A
Tiflologia não pode, por isso, ter unicamente como objectivo ensinar e educar
os cegos.
sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020
quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020
«Super-previsor político»
Este
idiota, que se autointitula «super-previsor político», pelos vistos não é
grande previsor pois mal entrou no governo britânico teve de se demitir porcausa de afirmações obscenas, sexistas e racistas. Que besta.
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Liberdade de Amar e Direito de Morrer (Ensaio Criminalista), por L. Jiménez de Asúa.
Repilo
imediatamente, com repugnância e tristeza, a organização, com todo o aparato de
legalidade, do extermínio das pessoas atacadas de males incuráveis ou de demência
irremediável. Essas comissões encarregadas de se pronunciarem sobre o
aniquilamento dos doentes sem salvação e esses estabelecimentos em que se
praticaria dificilmente a eutanásia, reclamados por Binet-Sanglé, Binding e
Hoche, levantariam furacões de protesto na sentimentalidade do povo, que faria
um paralelo entre tais medidas e as que se executam nas grandes cidades contra
os cães vagabundos.
A porta do Oriente (25)
O
Museu Sursock é o resultado da doação à cidade de Beirute de um palácio para
instalação de uma colecção de arte contemporânea.
O
doador chamava-se Nicholas Ibrahim Sursock, era um grande coleccionador, residiu no
edifício desde 1912 e faleceu em 1952.
O
Palácio, de gosto mourisco, acolhe uma colecção permanente e exposições
temporárias, sempre de arte moderna.
quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020
Outro Olhar na Antena Dois.
A cor da nostalgia
Não,
não são as imagens macabras de Ingrid Escanilla – e acho que deviam ver quem é, ou foi até
há dias, Ingrid Escanilla. Mas, como disse a Elena Piatok quando me mandou
estas imagens, vindas do El País, o México, o seu amado México, não é só uma
terra feminicida. É muito mais do que isso, é o país do maior mercado de comida do mundo,
Central de Abasto, aqui exibido num colorido de fazer doer a vista – e, para a Elena, de fazer
doer um coração imenso, mas cheio de saudades.
terça-feira, 18 de fevereiro de 2020
Cismologia Aplicada.
CISMOLOGIA APLICADA
Cismo,
logo tremo.
*
Cismo,
logo ex-isto.
*
Cismo,
logo edito.
*
Cismo,
logo prenso.
*
Cismo,
logo abalo.
_________________________
Ricardo
Álvaro
segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020
#SheToo.
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Emma Becker
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Virgine Despentes
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Li agora no Le Monde que o Sr. Macron, depois de ter largado, sem grandes consequências, o míssil
das devoluções de obras de arte, abriu agora o debate sobre o acesso das pessoas com deficiência a serviços sexuais. A reflectirmos, pois o tema bem
justifica (e não estou a brincar). O que não justifica mesmo nada é o último
livro da Emma Becker, que é uma tonta de uma exibicionista e quiçá uma aldrabona,
pois nunca sabemos que o que diz é verdade nem temos meios de saber se mente.
Diz que se fez prostituta e que esteve dois anos num BB (bordel de Berlim). Não
estou a dizer que não tenha estado, nunca vi BBB (Becker num Bordel de Berlim).
E também vi, mas não li o livro La Maison,
editado pela Flammarion o ano passado. Mas li uma reportagem grandita sobre A Casa, saída no Le (Nouveau) Magazine Littéraire (com o belo título «Bordeline»). O
que me pareceu? Que, talvez sendo injusto, aquilo é uma versão século XXI e mal
amanhada da Crónica da Mais Velha
Profissão do Mundo e que os franceses sempre adoraram literatura
prostitucional, naquele país houve e há dezenas de livros e «relatos» sobre a
vida na rua, nos bordéis, no sexo a dinheiro. Muitas vezes, e suspeito que com
a Becker se passa o mesmo, sob o pretexto da «denúncia» o que se quer é fazer pseudoporno
e literatura-escândalo (que, de resto, já não causa escândalo nenhum, o último
exemplo deste lixo foi o inacreditavelmente péssimo American Psycho, em meu modesto entendimento).
