Chamam-lhes French fries, mas a origem é disputada. Os belgas reclamam a invenção, os franceses o nome, mas a verdade é que tudo começou aqui ao lado, no século XVII, com nuestros hermanos — afinal, foram eles que trouxeram a batata da América do Sul para a Europa. Seja como for, se é na Bélgica que as batatas fritas são prato nacional, não há nenhumas como as portuguesas.
Cortadas à mão, em palitos, rodelas ou cubos, demolhadas em água e fritas
em óleo de girassol ou azeite, devidamente salgadas — são iguaria de tascas e
restaurantes respeitáveis, mas espécie em vias de extinção. A eficiência e a
produtividade empurraram-nos para as congeladas e pré-fritas. Não é a mesma
coisa, os cristais de gelo rompem as fibras no interior, pelo que se aconselha
a dupla fritura. Mas, em abono da verdade, também não se lhes resiste: finas,
longas, crocantes.
E nada de cascas, orégãos ou outras invenções. Apenas sal. Muito sal.
Porque a perfeição, como sempre, está na simplicidade.
José António Nogueira de Brito

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