quinta-feira, 28 de março de 2013

Amanhecer na Virgínia.

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Fotografias de Onésimo Teotónio de Almeida

Bota Feijão: em euros e em numerário.





Rua Conselheiro Lopo Vaz, 5





O restaurante Bota Feijão, em Lisboa, tem como gerente o Sr. Aníbal Pereira e tem como especialidade o Leitão à Moda da Bairrada. O lema do Bota Feijão é, segundo o próprio, «Qualidade na Confecção». Sem falsas modéstias, o Bota Feijão proclama tranquilamente: «Temos o melhor Leitão à moda da Bairrada de Lisboa». Repare-se que não é o melhor Leitão de Lisboa à moda da Bairrada. É, sublinhe-se novamente, o melhor Leitão à moda da Bairrada de Lisboa. Adianta ainda o Bota Feijão que – e cita-se – «O serviço prestado pelo pessoal do restaurante é professional (sic) e muito cordial». Refira-se, por último, que o Bota Feijão aceita três modalidades de pagamento: por multibanco, em euros ou em numerário. Se for em numerário não é em euros, é em numerário. Se for em numerário, não é em euros, é em numerário. Se for por multibanco é em euros mas não é em numerário. Mas é em euros, não é em numerário. It’s the economy, stupid.



Metaphysics as a Guide to Morals: the Zirinha's grillo question.

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Cantor pimba processado por brincar com «o grilo da Zirinha»

Polémica na zona de Braga chegou a tribunal

 

 

Um compositor e cantor popular de Padim da Graça, Braga, está a ser julgado por alegada difamação a uma empresária da mesma freguesia, que pede uma indemnização de 6.000 euros por uma canção sobre «o grilo da Zirinha».

A queixosa, de nome Alzira e vizinha do cantor, alega que o tema insinua que os dois «tiveram um caso amoroso» e que a canção a torna alvo de chacota popular. Diz ainda que até as crianças da freguesia já cantam «o grilo da Zirinha» e que sempre que ouve o tema fica «uma pilha de nervos».

Na primeira audiência do julgamento, que decorre no Tribunal de Braga, a queixosa ficou nervosa, desmaiou e teve de ser assistida por um médico do INEM, quando o juiz decidiu «passar» aquele tema.

O tema chama-se «Cacei o grilo» e faz parte de um CD lançado pelo cantor Miguel Costa, sendo por este cantado nas festas e eventos em que participa.

O cantor estará, assim, a ganhar dinheiro à custa do «grilo da Zirinha», pelo que a empresária de Padim da Graça quer ser indemnizada, informa a agência Lusa.


A segunda sessão do julgamento foi preenchida com o depoimento de uma sobrinha da arguida, que «dissertou» sobre a conotação sexual da palavra «grilo» e sobre os vários outros nomes por que é conhecida, na gíria popular, a vagina. Aquela testemunha, professora, manifestou-se convicta de que, com a letra daquela canção, o arguido quis sugerir que mantivera um relacionamento sexual com a tia. Uma convicção que manteve mesmo depois de confrontada com certos textos de Gil Vicente ou mesmo com a «A garagem da vizinha» de Quim Barreiros, para aferir do eventual tom de brincadeira da canção.

O arguido negou a intenção de difamar ou de ofender quem quer que fosse, disse que tinha uma relação «de grande amizade pessoal» com a queixosa e sublinhou que na freguesia há mais que uma Alzira. Alegou que foi tudo uma questão de rima.

Na letra, Miguel Costa apresenta a Zirinha como amiga e diz que um dia lhe pediu para que a ela a deixasse tocar no «grilo». «Zirinha não pôs isso em questão», não disse que não, e então o cantor começou «a apalpar». No refrão, João Miguel repete, alegremente «Cacei o grilo na toquinha, cacei o grilo à Zirinha».

Aqui fica a música «Cacei o grilo», numa atuação de Miguel Costa com Marta «no festejo do 25° aniversario do Autocarro das 6 da Radio Voz do Neiva».







 

quarta-feira, 27 de março de 2013

Londres.

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Fotografias de José Cortez Liberato

NYC.

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Fotografias de António J. Ramalho

Um dia, uma fotografia.

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Helmut Newton
Charlotte Rampling,
1976

A vida perfeita.

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Myron Davis
A Boy and His Dog,
 Iowa, 1945






A minha vida

 

         Bem, a minha vida é basicamente perfeita. Tenho uma família perfeita e é completada por um pai com 47 anos, uma mãe com 47 também, uma irmã mais velha com 13 e a minha irmã gémea com 9 e eu.
         Hoje a minha irmã mais velha Leonor acabou de montar o nosso beliche do Ikea e hoje também fui a casa de umas amigas minhas que têm um cão muito giro e parece que a Margarida, a minha irmã gémea, tem medo dele.
 
Joana Araújo


À espera de Godot.


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Veneza, 2013
Fotografia de António Araújo

Nem tudo o que parece.

