sábado, 8 de novembro de 2014

Rodrigues dos Santos: a sexualidade das onomatopeias (5 - e acabou)

 



 
A fucking linguagem
 
         Se existem notórias diferenças de género, há, todavia, um denominador comum aos homens e às mulheres que participam no elenco das produções JRS. Na verdade, todas as personagens de Rodrigues dos Santos são plenamente poliglotas. Exprimem-se, por regra, em português, deficiente e básico, mas recorrem à língua materna em situações-limite, geralmente quando estão irritadas ou correndo perigo de morte. Ou quando, como acontece com frequência, o autor pressente que é necessário dar um toque de realismo e cor local à prosa mortiça, colocando a sueca da sopa de peixe (“minha vikingzinha”) a falar como os móveis da IKEA (“Förlat”, “Gubbröra”, “Hur mycket kostat det?” ou “Äppelkaka med vaniljsås”), os empregados dos cafés de Viena a perguntarem “Was möchten Sie?”, os árabes do petróleo a gritarem “mash’Allah!”, os judeus a saudarem-se “Shalom”, os mexicanos a praguejarem “caray!” e os norte-americanos, ainda mais brutinhos, a utilizarem reiteradamente a palavra “fucking” (em Fúria Divina, por exemplo, a gastronomia açoriana é definida como “fucking delicious”, um país asiático é tratado por “fucking Afeganistão” e o herói da história transporta o epíteto de “fucking tarado”).
 
 
 
 
No seu último livro, A Chave de Salomão (2014), temos, logo nas primeiras páginas do prólogo, várias expressões idiomáticas em inglês (geralmente, “fucking”, ou “fuck” e até “Fuck! Fuck! Fuck!”), o respeitinho germânico (“Jawohl, Herr Direktor”) e o toque afrancesado (“On y va?”), tudo a entrecortar português de gema, com os seguranças do CERN, em Genebra, a exclamarem, ante a descoberta dum cadáver: “C’os diabos!”. Depois, mais calmos, regressam à língua-mãe e dizem “Mon Dieu!”, evidentemente.
 
 
 
 
 
