terça-feira, 2 de julho de 2019

Anos dourados?

 
 



A vida é um lugar estranho.

 
 
O autor, Behrouz Boochani



Nas páginas do TLS, uma história extraordinária. Um jornalista curdo, preso na penitenciária de Manu, na Papua Nova Guiné, sob jurisdição australiana, escreveu um livro inteiro no seu telemóvel, usando o Whatsapp. O livro causou furor e recebeu um dos mais prestigiados galardões literários da Austrália, o Victorian Prize for Literature, mas o autor não o pôde receber pois continua detido em Manu. Até o processo de tradução para inglês foi complicado, como se descreve aqui. No Friend But the Mountains, assim se chama a obra. Um caso literário, e não só.

 

 
 
 
 
 
 
 



 


De olhos em bico.




 
         Quando todos os dias se sucedem notícias sobre aquecimento global, extinção de espécies, perda de biodiversidade, o exemplo que uma nação «civilizada» como o Japão dá ao mundo é este, terrível. Após 30 anos, repetimos: 30 anos, três décadas, de proibição, o Japão decidiu o impensável e autorizou que fosse retomada a pesca comercial de baleias. Trinta anos não deram para que a frota pesqueira e os pescadores se adaptassem, que os hábitos alimentares se alterassem, largando de vez o apetite voraz por baleias? Ou será que, como avançam alguns, nestes trinta anos se manteve a pesca comercial de baleias, disfarçada de propósitos «científicos»? Seja como for, fica a questão: que se obtiver de lucro nesta matança compensa o dano causado na imagem do Japão no mundo?
 
 

Simplesmente inacreditável.

 

 
 
         Um programa de 1971 com Salvador Dalí e Lillian Gish, considerada a «primeira dama» do cinema mudo americano, uma das pioneiras das pioneiras da 7ª Arte. O seu nome foi agora retirado de uma sala de cinema da Bowling Green State University, no Ohio. Considerou a douta universidade que Lillian não merecia ser homenageada por ter participado como actriz em O Nascimento de Uma Nação, longa-metragem de Griffith, um dos maiores filmes da história do cinema. A decisão já mereceu o protesto de nomes como Martin Scorsese, Joe Dante, Helen Mirren, James Earl Jones, Lauren Hutton, etc., mas nem isso parece demover as autoridades académicas. Note-se, no entanto, e como informa uma extensa reportagem do PÚBLICO, que a universidade que agora retira o nome de Gish de uma sala de cinema recebeu em 1975 uma doação da actriz para a criação de bolsas de estudos, e recebeu também os seus arquivos, que ainda conserva. Agora mostrar-lhe o nome numa sala de cinema é que não, é incorrecto. Simplesmente inacreditável. No mínimo, restituíssem o valor das bolsas que Lilian Gish instituiu e devolvessem os seus arquivos pessoais. Ou será que a memória, afinal, é selectiva e oportunista? Inacreditável, simplesmente inacreditável.