domingo, 24 de fevereiro de 2019

STOP.




 
 
 


Sentenças.

 
 
 
SENTENÇAS
 
 
 
Os políticos e governantes corruptos, medíocres e incompetentes, pleonasmos à parte do cúmulo jurídico, devem ser detidos em fragrante delito ou flagrante delírio, julgados e condenados a prisão de ventre perpétua.
 
 
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Os ditadores costumam partilhar um destino comum: cumprir sentença de cadeira perpétua sem nunca serem julgados.
 
 
Ricardo Álvaro

Refugiada, de Manuel Magno Jr.

 
 
 
 
 

A formatura de Eurico, conseguida sabe Deus como, e as noções gerais adquiridas por Celeste no Colégio Francês, trouxeram uma capa de verniz àquela família, onde a mãe continuou a ser uma criada dos dois pequenos e o pai deixou de ser a voz mais alta para se tornar única e exclusivamente numa máquina de assinar cheques.
 

 


Libertem Willy!

 


Há uns dias, falando já não sei quem sobre esta barbárie – 11 orcas e 87 belugas em cativeiro, prestes a morrer –, disseram-me que não, que eram fake news, que era impossível manter em cativeiro tanta bicharada. A notícia vem da National Geographice chegou-me por voz amiga, atenta, informada. Entidades mais do que credíveis. Acredite, por favor. E divulgue. Está aqui.







Black Vengeance.

 
 




The voodoo queen had said new life would come to the plantation if the sons of Chane could find peace within themselves. But there could be no peace for them.
 

Hotel Rwanda (6)

 
 
 
 





Kigali Camp.
Em 6 de Abril de 1994 foi abatido o avião em que viajava o Presidente do Ruanda, Juvénal Habayarimana (1937-1994). A autoria do atentado é controversa. O que é contudo certo é que foi o ponto de partida para o genocídio.
A 7 de Abril foi assassinada a Primeira-Ministra, Agathe Uwilingiyimana (1953-1994), bem como o marido. Por algumas horas tinha sido ela a substituta constitucional do Presidente. Hutu mas favorável aos acordos de Arusha tinha de ser eliminada para que o genocídio pudesse acontecer.
Um grupo de dez membros belgas da força de paz das Nações Unidas que fazia a segurança da Primeira-Ministra foi chacinado em Camp Kigali onde hoje existe um memorial que recorda o seu sacrifício.
Fotografias de 16 de Janeiro de 2019
 
José Liberato
 
 

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

Ordem dos Festivaleiros da Rábula Redonda.

 
 
 
 
ORDEM DOS FESTIVALEIROS DA RÁBULA REDONDA
 
 
 
 
As cantigas e interpretações do Festival da Canção têm uma caraterística comum: todas ficam no olvido.
 
 
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Nos festivais literários, residências artísticocó-literárias e cursos de escrituração criativa, com raríssimas excepções à régua, tudo o que é escrito, dito e feito, entra por um olvido e não sai pelo outro.
 
 
 
Ricardo Álvaro
 
 

São Cristóvão pela Europa (82)

 
 


 
 
São Cristóvão é o orago da freguesia de Ovar.
A Igreja Matriz tem três imagens de São Cristóvão, uma no exterior e duas no interior.
A última é em pedra de Ançã, do século XV ou XVI. Esteve muitos anos exposta mas foi substituída e está agora na sacristia.
Fotografias de 16 de Fevereiro de 2019
 
José Liberato

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

Na morte de Lagerfeld.

