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quinta-feira, 23 de abril de 2026

São Cristóvão pela Europa (353).

 


 

Continuando na província de Salamanca, agora na sua parte Sul, Beleña é um pequeno município situado em planalto. Sendo plano, atinge altitudes entre 800 e 900 metros.

Uma estátua de São Cristóvão foi criada por um artista local usando betão e cimento branco. Localiza-se junto à estrada com a intenção de proteger os condutores que passam.

A igreja, muito simples, é dedicada também ao nosso Santo. No interior, uma imagem que mal se consegue descortinar na fotografia.

 




 Ainda mais a Sul, fazendo já fronteira com a Província de Cáceres, situa-se Montemayor del Rio.

Nesta região passava a Via da Prata, caminho que ia de Astorga até Mérida. Segundo a tradição por aqui andaram Viriato, Sertório, até Aníbal Barca, o general Cartaginês.

O Castelo medieval de São Vicente, também chamado Castelo do Paraíso, do final do Século XIII, avulta na paisagem. Foi edificado certamente sobre fortificações anteriores

A Igreja de Nossa Senhora da Assunção é uma igreja construída em granito no Século XIII na transição do românico para o gótico. Possui um fresco representando São Cristóvão um pouco deteriorado.

 





Zamora é uma cidade importante na História de Portugal, em especial nos seus primórdios.

D. Teresa, mãe de D. Afonso Henriques, foi Senhora de Astorga e Zamora a partir de 1111. Passou aliás a usar o título de rainha desde essa altura.

Provavelmente em 1125, fez recentemente 900 anos, o jovem Infante D. Afonso Henriques investiu-se como cavaleiro. Dizem os Anais de D. Afonso, rei dos portugueses, transcritos por José Mattoso na sua biografia de D. Afonso Henriques:

Era de 1163 (ou seja 1125). O ínclito Infante D. Afonso, filho do Conde D. Henrique e da rainha D. Teresa, neto de D. Afonso, tendo cerca de 14 anos de idade (teria 16), estando na Sé de Zamora, no dia Santo de Pentecostes, tomou de cima do altar as armas militares e vestiu-se e cingiu-se a si próprio diante do altar, como é costume fazerem os reis. Vestiu-se com a armadura como o Gigante, pois era grande de corpo, e cingindo-se a si próprio com as armas para as batalhas, tornou-se nos seus actos, como um leão e como a cria do leão que ruge na caça.

Foi um primeiro momento de afirmação real de D. Afonso Henriques, três anos antes da batalha de São Mamede. Aconteceu em Zamora porque estava em território de sua mãe. Evidentemente que há que ter em conta que os Anais, escritos em 1185, são um panegírico do nosso primeiro rei.

Em 4 e 5 de Outubro de 1143, o Cardeal Guido de Vico (natural de Pisa, cardeal desde 1130, participante em na eleição de pelo menos três papas) encontrou-se em Zamora com Afonso VII de Castela e Leão e Afonso Henriques. Foi a chamada Conferência de Zamora.

Nessa conferência, de que não existem registos escritos, D. Afonso Henriques estabelece uma relação directa com a Igreja de Roma, ao mesmo tempo que vê Afonso VII reconhecê-lo como rei e afirmar-se como Imperador, dignidade superior à de Rei.

É indiscutivelmente um momento fundador da nacionalidade portuguesa.

A construção da Catedral de Zamora, tal como a conhecemos hoje, iniciou-se por volta de 1139, o que significa que a mencionada investidura de D. Afonso Henriques como cavaleiro ocorreu provavelmente na sua anterior configuração.

No seu interior, uma magnífica pintura mural de São Cristóvão, da autoria de Blas de Oña, pintor documentado entre 1531 e 1543.




 

                                                Fotografias de 3 e 4 de Abril de 2026

                                                                                      José Liberato





sexta-feira, 17 de abril de 2026

São Cristóvão pela Europa (352).

 

 

 

Entre 2 e 4 de Abril percorri as províncias espanholas de Salamanca e Zamora. Infelizmente, encontrei muitas igrejas fechadas mesmo em tempo de Semana Santa.

Ciudad Rodrigo, a 30 quilómetros da fronteira, sempre foi uma das praças fortes que defendiam a Espanha de incursões dos seus vizinhos ocidentais. Nas guerras peninsulares do início do Século XIX aqui se travaram importantes batalhas, algumas com incidência em Portugal como a que ocorreu no início da Terceira Invasão Francesa, atrasada em consequência da resistência da cidade.