Por vezes, numa demonstração gabarola de virilidade, chegam a ocorrer vários fucking consecutivos, como na ordem dada a Tomás por um americano agressivo, n’O Codex 632: “então vá para a fucking casa do fucking Toscano e arranque da fucking viúva tudo o que ela lá tiver” (Tomás, obediente, responde “Está bem.”). Nunca esqueçamos que, logo no primeiro livro de Rodrigues dos Santos, A Ilha das Trevas, cuja acção decorre em Timor, uma das personagens propõe, como princípios de combate à Indonésia, “Fuck Suharto in peidola!” (a que acrescenta: “Sutrismo is paneleiro!”, p. 98). Num só diálogo com Tomás Noronha, o chefe do Directorate of Science and Technology da CIA, que trabalhara com génios como Albert Einstein ou Enrico Fermi, classifica o português como um “fucking génio”, por quatro vezes, louvando-o ainda por ter “big balls” e suscitar “um conjunto de fucking boas perguntas” (isto, claro, com vista a decifrar a “fucking mensagem”). Tomás responde à altura: “Fuck you”.
         Em A Vida Num Sopro, como a acção decorre noutro destino exótico – Bragança, em Trás-os-Montes –, as personagens do povo exprimem-se todas num estranho dialecto, o aquilino-ribeirês, prenhe de regionalismos d’antanho como “lambiteiro”, “fisquinho”, “estrelicado”, “peleiroso”, “panjelíngua” ou “picoso”. Só falam de comida e resvalam em encantadores e very typical  lapsos verbais, próprios de gente atrasada que usa “deitor” para dizer “doutor”. Constantino Latino, o caseiro da quinta, dava risadas guturais, que o faziam exibir “uma dentadura esburacada e apodrecida” (p. 277), enquanto o deitor Rodrigues dos Santos nos provoca risadas, também guturais, quando descreve um comboio como “longa centopeia metálica” ou “besta negra em fúria” (pp. 192-193), já para não falarmos do diálogo em que Luís, irritado, “bufava como uma máquina a vapor” (p. 233).    
Esta propensão entográfica e multiculturalista de Rodrigues dos Santos produz frequentemente situações caricatas. Encarcerado numa prisão iraniana, Tomás ouve a toda a hora a chamada dos fiéis à oração através de um prolongado “Allaaaaaaaaaaaaah u akbaaaaaaaaaaaaaaaar!”. Consegue fugir da prisão, mas o motorista, que o libertava dali às pressas, pergunta “Ingilisi? Na ingilisi?”, acabando por concluir pela negativa (“Ingilisi balad nistam”). A esta observação em farsi, Tomás responde igualmente em farsi, proclamando um valente “Porra.” Ainda no Irão, somos surpreendidos por algaraviadas incompreensíveis (“Chikar mikonin?”; “Ye lahze shabr konin”), que apenas servem para Rodrigues dos Santos demonstrar, sem sucesso, que é um escritor muito escrupuloso e autoexigente, que fala estrangeiro e até fez trabalho de campo. Nas múltiplas entrevistas em que se desdobra sempre que lança um livro, o pormenor do trabalho de invetigação é sempre referido. Até por isso, era escusado demonstrá-lo de forma tão exuberante e deslumbrada nas suas narrativas, com os nomes de todas as ruas e avenidas de cada cidade a serem citados à exaustão, como nos guias turísticos. Assim, Rodrigues dos Santos, sem se aperceber, coitadito, apresenta-se ao mundo como uma contrafacção arrivista e nova-rica de Dan Brown. Ficamos sempre na dúvida se é bambi ou bimbo, ou talvez ambas as coisas, uma bimby que produz livros à média de um por ano. No Tibete, então, é um festival de exibicionismo folclórico, com “Tasi deleh” para cá e “Kale shu” para lá, à mistura com “Gong da”, “Cha she rognang” e, claro, “Thu djitchi”.  São igualmente muito bons os diálogos dos egipcíos em Fúria Divina, com “As salaam alekum”, “Wa alekum salema” ou o jovial “Ya ibn al Kalb, ismakeh?”, só para citarmos os exemplos mais sintéticos (há transcrições de cânticos islâmicos no original que ocupam várias linhas). Temos ainda, numa só página, um alemão catastrofista a clamar “Gott im Himmel!”, com uma catedrática inglesa, das classes altas, a acompanhá-lo com um “Good Lord!” (p. 115). O melhor diálogo de todos ocorre na página 234, quando Tomás faz uma chamada telefónica interurbana para o Paquistão, sendo recebido em urdu:
Hello?”, perguntou Tomás em inglês. “Será possível falar com Zacarias Silva, por favor?”
Muje angrezee naheeng aatee!
O homem não falava inglês, percebeu. Tentou por isso em árabe, mas a resposta veio novamente em urdu.
Kyaap aap ko urdu atee hay?”
O português suspirou com aquela conversa de surdos. Assim não iria lá.
  
Fora destas excepções, que só acontecem em países muito atrasados, todas as personagens de Rodrigues dos Santos, independentemente da sua nacionalidade de origem, são capazes de conversar entre si no português mais coloquial e vulgar, num tom corriqueiro de café ou mesmo de taberna.
 
 
 