Karl Lagerfeld e Jacques de Bascher de Beaumarchais
 

Cair em Beleza
 
 
O facto de ter sido elogiado e aconselhado por Victoria Beckham não tira, creio eu, qualquer mérito a este livro, The Beautiful Fall. Fashion, Genius and Glorious Excess in 1970s Paris, da jornalista de moda Alicia Drake. Este é, ao que sabemos, o único livro de não-ficção da autora, que colabora regularmente com publicações como o International Herald Tribune, a Travel and Leisure e a British Vogue. Fruto de um ciclópico trabalho de investigação e pesquisa, assente em muitas dezenas de entrevistas, The Beautiful Fall é uma obra tão ou mais sedutora e fascinante do que as personagens que retrata.
Poderia resumir-se em breves palavras, classificando-a como uma biografia paralela de Yves Saint-Laurent e de Karl Lagerfeld, na qual o primeiro surge como um Mozart prodigioso e o segundo aparece como Salieri, um criador com talento mas que teve o infortúnio de ombrear com um génio. Não por acaso, na sequência da publicação da obra, Lagerfeld declarou que iria processar a autora por intromissão na sua vida privada. Não sabemos se o fez, e com que resultados, pois o livro continua à venda e, na verdade, as vidas públicas e privadas de Lagerfeld e de Saint-Laurent são devassadas nos mais ínfimos detalhes, por vezes escabrosos. Não se trata, porém, de um exercício de voyeurismo gratuito, antes de uma imersão em profundidade na trajectória fulgurante dos dois criadores de moda, para a compreensão da qual era impossível não atender a aspectos íntimos, pessoalíssimos, deles e das tribos que em seu redor se formaram. As angústias de Yves Saint-Laurent com a sua homossexualidade, surgidas desde a juventude na Argélia e que o acompanharam até ao final da vida, os seus fantasmas recorrentes e depressões cíclicas, os seus frequentes internamentos hospitalares ou em clínicas de repouso são elementos essenciais para entender o percurso do génio atormentado. De igual modo, a pose estudadíssima de Karl Lagerfeld, os seus amantes, o culto obsessivo do corpo, o seu fascínio pela alta aristocracia, o modo como maquilhou as suas origens sociais (dizendo, por exemplo, que o pai era sueco, quando na realidade sempre foi alemão) são traços fundamentais para percebermos a rivalidade implacável que, aos poucos, foi crescendo entre os dois ditadores da moda.
 
 
 