A Igreja de São Cristóvão, muito antiga, mas reconstruída no Século XVIII, possui uma imagem barroca do nosso Santo em madeira policromada da época da reconstrução, integrada num altar-mor bem mais recente, já do Século XX. Tem uma originalidade: o Menino Jesus está ás cavalitas quando normalmente se apoia apena num dos ombros do Santo.

 





Nos arredores de Salamanca, a Igreja da Exaltação da Santa Cruz em Palencia de Negrilla é de origem românica e do Século XII. Foi reformada no Século XV sendo dessa época um belo portal de estilo gótico hispano-flamenco.

Notável é o retábulo do altar-mor, uma obra datada de 1599, que inclui uma imagem de São Cristóvão.

 





                                                            Fotografias de 2 de Abril de 2026

                                                                                            José Liberato




segunda-feira, 30 de março de 2026

São Cristóvão pela Europa (351).

 

 

 

Surpreendentemente, e graças aos amigos do Malomil que felizmente me dão muitas sugestões encontrei mais dois São Cristóvãos nada mais nada menos do que em Lisboa.

O primeiro encontra-se no Museu da Fundação Ricardo Espírito Santo Silva.

Trata-se de uma pequena (21 centímetros) aguarela representando o nosso Santo com a inscrição S. Christophorus, M, ou seja, São Cristóvão, Mártir. Decora o chamado Quarto D, Maria I. Desconhece-se quase tudo sobre o pequeno quadro a não ser uma inscrição feita na parte de trás:

Este quadro servia (?) à Exma. e Rema. Sra. Madre Antónia Margarida Peres, Religiosa da Visitação de Santa Maria de Lisboa em 12 Novembro de 1873.

O recheio do Convento de Nossa Senhora da Visitação em Lisboa foi objecto de um leilão em 1914 devendo esta peça ser dele proveniente.

 




No centro do Paço do Lumiar em Lisboa, uma pequena igreja é dedicada a São Sebastião. Construída no início do Século XVI, sofreu diversas remodelações ao longo da História. Ostenta um portal manuelino.

Ainda há pouco tempo, a igreja encontrava-se rodeada por todos os lados por faixas de rodagem.

No interior, um magnífico painel seiscentista de azulejos polícromos representa São Cristóvão. As cores são o azul, o manganês, o ocre e o verde. O painel é rico em paisagens.

 



                                            Fotografias de 20 de Fevereiro e 29 de Março de 2026

                                                                                                             José Liberato





domingo, 8 de março de 2026

São Cristóvão pela Europa (350).

 

 

 

Terminadas as digressões pelo Centro da Europa, voltemos ao nosso querido Portugal. E ao Norte.

 

Em Gondomar, a Igreja Paroquial é dedicada a São Cosme e São Damião, os dois santos gémeos e médicos. A igreja é barroca, construída na primeira metade do Século XVIII. A torre sineira permite uma passagem.

Numa remodelação infeliz no início do Século XX desapareceram paredes inteiras de azulejaria. Subsiste um belo painel representando São Cristóvão.

 




 Na freguesia de Antas, concelho de Esposende, existe uma pequena ermida de São Cristóvão. Originalmente dedicada a Nossa Senhora da Portela, não se conhece como passou a ser de São Cristóvão. Se hoje está longe dos olhares dos passantes, anteriormente podia ser facilmente avistada de quem se dirigia da Póvoa de Varzim para Viana do Castelo.

Segundo o historiador Penteado Neiva, que teve a gentileza de me acompanhar na visita (juntamente com os Presidentes da Câmara e da Assembleia Municipais), esta deve ser a mesma capela da Senhora da Portela fundada em 1553 pelo proprietário da quinta da Portela, o abade de Santa Leocádia de Geraz do Lima.

Ao longo dos anos, discutiu-se a manutenção do edifício, a falta de recursos para a realizar, a conveniência de a deslocar para outro lugar. Mas sempre resistiu. Está na posse da mesma família desde 1887.

No interior, uma imagem de São Cristóvão de madeira policromada de autor desconhecido e do Século XIX. Tem duas características diferenciadoras. Em primeiro lugar, a sua dimensão de 68 centímetros não corresponde ao padrão gigantesco habitual. Por outro lado, o Menino Jesus assenta no braço direito do Santo e não no ombro.

 



No concelho de Vizela situa-se o santuário de São Bento das Pêras, local de peregrinação e de belas vistas.

No interior da Igreja principal, já do Século XX, uma imagem do nosso Santo.

