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quinta-feira, 17 de junho de 2021

O indesculpável esquecimento da presença feminina na guerra colonial.



 

Palavras e Silêncios, Memórias femininas da presença militar no Ultramar, coordenação de Ana Maria Taveira, Maria Armanda Taveira e Maria de Fátima Pina, Âncora Editora, 2020, é uma coletânea a todos os títulos original, juntam-se 32 testemunhos cronologicamente diferenciados, percorrem a longa duração da presença de mulheres de militares em pontos salpicados do Império, desde a paz ao conflito armado. A guerra e a presença dos militares nas parcelas do Império aparecem na historiografia e na literatura em que a dominante é o masculino: como se preparou e encarou a missão; como observou o território e qual foi a natureza da defesa e resposta que lhe coube pela roda do destino; as memórias que ficaram, as cartas que escreveram, as saudades inexauríveis da mulher, da noiva, dos filhos, dos pais, dos amigos; e, por vezes, a descrição crua da emboscada, da flagelação, da operação; e os encontros, as saudades, muitas décadas depois. Do testemunho no feminino pouco se fala, ora, pelas mais variadas razões, foram omnipresentes na educação dos filhos, na companhia que por vezes deram aos seus maridos, nas lembranças que retiveram seja na retaguarda seja em lugares próximos ou exatamente no conflito.

Quem organizou Palavras e Silêncios teve o esmero de entender que estas memórias se tornam ainda mais vigorosas por serem testemunhos pela ordem cronológica do nascimento das participantes, abrem pistas para as circunstâncias políticas e a condição da mulher na sociedade ao longo da vastidão de muitas décadas, facilitam o entendimento do quadro ideológico em que se moviam e como apresentam as suas narrativas. As coordenadoras passaram a escrito as conversas gravadas e não tiveram dificuldade alguma em aquilatar o valor patrimonial destes testemunhos. E o leitor rapidamente se aperceberá da singularidade de tão valioso contributo que se vai juntar ao que mais recentemente se tem publicado sobre a mulher e a guerra por onde os portugueses andaram até ao fim do Império.

Chegar a Goa perto do fim da II Guerra Mundial, entrar num mundo completamente desconhecido, o deslumbramento dos casamentos hindus, o acaso brutal que tudo mudou: “Quando o meu marido adoeceu eu tinha 29 anos, fui sua cuidadora durante 37 anos, até à sua morte. A minha filha faleceu antes da morte do pai. A vida tratou-me mal, deve-me muito, mas agora já é tarde para me pagar”. Alguém acompanha um marido que cumpriu cinco comissões no Ultramar. A primeira foi em Angola, em 1963, no Ambrizete. “Fui ter com ele e levei comigo a nossa filha mais nova, que ali frequentou a escola primária e concluiu a quarta classe”. Fim do Império trabalhou no apoio aos chamados retornados, confessa a sua satisfação em se ter mantido solidária. Maria Matilde nasceu em Campo Maior em 1930 e viveu doze anos em África, foi professora em Angola e Moçambique. “Sinto falta de estar com alguém que tenha vivido comigo esta realidade em África. Foi um período da minha vida emocionalmente muito intenso, mas tinha saúde e era nova. Temos de novo Goa, quem testemunha fala do seu marido prisioneiro. “Os meus filhos têm idades muito próximas, a mais velha tem, agora, 65 anos, o segundo 64, o terceiro 63 e a mais nova 58. Quando viemos para Portugal, na véspera da invasão de Goa, a mais pequenina tinha pouco mais de um ano. Assim que o meu marido chegou, como o seu vencimento de militar era curto para uma família tão numerosa como a nossa, achei que devia ir trabalhar e tive a oportunidade de o fazer numa escola na Buraca. A minha vida fora muito agradável na Índia, pois estava na minha terra, junto da minha família. Sofri e chorei muito, tive horas difíceis, mas adaptei-me depressa à nova terra. Quando casei, não pensei que algum dia viria viver para Portugal. Imaginava que ficaríamos para sempre em Goa. Mas a vida correu de outra forma”.