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Já temos falado aqui de manipulações fotográficas, truncagens, falsas atribuições. Ainda recentemente, o caso de uma falsificação grosseira, em que Bergoglio aparecia supostamente a dar a comunhão ao ditador Videla. Na realidade, era outro padre… Mão amiga fez-nos chegar mais esta, que não conhecíamos. Há uns anos, procurou-se mostrar o jovem Joseph Ratzinger, envergando vestes sacerdotais e fazendo a saudação romana (ou nazi). A imagem completa desmentiu essa manipulação. Ver para crer, está certo. Mas com cuidado.



Following Sean.




 
 
Malomil busca avidamente histórias de reencontros e follow up’s. A vida circular, o mundo pequeno. Sean foi um famoso documentário de 1969. Agora, o resto da história, o que entretanto aconteceu a Sean. Um resumo:
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Thirty years after making a celebrated student short about a four-year-old child of free spirits living in San Francisco's Haight Ashbury district at the height of the 1960s, Ralph Arlyck attempts the kind of revelation only documentary film can provide.




In "Following Sean," airing on PBS's P.O.V. series on July 31, 2007, he goes in search of the impish, barefoot kid who delighted or horrified audiences, reflecting the hopes and fears of a turbulent, utopian era. In discovering what has become of Sean, Arlyck finds a complex reality — and experiences pure cinematic surprise. As the filmmaker comes to grips with his own midlife conflicts, "Following Sean" may reveal as much about Arlyck and his generation as it does his subject. Find out more about this film and other P.O.V. films at

domingo, 24 de março de 2013

sábado, 23 de março de 2013

Um dia, uma fotografia.

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Horst Faas
A father holds the body of his child as South Vietnamese Army Rangers look down from their armoured vehicle near the Cambodian border
1964

sexta-feira, 22 de março de 2013

quinta-feira, 21 de março de 2013

Um dia, uma fotografia.

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Henri Huet
The body of an American paratrooper killed in action in the jungle near the Cambodian border is raised up to an evacuation helicopter in War Zone C
1966

segunda-feira, 18 de março de 2013

Um dia, uma fotografia.



 
 
 
Roman Vishniac
Interior of the Anhalter Bahnhof railway terminus near Potsdamer Platz, Berlin
finais 1920-inícios 1930





domingo, 17 de março de 2013

Uma dia, uma fotografia.

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Gordon Parks
Ingrid Bergman at Stromboli
1949

Papa visita Papa.




Marc Chagall, Crucificação Branca, 1938




Inédito e  somente possível em tempos  modernos.  Antes,  se  Papa eleito  declarasse ter falado a antecessor e  reportasse  coisas ouvidas do além, João Paulo II ter visto João Paulo I, seria declarado  santo em vida pelo dom da vidência.

Agora  em figuração inédita,  o  Papa emérito está disponível para deitar falação e contar estórias  recônditas  do  seu frustrado pontificado   ao sucessor,  herdeiro de montanha de problemas e  de  gargalos na  gestão da Cúria e da doutrina.  Francisco visitará Bento e  ouvirá, ou falará,  ou perguntará, ou rezarão juntos,  depois de trocarem segredos impenetráveis.

Imaginemos que o novo pontífice,  de inovador em simplicidade  no relato da imprensa,  fosse mais longe  e  suprimisse  o vistoso ritual de séculos, arquivando em museus mitras, tiaras e báculos, casulas douradas, estolas cravejadas de pedras preciosas, solidéus  carmesins,  e  de enfado se contente  em  ditar como obrigatório apenas o branco das túnicas originais.  Quem protestará, o povo que ama o luxo  ou os pobres que merecem uma refeição diária?  Vamos a  hipóteses.

Parece  que  negras vestes ou   pardas de  monges ou  presbíteros do século, nem   supletivas   vestes de leigo, também não  iriam  contentar  os titulares do baixo clero, que anseiam por uma meia roxa ou barrete vermelho ou um simples berloque ou cordão a animar chapeirão  ou barrete negro,  sôfregos por  dragonas da fé  a ornamentarem  a ascensão na hierarquia e  na escala de poder de perdoar os homens.   Assim, é de esperar-se que o incenso  continue a ninar as narinas dos fiéis e que os badalos continuem movendo as ovelhas para as ocas basílicas e catedrais.

E o cerne da fé e  seus variados conteúdos e interpretações acompanhariam a modernidade e a evolução do conhecimento humano ?   A ONG falida  e suas irmãs  paralelas  resistiriam tanto e até quando, depois de  se  terem  convertido   em   agências  arrecadadoras  e  investidoras  de dízimos  e doações – facções  evangélicas , mulçumanas, hindus, budistas, tantas mais. A  substância dogmática, desgastada na vida dos  fiéis pelas preferências mágicas  – bolsas  de aposta  sobre o efeito dos  ritos externos de aspersão  e mergulhos em águas sacramentais –     sobreviveria  à preferência pelos sinais externos e públicos da  prosperidade  econômica ou financeira,  marcação  ígnea  no  piedoso gado    da retribuição  divina ao  zelo da fé e da dedicação  ao culto ?

