sexta-feira, 23 de abril de 2021
sábado, 3 de abril de 2021
Agregado Familiar.
AGREGADO FAMILIAR
Oito gatos, quatro cães, amores
vários,
papagaios de papel, gralhas que
cantam
nas estantes e imitam, sem emenda,
a triste voz humana,
peixinhos-de-prata
e um velho coelacanto não sei
onde.
Nenhuma senha de razão e todas as
línguas
na gamela: tudo flui e o amor
permanece
no centro desta mesa, tábua redonda
e de salvação.
Amigos que entram sem lei, ordem ou
decreto
pela nossa casa adentro: Embaixada
dos Únicos.
Anunciam-se os obscuros intentos de
S. Bento
à Porta Fechada: a treva, o ranço e
a barbárie
a rondar os ninhos da Criação. Os
ministérios
abriram as agendas negras e a Arca
da Peste:
tentam limitar e extinguir o
agregado familiar.
Podre vai o vosso reino. Aviso:
nenhum verme,
besta de cargo, bicho de contas,
animal de rácio
ou outro baixo indignitário nos
há-de fiscalizar
os bens e males das empresas falidas
do coração,
as belas propriedades trespassadas
do interior,
o mel do sangue, o puríssimo ouro da União.
Ricardo Álvaro in Revista CÃO CELESTE # 7, AAVV (Lisboa, Cão
Celeste, Julho de 2015)
domingo, 28 de fevereiro de 2021
Vergonha na cara, ou falta dela.
Perante
este massacre, o Sr. Presidente da Fencaça, mudando radicalmente a opinião
avançada há dois meses, diz agora que não se tratou de uma «caçada», mas, pasme-se, de uma
«correcção de densidade». (aqui)
A
explicação é simples: como foram abatidos 600 hectares de floresta para
construir um parque fotovoltaico, os animais ficaram sem abrigo. Logo, havia
que matá-los ou, melhor dito, «corrigir a sua densidade».
Resta
saber como foi possível, numa propriedade de 1200 hectares, autorizar a
destruição de 600 hectares do seu arvoredo.
E,
já agora, porque foram chamados caçadores espanhóis para «corrigir a
densidade».
E,
sendo obrigatório apor um selo por cada animal morto numa montaria, como é
possível a proprietária do terreno dizer que emitiu apenas 40 selos, as
autoridades terem encontrado 270 canhotos de selos na herdade e, no final, terem sido mortos
540 animais. De 40 para 540 há uma diferença, não? Como a explica o senhor Amaro?
Ao
vir agora defender esta matança, Jacinto Amaro, presidente da Fencaça, além de
se cobrir de ridículo, acaba por confessar o óbvio: foi a delegação de Évora da
Fencaça (a organização de que ele é presidente há 29 anos) que emitiu as
licenças para os 16 caçadores espanhóis poderem caçar em Portugal.
Não
lhe ocorre que, perante este grotesco e pornográfico conflito de interesses, o melhor
seria ter estado calado? Não lhe ocorre que, com isso, mancha de forma
indelével a imagem da caça e dos caçadores portugueses, que é suposto representar?
Uma
falta de vergonha completa.
quarta-feira, 23 de dezembro de 2020
Desprezível, sem perdão.
Que
estas bestas tenham pago sete a oito mil euro para matar animais é coisa que,
já por si, não se compreende. Que, depois da matança, estas bestas se deixem
fotografar sorridentes, frente a 540 cadáveres, é coisa mesmo inconcebível.
Quem fez isto, além de multado e bem multado, deveria ser envergonhado e humilhado para todo o sempre e onde quer que tivesse o desplante de mostrar a cara ou, melhor, o focinho.
Desprezível, sem perdão.
terça-feira, 15 de dezembro de 2020
Quem mata um urso.
Quem mata um urso devia saber, antes
de mais, o que é um urso. No Diário de Notícias, em Péssima
Companhia, aqui
segunda-feira, 16 de novembro de 2020
terça-feira, 13 de outubro de 2020
Dehesa.
Todos nos lembramos das
séries do grande, enorme, Félix Rodriguez de la Fuente. Para quem gosta, dos
criadores de um filme extraordinário, Cantábrico,
agora surgiu Dehesa. El Bosque del lince
ibérico. Fica a nota, muito elevada, máxima, com distinção e louvor.
sábado, 10 de outubro de 2020
A mosca.
