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sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

Os camelos de Londres.







Não, não é sobre os responsáveis pelo Brexit. Mas há muitos camelos em Londres. Um deles, majestoso, no Albert Memorial, na estátua dedicada a África, e o monumento também tem um elefante, como sabem, figurando a Ásia.


William Theed (1804-1891), Africa, no Albert Memorial

E também há belos dromedários no Animals in War Memorial, em Park Lane.

Animals in War Memorial, 2004


Londres é, aliás, das cidades com mais bicharada, como pude aperceber-me ao ler um encantador guia intitulado Animal London, de Ianthe Ruthven.
 




Na portada do livro The People of the Abyss, de Jack London, autor do inesquecível Apelo da Selva, surge uma fotografia tirada no princípio do século XX (o livro é de 1903). E lá estão os sem-abrigo sentados ao nevoeiro no banco com os camelos que está ali, no Victoria Embankment, junto à estátua, também com camelo, que homenageia as tropas do Imperial Camel Corps, feita pelo major Cecil Brown (aqui). Para uma história desse banco, criado pelo arquitecto George John Vulliamy (1817-1886), ver aqui. Antes disso, e retirados daqui, mais alguns:
 

Regent Street


Manchester Free Trade Hall


Banco no Victoria Embankment

 
Imperial Camel Corps Memorial 
 
India House, Aldwich
 
Prédio em Eastcheap
  
Para não ficarmos por aqui, camelos num emblema/brasão da India House, em Aldwych (onde também há elefantes!), e num baixo-relevo em Eastcheap, feito em 1884 por William Theed the Younger, que foi também o autor escultor do camelo do Victoria and Albert Memorial. Um homem que gostava muito de camelos, está visto. Como eu.   
 

Imperial Camel Corps
 
 
 
 
 

segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

Onde se fala de Shakespeare, elefantes e Charlie Chaplin.

 

Londres, Elephant and Castle


 
         Há dias, o Nuno Quintas (= a melhor pessoa do mundo) falou-me de uma representação de Twelfth Night que vira em Londres e logo me lembrou de falar sobre alguns elefantes dessa nebulosa urbe, até porque Twelfth Night os menciona, quando, a dada altura, numa tirada mui revisteira e parquemayeresca, e assim a modos de Tripadvisor isabelino, Antonio recomenda: «In the south suburbs, at the Elephant, is best to lodge».  
A cena passa-se na Ilíria, nos Balcãs, mas uma das coisas mais deliciosas de William Shakespeare (e de Eduardo Pitta, outro clássico) são estas misturadas baralhadas entre a realidade próxima e territórios ou épocas distantes. Neste caso muito concreto, o Bardo falava dos «Elephant Lodgins», uma hospedaria da capital britânica denominada «Elephant and Castle». Daí derivou o nome da área londrina conhecida justamente por Elephant and Castle – e à entrada do democrático metropolitano lá está uma horrível estátua de um elefante com um castelinho, a jeito de Joaninha Vasconcelos mas imprópria de um país que tem belíssimas e antiquíssimas figurações de elefantes com castelinhos, como a que está num cadeiral do coral da catedral de Chester, do século XIV, e outra, antiga, na catedral de Exeter (onde também há um elefante mais recente num banco catedralício), e ainda outras duas na catedral de Ripon, Yorkshire.


Estação de metro de Elephant and Castle
 
 
Catedral de Chester
 


Catedral de Exeter


Catedral de Exeter
 

Catedral de Ripon, Yorkshire
 

Catedral de Ripon, Yorkshire


 
Não se descarta a hipótese, ventilada pela frondosa Wiki, de o nome ser uma corruptela de «Infanta de Castilla» e, portanto, nada ter a ver com elefantes e castelos. É possível. Mas também é possível que, em lugar de damas espanholas, a origem de tudo seja mesmo um elefante com uma torrinha (a houda ou howdah), e o que para lá existiu ou existe de elefantes, em teatros e pub’s, é algo de estarrecer. Existe inclusive uma rede de pub’s que tem esse nome, estando espalhada pelo Reino Unido – e até em Dublin existe um «Elephant and Castle», lamentavelmente em queda para o fast food.

 



Elephant Theatre, 1882
 
 
Mas foi ali, ao sul de Londres, que nasceu o primeiro pub Elephant and Castle, não se sabendo bem o que motivou o proprietário a escolher tal nome. É possível que se tenha inspirado no emblema e brasão da Worshipful Company of Cutlers, a guilda responsável por regular e organizar o fabrico de armas e cutelaria, onde o marfim era vulgar (http://www.cutlerslondon.co.uk/hall/).
 
Brasão da Worshipful Company of Cutlers
 






Cutler´s Hall, Warwick Lane, Londres
 
 
 
 


Cutler´s Hall, interiores
 
Cutler's Hall, porta de entrada



 
 
          Há quem afirme aqui que tudo também pode ter derivado do famoso elefante que Luís IX de França ofereceu a Henrique III e que foi parar à Torre de Londres, mas sobre esse, porque há tanto e muito para dizer, gostaria de escrever um dia, com mais vagar e detença. Já que não falamos do elefante da Torre (de Londres), um breve apontamento sobre a Torre do Elefante, ou melhor dizendo as torres com esse nome, porquanto há uma em Cagliari, na Sardenha, muito medieva (aqui), e outra em Bangecoque, assaz vanguardista (aqui).




Torre dell'Elefante, Cagliari, Sardenha, século XIV

Elephant Tower (ou Elephant Building), Banguecoque, 1997



Charlie Chaplin, The Kid, 1921
 


 
Em Elephant and Castle teve Charlie Chaplin sua tormentosa infância – e o filme The Kid muito deve à memória da meninice passada naquela pobre área do sul londrino, onde também nasceu outro paquiderme da sétima arte, Michael Caine.
Por ora, ficamo-nos por aqui, com um abraço ao Nuno do
 
António Araújo