Há quem tenha partido para o Império casada de fresco, e depois regressa e é surpreendida pelas notícias dos massacres em Nambuangongo, deu aulas, permaneceu em Luanda depois da independência. Conta-se uma história tocante, tem a ver com a partida precipitada de centenas de milhares de pessoas. Foi a Porto do Saco, onde estavam pequenos montes de objetos calcinados, era o local de embarque das famílias portuguesas que ali deixaram os seus pertences. Guardo em casa alguns objetos que ali recuperei, inclusive fotografias, que trouxe com a ideia de devolver às pessoas a quem pertenciam. Não consegui localizar ninguém”.

Há quem casou por procuração e depois religiosamente numa parcela do Império, foi o caso de Luísa Natália. Depois veio a guerra de Angola. Quando o marido foi para uma zona considerada muito perigosa, regressou a Luanda com o filho. Em fevereiro de 1973, o marido parte para nova comissão, em Montepuez, em Moçambique, instala-se em Porto Amélia com os dois filhos mais novos. “As dificuldades cimentam o amor, ajudam à união da família. Sempre fui uma mulher positiva, nunca perdi a esperança de que tudo iria correr bem, principalmente para os nossos filhos. Quero expressar o respeito enorme que tenho pelas crianças destes países e pela vida sofrida da maioria da população. Lídia Madalena acompanhou o marido em Santo António do Zaire, mais uma professora, fala comovidamente de todo o apoio que as unidades militares davam à população civil. Há quem tenha muitos militares na família, é o caso de Maria Theolinda: “O meu avô paterno, o meu pai, o meu irmão, o meu marido, um dos meus filhos, o meu genro, dois dos meus cunhados, o avô do meu marido e vários primos todos foram ou são militares”. Viveu em Mafra, na Tapada, frequentou o Instituto de Odivelas e sempre que possível acompanhou o marido em missões na Europa, em Angola, na Guiné e em Timor. “Atualmente, já há muitas mulheres militares, mas, no passado recente, apenas algumas enfermeiras paraquedistas participaram ativamente no esforço da guerra. Desde a época dos Descobrimentos, que a mulher portuguesa teve um papel bem ativo no acompanhamento militar dos seus maridos, quer rumando para longínquas terras, quer educando, quer gerindo filhos e património”. Há quem nos faça refletir sobre o casamento e a partida apressada, iniciara-se a guerra, foi o caso de Maria Isabel que acompanhou o marido, tenente-médico da Força Aérea, e foi para o Negage. Hoje ri-se na sua ingenuidade, tinha apenas 21 anos, o marido chegou a casa com duas enormes lagostas. “Não soube o que fazer com aqueles bichos, ainda vivos, e meti-os na banheira, em água. Quando o meu marido chegou para o almoço, contente por vir comer as lagostas, tinham morrido, porque estavam mergulhadas em água doce. Não as tinha dado à cozinha para as cozerem, para poderem ser um petisco para o almoço. Eu nunca tinha visto uma lagosta!”.

Há testemunhos por vezes pungentes, quando estas mulheres apanham em cheio diferentes comissões, com a casa sempre às costas, os filhos a crescer aqui e ali, nunca escondendo a solidariedade que viveram e edificaram, ficamos com um caleidoscópio de impressões de tantas mulheres que não guardam azedume mesmo quando o destino lhes foi cruel e começamos a perceber que toda a literatura que temos lido no masculino é manifestamente carente deste escondido lado do espelho da vida, para que a História tenha contornos mais definidos.

     De leitura obrigatória.


