(o que eu não dava para ir a Londres...)
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quarta-feira, 11 de março de 2020
domingo, 31 de março de 2019
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019
sexta-feira, 25 de janeiro de 2019
Os camelos de Londres.

Não,
não é sobre os responsáveis pelo Brexit. Mas há muitos camelos em Londres. Um
deles, majestoso, no Albert Memorial, na estátua dedicada a
África, e o monumento também tem um elefante, como sabem, figurando a Ásia.
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William Theed (1804-1891), Africa, no Albert Memorial
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E
também há belos dromedários no Animals in War Memorial, em Park Lane.
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Animals in War Memorial, 2004
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Londres
é, aliás, das cidades com mais bicharada, como pude aperceber-me ao ler um encantador
guia intitulado Animal London, de Ianthe Ruthven.
Na
portada do livro The People of the Abyss,
de Jack London, autor do inesquecível Apelo
da Selva, surge uma fotografia tirada no princípio do século XX (o livro é
de 1903). E lá estão os sem-abrigo sentados ao nevoeiro no banco com os camelos
que está ali, no Victoria Embankment, junto à estátua, também com camelo, que
homenageia as tropas do Imperial Camel Corps, feita pelo major Cecil Brown (aqui). Para uma história desse banco, criado pelo arquitecto George John Vulliamy (1817-1886), ver aqui. Antes disso, e retirados daqui, mais alguns:
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Regent Street
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Manchester Free Trade Hall
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Banco no Victoria Embankment
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Imperial Camel Corps Memorial
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India House, Aldwich
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Prédio em Eastcheap
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Para
não ficarmos por aqui, camelos num emblema/brasão da India House, em Aldwych (onde também há elefantes!), e
num baixo-relevo em Eastcheap, feito em 1884 por William Theed the Younger,
que foi também o autor escultor do camelo do Victoria and Albert Memorial. Um
homem que gostava muito de camelos, está visto. Como eu.
terça-feira, 15 de janeiro de 2019
segunda-feira, 7 de janeiro de 2019
Onde se fala de Shakespeare, elefantes e Charlie Chaplin.
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Londres, Elephant and Castle
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A
cena passa-se na Ilíria, nos Balcãs, mas uma das coisas mais deliciosas de
William Shakespeare (e de Eduardo Pitta, outro clássico) são estas misturadas baralhadas entre a realidade próxima e territórios ou
épocas distantes. Neste caso muito concreto, o Bardo falava dos «Elephant
Lodgins», uma hospedaria da capital britânica denominada «Elephant and Castle».
Daí derivou o nome da área londrina conhecida justamente por Elephant and Castle – e à entrada do democrático metropolitano lá está uma horrível estátua
de um elefante com um castelinho, a jeito de Joaninha Vasconcelos mas imprópria de um país que tem belíssimas e
antiquíssimas figurações de elefantes com castelinhos, como a que está num
cadeiral do coral da catedral de Chester, do século XIV, e outra, antiga, na catedral de Exeter (onde também há um elefante mais recente num banco catedralício), e ainda outras duas na catedral de Ripon, Yorkshire.
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Catedral de Chester
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Catedral de Exeter
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Catedral de Exeter
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Catedral de Ripon, Yorkshire
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Catedral de Ripon, Yorkshire
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Não
se descarta a hipótese, ventilada pela frondosa Wiki,
de o nome ser uma corruptela de «Infanta de Castilla» e, portanto, nada ter a
ver com elefantes e castelos. É possível. Mas também é possível que, em lugar
de damas espanholas, a origem de tudo seja mesmo um elefante com uma torrinha
(a houda ou howdah), e o que para lá
existiu ou existe de elefantes, em teatros e pub’s, é algo de estarrecer. Existe
inclusive uma rede de pub’s que tem esse nome, estando espalhada pelo Reino
Unido – e até em Dublin existe um «Elephant and Castle», lamentavelmente em
queda para o fast food.
Mas foi ali,
ao sul de Londres, que nasceu o primeiro pub Elephant and Castle, não se
sabendo bem o que motivou o proprietário a escolher tal nome. É possível que se
tenha inspirado no emblema e brasão da Worshipful Company of Cutlers, a guilda responsável por regular
e organizar o fabrico de armas e cutelaria, onde o marfim era vulgar (http://www.cutlerslondon.co.uk/hall/).
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Cutler's Hall, porta de entrada
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Há quem afirme aqui que
tudo também pode ter derivado do famoso elefante que Luís IX de França ofereceu
a Henrique III e que foi parar à Torre de Londres, mas sobre esse, porque há
tanto e muito para dizer, gostaria de escrever um dia, com mais vagar e detença. Já que não falamos do elefante da Torre (de Londres), um breve apontamento sobre a Torre do Elefante, ou melhor dizendo as torres com esse nome, porquanto há uma em Cagliari, na Sardenha, muito medieva (aqui), e outra em Bangecoque, assaz vanguardista (aqui).
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Torre dell'Elefante, Cagliari, Sardenha, século XIV
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Elephant Tower (ou Elephant Building), Banguecoque, 1997
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Charlie Chaplin, The Kid, 1921
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Em
Elephant and Castle teve Charlie Chaplin sua tormentosa infância – e o filme The Kid muito deve à memória da meninice
passada naquela pobre área do sul londrino, onde também nasceu outro paquiderme
da sétima arte, Michael Caine.
Por
ora, ficamo-nos por aqui, com um abraço ao Nuno do
António Araújo
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