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segunda-feira, 12 de maio de 2014

La Joconde c'est moi.

 
 
A Mona Lisa existe? Isto é tão grande. Será que me perdi?
Ah, olha, lá está Ela.
 
 
 
.
Tem um véu de vidro, mas não interessa. É Ela. É como se vê na Internet e nos postais. Aqui até se vê pior. Mas não interessa. É Ela, a Santa. A Senhora. A Deusa. A Qualquer Coisa.
Ela é muito importante: toda a gente a vem ver. Fotografar. A sala é grande, felizmente, dá para conversar, para falar alto, e para ver se as fotos ficaram boas. Fossem todas as salas de todos os museus assim.
 
 
 
Se eu não A fotografar, eu não existo.
Ela existe para eu A fotografar e para eu existir.
Tanta gente. Tanta gente para A fotografar, a Ela, ao vidro e a si mesma.


 
Tenho de esperar pela minha vez. Deviam organizar uma fila, ou dar tickets com um número à entrada. Viemos cá para isto. Mas pronto. Vou-me chegando à frente.
Já está.
Consegui. Vou enviá-la por email. Vou pô-la no Instagram. Vou postá-la no Facebook. Já está. Olha, foi logo, já tenho dois likes e um smile.
Tanta gente. E falta a selfie. Eu selfie, logo existo.
Sem selfie, ainda dizem que não estive aqui, que não fui eu que A fotografei.
E eu quero existir. Quero ser Eu. Quero uma selfie com a Mona Lisa, a Santa, a Deusa, a Senhora, a Qualquer Coisa.
Já está. Ui, é melhor fazer outra.
Tu, tira-me uma fotografia com Ela. Obrigado. Ficou gira.
 
 

 
 
Olha, ali há outros quadros. O que serão?


 

Tantos, que confusão.


 


Ninguém olha para eles. Ninguém os vê. Nunca os vi na Internet. Não existem. Ao menos Ela está sozinha numa parede. Comigo, connosco. Faz-nos justiça. Viemos cá por Ela.

Ela está de frente para aquele quadro tão grande. Que grande.


 


Também nunca o vi na Internet. Vou vê-lo, há gente a vê-lo, deve ser por ser tão grande. Estão a pensar se o hão-de fotografar.

 

Tão grande. Caberá na fotografia? E parece uma estória. Mas é o quê?



 


Não sei. Não interessa. Mas é giro. Parece um filme. Ou um espectáculo. OK.

Olha, pronto. Estou de saída.  

Já A fotografei.

 

 
 
Passo por Ela de novo.
Já me fotografei com Ela. É minha. Existo. A Mona Lisa sou eu e a minha selfie.
 
 
 
(Texto e fotografias de Eduardo Cintra Torres)