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quarta-feira, 25 de junho de 2025

O retrato do jornalismo de imprensa: entre a hecatombe e a determinação da mudança

 


 

Trata-se de um ensaio feito por um jornalista credenciado, trabalho mais do que pertinente, crónica de um desastre anunciado, uma viagem com muitos testemunhos, não se escondem os riscos que impendem sobre a liberdade de expressão, mas o autor manifesta-se esperançoso: “Numa altura em que os jornais parecem moribundos, desacreditados e o saco de pancada onde se descarregam frustrações sociais, espero que este livro possa de alguma forma dignificar a luta de todos os jornalistas que resistem e que continuam a acreditar na profissão, mesmo ameaçados quase diariamente de despedimento. A nossa luta. Coragem, camaradas.” E entramos na leitura, empolgante e movimentada da vida dos jornais, o título do ensaio é O Jornal e o seu autor, Rui Frias, é jornalista, Fundação Francisco Manuel dos Santos, 2025.

Antes de falarmos das redações que estão à míngua, importa passar em revista que já houve o sonho de oferecer jornais grátis, na expetativa de serem pagos pela publicidade, tudo falhou clamorosamente, o digital, com os jornais online e as redes sociais fizeram secar a venda de jornais, estes continuam embaraçados à procura do melhor modelo de negócio que permita assegurar jornais em papel, introduzindo no negócio livros de cultura variada e numa caterva de iniciativas. Mas os números de jornais vendidos diariamente em Portugal são eloquentes: de 315.139 exemplares em 2011 para 108.500 em 2021. O que se passou com o Covid também ajudou à festa, mas naqueles dez anos desapareceram jornais e jornalistas. E continua premente a questão da reinvenção do jornalismo. Rui Frias escreve e ninguém o contesta nesta paisagem desoladora: “Os perigos são óbvios e saltam à vista: crescimento da desinformação, do populismo e de uma certa bipolarização social cada vez mais extremada. E tornam mais necessária do que nunca a intermediação do jornalismo, numa altura em que, paradoxalmente, este se encontra mais fragilizado. Sobretudo entre os jornais, outrora território nacional da grande reportagem, do jornalismo de investigação e das notícias incómodas para os poderes. As redações são debilitadas. Perderam sangue, perderam músculo, perderam massa cinzenta. Das centenas de jornalistas divididos por secções, gabinetes de reportagem, equipas de investigação, especialistas em política, saúde, educação, ciência e ambiente, críticos de arte, literatura e gastronomia que povoaram as redações até ao virar do século, sobram agora na maioria delas, ‘pequenas equipas multidisciplinares’ – como passaram a chamar os gestores -, com gente obrigada a dividir-se entre alhos e bugalhos ao longo do dia, às vezes na mesma hora, para manter a máquina da atualidade a funcionar na voragem do imediatismo digital. Com isso, perde-se, inevitavelmente o rigor, a intermediação, a verdade. E apressa-se o caminho para a morte.” E desfilam os testemunhos, desde os tempos em que os jornalistas não tinham cursos, quando a redação era um ambiente extraordinário. Não são esquecidos os choques tecnológicos, lembra-se a máquina de escrever e a tipografia, as secções regionais e a Sociedade, lembra-se a importância da fundação do Expresso como Público, viragens de significado como também acontecera com o Diário de Notícias, em 1864, marcando a entrada na era do jornalismo industrial. Recorda-se os entusiasmos da década de 1980, a era da liberalização do setor, os novos títulos, a atração pelos assuntos europeus, a proliferação dos enviados especiais e, de repente, o choque com a informação na hora, a crescente capilaridade na internet, o aparecimento da redação digital dos jornais, até a ilusão de que se poderia replicar no digital o modelo de negócio que suportara o jornal em papel. Tudo mudou: “Em pouco mais de dez anos, os jornais feitos com jornalismo de rua, reportagem no terreno, contactos diretos, relacionamento com as fontes e tempo para cruzar informação deram lugar a sites alimentados ao minuto por notícias de agências acabadas de chegar, soundbytes apanhados nas televisões e fait-divers com potencial para viralizar nas redes sociais replicados há exaustão por todos os órgãos de media, sem tempo para se zelar minimamente pela veracidade dos factos.” É o triunfo do tabloide, entretanto acentua-se a crise financeira, já tinham morrido os jornais vespertinos, os despedimentos coletivos nunca mais pararam, os jornalistas tornaram-se precários, os jornalistas procuraram mudar de profissão (num estudo do Instituto de Ciências Sociais da Universidade Nova de Lisboa sobre os jornalistas, em 2021, dos cerca de 800 jornalistas inquiridos, metade ganhavam menos de mil euros).

