quinta-feira, 4 de abril de 2013

Eu financiei Lenin (1).









A relação dos comunistas com o dinheiro é peculiar. Ainda há pouco, quando os ministros das finanças europeus decidiram que o Chipre deve nacionalizar parcialmente os depósitos bancários, os comunistas portugueses, ortodoxos, bloquistas e outros, decidiram defender os interesses dos pequenos aforradores gregos e dos grandes aforradores russos. Enternecedor. Afinal, basta atentar no discurso dos comunistas portugueses para nos apercebermos de que se transformou num partido pequeno-burguês. Como se explica, afinal, o seu afã a defender a pequenas empresas? Noutros tempos, os comerciantes eram os intermediários que exploravam o povo. Hoje já são as vítimas do capitalismo.

Mas voltemos à origens, à tomada e consolidação do poder que terão sido grandemente facilitadas por financiamentos cuja fonte ainda hoje se discute. A discussão tem início precisamente em 1917 mas a polémica nasceu bem antes.

O sistema financeiro e o capital imperialista deram um sólido apoio à revolução desde os tempos em que Lenin organizou um grupo, dentro do próprio Centro Bolchevique, com o propósito de financiar a organização através do produto de assalto a bancos. Os bolcheviques, eufemisticamente, davam-lhe o nome de expropriações, esquecendo, convenientemente, que os expropriados por interesse revolucionário acabavam, em última linha, por ser, não os capitalistas, mas os aforradores privados. Enfim, se tinham depósitos bancários seriam burgueses e o assunto, à época, estava resolvido a contento.

Esses assaltos eram perpetrados por um grupo ultra-secreto dentro da própria organização bolchevique. Tratava-se, afinal, de uma primeira formulação da vanguarda proletária leninista. Descontada a ironia, o segredo era bem necessário, por questões de credibilidade interna. Os sociais-democratas, a cujo partido, pelo menos nominalmente, os bolcheviques continuariam a pertencer até 1912, tinham proibido expressamente as acções ilegais. Lenin, pelo seu lado, precisava do dinheiro para reforçar a sua liderança mas sabia, simultaneamente, que se fosse demasiado evidente que incentivava essas acções poderia ser apeado pelos seus opositores.
 
 
Koba
 

O mais bem-sucedido desses grupos era chefiado por um tal Koba. Infelizmente, era dotado do mesmo nome próprio do signatário destas linhas. E ficou para a História conhecido por outro nome artístico: Stalin. O assalto que comandou ao banco de Tiblissi, capital da sua Geórgia natal, em Junho de 1907, foi um sucesso sem precedentes. Implicou a morte de cerca de quarenta pessoas, permitiu a arrecadação do equivalente hoje a cerca de três milhões de euros de receita revolucionária e fez com que, infelizmente, o tal Koba tivesse de deixar a sua província para sempre, depois de ter sido expulso pelo Partido Social-Democrata georgiano, acolhendo-se sob a asa protectora de Lenin e aí iniciando a sua bem-sucedida carreira, com as consequências conhecidas.
 
Allen Dulles, quando jovem
 
 
Anos depois, o jovem Allen Dulles, depois de ser aprovado no exame diplomático de 1916, foi colocado na embaixada americana em Viena. Quando, em 6 Abril de 1917, os Estados Unidos declararam guerra ao Império Austro-Húngaro, Dulles foi transferido para Berna. Aí chegado, não sabiam bem o que fazer com ele, pelo que o colocaram no sector onde menos ondas poderia fazer: o das informações. Mais prosaicamente, significava ler os jornais e fazer um relatório semanal sobre atividades de espiões e revolucionários. Assim começou a carreira do futuro diretor da CIA.

No primeiro dia de trabalho, ao fim da tarde, é recebido um telefonema suspeito. Remeteram-no, claro, para o jovenzinho das informações. Era um tal Vladimir Ilitch Ulianov que afirmava, em tom urgente: "- Tenho de falar com alguém ainda hoje." Dulles entendeu que não havia nada de tão urgente que não pudesse esperar pelo dia seguinte. Contou depois esta estória muitas vezes, acrescentando que se arrependeu para sempre da sua displicência.