Diferente,
muito diferente, é o relato confessional, também sobre a vida na prostituição
(e não só, o trauma da violação, a pornografia, etc.), de outra francesinha escandalosa,
Virgine Despentes. Teoria King Kong é
um livro que, em meu modesto entendimento, vale muito a pena ser lido. Ela
alterna, alterna entre muitas asneiras que diz (sobre o capitalismo, etc.
coisas de um basismo atroz) e intuições de uma clarividência cortante, brutal
(sobre os filmes pornográficos, por exemplo, algumas observações certeiríssimas). Há muita coisa criticável ou
passível de discussão em Teoria King Kong
mas vale muito, muito a pena. Estive até para mandar vir de França a obra
romanesca da moça Virgínia Dos Pentes, Vernon Subutex (1 e 2, falta o 3). reparei entretanto que saiu cá pela EE (Excelente Elsinore). Ao folhear
numa livraria, sentimentos mistos, se aquilo não será uma tentativa fraquinha,
fraquinha, de mimetizar o Houellebecq e outros carrascos dos bons costumes,
outra especialidade sádica em que FF (França é Fértil). Se tiver vagar, ainda
escrevo um dia com mais calma sobre Teoria King Kong, seria bom que lessem para
podermos falar de um livro que, goste-se ou não (e muitos irão certamente
odiar), é muito importante. Mais do que parece. Mais até do que a autora se
calhar julga, apesar do sucesso tremendo (só em Espanha já vai na 8ª edição). A
ler.
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a evitar (parece-me) |
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a ler! |
domingo, 16 de fevereiro de 2020
Plantas Tristes.
Falo disto à
vontade aqui, porque o António decidiu contar tudo. E fez bem, neste tempo em
que se discute revelar todas as ligações secretas, as mais e as menos
organizadas, mais vale dar o exemplo. E o António Araújo fê-lo naquele que é
simultaneamente o melhor blogue do mundo, mas também de Portugal, o Malomil.
Caía o pano do ano – e que ano – quando o António, no trinta e um, procedeu a este outing botânico
e contou ao mundo do Plantas.
O Plantas é o nome curto do Plantas Tristes, e o Plantas Tristes, criado
em 20 de outubro de 2017, e com sete pessoas, é um grupo de WhatsApp. Um grupo
de WhatsApp, nem mais nem menos. E o que é o Plantas? É um grupo onde adultos
partilham consensualmente fotografias de plantas tristes. E o que são plantas tristes? Recorro aqui às
palavras do António, que é uma pessoa boa, de palavra, além de colaborador
deste Diário: "E o que são plantas tristes? – perguntais bem.
Difícil explicar, é preciso sentir o conceito. Talvez por exemplos: plantas que
jazem sozinhas nas entradas dos prédios, em terra árida e pouco regada, amiúde
urinada, e resmas de beatas. Ou plantas solitárias entorpecidas em escritórios,
que nascem e morrem sem conhecer outras plantas e, por isso, são incapazes,
coitadinhas, de alegrar um ambiente de trabalho.
Plantas Tristes,
em síntese apertada, é uma espécie de escravatura botânica, não sendo
necessário, creio, acrescentar mais nada. Ora, tudo isso é triste, muito
triste, como decerto compreendereis, corações bondosos." É isto mesmo, são
plantas de hall de prédio, junto aos molhos de panfletos do
Aldi, cuidadas por uma porteira ou vizinha de mãos verdes, quietas como
tartarugas num aquário, ou plantas nos escritórios, nas salas de espera, nos
corredores, nas entradas e nas saídas. E sim, é isso que fazem estes sete
adultos, passam numa rua à porta de um prédio e lá dentro jaz uma planta,
saca-se do telemóvel e sem edição, pumba, entra no Plantas. É uma espécie de
adição e ninguém do grupo espera que ninguém fora do grupo compreenda, aceite
ou sequer ache normal. Então porque escrever sobre o Plantas nas páginas
do Diário de Notícias. Tem tudo que ver com o Trump, já lá chego.