O relacionamento do jornalista com o mundo faz-se, regra geral, com recurso à prótese digital. “Se os jornalistas nas redações são hoje metade (ou nem isso) do que eram no final do século passado, agora cada jornalista tem pelo menos dois monitores na sua secretária, dividindo-se entre plataformas, sites, agências, cada vez mais amarrado à cadeira e de olhos fixados nos ecrãs.”

Rui Frias não esquece de fazer a apologia do jornalismo investigativo, lembra o caso Watergate, hoje em dia uma raridade, conta mais histórias de camaradas que procurar medrar no jornalismo de investigação, a necessidade de ter tempo para escutar as fontes, para conviver com as pessoas. E chega a hora de abandonar o ritmo das penúrias e vocações que sucumbem para acende o facho da esperança, tocar a trombeta da inovação em tempos de crise, seguem-se depoimentos de quem se lançou na aventura, caso dos jornais locais, projetos a evoluir para o jornalismo de investigação, fazendo ganhar a confiança dos leitores usando da transparência, trocando a velocidade pela profundidade, fazendo recurso de media multiplataformas (papel, áudio, vídeo, redes sociais…) usando podcasts ativos. Como alguém observa ao autor: “O jornalismo é cada vez mais um serviço em constante mutação de produtos. E o que nós tentamos é ter um serviço completo, que cruze variadas dimensões. Os jornais ganham com a multiplicidade de plataformas para chegar aos leitores, ou ouvintes, ou o que seja. Precisamos de ter uma componente 360 graus, para que as pessoas que estão do outro lado possam chegar até nós da forma que mais gostam.”

É nesta constante luta pela sobrevivência que ganha realce a inovação. Diga-se o que se disser, a missão dos jornalistas está mais atual do que nunca, a despeito dos despedimentos e da falta de salários. E assim o autor se despede: “Continuo a acreditar que o bom jornalismo pode mudar o mundo.”

De leitura obrigatória.

 

                                                    Mário Beja Santos




terça-feira, 8 de março de 2022

Ucrânia: sugestões de leitura (2).




Ucrânia: sugestões de leitura (2)

 

 

          Das muitas questões faladas na última semana, algumas sugestões de leitura:

 

·       Energia: a dependência europeia do gás e do petróleo russos – de que, a propósito do Nord Stream, falei num texto saído no Diário de Notícias, «Audácia (ou falta dela)» – tem estado na ordem do dia, com alguns economistas reputados, como Ricardo Reis, a defenderem a suspensão imediata de todos os fornecimentos russos à Europa. A questão é técnica e complexa e, por isso, aconselho a leitura deste relatório da Agência Internacional de Energia, que sustenta não ser exequível uma medida tão drástica no curto prazo, mas faz 10 sugestões para que, em 2023, tenham reduzido substancialmente a nossa dependência energética perante a Rússia. Também aconselho muito a leitura de vários textos na página do think tank Bruegel, sobretudo este, que defende que poderemos, desde já, abdicar do gás russo no próximo Inverno, ainda que a grandes custos. A conclusão parece óbvia: a melhor forma de ajudarmos a Ucrânia e combatermos Putin é, de longe, pouparmos os nossos consumos energéticos (sobretudo para quem viva na Alemanha ou no centro da Europa).

 

·       Vladimir Putin – sendo o regime russo uma autocracia unipessoal, a psicologia do ditador é mais relevante do que podemos pensar. No Observador, uma extensa e interessante reportagem de Tânia Pereirinha sobre o assunto. Também no Observador, um impressionante (e revoltante) dossiê sobre as cumplicidades russas do ex-chanceler alemão Gerhard Schroeder, entre outros. 

