sábado, 29 de agosto de 2026

Não saltar refeições: uma máxima sagrada.

 




Saltam-se refeições como se fossem páginas de publicidade. Mas não devia ser assim.

O dia começa com a mais maltratada pelo Portugueses – o pequeno-almoço. O nome já nos devia fazer pensar, mas insistimos em “comer qualquer coisa”, em pé, de fugida. Como se isso nos fizesse mais eficientes e produtivos. O mínimo aceitável é pão com queijo, croissant com fiambre ou torradas com manteiga, sumo de laranja espremida e café, com ou sem leite. Sentado. Depois vem o almoço, sopa, prato principal e salada, sobremesa, nem que seja fruta, e café. Sempre que possível, um lanche para sobreviver na longa espera pelo melhor do resto do dia, o jantar. À mesa, e com tudo a que se tem direito. E, às vezes, só às vezes, uma ceia às escondidas, como quem comete um pecado delicioso.

Dantes já havia os lanches ajantarados, o pior castigo para uma tarde de domingo, a sugerir a vil eliminação do jantar. Nunca, nem que seja de restos. Agora temos brunches — essa invenção moderna para saltar refeições com estilo. Um almoço disfarçado de pequeno-almoço, servido por quem acha que torradas com abacate são uma refeição completa.

Saltam-se refeições como se fossem irrelevantes. Mas cada uma é um momento. Um ritual. Um direito.

Saltá-las? Só com ordem médica. Ou por acidente. Nunca por moda.


                                                        José António Nogueira de Brito 



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