Afinal,  a religião continua como  último recurso. Antes de fechar os olhos,  cada consciência psicológica  como vela  tremula  na iminência de apagar.  Difícil não sentir o frio   da  dúvida quanto  ao  próprio destino . A Religião,  quando não seja o ópio do povo, tem servido de  extrema-unção  a  um mundo   aprisionado à rede virtual, sem tempo para pensar ante elevações  da  alma  menos concretas. E para não sair da atualidade, nada mais coisa do que um corpo sem sopro em  mausoléu.  E por quanto  tempo?

 


                   15 de março de 2013

         Claudio Sotero Caio

sexta-feira, 15 de março de 2013

We must believe in Spring.

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Fotografia de António Araújo

Cinco cartoonistas americanos.





 
 
Jules Feiffer
 
David Levine
 
Robert Crumb
 
Saul Steinberg
 
Al Hirschfeld
 

 
 
 

1. Um grande cartoonista: Jules Feiffer

            
Entre os grandes cartoonistas norte-americanos, os meus entusiasmos incluem sobretudo três nomes cimeiros do cartoon: Jules Feiffer, David Levine e Robert Crumb, sem esquecer um quarto artista, o novíssimo Art Spiegelmann,[1] ilustrador judeu do New Yorker – como os demais atrás citados, com excepção de Crumb – que faria entrar a arte da BD no mundo da Shoah, com a famosa série de álbuns do Maus. Ainda em relação a estes autores, deveria talvez acrescentar que uma das minhas mais velhas paixões, e isso desde os anos 60 mantida, através da leitura semanal do Sunday Times de Londres, foi Jules Feiffer, de que só me daria conta de ser um famoso ilustrador e autor de estórias e diálogos na América do Norte, além de guionista de alguns filmes célebres.[2] Uma das suas obras mais interessantes, intitulada Jules Feiffer’s America from Eisenhower to Reagan (1982), reuniu a suas estórias em BD acerca da vida, da política, dos sonhos e malogros americanos.[3]

Feiffer, nascido em 1929, no Bronx nova-iorquino, trabalhou com o famoso desenhador Will Eisner[4] desde os anos 40, sendo autor de variados livros para crianças de grande sucesso (v.g., The Man in the Ceiling, A Barrel of Laughs, etc.), guionista de filmes (Carnal Knowledge, de Mike Nickols) e de peças teatrais, além colaborador activo de grandes jornais e revistas, como Los Angeles Times, The New Yorker, Esquire, Playboy, The New York Times (1997-2000), recebendo um Oscar pelo seu desenho animado Munro (1961), e tendo ainda ensinado arte dramática e desenho em algumas universidades americanas (Southampton College, Yale School of Drama, Arizona State University, etc.). Em 1986 recebeu o Pulitzer Prize de humor e em 2004 foi acolhido no Comic Book Hall of Fame. Entre as suas colaborações mais assíduas e lidas, assinale-se aquela que manteve anos a fio na revista The Village Voice. Da sua antologia Jules Feiffer’s America recordemos alguns dos seus cartoons mais incisivos referentes aos períodos em que Nixon, Ford e Reagan foram presidentes da América do Norte.[5] Por exemplo, aqui temos Nixon, em oito perfis, dizendo: “se o povo americano está farto do Vietnam… então não falemos mais disso… se o povo americano está farto do Laos…então não falemos mais disso…se o povo americano está farto de direitos civis… então não falemos mais disso… de que falaremos então?... de poluição”(p.144). Depois vemos Nixon, de camisa de dormir  e com um castiçal de  vela na mão, a dialogar com o Pai Natal: “O que é que 1972 nos vai trazer? Mais inflação…mais desemprego…uma economia estagnada… a mesma guerra de sempre… e uma desastrosa campanha eleitoral…(Nixon, alarmado, deixa cair a vela). E você diz que se chama Pai Natal?... E você diz chamar-se Presidente?”(p.160). Depois, um gorila com a cara de Nixon, empoleirado no Capitólio, vai desfazendo tudo, enquanto a multidão, reunida em redor, comenta: “Ele está a mastigar o Congresso… está a devorar o Tribunal… está a desfazer a Constituição…é melhor a gente ver-se livre dele!... não podemos!... porque não?... porque isso despedaçaria a nação!”(p.165). Depois, temos Ford a conversar com Henry Kissinger: “Henry, haverá alguma coisa errada comigo?... Nada, sr. Presidente… Então como é que eu estou mais à vontade com ditadores fascistas do que com chefes de Estado democráticos?... Fazemos bons negócios com ditadores, sr. Presidente… Mas como é que estou mais à vontade com ditadores fascistas do que com ditadores comunistas?... Fazemos melhores negócios com fascistas do que com comunistas, sr. Presidente… Mas isso não me tornará insensível aos direitos dos povos?… Que direitos, que povos, sr. Presidente?… Não conheço os direitos civis humanos… estou a ficar com dor de cabeça…Um momento, sr. Presidente (Kissinger afasta-se e chega outro político: Como vai Jerry? o Henry mandou-me ter consigo…)”(p.170)