 

 

·       Do lado de lá – muitos têm insistido na necessidade de perceber o ponto de vista russo, o que sem dúvida é inteligente e prudente, desde que, à conta desse exercício, não nos convertamos em agentes da propaganda do Kremlin; uma coisa é conhecer as razões do inimigo, outra é divulgá-las como nossas, nuance que tem escapado a alguns generais-comentadores nas televisões portuguesas, alvo de uma oportuna reportagem no Expresso, da autoria de Vítor Matos. Assim, e para quem quiser ter uma pálida noção do modo como Putin criou uma vasta rede de influência para divulgar o seu pensamento geoestratégico, nada como explorarmos a página do Clube de Valdai, sendo muito curioso ver os papers que têm sido produzidos nos últimos dias. Também muito interessante a página do RIAC, o Conselho de Assuntos Internacionais da Rússia, que, de uma forma aparentemente «sofisticada» e «académica», propagandeia as teses de Putin. Em contraste, e porque o «ponto de vista do outro» não é só o do Kremlin, é interessante ir acompanhando as notícias e os comentários do The Kyiv Independent e do The Moscow Times.

 

 

·       E depois? – são muitos os cenários de futuro e, sobre eles, um excepcional mas não muito animador ensaio de Liana Fix e Michael Kimmage, «What If Russia Loses? A Defeat for Moscow Won’t Be a Clear Victory for the West», na Foreign Affairs.

 

Boas leituras.

 

António Araújo







quarta-feira, 23 de junho de 2021

Artin Iran-Nejad (2019-2021).




 

Artin Iran-Nejad. Podia ser nosso, vosso, de todos. Mas não é, porque morreu. («Desastres Naturais», no Expresso, aqui)




 



terça-feira, 24 de novembro de 2020

are you talkin' to me?

 

Ilustração de Vítor Higgs


Are you talkin’ to me? – segunda e última parte de uma longa digressão pelo filme Taxi Driver. Em Péssima Companhia, no Diário de Notícias, aqui

 





terça-feira, 17 de novembro de 2020

coisas que talvez sejam importantes





 


          Há três dias, 15 países da Ásia e da Oceânia firmaram o maior acordo comercial do mundo. As negociações remontam a 2012 e o acordo irá abranger, read my lips, 2.100 milhões de consumidores. O  equivalente a, read my lips, 30% do PIB mundial.

          OS EUA estão de fora, em mais um desastre de Trump, mas esta associação compreende: a China, a Índia, o Japão, a Austrália, a Nova Zelândia, a Indonésia, a Tailândia, Singapura, a Malásia, as Filipinas, o Vietname, o Camboja, Laos, o Brunei…

          Vão ser eliminadas as barreiras alfandegárias em 90% dos produtos comerciados nessa zona gigantesca.

          Perante isto, o que diz a União Europeia?

          Que dizem os EUA a esta alternativa ao defunto TPP, de Barack Obama?  

      O facto foi noticiado muito en passant nos nossos jornais – Público, Diário de Notícias, Observador, etc.

        Sobre isto, que dizem os comentadores nacionais? Que pensamento têm produzido, que ideias nos têm trazido?

          Abrem-se os jornais, há muito artigo e muita opinião sobre os «liberais» e os  defensores do Chega, pouca ou nenhuma coisa sobre como será o mundo nascido dos escombros da Covid e como poderão a Europa, os EUA e o Ocidente lidar com a hegemonia da China, que a pandemia, Donald Trump e tudo o mais vieram adensar brutalmente. Notícia de há um mês, na Timehttps://time.com/5901227/china-gdp-growth-covid-19/

          Sobre isso, que ideias, que opiniões, que simples informações lemos nos nossos jornais?

          Pois.

Depois, admirem-se – e chorem muito a «crise da imprensa».

 










segunda-feira, 9 de novembro de 2020

América, um problema de todos.



 Ilustração de Vítor Higgs


    «América, um problema de todos» – mais actual é difícil. Norman Rockwell, Ruby Bridges e os USA, tudo em Péssima Companhia, no Diário de Notícias, aqui

 










sexta-feira, 11 de setembro de 2020

Todos Charlie?



 

No julgamento da matança no Charlie Hebdo, alguns sobreviventes do jornal iconoclasta denunciaram o «estalinismo mental» de algumas personalidades e publicações, como o Le Monde Diplomatique, responsáveis, segundo eles, por uma criminosa complacência para com o terrorismo de inspiração islâmica. E agora, somos todos Charlie?  





segunda-feira, 7 de setembro de 2020

A feira dos mitos.