                                                                                                             Mário Beja Santos

 





terça-feira, 16 de junho de 2020

Quando Madrid está triste








Esta é uma história triste, que talvez não acontecesse cá. Não porque fosse impossível os dois membros de um casal morrerem de Covid, como aconteceu a José Luís e a Pilar. Mas, Portugal, em Portugal há um ódio às varandas, que ora são confinadas a alumínio, ora são recicladas para armazém de tralha a céu aberto, ora são pura e simplesmente abandonadas, salpicadas aqui e ali por plantas tristes. Madrid não é assim, pois os espanhóis sabem gozar a vida – e gozar uma varanda ao sol é gozar a vida. E a varanda de Pilar e José Luís era um assombro, dizem, um jardim suspenso mais do que babilónico, no coração do bairro de Embajadores. Morreu ele primeiro, aos 71 anos. A seguir foi ela, dias depois, com 70 anos. Gostavam da vida, ambos reformados, ele a dar aulas de guitarra, ela, ex-modista, a vestir-se vaidosa, de sevilhana, bailando zarzuelas. Depois, a existência a dois, anos a fio, a ida juntos à missa, os pinchos de tortilla no bar do rés-do-chão do prédio, os risos e os amigos. Morreram um, depois o outro – e o jardim foi a seguir. É hoje uma imagem imensamente triste, pungente, a varanda mais triste de Madrid. E quando Madrid está triste, o mundo chora.

   





quinta-feira, 14 de maio de 2020

Folias de Hopper.



Ilustração de Vítor Higgs



Hopper, os quadros de Hopper e a mulher de Hopper, uma folie à deux (ou à trois), no DN, aqui



segunda-feira, 30 de março de 2020

A Star is Born.







Esta foi a história covid que até agora mais me comoveu. Em Vigo há um casal. Em Vigo, ou seja portanto não muito longe da fronteira portuguesa. Ela enviuvou há anos, conheceu um alemão. Numa fábrica, que é onde os alemães gostam de passar os dias de trabalho. Casaram, ficaram juntos. Depois veio o Alzheimer. Ela desaprendeu a língua alemã e ele, o alemão, desaprendeu a língua castelhana, de modos que ficaram sem comunicar. Ele ficou confinado, como todos nós, e aprecia tocar a sua harmónica aos finais da tarde. Muito bem, ora pois bem: a auxiliar que cuida dele convenceu-o que os aplausos que se ouviam nas varandas, nas janelas, eram para ele, o mestre harmónico. O senhor alemão ficou todo pimpão. Os aplausos eram aquelas coisas colectivas que se fazem muito agora de homenagem aos profissionais de sanidade, que o merecem e muito que merecem. A coisa ficou assim, pelo colectivo, mas regressou rapidamente ao individual, pois os senhores aplaudidores de varandas souberam da história do alemão e passaram a aplaudi-lo a ele, de modos que isto é uma mentira tornada verdade ou um filme Frank Capra fora da tela. Quanto ao mais, continuamos. Palmas para nós todos.















segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

São Cristóvão pela Europa (107).

 
 
Ricardo de Almeida Jorge, conhecido por Doutor Ricardo Jorge, nasceu no Porto em 1858 e faleceu em Lisboa em 1939. Foi um médico ilustre, formado na Escola Médico-Cirúrgica do Porto. Viajou bastante, sempre retirando do que observava ensinamentos valiosos para a Saúde em Portugal.
 

 
Deu nome ao Instituto de Saúde Pública.
Ficou conhecido como higienista. Desempenhou um papel muito importante na luta contra uma epidemia de peste bubónica no Porto, enfrentando a ira dos populares que se opunham a mediadas sanitárias draconianas que era preciso adoptar para lutar contra a epidemia.
Representou Portugal em muitas organizações internacionais relacionadas com a Saúde.
As suas viagens inspiraram-no a escrever Canhenho dum vagamundo, livro que teve um assinalável êxito na época da sua publicação (em 1924). A edição chegou pelo menos ao 7º milhar.
O livro contém uma emocionada dedicatória a sua mulher, Leonor Maria Couto dos Santos, que acabara de falecer (em 1922):
Ao outro dia recomeçavam as horas largas e ternas das matinadas ao leito, acordados ao perpassar do eléctrico da manhã. Alma de sincera piedade, o seu primeiro gesto era para o rosário e o livro da reza, a murmurar orações; fazia-me olhar e beijar a imagem de São Cristóvão para me proteger durante o dia de inimigos e males.
 
José Liberato
 

 

sábado, 21 de dezembro de 2019

Uma simples dúvida, não mais.