Pois foi precisamente na manhã seguinte, do dia 9 de Abril de 1917, que partiu o comboio especial que transportou, de regresso à Rússia, Lenin, vários outros bolcheviques expatriados e alguns opositores tresmalhados. Ninguém soube nunca o que teria Lenin para dizer aos americanos. O seu objetivo, em qualquer circunstância, era regressar à pátria, mas não lhe agradava ser patrocinado pelo Império Alemão, ainda em guerra com a Rússia. Por outro lado, enquanto franceses e ingleses, melhor informados, percebiam que os bolcheviques eram a única força política que poderia retirar a Rússia da guerra e, por isso, impediam que o seu líder regressasse através dos territórios por si controlados, as autoridades americanas, menos informadas e escassamente sensíveis às minudências políticas europeias, talvez permitissem o seu regresso, como permitiriam, em Maio, o de Trotsky (sendo certo que este, na altura, não se identificava com os bolcheviques, sendo uma espécie de menchevique em transição).

A viagem terá ocorrido sem quaisquer peripécias de nota. Pelo menos, é o que ficou registado. Recordo o livro de Michael Pearson, The Sealed Train (Putnam, Nova Iorque, 1975), no qual este tentou provar, sem o conseguir, que Lenin, ou talvez Karl Radek ou mesmo Fritz Platten a mando daquele, teriam, numa das centrais ferroviárias de Berlim, falado com enviados do Alto Comando germânico. Nessa reunião ter-se-ia discutido a concessão de apoio financeiro aos bolcheviques. É muito interessante notar que se alega que, da parte alemã, tais questões seriam tratadas, não por governantes, mas por militares. Muito se discute a preponderância então, no Segundo Reich, de uma ditadura militar protagonizada por Hindenburg e por Ludendorf. Deixemos essa questão para outras calendas.


Lenin e Fritz Platten, 1919
Fritz Platten, 1930

 
Fritz Platten, um bolchevique suíço, organizou a viagem do comboio selado, ao qual foi atribuído estatuto extraterritorial pelas autoridades alemãs. Nos termos acordados, Platten era o único que podia manter contacto com alemães. Na União Soviética, Platten associou a sua sorte a Lenin, de tal modo que até partilhava o carro deste quando foi alvo de um atentado, em Petrogrado, em Janeiro de 1918. Quando o tiroteio começou, forçou-o a deitar-se, sendo o próprio Platten atingido numa mão. Salvar Lenin, porém, não o salvou. Em 1938 foi preso, tendo sido executado em Abril de 1944 sem ter revelado nada de especial sobre eventuais financiamentos alemães.

O caso de Karl Radek é mais interessante. De nacionalidade austríaca, tinha receio de ser preso durante a viagem, pelo que se sentiu mais seguro quando Lenin, que sempre se sentiu mais protegido na clandestinidade, decidiu que todos os viajantes seguiriam com falsas identidades. Parece pouco provável que Radek tivesse discutido o que quer que fosse com oficiais alemães. No entanto, em homenagem à ingenuidade revolucionária dos bolcheviques, Radek voltou à Alemanha logo no início de 1919 durante a intentona spartakista, tendo sido detido mas poupado, ao contrário de Rosa Luxemburg e Liebknecht.


Karl Radek
 
 

Ficou preso durante um ano. O primeiro a visitar o detido Karl Radek foi um tal Karl Moor, outro comunista suíço, mas este um frequentador da alta finança e apreciador do requinte do luxo, de que voltaremos a falar. Foi Moor que lhe levou Eugen Freiherr von Reibnitz, colega de Ludendorf no Corpo de Cadetes. É verdade: na prisão, Radek entrou em contacto com a elite militar alemã. Tudo indica que não com o próprio general von Seeckt, mas seguramente com dois dos seus mais próximos ajudantes. É um facto histórico que foi aí que nasceu a colaboração militar entre os derrotados de Versalhes: a Alemanha de Weimar e a União Soviética. Mas, mais do que o novo regime democrático alemão, importa notar que quem fez uma aliança com o Exército Vermelho foi a direita militarista alemã. Foi na cela de Radek, antes de Rapallo, que se começou a desenhar o Pacto Ribbentrop-Molotov.

Ficou célebre um discurso de Radek ao plenário do Comité Executivo da Internacional Comunista, em Junho de 1923, na qual ele elogiava um mártir proto-nazi, Leo Schlageter, abatido pelos franceses quando cometia actos de sabotagem contra os ocupantes do Ruhr. É um discurso que o aproxima muito dos nacionais-bolcheviques, demonstrando uma notável empatia pelo modo de pensar dos operários nacionalistas. Algo que seria corporizado por aqueles que pretendiam ser os verdadeiros nacionais-socialistas revolucionários, como Gregor Strasser. Na rua, os nazis e os comunistas tanto se combateram como se aliaram no afã de derrubar a República de Weimar. Em português, temos uma expressão para isto que diz tudo: os extremos tocam-se.

