Continuando
na província de Salamanca, agora na sua parte Sul, Beleña é um pequeno
município situado em planalto. Sendo plano, atinge altitudes entre 800 e 900
metros.
Uma
estátua de São Cristóvão foi criada por um artista local usando betão e cimento
branco. Localiza-se junto à estrada com a intenção de proteger os condutores
que passam.
A
igreja, muito simples, é dedicada também ao nosso Santo. No interior, uma
imagem que mal se consegue descortinar na fotografia.
Nesta
região passava a Via da Prata, caminho que ia de Astorga até Mérida. Segundo a
tradição por aqui andaram Viriato, Sertório, até Aníbal Barca, o general Cartaginês.
O
Castelo medieval de São Vicente, também chamado Castelo do Paraíso, do final do
Século XIII, avulta na paisagem. Foi edificado certamente sobre fortificações
anteriores
A
Igreja de Nossa Senhora da Assunção é uma igreja construída em granito no
Século XIII na transição do românico para o gótico. Possui um fresco
representando São Cristóvão um pouco deteriorado.
Zamora
é uma cidade importante na História de Portugal, em especial nos seus
primórdios.
D.
Teresa, mãe de D. Afonso Henriques, foi Senhora de Astorga e Zamora a partir de
1111. Passou aliás a usar o título de rainha desde essa altura.
Provavelmente
em 1125, fez recentemente 900 anos, o jovem Infante D. Afonso Henriques
investiu-se como cavaleiro. Dizem os Anais de D. Afonso, rei dos portugueses,
transcritos por José Mattoso na sua biografia de D. Afonso Henriques:
Era
de 1163 (ou seja 1125). O ínclito Infante D. Afonso, filho
do Conde D. Henrique e da rainha D. Teresa, neto de D. Afonso, tendo cerca de
14 anos de idade (teria 16), estando na Sé de Zamora, no dia Santo de
Pentecostes, tomou de cima do altar as armas militares e vestiu-se e cingiu-se
a si próprio diante do altar, como é costume fazerem os reis. Vestiu-se com a
armadura como o Gigante, pois era grande de corpo, e cingindo-se a si próprio
com as armas para as batalhas, tornou-se nos seus actos, como um leão e como a
cria do leão que ruge na caça.
Foi
um primeiro momento de afirmação real de D. Afonso Henriques, três anos antes
da batalha de São Mamede. Aconteceu em Zamora porque estava em território de
sua mãe. Evidentemente que há que ter em conta que os Anais, escritos em 1185,
são um panegírico do nosso primeiro rei.
Em
4 e 5 de Outubro de 1143, o Cardeal Guido de Vico (natural de Pisa, cardeal
desde 1130, participante em na eleição de pelo menos três papas) encontrou-se
em Zamora com Afonso VII de Castela e Leão e Afonso Henriques. Foi a chamada
Conferência de Zamora.
Nessa
conferência, de que não existem registos escritos, D. Afonso Henriques
estabelece uma relação directa com a Igreja de Roma, ao mesmo tempo que vê
Afonso VII reconhecê-lo como rei e afirmar-se como Imperador, dignidade
superior à de Rei.
É
indiscutivelmente um momento fundador da nacionalidade portuguesa.
A
construção da Catedral de Zamora, tal como a conhecemos hoje, iniciou-se por
volta de 1139, o que significa que a mencionada investidura de D. Afonso
Henriques como cavaleiro ocorreu provavelmente na sua anterior configuração.
No seu interior, uma magnífica pintura mural de São Cristóvão, da autoria de Blas de Oña, pintor documentado entre 1531 e 1143.
Fotografias de 3 e 4 de Abril de 2026









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