A definição do
António, que exemplifica (e portanto em rigor não é uma definição, mas eu é que
lhe chamei definição) com plantas em halls e escritórios,
esquece uma categoria importante de plantas tristes, talvez menos triste do que
as outras (esta opinião é estritamente pessoal e não vincula o grupo) – são as
plantas tristes em edifícios públicos. Por mais parteira que seja a porteira,
por mais jardineira que seja a gente da manutenção do banco a tratar da planta
da entrada, nenhuma planta é tão bem tratada como a que jaz em edifício
público, repartição, direção-geral, gabinete de estudos, instituto de sigla com
muitas letras, a última delas um p; plantas na entrada, nos corredores
burocráticos em que não se corre e pouco ocorre, pautados por secretárias de
pau-santo protegidos por senhoras santas, calendários, pirilampos mágicos em
fila num monitor, plantas envasadas a ladear portas para salas onde pouca gente
entra, plantas em nichos e recantos.
Mas são as menos tristes estas plantas, porque no público há mais
carinho, mais tempo, um futuro certo, um amanhã infinito. São plantas feias
como as outras, sobreviventes às sombras mais sombrias, aos dias mais pardos,
plantas que habituadas a serem plantas de passagem, em que ninguém para nem
repara, que nunca ninguém elogiou, plantas que quem mais olhou para elas depois
da cuidadora informal foi um grupo de sete estranhos no WhatsApp, mas são
plantas resolvidas, plantas do Estado-que-cuida.
E o que me preocupa,
agora que me resta tão pouco espaço e por isso tenho de voltar ao tema, é que
Trump assinou um decreto com o sugestivo nome "Making Federal Buildings
Beautiful Again" com o objetivo de que os edifícios federais deixem de
andar ao sabor dos arquitetos e que correspondam ao gosto clássico (?) do povo,
no fundo menos edifícios do FBI, mais Casas Brancas. E, nisto, como ficam as
plantas? O novo plano promove ou demove as plantas? É que pela América, em
Washington, em Nova Iorque, não faltam plantas tristes à procura de serem
felizes. O que pensará Trump sobre isto? Quer acabar com o brutalismo, com o
cimento, com os volumes – quererá exterminar as plantas ou enxamear de plantas?
E se o leitor
ficou curioso, lamento informar mas o grupo é muito seleto, não aceitamos
casais nem no fundo queremos muito mais gente. Mas se achar que é um bom
candidato a descobrir a tristeza escondida das plantas, já sabe, resposta a
este jornal.
João Taborda da
Gama
(in Diário de Notícias, de 15/02/2020)
Vou lá visitar pastores.
Esta aldeia é Santo Stefano de Aspromonte e nunca fui lá,
nem sequer a Aspromonte, Calábria. Pastores de Aspromonte é daqueles livros
hoje esquecidos de um autor hoje esquecido, Corrado Alvaro, o que é injusto. Um livro
de uma beleza de cortar a respiração (e talvez a partir da dureza daquela vida
se compreenda a dureza das gentes, e até o poder que hoje tem a ‘Ndragheta,
agora muito superior ao poder da Camorra, dizem).
Anda-se actualmente, e bem, a editar entre nós muitos livros de viagens, em belas
colecções, esta era uma muito obra merecedora e vencedora. Ah, e Norman Lewis,
senhores editores, não se esqueçam de Norman Lewis.
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Bibliomania.
Não
conhecia Bibliomanie, um conto de
início de carreira, bibliófilo e um pouco gótico, de Flaubert (que, aliás, não
queria que estes textos de juventude vissem a luz do dia, mas viram). Creio que
no filme Manhattan, o Woody Allen
fala de Educação Sentimental como das
melhores coisas que tinha na sua atormentada existência, das coisas para
recordar no instante final fatal. Razão a 100%. Esta pequenina Bibliomania não é, nem de perto nem de
longe, o que estamos habituados em Flaubert. Mas é Flaubert e é bibliomania; por
isso, quem não leu, deve ler. Creio que não existe tradução portuguesa, pois não, senhores editores?
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