 
 
 
No Diário de Notícias de hoje, e a propósito do seu último livro, uma muito interessante entrevista do Padre Anselmo Borges em que diz, a dado passo, que «a lei do celibato obrigatório não tem nenhum fundamento bíblico. Jesus não impôs essa lei».
          Há muita gente que diz, talvez bem, que o facto de os padres não poderem casar e ter vida sexual lhes retira uma parte essencial da experiência humana, sem a qual dificilmente se poderão considerar seres humanos na íntegra ou exercerem o seu múnus de aconselhamento e pastoreio dos outros. É um facto que alguém que nunca conheceu a sexualidade dificilmente a compreenderá ao ponto de poder falar sobre ela em termos tão radicais e afirmativos como tantas vezes o fazem os padres. Mas também é certo que, por esse caminho, se deveria impor aos padres que casassem e tivessem uma vida sexual muito activa para poderem ser sacerdotes de almas.
          Entre uma coisa e outra, o celibato compulsório e o casamento obrigatório, interrogo-me sobre se a Igreja não deveria fazer, no máximo, uma recomendação do celibato mas permitir o casamento dos que quisessem. Seria essa, talvez, a máxima e mais autêntica prova de adesão à Igreja por parte dos que se quisessem manter (voluntariamente) celibatários. Dirão que ninguém vai para padre obrigado, que essa adesão voluntária já existe. Talvez. Mas tudo se passa no mais leonino dos contratos de adesão, o que, no campo da vida pessoal e emocional, talvez não seja a melhor forma de tratar um ser humano, sobretudo para uma Igreja que se diz… cristã. De qualquer forma, é só uma dúvida, uma mera interrogação, nada mais.
 
 




 
 
 
 
 

terça-feira, 19 de novembro de 2019

Por ahi fóra, de Brito Camacho.


 
 

Dizia aqui há tempos uma, no tribunal, em processo de divórcio:
 
- É verdade, sr. presidente, o meu marido é de uma tal infidelidade, engana-me tão frequentemente, que eu não sei bem se os meus filhos serão também filhos dele…
 
 
 
 
 
 

terça-feira, 3 de setembro de 2019

Casamento-mistério.

 
 
 



O Malomil adora estas histórias: um casamento homossexual em 1957, quase 50 anos antes de ser legalizado nos Estados Unidos. Agora, existe um site e uma página de Facebbok para tentar localizar os noivos e, creio, os convidados. Chamam-lhe The Mystery of the 1957 Gay Wedding Photos, e até já deu uma notícia recente na BBC, aqui.
 
 



segunda-feira, 4 de março de 2019

Elsa e Marcela.

 
 


         É assombrosa, a história de Elsa e Marcela. Duas professoras galegas que, enganando tudo e todos, casaram em 1901. Depois, descobertas, fugiram para o Porto, onde foram presas. Assombrosa é também a solidariedade de José Nogueira, o dono do Café Lisbonense, na Invicta, onde Marcela trabalhou, e que prestou enorme auxílio às mulheres perseguidas. Moveu até uma campanha de solidariedade que, em poucos dias, conseguiu angariar uma quantia avultada, 77 mil réis, facto que nos deve encher de orgulho, a nós, portugueses. Do Porto, Elsa e Marcela fugiram para a Argentina, e mais factos assombrosos: Elsa casou com um dinamarquês. Porquê? Para quê? Tudo explicado e contado no último número da revista História, do Jornal de Notícias, num extenso e informadíssimo artigo de Mário Bruno Pastor (também a reportagem do J.N., de Pedro Olavo Simões, aqui). O que aí não se refere, e penso ser importante, é que há pouco foi feito um filme sobre este caso extraordinário, película dirigida por Isabel Coixet e que, segundo dizem aqui, já estreou no Netflix. Vou procurar.
 
 
 

quinta-feira, 8 de novembro de 2018

Os olhos de Bette Davis.