 
O livro abre com a luminosa aparição, no parisiense Café de Flore, em 1974, de uma personagem aparentemente menor nesta trama. Um jovem dândi de nome pomposo, Jacques de Bascher de Beaumarchais, à época aureolado pela fama de ter sido modelo do pintor britânico David Hockney. Oriundo da baixa aristocracia rural, também ele procedera a um cuidadoso lifting das suas origens familiares, compondo um nome sonante; um membro da família Beaumarchais chegou a ameaçar que o processava se continuasse a usar um apelido a que não tinha direito… Jacques era o toy boy de Karl Lagerfeld mas, a dada altura, torna-se secretamente amante de Saint-Laurent. Para os que insistem em encarar o tímido Yves como uma eterna criança devorada pelas suas neuroses, cândida e ingénua, é curioso ter em conta que YSL teve um gozo perverso em roubar ao rival o efebo de estimação. Noutra ocasião, bem expressiva da sua personalidade insegura mas egocêntrica, Saint-Laurent ficou furioso ao saber que o retrato que Andy Warhol lhe fizera não era um exclusivo, existindo outros costureiros pintados pelo artista nova-iorquino. Ameaçou retirar o quadro da parede da sua casa sumptuosa, ainda que nunca tenha cumprido a vingativa promessa. The Beautiful Fall traz também uma nova luz, mais densa e complexa, sobre a relação de décadas entre Yves Saint-Laurent e Pierre Bergé. Casado aos 86 anos com um famoso arquitecto paisagista americano, de 58 anos, Pierre Bergé foi companheiro de Saint-Laurent durante meio século e co-fundador da marca YSL. Convém ter presente que Saint-Laurent e Bergé foram dos primeiros casais gay publicamente assumidos em França; até então, mesmo costureiros famosos como Christian Dior ou Balenciaga tinham «amigos», não amantes. E, para os que julgam que tudo isto não passa de uma trivialidade, deve perceber-se que o pano de fundo de Beautiful Fall, aquilo que alimentava as loucuras e as festas, os jantares em restaurantes de luxo, as casas fabulosas em Marraquexe ou os castelos de província, era o dinheiro, muito dinheiro. A moda, um negócio de milhões à escala planetária, realidade que transparece em cada página do livro de Alicia Drake. Por exemplo, na operação de ataque ao mercado dos Estados Unidos, feita por Lagerfeld em colaboração com a marca Chloe, que envolveu festas em Los Angeles dadas por anfitriões como Jack Nicholson e Tatum e Ryan O’Neall mas, de igual modo, um planeamento comercial organizado ao milímetro.
Sempre se pensou que Pierre Bergé era o cérebro cartesiano responsável pelo sucesso da marca YSL. É verdade. Sem ele, sem a sua ambição desmedida e a sua tenacidade nos negócios, a YSL nunca existiria e o próprio Yves Saint-Laurent não teria conseguido afirmar-se no mundo da moda; era Bergé que ordenava a sua vida aos mais ínfimos e íntimos detalhes, que pagava as contas e tratava de tudo, que o internava nos hospitais sempre que o génio caía no abismo, que o resgatava sempre que corria mal uma saída nocturna em busca de carne jovem. Fumador inveterado, consumindo 40 cigarros por dia, viciado em barbitúricos e, mais tarde, em drogas leves e duras e no álcool, Saint-Laurent era pura e simplesmente incapaz de se governar a si próprio, quanto mais uma marca que facturava milhões e tinha centenas ou milhares de empregados. Muitos julgam que Bergé foi um manipulador, que se aproveitou do talento ímpar de Saint-Laurent. Beautiful Fall mostra que as coisas, como sempre sucede, são mais complexas do que pensamos. Bergé não era o macho dominante numa relação assimétrica; pelo contrário, Yves não só mantinha a sua liberdade como a levava aos extremos, a ponto de, anos depois, o seu companheiro de cinco décadas afirmar, numa entrevista, que não sabe se o costureiro verdadeiramente o amou ou se apenas necessitava dele para o apoiar na sua atribulada existência. No campo dos negócios terrenos, foi Bergé que, quando Yves saiu da Dior, na sequência de um colapso nervoso decorrente da sua incorporação militar, angariou junto de um milionário americano, estabelecido em Atlanta, os fundos necessários para abrir a casa Yves Saint-Laurent. Foi também ele que propalou muito dos mitos que rodeiam a figura do mestre, dizendo, por exemplo, que Yves Saint-Laurent inventou em 1966 o pronto-a-vestir, revolucionando o mundo da moda, facto escandalosamente falso porquanto já nos anos 1930, pelo menos, os costureiros de Paris faziam prêt-à-porter. Seria também Bergé quem concebeu o lançamento, em 1964, do primeiro perfume YSL, o «Y», produzido em parceria com Charles of the Ritz. Mais decisivamente ainda, foi Bergé, em larga medida, que teceu as redes que deram acesso à altíssima aristocracia francesa, com destaque para a princesa Marie-Hélène de Rotschild. Houve outras personalidades-chave na iniciação da dupla Yves-Pierre nos meandros das elites parisienses, como Clara Saint ou Loulou de la Falaise, e aos poucos os nomes sonantes foram-se sucedendo, de Rudolf Nureyev a Bianca e Mick Jagger, passando por Marianne Faithful, Catherine Deneuve, Helmut Berger, etc., etc.  
 Em tudo, como sempre, houve uma combinação milagrosa de talento e sorte. O talento, indiscutível: com apenas 18 anos, Yves ganhou uma exigente competição internacional de moda, cujos jurados eram nomes de peso (Hubert de Givenchy, Pierre Balmain, Christian Dior); Karl Lagerfeld, na altura um jovem de 22 anos vindo de Hamburgo, ficou um pouco abaixo… Não muito depois, em 1961, Yves era nomeado costureiro-chefe da mais prestigiada casa de moda francesa, a Dior, algo nunca visto. Enquanto isso, Lagerfeld recebia o menos importante cargo de assistente na também menos importante casa de Pierre Balmain… A par disso, o factor sorte, ainda que surgido sob vestes trágicas: aos 52 anos, Christian Dior morreu subitamente, tragédia que abriu as portas à criatividade selvagem do nouvel enfant triste, como a imprensa da época denominava o rapaz acanhado vindo da Argélia. 
Tudo quanto aqui se conta é apenas uma modestíssima amostra do que podeis encontrar no interior do livro de Alicia Drake. Há sedução e escândalos, sexo e suicídios, drogas e muita loucura, luxo e decadência. Uma obra actual, portanto.
E com isto já quase nos esquecíamos de uma personagem central, Jacques de Bascher de Beaumarchais: morreu de SIDA em 1989.
 