2. David  Levine, o Daumier americano

 
David Levine (Brooklin, NY, 1926-29-XII-2009)[6] nasceu em Nova Iorque sendo filho de Harry Levine, dono duma fábrica de roupas, e de Lena, enfermeira e militante política de simpatias comunistas. David estudou pintura no Instituto Pratt e depois seguiu aulas na escola de arte da Universidade de Temple, em Filadélfia (1946), servindo no exército, logo a seguir ao fim da guerra, completando depois os seus estudos artísticos na Tyler School. Colaborou em jornais técnicos, fez aguarelas e pintura, fundando em 1958 um grupo de artistas, o Painting Group. Nos anos 60 publica ilustrações de índole política na revista Esquire, assim como na The New York Review of Books desde que esta foi fundada, em 1963, ilustrando-a com mais de 3.800 caricaturas de figuras literárias, políticas, mediáticas, etc., assim como em jornais e revistas, no New York Times, Rolling Stone Magazine, Washington Post, The Nation, The New Yorker, Time (entre as quais, em 1967, o Presidente Johnson como um rei Lear desesperado e furioso), etc. Está representado em galerias de arte e museus por todo o mundo, editando em 2008 uma colecção de cartoons de presidentes americanos por mais de cinco décadas. No prefácio à sua colecção de figuras literárias, John Updike viu em Levine uma continuação de Daumier e Tenniel.[7] O seu traço é sempre seco, como que feito com a ponta duma caneta acerada – na New Yorker dar-se-ia, porém, ao luxo de acrescentar cores aos seus retratos, suavizando-os –, com uma total falta de complacência para com as personagens por ele caricaturadas e uma curiosa preocupação de relevo, obtido por um processo algo oitocentista, pela repetição de riscos cruzados, tudo sito numa atmosfera de cabeças excessivamente grandes e sombriamente expressivas. No caso da caricatura de Pessoa, por exemplo, o exagero típico do cartoonista está no chapéu do poeta, demasiado grande. Uma das suas vítimas favoritas era Nixon, que Levine desenhou pelo menos 66 vezes, sendo em algumas Deus, um feto ou o capitão Queeg. No obituário do New York Times, Bruce Weber sublinhava que as suas caricaturas nunca pareciam extravagantes, como no caso das de Al Hirschfeld, ou neuróticas, como no caso de Feiffer, porquanto não se sentia atraído pelo macabro ou pelo excessivo, sendo antes, em toda a sua carreira, um artista distinto e comentador, já que a “sua obra não era só irónica mas séria, não só mordente mas profundamente informada”, o que o tornava o continuador de Daumier e Thomas Nast.[8] Os seus desenhos foram sempre feitos a partir de fotos dos caricaturados, e só executava os cartoons após ler o artigos nos quais aqueles iam ser publicados.



Fernando Pessoa


Sartre

Henry Kissinger
 
Richard Nixon





3. Robert Crumb, o artista da contra-cultura e o seu gato pícaro

 
Recordo também Robert Crumb, talentoso ilustrador, nascido em Filadélfia em 1943, que, desde os anos 60, através duma tradução francesa do Gato Fritz e do filme que dele tirou Ralph Bakshi (Fritz the Cat, 1972, Warner Brothers), uma excelente adaptação das aventuras do gato pícaro, felino sexualmente faminto, modelo para toda uma geração beatnik interessada em encontrar na BD o equivalente aos aventureiros sexualmente desinibidos e bastante contestatários de Jack Kerouac e A.xGinsberg. Com Crumb estamos, talvez, diante do maior talento da BD norte-americana, o maior artista dos jornais ilustrados da contra-cultura, o mais forte inventor de mitos, modas, atitudes e catalogador de manias, taras, angústias e obsessões sexuais americanas, a começar pelas suas, espécie de versão desenhada de homens da beat generation como Kerouac, Ginsberg e até Burroughs, o mais puro produto dos fabulosos “anos 60”.[9] Uma edição recente do essencial da sua obra constituirá, deste modo, um monumento gráfico que o futuro não poderá deixar de visitar: chama-se The R. Crumb Coffee Table Art Book.[10]

Crumb nasceu no seio duma família desunida de Filadélfia, na qual viu a luz dos seus dias em 30-VIII-1943, sendo seu pai sargento da marinha. Um dos seus irmãos, Charles, acompanhá-lo-ia inicialmente na sua saga de criador de revistas ilustradas da contra-cultura, desde os anos juvenis, começando por vender os produtos da sua imaginação artística à porta do liceu que frequentavam, embora sem grande sucesso e magros lucros. A família deslocou-se entretanto para a Califórnia e, depois, para o Delaware e, por fim, para Cleveland, no Ohio. Crumb passou a desenhar cartões de parabéns, com a ajuda dum amigo, Marty Pals, ao mesmo tempo que frequentava um grupo de intelectuais boémios, entre os quais encontraria aquela que seria a sua primeira mulher, Dana Morgan. Entre os seus amigos achava-se uma figura destacada do Mad, Harvey Kurtzman, que ficaria desde então associado à sua carreira de artista. Os seus desenhos publicam-se em algumas revistas do movimento intelectual underground, como Yarrowstalks, até que decide partir para a Califórnia, editando ali o primeiro da sua célebre revista Zap Comix (1968).