 
 





Poderemos sorrir ao ler isto, mas é mais sério do que parece. Em 7 de Dezembro de 1938, o New York Times anunciava o divórcio de Bette Davis e de Harmon «Oscar» Nelson. O motivo da separação? Ela lia demasiado – queixava-se o marido ultrajado. Nelson dizia, e cita-se, que a mulher tinha por hábito ler «to an unnecessary degree». Bonito, não? Já agora, é possível encontrar aqui não só esta história, em versão desenvolvida, como muitas outras histórias que nos podem fazer sorrir, sendo muito mais sérias e graves do que por vezes julgamos.

 

 

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

Elena Francis, in memoriam.


 

 
 
 
 
         Não li o livro que saiu em 1982 sobre o Consultório de Elena Francis – e que, diz a Wikipedia, causou sensação numa época em que muitos julgavam que Elena Francis era uma mulher real, uma especialista radiofónica em «assuntos de senhoras» que respondia às dúvidas e inquietações das mulheres do franquismo. Num tom moralista, Elena aconselhava as ouvintes a tolerarem as violências dos maridos, as agressões, os insultos, etc. etc. Tudo previsível. O espólio de Elena foi descoberto por acaso em 2005, num armazém de Barcelona: mais de um milhão de cartas enviadas durante décadas. Um livro recente analisa mais de 4.000 dessas missivas, escritas entre 1950 e 1972 (aqui). Nada que não soubéssemos, bastando para o efeito ter lido um livro de Rafael Torres, La vida amorosa en tienpos de Franco ou a fabulosa série de narrativas de Juan Eslava Galán, de que me permito destacar De la Alpargata al Seiscientos. Fica feita a resenha bibliográfica, mas quem preferir o original pode acompanhar no YouTube as emissões radiofónicas da inolvidável Elena Francis.
 




 
 

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Estado civil: desunião de facto.


 
 
ESTADO CIVIL: DESUNIÃO DE FACTO






O casamento é uma declaração amigável do acidente que está para acontecer.






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O casamento é um pequeno passo para o casal mas um grande passo para o divórcio.






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O casamento é uma união abstracta, o divórcio é uma desunião de facto.






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Os notários fazem mais pelas relações e casamentos do que os conselheiros matrimoniais.






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O  Casamento é uma doença contagiosa. Aviso: se contrair matrimónio, consulte o seu notário, médico ou farmacêutico.
 
 
 
 
 
 
Ricardo Álvaro






quarta-feira, 7 de março de 2018

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Retumbante Carnaval.

 
 




Convém informar os foliões menos informados que a voz portentosa de Dalva de Oliveira tem pai mulato e mãe portuguesa, a Srª D. Alice do Espírito Santo Oliveira. Foi Alice que carregou no ventre a «Rainha da Voz», também conhecida canoramente por «Rouxinol Brasileiro» (e «Rainha da Rádio» no ano de 1951). Dalva nasceu, coitadita, com o nome de Vicentina de Paula Oliveira, sendo seu pai carpinteiro. Por coincidência onomástica, seu terceiro marido chamava-se Manuel Nuno Carpinteiro – e era vinte anos mais novo. Toda a carreira matrimonial de Dalva de Oliveira foi acidentada, com brigas de morte e separações tempestuosas. O caso conjugal com Herivelto Martins foi feio de feio, como os foliões menos informados podem consultar na sempre prestável Wikipédia, aqui, aí.
 
 


 
 
 
 

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Golpe de génio.





toda a gente é esquisita, só que alguns não se matam e outros conseguem sorrir.
 
Não tenho gosto apurado nem competência informada para me pronunciar a fundo, mas O da Joana, de Valério Romão, parece-me obra absolutamente extraordinária – e ímpar, nas letras lusas de nossos dias.




quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Cartas de Amor.

 
 
 
 
Declaração de um rapaz muito rico:
(…)
Sabe qual  é a minha situação económica e custa-me falar dela nesta carta em que tudo deve ser espiritual. Sei que você não é uma rapariga ambiciosa, que não sonha com automóveis nem com brilhantes ou casacos de peles caros, e creio que um bem estar e uma absoluta tranquilidade quanto aos problemas económicos pode torná-la feliz (…)
Devotadamente aguarda conhecer a sua resposta, com a impaciência e inquietação que você pode supor, o seu fiel admirador
Marcelo