António Araújo 
 
(publicado originalmente no jornal ECO)
 
 






 
 
 

Hotel Rwanda (5)











 
O mercado coberto Kimironko em Kigali.
Fotografias de 15 de Janeiro de 2019.
José Liberato

Conto nº 6.




Um conto sobre violência domestica*

 

 

Só conseguiu chegar a casa muito depois das oito. Primeiro foi o chefe que lhe pediu para ficar mais meia hora até chegar a Júlia, que tinha telefonado a dizer que vinha atrasada por causa da mãe que estava doente. Depois foi o autocarro que bateu numa furgoneta e ficou ali especado sem andar nem deixar correr o trânsito até se preencher o raio dos papéis. E depois foi a Luísa da mercearia que lhe contou aquela pouca-vergonha da mulher do barbeiro, ele sem querer saber de nada, a deixar-se enganar, a fazer penteadinhos à maneira ao comilão do amante, com a navalha na mão cheio de cuidadinhos para não sangrar o menino.

Quando chegou a casa, Maria Fernanda estava exausta. Mal entrou na cozinha pousou os sacos de compras de qualquer maneira e pôs-se a lavar as mãos ainda antes de tirar o casaco para começar a fazer o jantar ao marido.

Quando limpava as mãos ao pano da louça, a voz do marido chegou-lhe da sala: «Sabes que horas são?»

Sentiu um estremeção pela espinha, mas sabia que tinha de recuperar o sangue-frio para aturar o bruto.

«Nem sabes o dia que eu tive hoje! Olha, o chefe, já não basta o que eu me esfalfo a trabalhar, ainda me obrigou a ficar até chegar a estúpida da...»

Não pôde continuar. O marido apareceu-lhe por trás, virou-a com um sacão e deu-lhe um murro no queixo que a encostou à parede. Maria Fernanda não teve tempo de levar as mãos à cabeça. O marido começou a esboteá-la e a dar-lhe pontapés nas pernas.

Maria Fernanda abandonou-se. Sabia que aquilo havia de durar um par de minutos. Quando acabou, deixou-se ficar encostada à parede da cozinha. O marido virou costas e a meio caminho do corredor disse: «Para a próxima vens a horas».

Doía-lhe o corpo. Ainda nem há quinze dias tinham desaparecido as nódoas negras da coça anterior. Já nem se lembrava do que ia fazer para o jantar.

Da sala chegava-lhe o diálogo da novela. O marido voltara a afundar-se no sofá e aumentava agora o volume no televisor, juntando-se aquele som a tantos sons iguais de outras casas do prédio e do prédio em frente, sons que se uniam em estranha estereofonia através das frinchas e dos tijolos de 11.

«- Ôba, Emanuel, você está tentando me enganar?

«- Mas, quirida, lhe disse já três vezes que o apartamento é muito caro. São muitos milhões de cruzados! Eu não posso dispor dessa quantia nesse momento!

«- E porque não utiliza.... não sei... lá no banco... você afinal é um dos donos...

«- Quirida! O que está querendo que eu faça? Eu não posso...