Pois Radek, o bolchevique heterodoxo, crítico da moral burguesa e adepto do amor livre, incauto ao ponto de tomar partido por Trotsky contra Stalin, seria julgado em 1937, num julgamento menor, o Segundo Julgamento de Moscovo, o do chamado Centro Trotskista Anti-Soviético. Curiosamente, o principal acusado seria precisamente Radek. Mas, caso extraordinário, tinha-lhe sido previamente garantido que, uma vez mais, teria a vida poupada. De tal modo que o sanguinário Vishinsky, o algoz de Stalin, foi especialmente moderado para com Radek. O que serviu a um daqueles providenciais idiotas úteis ocidentais para invocar, em obra com alguma difusão, o julgamento de Radek como o exemplo que demonstrava o carácter misericordioso de Stalin (Dudley Collard, The Soviet Justice and the Trial of Radek and Others, Londres, 1937). Vejam lá que o mestre do Kremlin, reencarnação de Ivan o Terrível, permitia julgamentos justos dos tenebrosos inimigos da revolução... 



O marechal Mikhail Tukachevsky


Parece que Radek, que aprendera a lição, já teria denunciado algumas novas vítimas de que Stalin se queria ver livre. Um deles terá sido o marechal Tukachevsky, precisamente um dos militares mais envolvidos na colaboração com a Alemanha, o próximo a ser eliminado no julgamento dos generais que decapitou o Exército Vermelho, o que foi sobremaneira conveniente para Hitler em 1941 (mas também o enganou: a surpreendente ineficácia soviética contra a frágil Finlândia contribuiu decisivamente para o convencer de que derrotá-los seria coisa de poucos meses; na guerra, muito espaço oferece mais tempo e Stalin teve tempo para inverter a situação). Radek, esse, ganhou algum tempo, mas não muito. Seria eliminado, alguns anos depois, na prisão por ordem de Beria. Sem ter aberto a boca sobre os financiamentos alemães aos bolcheviques.

 

José Luís Moura Jacinto

Que farei quando tudo arde?

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Bruxas no Estado Novo.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
         Aqui, no Ebay, passe a publicidade, está à venda uma fotografia de uma vozearia de bruxaria, em que Dona Silvina, apresentada como «a mais conhecida bruxa de Lisboa», é interpelada nos idos de 1966, inícios de 1967.
         Um caso de bruxaria no Estado Novo, já agora, como curiosidade histórica:  
 
 
 
 
SUPREMO TRIBUNAL de JUSTIÇA
Acórdão de 11 de Dezembro de 1957
Processo n.º 29.755
In Boletim do Ministério da Justiça, nº 72, Janeiro de 1958, pp. 349-357.
 
 
 
 
Acordam em conferência no Supremo Tribunal de Justiça:
Conceição Gomes, identificada nos autos, foi acusada pelo Ministério Público, no 3º Juízo Correccional da comarca do Porto, no que foi acompanhado por António Luís Gomes Ferreira, e Glória Maria de Jesus, na qualidade de assistentes, de haver cometido os crimes previstos e punidos pelos artºs 12º e 15º do Decreto-Lei nº 32.171, tendo ainda em atenção o § 1º do primeiro destes preceitos de lei; e isto por dos autos resultar que, desde há anos, à data da instauração deste processo, na área do concelho de Matosinhos, ora em sua casa, ora em casa de outras pessoas, a ré observava e tratava com fins lucrativos, diversas doentes, praticando assim actos próprios da profissão médica, e intitulando-se vidente, também com idênticos fins, empregava medicações e práticas como defumadouros e rezas, destinadas a sugestionar pessoas fracas de espírito.
 
 


It's a wonderful life.










Sobre a rapariga vietnamita que fugia das bombas, cuja imagem ficou célebre, já falámos, mas falaremos mais detalhadamente um dia, se pudermos. A sua história é extraordinária, e foi contada num livro único, The Girl in the Picture, de Denise Chong. Também tentaram saber quem era o rapaz judeu do gueto de Varsóvia. The Boy. A Holocaust Story, de Dan Porat, o livro que daí resultou, é  menos concludente e convincente.

