Saltam-se refeições como se fossem páginas de publicidade. Mas não devia ser assim.
O dia começa com a mais maltratada pelo Portugueses – o pequeno-almoço. O
nome já nos devia fazer pensar, mas insistimos em “comer qualquer coisa”, em
pé, de fugida. Como se isso nos fizesse mais eficientes e produtivos. O mínimo
aceitável é pão com queijo, croissant com fiambre ou torradas com manteiga,
sumo de laranja espremida e café, com ou sem leite. Sentado. Depois vem o
almoço, sopa, prato principal e salada, sobremesa, nem que seja fruta, e café.
Sempre que possível, um lanche para sobreviver na longa espera pelo melhor do
resto do dia, o jantar. À mesa, e com tudo a que se tem direito. E, às vezes,
só às vezes, uma ceia às escondidas, como quem comete um pecado delicioso.
Dantes já havia os lanches ajantarados, o pior castigo para uma tarde de
domingo, a sugerir a vil eliminação do jantar. Nunca, nem que seja de restos.
Agora temos brunches — essa invenção moderna para saltar refeições com estilo.
Um almoço disfarçado de pequeno-almoço, servido por quem acha que torradas com
abacate são uma refeição completa.
Saltam-se refeições como se fossem irrelevantes. Mas cada uma é um momento.
Um ritual. Um direito.
Saltá-las? Só com ordem médica. Ou por acidente. Nunca por moda.
José António Nogueira de Brito

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