 




                                                                Fotografias de 31 de Janeiro de 2026,

                                                                                                     José Liberato


segunda-feira, 2 de março de 2026

São Cristóvão pela Europa (349).

 

 

 

Termino hoje o relato da minha digressão pela Áustria durante o último Verão.

A abadia beneditina de São Lambrecht é um dos mais importantes mosteiros da Áustria. Foi fundada em 1076 e a basílica românica consagrada em 1160.

As suas vastas instalações foram confiscadas pelas autoridades nazis em 1938. Quatro anos depois aqui foram instalados campos de concentração.

Pela sua dimensão e qualidade destaca-se, no seu interior, um fresco representando São Cristóvão, datado de 1360. As suas pernas foram obliteradas com a pintura de frescos sobre o ciclo da Paixão.

 



 

Voltei à Igreja Paroquial da Natividade de Maria em Schöder, já aqui mencionado no Malomil, para descobrir um fresco espantoso. Se no fresco de São Lambrecht faltam as pernas, neste só subsistem mesmo as pernas,,,

 



Finalmente, a cerca de 1800 metros de altitude, no Sölkpass, uma passagem entre as montanhas desde tempos imemoriais, foi construída uma pequena capela. No seu interior, um vitral do nosso Santo.

 




                                                         Fotografias de 29 de Agosto de 2025

                                                                                               José Liberato





sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

São Cristóvão pela Europa (348).

 

 

 

Uma das maiores dificuldades de fazer roteiros como este é encontrar os edifícios abertos. As igrejas, em especial, estão cada vez mais tempo fechadas de forma a evitar roubos e depredações.

Foi por isso muito valioso ter o apoio de uma adepta incondicional do Malomil, Elisabeth que, a partir do Palácio de Gusterheim, me ajudou a abrir igrejas e conventos por toda a Estíria. Muito lhe agradeço.

Voltei a Judenburg, cidade cujo nome provocou certamente muita urticária aos nazis aquando do Anschluss. O que é curioso é que estando planeada a mudança do nome para Adolfburg, essa mudança nunca chegou a concretizar-se.

Nos arredores, a Igreja de Santa Madalena, de estilo gótico, é de cerca de 1350. No exterior um fresco de meados do Século XV.

A zona esteve a seguir à II Guerra Mundial sob ocupação britânica. Esta ocupação parece ter sido apreciada pelos austríacos que viram a igreja ser restaurada pelas forças de ocupação. Menos felizes foram cerca de dois mil cossacos que, tendo combatido pelos alemães, foram aqui entregues pelos britânicos aos pelotões russos de execução.

 




A igreja de Santo André de Baumkirchen no município de Weisskirchen, distrito de Murtal, é das tais que se encontra sempre fechada.

Documentada desde 935, reconstruída cerca de 1480, acabou por ser dessacralizada e serviu como celeiro. Só em 1900 voltou a ser consagrada. Os frescos góticos foram redescobertos nos anos 80 do Século XX.

O primeiro é um São Cristóvão que foi objecto de uma extensa restauração no Século XX.

O segundo é um notável fresco datado de 1518 dos catorze santos auxiliares encimados pela Santíssima Trindade. Entre os catorze, o nosso Santo.





 

Finalmente, e já no distrito de Murau, a Igreja de Santo Egídio de Zeutschach foi consagrada em 1189 e pouco mudou desde então. Está decorada na sua fachada por uma espécie de graffiti da autoria de R. Krenn, datado de 1980.





                                            Fotografias de 29 de Agosto de 2025

                                                                                 José Liberato




terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

São Cristóvão pela Europa (347).

 

 

 

Prosseguindo no Estado austríaco da Estíria, explorei o distrito de Leoben.

Em Trofaiach, a igreja de São Ruperto é do Século XIII. O seu interior contem um fresco representando São Cristóvão, pintado no Século XV. Faz parte daqueles frescos que foram ocultados ao longo do tempo. Só foi redescoberto em 1961.

 




Em St. Michael in Obersteiermark, outra igreja muito antiga, dedicada a Santa Walpurgis, foi construída em 1070. No exterior um mural do nosso Santo de cerca de 1520.

 



 

 Já no distrito de Murtal, a igreja paroquial de Feistritz bei Knittenfeld é dedicada a São João Baptista e a São João Evangelista. No exterior, um São Cristóvão barroco provavelmente pintado em cima de um gótico.

 



                                    Fotografias de 28 de Agosto de 2025

                                                                         José Liberato