 
Em O Homem de Constantinopla (2013), o pai de Kaloust utiliza, na mesma fala, expressões como “é o que se diz à boca cheia em Constantinopla”, “vê lá tu!” ou “pimba!” (p. 43). “És um finório, rapaz!”, diz um astuto comerciante ao jovem Kaloust, que, páginas à frente, em viagem no Expresso do Oriente, mantém um diálogo de cavalheiros com Basil Zaharoff, riquíssimo vendedor de armas: “Ena! Uma venda sem bakshish é obra!”, diz extasiado Kaloust, replicando Basil: “Qual quê! O ministro era estúpido mas não era assim tão estúpido! Ficou com a sua comissãozita, pois então!” (p. 191). Quando, na página 217, levam o inventor sueco Nobel a uma festa de arromba, e como aquele se acanhasse ao ver as profissionais do sexo, o anfitrião insiste (“Olhe para elas, porra!”) e insulta (“Ó Nobel, você não é paneleiro, pois não?”); também Kaloust se acabrunha um pouco e é invectivado pelo dono da casa: “Quer-me parecer que gostavas de ferrar o dente na francesinha (…) Toma lá a puta!” (p. 218). Já numa das suas primeiras obras do autor, A Filha do Capitão, a baronesa Agnès tratava o amante lusitano por “meu pateta” e este, quando ela amuou e fez beicinho, esgalhou um popularucho “Estás com a mosca?”. Logo na abertura, Rodrigues dos Santos avisara (“A vida é realmente um caldeirão de mistérios”), pelo que devemos estar preparados para o pior. E o pior, muito provavelmente, é a cena em que Agnès se preparara cuidadosamente para receber o amante, vindo das trincheiras. Trincara nervosamente as peles das unhas, embelezara-se com primor, colocara um vestido malva de mousseline de soi, perfumara-se com a suave fragrância L’heure bleue. O manguelas chega, com um “cheiro nauseabundo” e a dizer que trazia fome (“Estou esfaimado.”). Ela banha-o e esfrega-o com sabão de mel, “incluindo na zona genital”, o que entusiasma o militar português. “Agora não”, diz ela. Mas Rodrigues dos Santos, e bem, sente necessidade de dar uma explicação aos leitores sequiosos: “quem diz «agora não» deixa subentendido que «depois sim», o brando pas maintenaint da francesa continha o gérmen de um ardente oui”. Afonso sai do banho, “ainda molhado de água” (o detalhe do “molhado de água” é importante), e avança de novo, mas alguém a bater à porta, possivelmente um ferroviário da CP, “obrigou-o a travar o comboio em marcha”. Era, afinal, a empregada a trazer o jantar, cassoulet de cordeiro que o capitão ingere sofregamente, como um porco, entre “grunhidos de apreciação”. No final, enfartado, arrotou (p. 403). E, mal arrotou, pousou o tabuleiro no chão e atirou-se à baronesa, arrancando-lhe o vestido de mousseline e penetrando-a “sem demora”. Madame Agnès encontrava-se “ainda mal lubrificada”, mas isso pouco importa àquela real besta lusitana, que se põe “logo a urrar”, após o que, recolhida ao estábulo, adormece