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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021

Declaração de Dívida.

 



                                    Viver é existir acima das possibilidades.



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A Vida é o Produto Interno Bruto da Existência. 




Ricardo Álvaro

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Portugal medieval.

 
 
 
Passada a fase da rotunda e do gimnodesportivo, esquecida a tara do monumento ao bombeiro, o Portugal autárquico aposta agora numa nova valência: a feira medieval. De norte a sul do rectângulo, até nas ilhas adjacentes, o país tornou-se um imenso palco de torneios e refregas d'antanho. Pelejas que não aleijam.
 
Em tempos de crise e de troika, a medievalização nacional constitui um bom antídoto contra syrizas e outros devaneios anti-sistémicos. Enquanto andam entretidos nisto, na trolha de papelão, os cidadãos da República, mormente os mais belicosos, evitam a manifestação e a arruaça. Assim, deste modo, à traulitada amigável, encontrou-se um escape, uma evasão – para o quotidiano, que é vil e triste. Os pais levam os filhos à festa, porque é instrutivo e cultura. Enquanto isso, o edificado degrada-se e apodrece, culpa do Estado central.    
 
Por terras de Gaia existiu até há pouco um belíssimo Festival Erótico Medieval, com as princesas Sónia Baby, Sheila e Ama Monika. A castidade reinante em má hora decidiu exterminá-lo, crê-se que corria o ano de 2010. Noutras paragens reconstrói-se o Neolítico, a Roma antiga, e a muy nobre vila de Almeida faz invasões francesas que são um mimo, conjugando a um tempo o rigor histórico versão Hermano Saraiva e o desejo, que no íntimo de todos nós existe, de uma tarde bem passada na galhofa, só malta amiga. Mas, trate-se da pré-história ou dos fastos napoleónicos, do 3º Festival Pirata (Buarcos) ou da madrugada de Abril (Mem Martins), tudo isto remete para uma só e mesma realidade, a medievalização do país. O fenómeno ocorre geralmente a partir de finais de Junho, que é quando chegam os emigrantes e começa o foguetório. Inadvertidos do que se passa, alguns casalitos nórdicos (logo, totós) pagam bilhete para entrar no recinto; lá dentro, o licor de medronho, as farturas a óleo, e muita e boa Idade Média. A medievalização sazonal é o sucedâneo laico das romarias de outrora. Nada de mal, só carnaval. Ainda assim, uma realidade a acompanhar.

 
 
 

























 
 
 
 



























 
 
 







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