quarta-feira, 21 de novembro de 2018

O fim da macacada.

 
 



A RTP, talvez em cumprimento de uma indecifrável missão de serviço público, decidiu abrir o canal aberto ao Oculto, maiúsculo. Portugal Culto e Oculto, assim se chama uma séria bem digna de Portugal, país sensacional. Pois tivemos no Episódio 5 a Alquimia «verdadeira mãe da Química e da Física modernas», onde o microfone foi passado ao Professor José Medeiros e Gilberto Lascariz, que é escritor e investigador. E, em entrega anterior (episódio nº 4, portanto), dedicada à «Ordem dos Bardos, Ovates e Druidas» ficámos a saber que «o Druidismo é uma das mais antigas tradições espirituais da Europa e, particularmente, do território nacional». Significa isto, portanto, que Portugal foi terra de druidas, muito mais do que noutras partes da Europa. Já o episódio 6 foi dedicado aos Rosa Cruz, com entrevista ao Grande Conselheiro para Portugal e Moçambique, além de testemunhos de distintos rosacrucianos que se dedicam ao Voluntariado na Área da Educação e da Saúde (com maiúsculas). O episódio inaugural foi atribuído à Maçonaria, abordada «de forma pedagógica». Bem, que canais comerciais nos vendam cenas destas, ainda vá. Que a RTP se dedique a tais macacadas é uma coisa que, enfim, não se percebe. Só vê quem quer, é certo. Mas pagar, pagamos todos. Dizem que é «serviço público». Talvez um druida consiga explicar porquê.
 


 

 

terça-feira, 20 de novembro de 2018

Um grande anúncio.

 





 

Sugestão de Natal.

 
 
 
 
Sabia que em Benfica existe uma araucária-da-queenslândia? E que há uma árvore chamada árvore-da-castidade? E que há um metrosidero no Campo de Santana? E, ao Rato, uma maltratada figueira-da-austrália? Três percursos pelas árvores classificadas da cidade de Lisboa, um itinerário frondoso e deslumbrante. Árvores na Cidade, de Graça Amaral Neto Saraiva e Ana Ferreira de Almeida. Da By the Book.
 






 

Robert Bergman: toda a tristeza do mundo.

 







 
 

 




segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Vivian Maier, agora e sempre.

 

 
 
A Luísa, dos Santos Ofícios (obrigado!), teve a amizade de me oferecer um deslumbrante documentário, «Finding Vivian Maier». A história da fotógrafa secreta, uma mulher única, impenetrável. O documentário, acreditem, é absolutamente espantoso, com muitas e muitas histórias de Vivian que eu desconhecia, algumas reveladoras de uma personalidade mais sombria do que julgava. E, como uma graça nunca vem só, está à venda na FNAC por 5 euros (!), podendo ser acompanhado, ao mesmo preço, por outros filmes sobre Castello Lopes, Robert Frank, Doisneau e o escandaloso Mapplethorpe. E como duas graças nunca vêm sós, há outro documentário sobre a trágica Senhorita Maier, no Youtube, acima exposto à vista desarmada de todos quantos queiram entrar às boas no seu reino maravilhoso. Ide em paz.
 
 
 

domingo, 18 de novembro de 2018

Morille e mais além.

 
Morille, Espanha



 
         Agora, senhores editores, que até há várias e tão boas colecções de livros de viagens… este seria um grande, belíssimo favor prestado aos que amam Espanha. O autor já nos tinha presenteado com um livro já aqui falado, España vacía. Volta à carga neste Lugares fuera del sitio. Está tudo explicadinho na introdução: las esquinas dobladas del mapa, os lugares remotos, inacessíveis, geralmente esquecidos ou pelo menos descentrados, raianos. Começa-se por uma terra chamada Morille, província de Salamanca, e vai-se por aí fora, que a Espanha é grande. Maior que ela, em extensão territorial, só França. Espanha é maior que a Alemanha, que a Itália, que a Inglaterra brexitosa. Tem, por isso, muitos lugares fora de lugar: Gibraltar, Ceita e Melilla, Olivença, Rio de Onor, Andorra. Mas também terras chamadas Petilla de Aragón ou Rincón de Ademuz. Toda esta conversa é também um repto aos jornalistas (e Sergio del Molina é um grande jornalista), aos jornalistas portugueses, dizia, aos repórteres que conhecem Portugal a fundo: Ricardo J. Rodrigues, Paulo Moura, que estais à espera? Que estais à espera para procurar os lugares fora de sítio desta nossa terá, que é linda muito linda?