         O que aqui nos traz é mais uma história de reencontros, que Malomil tanto aprecia. São «metáfora da vida», como diria alguém que conheço bem, ao fim de 9 anos de convívio muito próximo.  A história conta-se em poucas palavras. Há 40 anos, um marine sul-vietnamita, Bao Tran, salvou uma criança na Guerra do Vietname. Bao Tran entregou-a a um orfanato religioso, a criança foi para os Estados Unidos, onde foi adoptada por uma família americana com o nome de Kimberley Mitchell. Curiosamente, também viria a seguir a carreira militar, formando-se na Academia Naval.
 
Bao Tran e Kim Mitchell
 

 
         Como refere o Albuquerque Journal, há dias, no Novo México, Kimberley Mitchell reencontrou-se com o homem que a resgatou da morte provável há quatro décadas. Nunca se tinham  visto. Uma história americana, com final feliz. Gente feliz com lágrimas. É caso para isso. Que teria sucedido à bebé se acaso não tivesse sido resgatada por Bao Tran, que nem inglês sabe falar? Provavelmente, hoje estaria morta. E nada disto, nada desta vida, que é a sua, teria acontecido. Obviamente, não teria existido reencontro algum, nem Bao Tran estaria ali, fardado no Novo México, dizendo na sua língua que ver um dia a criança que salvara era um sonho que alimentou durante décadas. Não sei se estes reencontros serão a metáfora da vida ou a vida feita metáfora. Em qualquer caso, bom dia a todos, com mais um tónico Frank Capra. It's a wonderful life.
 
António Araújo
 
 
 
 

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Memoriais de Guerra Soviéticos Foleiros.

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Memorial da Libertação, Volgogrado

Memorial T-34, Khoiniki, Bielorrússia

Memorial da Libertação, Volgogrado

Complexo Memorial Nacional de Kathyn, Bielorrússia

Memorial dos Guardas Fronteiriços, Bielorrússia

Memorial Normandie-Niemen, Kaliningrado

Memorial aos Pilotos da Esquadrilha do Báltico, Kaliningrado

Museu Marechal Konev, Ucrânia



Memorial do Torpedeiro, Novorossiysk


Memorial da «Linha de Defesa», Novorossiysk


Hall da Glória Militar, Volgogrado



Decorações de rua para o Dia da Vitória, Volgogrado
Memorial Soviético, Londres


 

56 Up.

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Mais um follow up. Já falámos de vários, aqui no Malomil. Um, muito tocante, sobre as crianças de uma vilória na Alemanha, e o que delas a vida fez. Há anos, por ocasião de um aniversário do 25 de Abril, o Expresso fez uma reportagem notável, em que descobriu o que, passados vinte anos, era feito das crianças e dos soldados que estiveram juntos na Baixa de Lisboa. Noutro trabalho extraordinário (estas coisas dão muito trabalho), o Público também reuniria, décadas depois, os soldados nas diferentes unidades que marcharam sobre a capital.
         A série Up, descrita aqui, é um conjunto de documentários da Granada, realizados inicialmente por Paul Almond e, depois, por Michael Apted. A série acompanha o percurso de catorze crianças inglesas, na altura com sete anos, desde 1964 até à idade adulta. Foi feito um documentário a cada sete anos. Lynn tornou-se bibliotecária de uma escola até ser despedida devido aos cortes orçamentais, e casou aos 19 anos. Jackie casou também aos 19 anos, divorciou-se, teve vários empregos, criou o filho como mãe solteira. Paul trata da manutenção de jardins enquanto Nick é professor de informática na Universidade de Wisconsin. Peter é advogado, casado duas vezes, tem uma banda musical em Liverpool, a inofensiva The Good Intentions. Bruce ensinou matemática no Bangladesh. De todos, Neil foi o que teve o pior destino: entrou na vida política como candidato do Partido Liberal.
 
 
António Araújo

 
 
 






Curso Básico de Vida.





Cindy Sherman, Untitled # 153, 1985




Fundado no longínquo ano de 1981, ainda na vigência do Conselho da Revolução, o Cenertec – Centro de Energia e Tecnologia, sedeado em Rio Tinto, promove, no próximo dia 4 de Maio, no Holiday Inn de Gaia (junto ao CTT das Devesas) o imprescindível «Curso Básico de Vida – com prática em manequins de reanimação». O Curso, segundo aqui se informa, será leccionado «de acordo com as normas e “guidelines” do Conselho Português de Ressuscitação».