 Não é isso meu amô... É que eu queria tanto aquele apartamento sobre a baía... O mar ali mesmo à nossa beirinha... Nós os dois nos amando ao luar...»

A novela embalava o ar morno da noite. Maria Fernanda continuava inerte na cozinha. Se ao menos tivessem filhos... Talvez isto não acontecesse...

Sentiu uma torção no estômago e sabia que não era fome. Filhos! Como poderia ter filhos daquela besta! Ainda bem! Haviam de morrer os dois sem deixar rasto no mundo! Haviam de morrer sem que ninguém chorasse por eles! Haviam de morrer sozinhos, naquela porcaria de casa, naquela porcaria de bairro, naquela porcaria de terra! Haviam de morrer.... Haviam de morrer... morrer... morrer...

A palavra pareceu-lhe mais doce do que habitualmente. Morrer. Pegar numa faca da cozinha e espetá-la no coração. Abrir os pulsos. Tomar remédio do escaravelho, se soubesse o que isso era. Atirar-se da janela. Pendurar uma corda da roupa no pescoço. Engolir os comprimidos todos acumulados nas gavetas da casa de banho.

Morrer... morrer... Hei-de morrer eu... hás-de morrer tu...

O corpo reagiu à ideia. Recuperou forças. Com dores a dificultar-lhe os movimentos, tirou o casaco e pôs o avental com a algibeira grande.

Abriu a gaveta dos talheres sem fazer barulho e tirou de dentro uma faca de cortar peixe. Na sala, continuava a novela.

«- E seu seguro de vida?

«- Você ´tá louca, Joana?! Seguro de vida é seguro de vida! Quer me matar?

«- Filipe! Você sabe que eu o amo! Eu só lhe quero o bem! Mas gostava tanto daquele apartamentinho...»

Maria Fernanda agarrou a faca com força, escondendo-a dentro da algibeira do avental. Tirou os sapatos e começou a avançar descalça em direcção à sala, em silêncio total, debaixo do som amplificado da novela.

«- Sim, Joana, havemos de ter esse apartamento. Mas venha cá. Me beije...»

Maria Fernanda estava à porta da sala. Sabia que o marido não a podia ver. O sofá estava de costas para a porta, a meio da sala comum de estar e comer. A mão de Maria Fernanda segurava firmemente a faca do peixe. Na televisão, o homem e a mulher da novela beijavam-se, mas um grande plano mostrou uma pistola no saco que ela trazia ao ombro. A música tornou-se dramática.

O marido de Maria Fernanda estava quase deitado. Só lhe via o cabelo espetado aparecendo por cima da costas. Maria Fernanda deu mais um passo em silêncio e a força que fazia no punho da faca transformava-se em suor. Já nem pensava no que ia fazer, só se lembrava que a mão lhe podia escorregar pelo cabo da faca. Estava quase atrás do sofá, preparando-se para tirar a faca do avental quando, sem se mexer um milímetro, o marido lhe disse:

- Anda para aqui ver isto, que é hoje que ela dá um tiro ao marido. Senta-te aqui ao meu lado. Comemos depois qualquer coisa.

Maria Fernanda nem chegou a perceber como tinha ele sentido a sua presença  ali. Arrastou-se até ao sofá. Sem olhar o marido, sentou-se ao lado dele e deixou-se enredar pela história da Joana que disparava sobre o Filipe.

 

 
Eduardo Cintra Torres

 

 

* Escrevi este conto em Junho de 1995. Há duas décadas, a violência doméstica não fazia parte da agenda político-social portuguesa. Com mais tempo livre do que tenho hoje, atirei uma série de contos breves para a gaveta. A maioria são “retardo-realistas”, realistas fora do tempo em que o realismo era e é “aceitável”. Com a humildade de não ser “escritor”, escrevi-os com um estilo inexistente, que é uma em si mesmo uma inexistência, mas não sei se há neles estilo, e qual. Não têm título. Este é o nº 6.