e ronca, dormindo “como uma pedra”. Só acordaria a meio da tarde, aviando de imediato um canard à l’orange servido com arroz. Querendo mais festa, ela acalma-lhe os ânimos, mas de forma elegante: “Oh, lá estás tu na brincadeira, não se pode falar a sério contigo.” Mas, senhora baronesa, quem é que entra num livro do Rodrigues dos Santos para falar a sério? Basta dizer que, terminado o pato com laranja (sem arroto, par une fois), o capitão Brandão sentiu ser “seu dever patriótico de oficial cimentar a fama dos machos portugueses junto da comunidade feminina francesa no campo da batalha do amor” (p. 407). No cumprimento dessa missão de serviço púbico, Afonso começou por proceder ao levantamento do campo de batalha, explorando Agnès com os lábios, com a língua e com os dedos, “muito devagar”; numa subtil manobra, contornou-lhe as curvas macias, procurou-lhe os pontos erógenos e, de seguida, excitou-a e lubrificou-a. Arrancou-lhe a roupa, mas com suavidade, “peça a peça”, e “foi lento e metódico até entrar dentro dela” (a qual, provavelmente, adormecera entretanto). Depois, ambos “ganharam velocidade” e, a toda a brida, juntaram-se como “corpos em fogo”. Navegaram um no outro em vagas turbulentas de paixão, com as águas a agitarem-se com fragor, até que “a francesa (…) se declarou satisfeita”. Proferida esta declaração, dormitaram ambos durante alguns minutos. Acordando estremunhado, Brandão interpela a baronesa com um “Vamos a Paris?”. Agnès, que certamente já conhecia a EuroDisney, hesitou por instantes, mas acaba por aderir com entusiasmo ao projecto; ele repensa, dizendo “Mas…”; ela atalha, de chofre: “Não há mas nem meio mas.” Embevecido, o magala diz-lhe, muito romântico, que o que brilhava nos olhos dela não eram olhos mas esmeraldas. Na Cidade-Luz, os diálogos prosseguem a bom ritmo, com Agnès a explicar ao pacóvio que a Gioconda tinha “mais fama do que proveito” e a admoestá-lo com ternuras (“Não te faças sonso, meu maroto”). Uma nuvem ensombrava o idílio: a baronesa não apreciava “a forma como o português punha tudo em pantanas, as roupas sempre desarrumadas no quarto de dormir, negligentemente amontoadas num canto, e o quarto de banho transformado num verdadeiro campo de batalha.” Afonso Brandão era “um verdadeiro selvagem”, que deixava pêlos na banheira e o soalho inundado de água (p. 415). Não gostava Afonso que ela o visse despido no water closet, por pudor vindo dos tempos do seminário. Ela achava graça, chamando-lhe “fornicador pudico” (“Quem te visse nunca diria que és um garanhão na cama.” ou “tu, mon mignon, o teu maior atributo é essa potência incansável.”). Por sua vez, Agnès era, a saber: “uma rosa, uma jóia, um raio de Sol, um aroma florido, uma ária sublime, uma brisa pura de Primavera.” Uma rapariga muito completa, portanto.    
 