         E quanto a conteúdos? Informação disponível aqui: «O curso foca numa combinação de desenvolvimento de conhecimentos e técnicas, ficando apto a lidar em cenários reais construindo confiança de forma a serem capazes de providenciar o auxílio em situações de emergência».

         Este Curso será ministrado pelo Dr. Francisco Freitas. O Dr. Francisco Freitas, que terá como partenaires as voluptuosas manequins de reanimação Cenertec, é licenciado em Podologia pelo Instituto Politécnico de Saúde do Norte – Escola Superior de Saúde do Vale do Ave. No Primeiro Ciclo, obteve a média milimétrica de 13,468 valores, tendo registado um substancial acréscimo no Segundo Ciclo (foram, nem mais, nem menos, 16,341 valores). Depois disso, em Bilbau, no Instituto de Terapias Globais, pós-graduou-se em Posturologia Clínica. Em Espanha, o país vizinho, frequentou cursos de cirurgia ungueal e peringueal e, na Invicta, o Curso de Dissecação Anatómica e Cirúrgica do Pé. É proprietário da Clínica de Tratamento do Pé, de Famalicão. Nesta localidade, é o Podologista da Associação de Diabéticos de Famalicão. No ano de 2010, um marco decisivo ocorreu numa trajectória até então quase exclusivamente dedicada aos pés:  «fez um estágio na consulta de Posturologia Clínica e Reprogramação Postural, na Clínica Oftalmológica O. Alves da Silva, Lisboa». Entre outras actividades, o Dr. Francisco Freitas realizou «diversas palestras e rastreios em comemorações públicas abertas à Sociedade».

         Uma manhã de sábado agradável e diferente. No Holiday Inn de Gaia (junto ao CTT das Devesas), tenha por companhia os manequins de reanimação Cenertec e o Dr. Francisco Freitas.

         Caso não possa, poderá frequentar outras acções Cenertec. Por exemplo, «Business Process Management» (Vila Nova de Gaia, dias 20, 26 e 27 de Abril ou 3 e 4 de Maio, tudo de 2013) ou «Facebook Marketing» (26 e 27 do corrente, também deste 2013). Além das conhecidas «Pós-Graduação MG» e «Pós-Graduação GOSI», o Cenertec proporciona «Cursos à Medida», agora muito em voga, como é do conhecimento geral. Nesta categoria, permitimo-nos destacar, no âmbito da Gestão, o curso «Como uma Boa Gestão de Stock pode Aliviar a Tesouraria, Gerar Cash em 3 Meses e Reduzir Custos» e, no âmbito Comercial, «O Segredo do Aumento da Produtivadade dos Empregrados -Melhorar o Desempenho para Alcançar Excelentes Resultados Operacionais». Quanto aos cursos à medida no âmbito Comportamental, o difícil é escolher. Dois se destacam. A saber: «Animar e Motivar Equipas de Trabalho - O Que Satisfaz oI nvidíduo no Posto de Trabalho e o que Efectivamente o Faz Aumentar a Productividade». Depois, «Comunicação Assertiva - Influenciar Pessoas Atravésdo Modo Como se Fala».

         Para quem viver na região de Lisboa, o Cenertec tem uma proposta acalorada, mas irresistível. É já no dia 13, no Estoril: «O Potencial das Bombas de Calor Industriais». Entre os temas aí versados, «Aplicações de tempertatura intermédia» e o incontornável «As águas residuais/esgoto como fonte de calor». É imperioso salientar que, na PG-MG (Pós-Graduação em Marketing na Gestão), os participantes terão, assevera o Cenertec, «acesso a 24 Docentes, "Top" nas suas áreas». Em NeuroMarketing, o Prof. Fernando Rodrigues, director executivo da PsicoSoma Master e autor do livro Porque é que o marketing é sexy e inteligente.  O Marketing Pessoal ficará a cargo de Tânia Almendra, da Missão Mágica. Como se diz na abertura do programa, «O modelo da sociedade em que vivemos impõe padrões de competitividade em todos os aspectos da nossa vida». Tânia Almendra é «Licenciada em Podologista (sic) pela CESPU» e «Máster (sic) em Marketing e Empreendedorismo». É sócia gerente da Missão Mágica e, nessa qualidade, tem na sua carteira de fundraiser instituições internacionais como a UNICEF, a AMI e os Bombeiros Voluntários de Algueirão Mem-Martins (aqui). Força, Tânia. Para um segmento diferenciado de público-alvo, o Cenertec oferece (após o pagamento de € 240), o curso «A Linguagem Secreta da Arte», ministrado pela Drª Diana Ferreira. O método do curso será: «expositivo, demonstrativo e interrogativo». No programa consta «análise de obras-primas dos artistas mais notáveis». E, é preciso dizê-lo, a Drª Diana Ferreira teve um «período de estudos no Istituto Superior Suor Orsola Benicasa», em Nápoles, e desempenhou «tarefas na direcção da Galleria degli Uffizi», em Florença. Também desenvolveu um estágio voluntário no Museu Soares dos Reis, na cidade do Porto.
         Cenertec, diversos cursos, excelência na formação. Desde 1981.
 