 





 

 

sábado, 17 de novembro de 2018

São Cristóvão pela Europa (73)




Para um amador de São Cristóvão como eu, a cidade de Colónia na Alemanha é um verdadeiro tesouro.
aqui tinha tratado da famosa estátua na Catedral.
 
Mas mesmo na Catedral há um vitral representando o santo:

 
Na Igreja dos Santos Apóstolos, uma estátua

Na Igreja de Santa Maria no Capitólio outra:

Na Igreja de Santo André um fresco (difícil de fotografar) e uma estátua:
 


No Museu Walraff-Richartz, um quadro representando um anjo, São João Baptista, São João Evangelista e São Cristóvão, da autoria de Georg Pencz (cerca de 1500-1550), discípulo de Dürer:




No mesmo museu, um quadro de um mestre desconhecido da segunda metade do Século XV representando São Cristóvão (elegantemente vestido à moda da época…), São Gereão, São Pedro, a Virgem e Santa Ana com o Menino Jesus:

Finalmente, na Probstegasse, próxima da Christophstrasse, um baixo-relevo representando o nosso São Cristóvão:
 

As fotografias foram tiradas em 27 e 28 de Julho de 2018.
 
José Liberato

sexta-feira, 16 de novembro de 2018

Reino Vegetal.

 
 
REINO VEGETAL
 
 
Sou vegetariano, excepto às refeições.
 
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Conclusão científica: se o Criador quisesse que fôssemos todos vegetarianos, tinha afundado a Arca de Noé.
 
 
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Torno-me vegetariano no dia em que as plantas carnívoras derem o exemplo.
 
 
 
 
Ricardo Álvaro
 
 

A Igreja de São Cristóvão que me tocou.


 
 
 
Escondida num larguinho por cima do Largo do Caldas e da Rua da Madalena, com acesso também através das Escadinhas de São Cristóvão (assim mesmo, em diminutivo, na toponímia), passa escondida a quem não saiba e não procure a Igreja de São Cristóvão.  Situa-se no Largo do mesmo nome, que quase não o sendo, tem um encanto que quem dera a muitos. Volumes diferentes, acessos estranhos, edifícios que têm como que falta de perspectiva pela estreiteza do lugar, tudo dá ao conjunto um carácter que classificaria de único. Mais que em qualquer outro lugar de Lisboa, poderíamos estar em Roma ou em Marraquexe que não nos sentiríamos desencontrados, o que é talvez um bom elogio a nós.
Entrado na Igreja há qualquer coisa de mágico nela.
Passado o guarda-vento, moderados os ruídos da rua, num claro-escuro que mais acentua a idade de tudo, mergulhamos com um misto de espanto e comoção num Portugal que já era. Sentimos o tempo passado, a idade e ideias de coisas que foram. Não nos leva à infância, leva-nos muito atrás dela. Não posso explicar muito bem o que se sente mas há uma saudade que nos penetra ao mesmo tempo que sabemos ali ser como estranhos, que não existimos, ou que já não existimos.
O sentimento é fortíssimo e senti-o partilhado no livro das visitas. Com comentários em muitas e desvairadas línguas, seja em caracteres chineses, seja nas palavras primeiras de um Padre-Nosso em castelhano, seja num sentido “…não é preciso ter crença para encontrar a paz neste lugar…”
 
Miguel Geraldes Cardoso
 
 

quinta-feira, 15 de novembro de 2018

A Idade da Pedra [Aforismos]


 
 
A IDADE DA PEDRA
[Aforismos]
 
 
As conversas e piadas sobre cannabis fazem-me rir.
 