 
 
 
 
 
 
 “Obrigadinho, ó Tim”, é deste modo que o capitão Brandão agradece a ajuda de um tenente inglês, da mesma forma que trata Agnès por “minha fofa”. “Ah, maravilha”, exclama o russo Orlov para o seu compatriota Igor, em O Sétimo Selo, depois de se saciar com uma cervejinha gelada no deserto australiano (após virar a segunda lata, expeliu um “brutal arroto”). Nessa mesma cena, Orlov aponta uma arma de fogo a Filipe e deixa o aviso rufia: “Tu, ó espertinho. Está quieto.” Num diálogo com Nadezhda, em plena Praça Vermelha, Tomás diz-lhe, muito fofo: “Ó Nadia, estás a pregar-me uma peta.” Depois, estão a bordo do Transiberiano, onde fizeram o amor, com o comboio a ondular “ao seu próprio ritmo, cata-cata-cata” e “a essa ondulação de aços juntava-se a cadência faminta da carne, os dois corpos dançando como um, um, um e um apenas” (p. 186). Passado o cata-cata-cata, adormecem e, de manhã, Tomás acorda carinhosamente Nadia com um “Olá, princesa”. “Porra. Que seca”, queixar-se-á o académico um pouco mais tarde, já cansado daquela estopada nas estepes. Em jeito de vinhança, Nadia ministra-lhe uma definição da tundra em sete linhas (“A tundra é…”, p. 190). Depois, mete-lhe medo, dizendo-lhe que, em breve, a malária e várias pragas mortíferas se iriam espalhar pela Europa; ele reage com o seu habitual “Porra!” (mas na página 306 dirá “Poça!”). “Não me chateies!”, diz a russa a outro português, Filipe, que lhe responderá à letra: “Não digas disparates!”. Nadia orienta-se agora para Tomás, a quem chama “tolo” e “és um querido”. Temperamental, a prostituta e estudante de climatologia revolta-se, todavia, contra o moralismo de Tomás: “tu, com essa conversa de padre, ficas já a saber que se acabaram as borlas, ouviste? A partir de agora, queres brincadeira, pagas. Não és mais que os outros”. A brincadeira transfere-se então para a Oceânia. Na Austrália, um universitário inglês pede a Tomás que, por seu intermédio, a polícia lhes desse “uma mãozinha”, replicando o português: “Em que tipo de mãozinha estão vocês a pensar?”. Não era, certamente, a mãozinha dos quatro gangsters russos que num tropel alcóolico entram de súbito em cena, vindos de uma filmagem no estúdio do lado. Segue-se mais um daqueles momentos, geralmente infindáveis, em que Rodrigues dos Santos mortifica o leitor com pazadas de informação, fornecida em cenários surreais. Neste caso, em pleno deserto da Austrália, com um calor insuportável, o académico britânico, docente na Universidade de Oxford, profere uma palestra de várias páginas a um bando de criminosos bêbados, formados na ex-URSS. Um deles, impaciente e grosseirão, interrompe a aula e interpela o inglês: “Desculpe lá, mas que interesse tem esta conversa de chacha?” (a pergunta mantém, todavia, alguma pertinência). Enquanto o professor Cummings falava, os russos desatam numa pândega ordinarona, dizendo Orlov que a molécula do hidrogénio era “uma grande puta” e perguntando Igor qual seria o tamanho das respectivas mamas (“E as mamas? São grandes? Hã? São grandes?”). Abstendo-se de responder,  Cummings “pôs um ar digno” e prosseguiu a lição, versando o carbono, a fotossíntese, as leis de Faraday, num exemplo expressivo da incontinência pedagógica de José Rodrigues dos Santos. Para quem se espante com a vulgaridade dos diálogos, recorde-se que Tomás Noronha se desloca a Viena, entra na sede da OPEP, dirige-se à recepção e diz tranquilamente “Venho da parte da Interpol” (p. 92), como se estivesse ali a levar um recado da Tia Joaquina ou do dr. António Mexia. De seguida, mete-se num potentíssimo Mercedes com um árabe que exclama vários Inch’Allah! e All u akbar!!, circulando a uma velocidade estonteante até se aproximarem do centro da capital austríaca, onde abrandam (“O automóvel deixara de ser um lobo para se transformar num cordeiro”, p. 99).     
 