Nasciam então algumas das personagens que se associam à sua carreira, como Mr. Natural e o Gato Fritz. O sucesso das revistas da contra-cultura favorece a sua actividade, aparecendo o seu nome no Zap, ao lado de outros artistas de fama como Robert Williams, Victor Moscoso, Harvey Kurtzman, etc. colabora noutras revistas como East Village Other, Gothic Blimp Worrks, Motor City, Yellow Dog, etc., passando os seus desenhos a terem larga procura. Ralph Bakshi adapta ao cinema de animação as aventuras do seu personagem mais famoso do movimento da contra-cultura underground da época, o felino Fritz o Gato, aliteratado, trapalhão, obcecado sexual, obsceno e delirante caçador de gatas, que salta dos comics para o famigerado filme Fritz the Cat, a primeira fita do género a ser classificada com a menção “X”, ou seja, como pornográfica. A verdade, porém, é que, acabado o filme, Crumb se manifestou decepcionado com ele, preferindo dar o seu Fritz como doravante morto, por via dum atentado semelhante ao que matara Trotsky, i.e., atingido por uma picareta no crânio... [11]

Os anos 70 foram difíceis para Crumb. Além de perder os direitos de algumas das suas criações, como o Keep on truck, teve batalhas legais com os serviços de impostos e vários outros embaraços e dificuldades que tornariam as suas obras mais amargas e agressivas. Nos anos 80 tornou-se editor de publicações ilustradas, acabando por desistir da direcção das revistas, contentando-se em desenhar as suas capas. Em 1994, um documentário sobre a sua vida e obra deu-lhe certa notoriedade nacional. A sua colaboração na prestigiada revista The New Yorker consagraria esta sua ascensão ao estrelato como cartoonista-mor da contra-cultura. Algumas produções na pintura e na escultura alargaram, entretanto, a sua paleta de actividades como artista, assim como a sua fama subitamente estabelecida valeu-lhe elogios e prémios mas, também, ataques e remoques virulentos vindos dos meios mais diversos, desde os movimentos feministas a grupos radicais que lhe encontravam intenções racistas ou piores, tendo havido mesmo uma edição pirata dos seus desenhos sobre negros, intitulada “When the Niggers Take Over America”, patrocinada por um movimento que lhes era hostil... Houve ainda a tentativa de se provar que a sua sexualidade era misógina ou claramente antifeminista, como no caso das suas celebradas figura de mulher super-sexuadas, negras ou brancas, que enxameavam as suas páginas, fêmeas planturosas, muito bien en chair, que Crumb celebrava com desbragada voluptuosidade.[12]

Em contrapartida, alguns críticos de arte, como Robert Hughes, sublinharam a filiação de Crumb nuam linha de grandes artistas satíricos, gráficos e literários, que incluía Dürer, Rabelais, Swift, Brueghel, Goya, etc. A meio da década de 90, acompanhado pela sua mulher – e também artista de BD – Aline Kominsky, Crumb emigrou para França, fixando-se em Sauve, terreola do Languedoc-Roussillon, juntamente com uma  filha, Sophie,  e um filho, Jessie.

Recentemente, entrevistado pelo semanário francês Le Nouvel Observateur, Crumb resumia a sua carreira deste modo: “Fui educado na América dos anos 40-50, e num meio no qual a BD tinha um lugar importante na diversão das crianças. O meu irmão Charles, ainda era mais doido do que eu. Só estávamos expostos à cultura de massas. Os nossos pais, que faziam parte da franja inferior das classes médias, não manifestavam qualquer interesse pela literatura, as artes ou a música clássica. A minha mãe comprava-nos bandas desenhadas: O Pato Donald, a Luluzinha e esse género de histórias. Também víamos imenso a televisão. (...). O meu irmão tornou-se um obcecado pela BD, desenhando sem parar as suas personagens e criando os seus próprios jornais de BD. Ele era o meu irmão mais velho e muito dominante: depressa me pôs a desenhar também. Eu era uma criança passiva, influenciável e inteiramente sob a tutela do meu irmão Charles até à idade de 19 anos! Estou certo de que nunca seria desenhador sem esta forte presença fraterna durante os anos da aminha infância e da minha adolescência. Charles suicidou-se aos 50 anos, em 1992. Mas este estava orgulhoso com o meu sucesso, como um professor que vê o seu melhor aluno atingir a glória e a celebridade.”[13]

Além do já referido The R. Crumb Coffee Table Art Book, de proporções excessivas apesar do seu título, editada em 1997, algumas obras reproduziram as suas ideias sob a forma de entrevistas, como R. Crumb – Conversations (2004), editada pela Universidade do Mississipi, e um estudo de D. K. Holm com o título de Robert Crumb (2003), uma edição de Pocket Essentials. Assinale-se ainda um The R. Crumb Handbook (Londres, 2005). Deve-se ainda a Crumb as magníficas ilustrações do livro sobre Kafka de David Zane Marirowitz.[14] Em 2009 surgiu o seu álbum bíblico The Book of Genesis, que seria saudado por Malcolm Jones na revista Time e por Harold Bloom no quinzenário The New York Review of Books.[15]
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Auto-retrato
 