Ilustração de Vítor Higgs

 

Hemingway e os touros de San Fírmin, a génese de Fiesta. Em «Péssima Companhia», no Diário de Notícias, aqui.












terça-feira, 21 de julho de 2020

O fim de Freud.



Ilustração de Vítor Higgs




Freud, a caminho de Londres e do fim. Em «Péssima Companhia», no Diário de Notícias, aqui







sábado, 11 de abril de 2020

A capa do Expresso.




          A capa da revista E, do Expresso de 4 de Abril de 2020 provocou muitos comentários negativos nas redes sociais por se considerar que compara o presidente da República e o primeiro-ministro portugueses a Winston Churchill, primeiro-ministro britânico durante a II Guerra Mundial.

          O texto inscrito na capa estimula, efectivamente, essa comparação: «Winston Churchill tornou-se um herói devido à II Guerra Mundial. Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa são líderes à altura desta pandemia?». Embora na forma interrogativa, a comparação existe no facto de a segunda frase estar a seguir à primeira, criando uma falácia consequencial: a frase B é consequência da frase A, caso contrário não estaria a seguir à primeira. Deste modo, o convite à comparação está presente: neste pequeno texto, a revista do Expresso considerou apropriado que o líder britânico (e mundial) na guerra de 1939-45 seja tomado como exemplo (hipotético, dada a interrogativa) para os leitores considerarem Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa como «heróis» «à altura» de Churchill. Ao mesmo tempo, a revista considera legítimo que se considerem no mesmo patamar líderes, quaisquer que sejam, em tempo de guerra real e líderes em tempo de «guerra», com aspas, como tem sido considerada a pandemia e a consequente coronacrisis. A hipótese do jornal é também atrevida por permitir-se imaginar essa comparação entre um líder de uma guerra que já terminou, que pode ser avaliada historicamente, e uma crise que não estará ainda a meio. Quer dizer, permite-se comparar uma avaliação do passado com uma avaliação do futuro, o que em termos científicos é um erro inaceitável e e termos jornalísticos é um erro gritante, se bem que prática comum do jornalismo desde há pelo menos uma década.

          Como acontece na imprensa, o texto remete para o interior, para artigos de Henrique Monteiro e de Ângela Silva (esta uma espécie de porta-voz de Marcelo Rebelo de Sousa na imprensa), textos que não analiso, porque analiso apenas a capa, que revela a ousadia de comparar os dirigentes políticos portugueses a Churchill.

          Essa ousadia é mais forte ainda na ilustração, porque a ilustração não implica a interrogação presente no texto verbal.

          A fotomontagem mostra uma fotografia de Churchill em plano médio aproximado, com o preto e branco acrescentado no fundo negro, a conotar o passado. Embora não seja possível verificar se o negro do fundo faz parte da fotografia original ou se foi acrescentado, pode dizer-se que ele serve os efeitos desejados pela capa, de transmitir um momento difícil («negro»), de concentrar toda a luz, e assim a atenção, na figura de Churchill e de o associar ao passado e a um passado para ser tomado como realista, dada a ligação que, historicamente se veio a atribuir, até hoje, entre o «realismo» e o preto e branco. Se aí temos o passado, o presente é dado aos leitores pela presença e pela cor da máscara acrescentada a Churchill. A máscara é um índice da actual pandemia.

          Churchill está, pois, de máscara antivírus, isto é, o leitor é confrontado com uma imagem do que nunca aconteceu na realidade, com uma falsificação histórica ao serviço de um conjunto de ideias. É uma falsificação porque nunca existiu; e é ao serviço de uma ideia, porque pretende transmitiu ideias através da junção da máscara a Churchill.

          Quais são essas ideias?

          Em primeiro lugar, que a pandemia e a coronacrisis se assemelham à II Guerra Mundial.

          Em segundo lugar, que quem se destaca(r) na coronacrisis é comparável a quem se destacou como líder na II Guerra Mundial.

          Em terceiro lugar, numa consideração multimodal (imagem e texto verbal), que Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa são comparáveis a Churchill. Se o texto verbal, se fica pela interrogativa (a revista não quis exagerar no texto verbal, que é mais facilmente desmontável criticamente por qualquer um), a junção da imagem e do texto transforma a frase verbal numa afirmação: quem lidera durante a coronacrisis é comparável a Churchill.