 
 
 

terça-feira, 2 de abril de 2013

Martin Munkacsi.

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Martin Munkacsi, Campo de férias, Alemanha, 1929

Martin Munkacsi.

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Martin Munkacsi [Two men with a sea lion], ca. 1930

Martin Munkacsi.

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Martin Munkacsi [Dog groomer], 1932

Chuac Checo.

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Em breve, gostaríamos de iniciar aqui uma digressão pela estatutária monumental dos tempos do comunismo. Já aqui falámos de Vera Mukhina, imorredoura autora de O Operário e a Camponesa (1937), moça injustiçada pela multinacional IKEA. Por hoje, apenas um breve apontamento desta estátua, não especialmente grandiosa mas inquestionavelmente curiosa, colocada no parque à saída da principal estação ferroviária de Praga. A sua erecção destinava-se a comemorar a libertação (!) da cidade pelos soviéticos. Quanto ao autor, não o conseguimos identificar. Data, também nada. A estátua mostra um assalariado agrícola a beijar, algo escandalosamente, um corpo militar, ou pelo menos militarizado. No Bloco Leste não havia pudor em mostrar cenas destas, momentos de fraternidade entre soldados e camponeses. Mas quem quiser saber como se vivia dentro do armário na República Democrática Alemã leia esta excelente reportagem. Entre tantos, apenas mais um apontamento soviet gay, versão filatélica:
 
 





segunda-feira, 1 de abril de 2013

A morte saiu à rua.

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Seja qual for a opinião que tenhamos sobre a Ley da Memória Histórica e o levantamento das fosas da Guerra Civil de Espanha, as imagens publicadas no El País de ontem são impressionantes. Numa vala comum na região de Burgos, 24 cadáveres exumados. Depois, os técnicos que procederam à exumação colocaram-se na posição em que haviam encontrado as vítimas, algumas das quais foram mortas de mãos atadas nas costas. A história é contada aqui e talvez nos ajude a perceber o motivo pelo qual há certas feridas no passado que custam mais a cicatrizar.

 
António Araújo

Grupo que promoveu o Festival da Restauração d'Angola.

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Cannes, Maio de 68.

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Colecção Maria José Rocha




18-5-68
Querida Mariazinha
         Acabou a maratona e em beleza: hoje foi das 9,15 às 13 e das 15 às 22,45 por causa da votação. Claro que não ganhámos. Categoria A – Japão, B – Holanda, Prémio Especial França. Estamos sem saber que fazem de nós por causa das greves. Se segunda-feira não abrir o aeroporto de Nice vão mandar-nos de automóvel (comboios não há) para Genebra-Suíça, para depois seguirmos viagem. Ainda não sei se fico em Barcelona. Estou estafado. Saudades, beijinhos, abraços, Ruy  

 

O Actor Vasco Santana, de Ápio Garcia.

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Quem não se lembra da Canção de Lisboa, do Comissário de Polícia, do Pai Tirano e de Camões, donde do alto das suas criações cinematográficas produziu o gigante Mal Cozinhado, interpretação que lhe valeu o Oficialato da Ordem de Santiago.
 
Celebrado no Brasil e nas nossas províncias ultramarinas, Vasco Santana ia ao encontro das gentes, entrava alegre e descuidado nos corações, consolidava amizade e firmava deslumbramentos.

Indigenas em Nanacandundo.

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1913