 
 
 

4. Saul Steinberg

 
         Ficaria decerto incompleta esta resenha rápida dos maiores artistas gráficos do cartoon americano sem uma referência ao extraordinário artista que foi Saul Steinberg (1914-1999), nascido na Roménia e imigrado para os E.U.A (1940), naturalizado no ano seguinte, altura em que serve na marinha americana, depressa se tornando, desde o final da guerra, um dos expoentes máximos da arte cartoonística do seu novo país, a ponto de lhe ter sido confiada  a execução dos painéis frontais do pavilhão dos Estados Unidos na Exposição Universal de Bruxelas, em 1958 – onde a sua fantasia  logo confrontava a gravidade retórica do pavilhão soviético em face –, com o seu estilo de elegância trocista e a graça cáustica deste judeu romeno naturalizado cidadão dos States. Os seus diversos álbuns de desenhos estão repletos de desenhos de estilo inconfundível, executados com uma pena aguçada, exprimindo-se de modo extravagante e inesperado, troçando das ideias feitas e adaptando formas convencionais – v.g., as impressões digitais – em metamorfoses surrealistas, assim como dando às palavras sentidos e formas inesperados. Colaborador regular da New Yorker, desde 1941, e autor de varias capas desta famosa revista cultural, Steinberg é inseparável da arte da América, caldeada na sua experiência de judeu europeu imigrado para a sua nova pátria além-Atlântico.

De Steinberg disse o autor de As Bruxas de Eastwick que não tinha sotaque mas sim uma “tendência não-americana para a precisão epigramática”, o que não o deixa de o ligar a uns quantos outros exilados romenos do século XX, como Brancusi, Tzara, Ionesco e até Cioran.[16]  Tendo feito o seu doutoramento em arquitectura, na Itália (1940), dessa arte que nunca praticou guardaria, contudo, a obsessão das linhas essenciais de construção espacial e dos seus infinitos labirintos, partindo tardiamente para a América (em 1940), tal como Nabokov ou Milos Forman, o que lhe tornou urgente inventariar uns quantos emblemas essenciais do Sonho (ou do Pesadelo) Americano, como cow-boys, mulheres de botas e chapéus de plumas marciais e Mickey Mouses armados e implacáveis, automóveis góticos e edifícios alucinantes que ele descrevia com a sua caneta de ponta fina, linear, arquitectural, especialmente apta a descrever um mundo freneticamente habitado por gentes, cenários e animais grotescos, gente que vive em gavetas, no meio de cidades tentaculares, desumanas, onde imperam viaturas disformes...[17]

Steinberg foi, em suma, o arquétipo do intelectual europeu que passeia a sua visão critica, ácida e sempre céptica por um mundo novo cheio de fantasmas, bruxas, duendes, monstros, objectos extravagantes e excessivos – nada mais sintomático do que o tamanho e a exageração retórica das carroçarias e do design dos automóveis americanos, desde os veículos mais “normais” às limusines demasiado longas –, casas góticas e tribos exóticas, entre as quais os native Americans não seriam decerto as menos bizarras. Enquanto Norman Rockwell pintava o dia-a-dia e os dramas maiores e menores do seu país como uma visão serena e indulgente, ainda que simpatizando, obviamente, com a acção dos que se batiam pelos negros ou contra a intolerância, numa perspectiva toda rooseveltiana – não foi ele que deu forma as famosas “Quatro Liberdades” da América (“Freedom of Speak”, “Feeedom from Want”, “Freedom to Worship” e “Freedom from Fear”, recentemente reeditados em selos postais americanos? –, Steinberg lembrava mais a visão que de Nova Iorque nos deu Céline no seu romance cruelmente realista Viagem ao Fim da Noite. Uma derradeira referência a um álbum feito de colaboração com a fotógrafa da agência Magnum, Inge Morath, entre 1959 e 1963, e editado com o título muito adequado de Masquerade, em  2000[18]: trata-se de uma série de fotos divertidas e algo enigmáticas de várias pessoas com máscaras de cartão, papel de sacos embrulho na cabeça, em atitudes algo misteriosas, com um fundo surrealista evidente, algo misterioso, numa atmosfera mais tipicamente steinberguiana.
 


Masquerade
 


 
 

 




5. Al Hirschfeld, o Fred Astaire da pena de tinta

 

Um outro grande artista gráfico americano merece ainda ser referido: o prodigioso desenhador, caricaturista do mundo do cinema e do teatro chamado Al Hirscheld (1903-2003), o “Fred Astaire da pena e da tinta” que, durante 50 anos, fez as caricaturas das artes e espectáculos do New York Times.[19] Numa versão recente do famoso Fantasia dos estúdios Walt Disney incluiu-se um desenho animado seu, com a música da Rhapsody in Blue de Gerswhin. Em 1991, já arquicélebre, Hirschfeld foi o primeiro artista gráfico americano a ter selos dedicados à sua arte, com caricaturas de Bucha a Estica, e doutros atores. O êxito desta série filatélica foi tal que, em 1994, o United States Postal Service lançou uma nova série, agora com retratos de estrelas do mudo, Charlot, Rudolfo Valentino, os “Keystone Cops”, Harold Lloyd, Pamplinas, etc.