Moscas
há muitas, mas só algumas são notícia. As mais espertas sabem como atrair os
holofotes. Conhecem os truques todos – como o de incluir na mira de voo a presidência
dos Estados Unidos da América. Ascendem então vertiginosamente ao estrelato,
fazendo-se enxotar com elegância e graciosidade irreal por um incumbente; ou aderindo
com eficácia de ventosa à testa de um aspirante, com a familiaridade que se tem
perante velha matéria conhecida.
Porém,
quanta mosca anónima merecia sair da obscuridade. Há todo um mundo por
descobrir, como conta a Musca
Domestica do “Insektarium” de Berit Johansen, ou o Diário de uma Mosca
do “Mikrokosmos” de Béla Bartók.
Há
ainda sortes piores que a do anonimato, como ser-se até tomado por outrem e não
merecer sequer o simples reconhecimento correto da identidade de inseto. É o
que acontece com o famosíssimo Voo do Besouro da
ópera “O Conto do Czar Saltan”, de Rimsky-Korsakov, que na tradução portuguesa
acabou, sem apelo nem agravo, como o Voo do Moscardo.
A
atenuante é que, errando na letra, acertou no espírito, pois o zumbido do
moscardo, quanto a mim, é muito mais irritante, vingativo e epicamente
enlouquecedor – como se quer no personagem da história -- do que o do fofinho e
rechonchudo himenóptero.
Tudo isto é triste, razão pela qual se encerra este capítulo com A Morte do Senhor Mosca, de Eric Satie.
Manuela Ivone Cunha
sábado, 26 de setembro de 2020
terça-feira, 1 de setembro de 2020
Os elefantes de Antivouniotissa.
![]() |
| (esta foi tirada da Net) |
segunda-feira, 31 de agosto de 2020
quarta-feira, 5 de agosto de 2020
No mar, no campo, na floresta e outros destinos de vilegiatura…
Starts to sing, "Spring, spring"
When the little blue bell in the bottom of the dell
Starts to ring, "Ting, ting"
Sings a song to the moon up above
It is nature that's all
Simply telling us to fall in love
Bees do it
Even educated fleas do it
Let's do it, let's fall in love
Upper sets do it
Lithuanians and letts do it
Let's do it, let's fall in love
Not to mention the fins
Folks in Siam do it
Think of Siamese twins
Without means, do it
People say in Boston even beans do it
Let's do it, let's fall in love
They say, "Do it"
Oysters down in oyster bay do it
Let's do it, let's fall in love
Against their wish, do it
Even lazy jellyfish, do it
Let's do it, let's fall in love
Though it shocks 'em I know why ask if shad do it
Waiter bring me bring me shad roe
Come on and bring me, bring me shad roe
English soles do it
Goldfish in the privacy of bowls do it
Let's do it, let's fall in love
The monkeys and the birds, bees do it
In, in water gates they quarrel but they do it
And if they can make up and still do it baby, how about me and you?
Let's do it, let's fall in love
Lá na China um bilhão fazem
Façamos, vamos amar
Lituanos e letões fazem
Façamos, vamos amar
E também lá em Bonn
Em Bombaim fazem
Os hindus acham bom
Lá em São Francisco muitos gays fazem
Façamos, vamos amar
Picantes pica-paus fazem
Façamos, vamos amar
Tico-ticos no fubá fazem
Façamos, vamos amar
E jamais dizem não
Corujas sim fazem, sábias como elas são
Gaviões, pavões e urubus fazem
Façamos, vamos amar
Camarões em Camarões fazem
Façamos, vamos amar
Namorados por prazer fazem
Façamos, vamos amar
Entre beijos e choques
Cações também fazem
Sem falar nos hadoques
Bacalhaus no mar em Portugal fazem
Façamos, vamos amar
Centopéias sem tabus fazem
Façamos, vamos amar
Dizem que bichos de pé fazem
Façamos, vamos amar
Com um ardor incomum
Grilos meu bem fazem
E sem grilo nenhum
Pulgas em calcinhas e calções fazem
Façamos, vamos amar
Corajosos cangurus fazem
Façamos, vamos amar
Macaquinhos no cipó fazem
Façamos, vamos amar
Tantos gritos de ais
Os garanhões fazem
Esses fazem demais
Ursos lambuzando-se no mel fazem
Façamos, vamos amar



