 
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Os consumidores de cannabis vivem na Idade da Pedra.
 
 
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Está cientificamente comprovado que a cannabis é um remédio natural eficaz contra as dores crónicas: tira temporariamente as dores ao paciente ou, em caso de sobredosagem, tira temporariamente o paciente das dores.

 
 
 
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Uma ervanária sem cannabis é tão absurdo como uma farmácia sem álcool.
 
 
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A cannabis é uma companhia aérea que proporciona viagens low cost.
 
 
 
 
 
Ricardo Álvaro 
 

 

 

São Cristóvão pela Europa (72)

 
 


Andernach, Alemanha, 26 de Julho de 2018
 
Em Andernach, Alemanha, junto ao rio Reno e 21 quilómetros a Norte de Coblença, ergue-se a Igreja da Assunção de Maria.
 
Junto à entrada, do largo esquerdo, um grande mural representando São Cristóvão. Curiosamente nele foi verdadeiramente incrustado um baixo-relevo em memória de um cavaleiro do Século XVI.
 
José Liberato

quarta-feira, 14 de novembro de 2018

São Cristóvão pela Europa (71)

 
 




Abadia de Maria Laach, Alemanha, 26 de Julho de 2018
 
Maria Laach é uma abadia beneditina situada no Noroeste da Alemanha, junto ao Laacher See. Laach é a palavra em alemão antigo que designa lago. Na prática, é uma redundância, é o Lago do lago. O nome Maria surgiu apenas quando os Jesuítas aí estabeleceram uma escola em 1864.
A abadia foi fundada em 1093 pelo Conde Palatino do Reno Henrique II. Nos seus quase mil anos de existência foi sendo engrandecida ao sabor de evolução da História e da Arte.
Em 1933, o futuro chanceler Konrad Adenauer esteve refugiado do Estado Nazi na Abadia durante alguns meses. 
Numa das paredes oeste, junto a uma das entradas da igreja, um fresco representando São Cristóvão, de cerca de 1500.
Num altar lateral, um tríptico sobre a Crucificação, contem a imagem de São Cristóvão num dos seus elementos laterais.
 
José Liberato
 
 
 
 

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Fala quem sabe.

 



         Nada como uma tarde chuvosa para ler um bom livro. Não é o primeiro desta dupla fantástica, mas garanto que é sempre novo e vale muito a pena: desde os desvarios de Hitler e Estaline aos disparates de Trump (que atribui aos chineses todas as culpas pelo aquecimento global…) às relações entre fé e ciência, passando pelos desastres da pseudociência (homeopatia e que tais), um percurso absolutamente fascinante, com a escrita clara, segura e límpida – e com graça! – de Carlos Fiolhais e David Marçal. Um grande e grato abraço a ambos.
 
 




 
 
 
 

A Istambul de Ara Güler.

 
 

















       Geralmente, os discursos de Estocolmo dos nobéis da Literatura são bons. O de Saramago, espantoso. Mas, entre os extraordinários discursos de Estocolmo, o de Orhan Pamuk é especialmente extraordinário, excepcionalmente enternecedor. Se não leram, leiam. Vem isto a propósito do recente falecimento de Ara Güler (1928-2018), o mais conhecido fotojornalista turco, que a Istambul dedicou o seu olhar inesquecível. Existe, claro, um livro de ambos, Pamuk e Grüler. Falando em livros, saíram com pouco tempo de intervalo dois grandes livros sobre a cidade, o de Edmondo de Amicis (pela Tinta-da-china) e o de Théophile Gautier (pela Relógio d’Água). Lá fora, o esmagador Istanbul: A Tale of Three Cities, de Bettany Hughes. Será um dia traduzido entre nós?