 





 




João Medina

 

 







[1]  As obras mais recentes de Art Spiegelmann são Bons Baisers de New York, pref. de Paul Auster, Paris, Flammarion, 2003, com a sua colaboração na famosa revista The New Yorker, incluindo a capa sobre  o Pai Natal que a revista censurou por o representar a urinar na neve (pp.26-7) e o enorme álbum (25x36cm) In the Shadow of No Towers, s.l., Pantheon, 2004, ilustr., dedicado ao atentado contra as Torres Gémeas de Manhattan.
[2] Lembremos alguns álbuns de desenhos de Jules Feiffer: Jules Feiffer´s America: from Eisenhower to Reagan, Nova Iorque, Knopf, 1982. The Explainers, Nova Iorque, The New American Library, 1964 .The Penguin Feiffer, Hardmosndsworth, Penguin Books, 1964. Hold Me!, Nova Iorque, Random House, 1962.
[3] Destaquemos deste volume, Jules Feiffer’s America from Eisenhower to Reagan (Nova Iorque, Alfred Knopf, 1982), alguns dos seus temas centrais ou mais recorrentes: o amor (pp. 39, 41, 44), o sexo e a política (p.39), os negros (pp.52, 108), a Bíblia como livro (p.36), a dança (pp.46, 50, 89, 92, 104, 107, 128, 131, 136, 206/207, 214, 292/293, etc.), o Pai Natal (p.244), ser criança (p.186), o Tio Sam (p.118), Ford e Kissinger (pp.171/173, 191/193), Fred Astaire (p.185),  Eisenhower (p.24), Kennedy (pp.47, 67), Nixon (pp.46, 116, 117, 133, 143, 145, 159, 160/163), L. B. Johnson (pp.81/2, 92, 109, 115), Jimmy Carter (pp.197/8,204, 223), pacifismo (p.66), etc.
[4] Will Eisner (1917-2005), criador do famoso herói da BD Spirit (1946), tendo tido Feiffer como seu colaborador, autor de vários romances gráficos (A Contract with God, The Building, Moby Dick, etc.) e duma BD dedicada à célebre falsificação redigida com fins anti-semitas,  Os Protocolos dos Sábios de Sião, intitulada The Plot, Nova Iorque e Londres, W.W. Norton & Company, pref. de Umberto Eco, pp.V-VII, ele mesmo autor dum romance sobre o mesmo falsificador, O Cemitério de Praga.
[5] Veja-se Jules Feiffer’s America from Eisenhower to Reagan: pp.15-123 (Eisenhower), pp.125 ss (Nixon), pp.195-227 (Jimmy Carter), pp.169-193 (Ford) e pp.229 e ss (Reagan).
[6] Veja-se o seu obituário “David Levine, biting caricaturist, dies at 83”, por Bruce Weber, New York Times: 29-XII-09. No jornal Le Monde, o obituário “David Levine”, por Yves-Marie Labbé, 2-I-2020, p.17. – Garry Wills, “On David Levine (1926-2009)”, The New York Review of Books, 11-II-2010, p.4. O crítico lembra que Levine abordou um leque imenso de temas e, no tocante a figuras, representou pessoas desde Jonathan Sumption até F. Pessoa (este em 1972), acrescentando: “Levine foi um homem de alta inteligência, vastas leituras e sólido treino artístico.(...). Mas, mais do que isso, tinha grande penetração psicológica quanto aos seus assuntos.”  Veja-se a sua obra, escolhida e apresent. por John Updike, Pens and Needles. Literary caricatures by David Levine, Nova Iorque, Dorset Press, 1989 (o seu conhecido cartoon de F. Pessoa não vem reproduzido nesta antologia de figuras literárias).
[7] Pref. de J.Updike a David Levine, Pens and Needles, p.VI.
[8] Bruce Weber, obit. citado, The New York Times, 29.XII-98.
[9] Um dos seus colaboradores mais conhecidos foi o cartoonista da série American Splendor, Harvey Pekar (Cleveland, Ohio, 8-X-1933 – id.,12-VII-2010). Houve uma adaptação ao cinema da sua série de BD American Splendor, em 2003, dirigida por Shari Springer Berman, Robert Pulcini et alii, adaptando diversas estórias da vida quotidiana em Ceveland (Ohio) descritas por H.P. nas suas revistas de BD. O DN deu destacado obituário, em 14-VII-2010, assim como a revista Time, em 26-VII-10 (artigo de Joe Sacco) e Babelia, suplemento de El País, em  24-VII-10 (art. de Antonio  Muñoz Molina, p.8). Há uma ed. espanhola das suas BDs, intitulada American Spendlor: los Cómics de Bob e Harvey Prekar y Robert Crumb, La Cúpula.           
