilhoso. Repito, fascinado: o melhor humor é sempre não intencional.
 
 
António Araújo
 
 
 

 
P.S. - obrigado ao João Gama, obrigado à Sofia e ao João Tinoco, obrigado ao Jorge Lima, que ontem lançou ao mundo o seu livro do Dalai Lima e, na sessão de lançamento, recordou o dia em que, na cidade de Coimbra, deparou com um anúncio numas obras que dizia tão-só: «Proibida a Entrada a Pessoas Estranhas». De imediato, e para todo o sempre, o Jorge desejou ardentemente descobrir, talvez beijar, o génio que escrevera aquela frase extraordinária.  Quem fora ele, esse génio? Nunca se sabe. Se o melhor humor é o involuntário, o maior génio é sempre o mais anónimo.
 
 



sábado, 22 de dezembro de 2012

Antes de o mundo acabar.

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Edward Steichen, visitantes da exposição The Family of Man, Moscovo, 1959



 
 
Agora que o mundo acabou já ninguém se vai interessar por isto. E, no entanto, era importante que o povo português soubesse que o poeta Herberto Helder é um infiltrado na Judiciária. Geralmente ouvimos falar de infiltrados da Judiciária. Herberto infiltrou-se na Judiciária (ou, melhor dito, na própria da Judiciária). É Herberto, só podem ser dele, de algum poeta grande, enorme, os nomes das operações – das mega-operações, desculpem – daquela nossa Polícia Judiciária. «Monte Branco», «Operação Furacão», «Apito Dourado», «Avalanche», «Operação Verde», «Remédio Santo»… Quem, se não um poeta, um homem de letras e de elevado espírito, teria tanta imaginação para nomear tanta operação? Talvez um criativo do marketing, shaken, not stirred.

Mas a poesia está na rua. Pacientemente, generosamente, alguns grandes amigos (obrigado, João e Jorge!) foram-me dando, antes do mundo acabar, palavras e frases que encerram um mundo de pensamentos. Para meditarmos em conjunto. A lista é infindável, mas aqui ficam algumas, apenas algumas. Antes de o mundo acabar:   

 
- Conhecer os dossiers
- Ter uma agenda própria
- Ruído mediático
- Opinião publicada
- Fazer o trabalho de casa
         - Correr em pista própria
- Aquilo que está em cima da mesa
- Estou na disponibilidade de
- Espuma dos dias
- Quantitativo exacto
- Tudo a que tenho direito
- Hipotizar
- Abreijos
- Noção das prioridades
- Cortar a direito
- Aderência à tese de
- Pensar fora da caixa
- Ir para a privada
- Fazer o meio-dia da tarde
- Comparar com (Portugal compara bem com a média da OCDE)
- Estar em linha com (Portugal está em linha com a média da OCDE)
- Inverdades
- Lugar de origem
- Ir à procura do/a menino/a (casal que, já tendo filhos de um dado sexo, tem sexo para que venha a ter outro filho de um sexo diferente)
- Fintar o Fisco
- Pagar os quilómetros
- Como agora se diz
- Cabala montada
- Soltar o… que há em mim
- O que me vai cá dentro
- Alavancar
- Gerenciar
- Sinergias
- Meter os papéis
- Ir ao email
- Uma hora pequenina
- Já ter uma pessoa (esse já tem uma pessoa)
- Os supostos
- Os putativos
- Somos supostos
- Deixe-me que lhe diga
- Um abraço do tamanho do mundo
 
 
 
 
António Araújo

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

O genial Dalai Lima.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
O problema dos políticos é que acham que são o povo eleito.
 
 
 
 
 

quarta-feira, 21 de novembro de 2012