          Acrescento dois aspectos contextuais.

          Em primeiro lugar, não só Churchill nunca terá usado uma máscara daquelas (não há fotografias de Churchill com uma), como Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa, se a usaram, foi em raríssimas situações pontuais (visitas a empresas ou hospitais). Não a usaram em reuniões com mais ou muito mais de cinco pessoas, como as duas já realizadas no Infarmed. Como sabemos, Portugal não dispõe de máscaras suficientes nem para o pessoal hospitalar na luta contra a pandemia, quanto mais para a população.

          Em segundo lugar, a glorificação do presidente e do primeiro-ministro tem sido uma marca constante dos media do grupo Impresa, com destaque para o Expresso e para a SIC. Esta comparação verbal-visual de ambos com Churchill na capa da E, que considero um vómito, faz parte dessa linha editorial tornada notícias e reportagens.

          Em terceiro lugar, numa nota pessoal, pareceu-me, quando vi a capa pela primeira vez, que a revista censurava Churchill, calava-o com uma mordaça. Sendo ele um defensor acérrimo da liberdade de expressão e de imprensa, o que não acontece com tanta gente em Portugal, incluindo alguns líderes, afligiu-me.



Eduardo Cintra Torres
















segunda-feira, 30 de março de 2020

Mau gosto.





Uma agência de publicidade chamada Studio Nuts tem publicado nos nossos jornais versões portuguesas deste anúncio que é, convenhamos, bastante silly e de um péssimo gosto. Para captar a atenção do cidadão, proclamam que os funcionários da empresa ficaram todos contaminados, como se tivesse graça – e não provocasse vítimas, vítimas mortais. Depois, no corpo do texto, tranquiliza-se o leitor pasmado, sossegando-o com os dizeres «calma, na verdade nenhum dos nossos colaboradores contraiu literalmente o vírus». Que gracinha… deviam dizer: calma, na verdade nenhum dos nossos colaboradores contraiu ainda o vírus. É que um, dois, vários ou todos os palermas Studio Nuts podem muito contrair o vírus e, sei lá, morrer sozinhos, ligados a um ventilador, se o houver, na completa solidão, mesmo no momento do funeral. Se os palermas Studio Nuts acham que se pode brincar e fazer teasers com uma coisa destas, os jornais que os publicam deviam limpar as mãos à parede (mas com luvas, faz favor).








domingo, 29 de março de 2020

Novas do Paleolítico.






          Na última edição do Sol, José António Saraiva alcançou o prodigioso cume de, no caderno principal, desvalorizar a Covid-19 («tenhamos calma. Aqueles que compararam o covid-19 a “uma simples gripe” não eram assim tão parvos como parece»), e, na revista, interrogar-se sobre se a Covid-19 representará: «O fim de uma civilização?». Responde o Arquitecto-Apocalíptico: «Não sou dado a acreditar em castigos divinos, mas há muito que se percebia que a nossa civilização caminhava contra uma parede».

          Tudo isto se processa, atentai, na mesma edição do mesmo jornal. Numa página, pouco mais do que uma gripe. Noutra página, o fim da civilização. No meio, um idiota.






















quarta-feira, 11 de março de 2020

quarta-feira, 4 de março de 2020

Péssima Companhia (mesmo).



Ilustração de Vítor Higgs




O uso de máscaras correu mundo: desde os polícias de Washington aos vendedores de jornais de Manitoba, passando pelos caixas dos bancos australianos, muitos foram obrigados a tapar o rosto.
A Grande Gripe, crónica sobre a pneumónica no Diário de Notícias, aqui












quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

A cor da nostalgia

 
 


















 
 
Não, não são as imagens macabras de Ingrid Escanilla – e acho que deviam ver quem é, ou foi até há dias, Ingrid Escanilla. Mas, como disse a Elena Piatok quando me mandou estas imagens, vindas do El País, o México, o seu amado México, não é só uma terra feminicida. É muito mais do que isso, é o país do maior mercado de comida do mundo, Central de Abasto, aqui exibido num colorido de fazer doer a vista – e, para a Elena, de fazer doer um coração imenso, mas cheio de saudades.