[10] R. Crumb, The R. Crumb Coffee Table Art Book, s.l, Back Bay Books, 1998, ilustr. Esta obra, de dimensões invulgares (28 x 34 cm), não inclui Fritz the Cat, que pode ser encontrado na obra de R. Crumb, Head Comix, Paris, Éditions Actuel, 1971, pp.73-95. Sobre R. Crumb veja-se a ilustração (capa da New Yorker) e a nota biográfica que lhe dedico no “dossier” do nº 12 da revista Clio, pp. 278-279.
[11] Vejam-se as páginas com a sua aventuras de Fritz em  R. Crumb de Head Comix, Paris, Actuel,1971, pp.73-95.; as mesmas páginas, em inglês, no R. Crumb Head Comix, Nova Iorque, Simon & Schuster, 1988, 10  pp. não paginadas, e no The R. Crumb Coffee Table Art Book, pp.96 (capa duma revista) e pp.50-53 (um episódio de Fritz).
[12] Exemplos no The R. Crumb Coffe Ttable... já citado: pp.108 (uma negra), 111, 113, 112 (uma negra e  uma branca muito sexies), etc. Um texto de R .C. sobre as suas mulheres sexies de grandes pernas, fortes nádegas e seios protuberantes que ele desenhou desde os 17 anos: p.109, cf ainda pp.124-128 e 224 ss (mulheres grandes e suas vantagens).
[13] Robert Crumb, “Mes âges d’or”, Le Nouvel Observateur,  Paris, 17-VII-2008, pp. 22-25; p.22.
[14] Robert Crumb (desenhos) e David Zane Mairowitz (texto), Kafka, Arles, Actes Sud, 1996 (trad. francesa do livro de David Zane Mairowitz intitulado Kafka for Beginners, de 1993).
[15] R.Crumb, The Book of Genesis illustrated by R.Crumb, Nova Iorque e Londres, W.W. Norton e Company, 2009 (dedicado a Aline). – Malcolm Jones, “In the beginning was the word...Now come the drawing”, Time, 2-XI-2009, pp.60-51. – Harold Bloom,”Yahveh meets R.Crumb”, The New York Review of Books, vol. LV, nº19, 3-XII-09, pp.24-25. Bloom, depois de lembrar os grandes pintores da Bíblia, como Miguel Ângelo, Tintoretto, Rembrandt e Blake, vê a versão do Génesis de Crumb em BD como uma versão na linha de Ben Shahn, passando sobretudo a considerar Iavé como uma figura literária, uma personagem como Panurgo, Sancho Pança ou Falstaff. E o crítico da Time saúda nesta versão bíblica de R.C. uma cuidadosa versão feita com “meticuloso realismo”, realismo que “restaurava o mistério no coração da lenda.” (p.61); e observa que esta versão do famoso texto funciona tão bem porque não é reverenciosa: “Crumb consegue um milagre todo seu; fazendo duma das mais velhas histórias do mundo uma coisa nova.” (loc. cit.).
[16] John Updike “On Saul Steinberg (1914-1999)”,  The New York Review of Books, 24-V-1999, pp.12-13.
[17] Veja-se, v.g., o seu álbum de desenhos The Passport, Nova Iorque, Harper & Brothers, 1954, paginação não numerada. Steinberg publicou ainda duas outras recolhas de desenhos: Saul Steinberg: The Discovery of America (Nova Iorque, Alfred Knopf, 1992) e The Labyrinth (Nova Iorque, Harper, 1960).
[18] Veja-se Saul Steinberg e Inge Morath (fotos), Masquerade, Nova Iorque, Viking Studio, 2000, não paginado.
[19] O meu estudo sobre Charlot, no livro Cinema e História (Lisboa, Centro de História da Universidade de Lisboa, 2004), inclui, em extratexto, uma magnífica ilustração de A. Hirschfeld sobre o filme O Grande Ditador. Veja-se ainda  David Leopold, Hirschfeld’s Hollywood. The film Art of Al Hisrchfeld, pref. de L. Gelbart,  Nova Iorque, Harry N. Abrams, 2001, ilustr., nomeadamente as seguintes ilustrações: Bucha e Estica (pp.12, 37 e 46), Gene Kelly e Debbie Reynolds na famosa cena cantando e dançando “Singing in the rain” (p.23), Charlie Chaplin (pp.27, 54, 55), Ernst Lubitsch (p.34), Peter Lorre no M de F. Lang (p.43), os Irmãos Marx (pp.44, 45), Cary Grant (p.68), Fred astaire (p.71), Woody Allen (p.82), Spielberg dirigindo uma cena do Salvando o Soldado Ryan (p.87), Hollywood (p.90), Al Hisrchfeld (p.92). No Fantasia 2000 (prod. Walt  Disney Home Video, 75 minutos, 2001, sobre peças musicais de Chostakovitch, Respighi, Gershwin, etc.), o Rhapsody in Blue (1924) de George Gershwin (Brooklin, N. Iorque, 1898-Hollywood, 1937) é ilustrado com deslumbrantes desenhos de Hirschfeld.