 
Em Fúria Divina, os naturais da Rússia ameaçam-se reciprocamente com palavras como “Juizinho, hem?” ou “Você deve estar a brincar”, enquanto o director da CIA exige a Tomás que trate com “respeitinho” o agente da Mossad com quem confraternizava em excessiva familiaridade. Encontravam-se numa conferência internacional e ultra-secreta em Veneza, na qual o representante português sustentou ser difícil construir uma bomba nuclear “assim do pé para a mão”; discordando, a sua homóloga norte-americana insistiu que fazer um engenho atómico artesanal era “uma brincadeira de crianças”. Ao ouvir falar em brincadeiras, o director da CIA interveio de imediato, avisando a sua compatriota: “Tenha cuidado com este português. Tem ar de sonso mas é um predador de fêmeas”. Escutando o conselho, ela perguntou “Você está a brincar?”, não se percebendo bem se o destinatário da interrogação era Tomás Noronha ou José Rodrigues dos Santos. “Olhe que faz mal em levar as coisas para a brincadeira”, dirá Rebecca páginas à frente, não se percebendo, uma vez mais, se o destinatário da mensagem era Tomás Noronha ou José Rodrigues dos Santos. Entram depois no famoso Harry’s Bar, que, segundo Tomás, tem “mais fama do que proveito” (além de que “a relação qualidade-preço deixa um pouco a desejar”). Naquele local distinto, Rebecca questiona Tomás sobre o conteúdo da sua mail box (“Você não costuma receber muito lixo de natureza sexual?”), respondendo o português, em jeito fanfarrão: “Ui! Muitas propostas de operações para aumentar o meu pénis. Como se eu precisasse…” (p. 169). A americana, sem fazer propostas ou sequer pedir licença, procede de imediato à citada operação, mostrando a Tomás a fotografia de uma ruiva a concretizar um fellatio. Ele diz “Caramba!”, ela remata “Engraçadinho”. Tudo isto se processa, note-se, no Harry’s Bar, em Veneza, e em língua inglesa. Saindo do bar, ficamos a saber na página 185 que “a Internet é hoje em dia um elemento-chave da Al-Qaeda” e, ao virar da esquina, na página 186, que “actualmente todo o núcleo duro da Al-Qaeda evita a Internet.” Inclusivamente, garante Rebecca a Tomás, um membro dessa organização “fechou-se em copas”. Entretanto, no Egipto, o islamismo radical crescia, com um marido a vociferar com a esposa: “Não quero poucas-vergonhas na minha casa!”.
No meio do romance, entra em cena o próprio Osama – nem mais, nem menos. Se preferirmos, aparece mesmo o “fucking Bin Laden”, como lhe chama o responsável da CIA em Lahore (nestes romances, a Agência assemelha-se mais a uma agremiação de carroceiros do que a um serviço de intelligence). Ainda que fugaz, a aparição de Osama Bin Laden na obra literária de José Rodrigues dos Santos proporciona grandes momentos. Tendo vivido em Portugal e recebido treino militar no Afeganistão, o jovem Ahmed assume uma nova identidade, transformando-se repentinamente em Ibn Taymiyyah (nome artístico). É nessa nova qualidade que decide fazer uma visita de cortesia a Bin Laden, que o recebe com um sorriso de afabilidade. A vida corria de feição a Osama: duas semanas antes, a sua organização tinha feito quatro ataques coordenados a alvos estratégicos nos Estados Unidos, os quais destruíram as Torres Gémeas e uma parte do Pentágono, provocando 2.996 mortes. O visitante, incrédulo perante a simpatia hospitaleira de um dos maiores criminosos do mundo, sente “ganas de se beliscar” e derrama tantos encómios sobre o anfitrião (“dádiva de Alá, orgulho da umma, a luz que…”) que este, “embaraçado com a adulação”, vê-se obrigado a interromper a graxa com um paternalista “Então, então? Aqui sou apenas um irmão.” Contudo, Ibn Taymiyyah permanece “atarantado”, além de se encontrar à rasquinha das costas devido à viagem longa, por montes e vales. Como todas as personagens de Rodrigues dos Santos, Ibn Taymiyyah faz um esgar. Virando-se para Bin Laden, comenta: “O jipe tinha a suspensão dura. Vou precisar de tempo para recuperar…”. O saudita desfaz-se em perdões por morar num sítio tão distante e com maus acessos por automóvel (“Peço desculpa por te ter sujeitado a esta provação, meu irmão”). Junto a Osama estava a corja toda da Al-Qaeda, planeando na caturreira novas malvadezas. Tendo pressentido que o visitante apreciava metáforas de engenharia mecânica, Bin Laden diz-lhe “Atingimos o ponto de ignição” e afirma-se disposto a uma “guerra de atrito” com vista a alcançar dois objectivos: a implosão da América e, de caminho, a instituição do novo califado, com a sharia a vigorar por toda a parte. Dessa forma, aqueles que não alinhassem pelo Profeta iriam ser “humilhados e transformados em dhimmies” e, provavelmente, muitos iriam ser mortos. Estavam assim nesta conversa, a um tempo grandiosa e tenebrosa, quando se ouve um trémulo: “Dá licença?”. “O que é Hassan?”, resmunga Bin Laden, personalidade que, como sabemos, lá tinha o seu feitiozinho e não gostava nada de ser interrompida. “O jantar está servido.”, informa o serviçal, deslizando de cena. Só por este diálogo, com o criado Hassan a balbuciar um respeitoso “Dá licença?” no meio de uma reunião magna da cúpula da Al-Qaeda, só por este diálogo, dizíamos, já valia a pena ter escrito e publicado Fúria Divina. Obrigado, José. Chez Bin Laden, como diria o poeta e ensaísta Eduardo Pitta, jantava-se frugalmente. Com efeito, um relatório da CIA, recentemente vindo a lume, refere que no Ninho da Águia, a moradia de Osama nas montanhas do Afeganistão, a comida era, e citamos, “fucking péssima”. Esganado de fome, Ibn Taymiyyah observa, decepcionadíssimo, a miséria que lhe puseram à frente: para quatro comensais de cerimónia, apresentou Osama uma pequena omeleta, algumas batatas oleosas, um queijinho e uma cesta com pão afegão, tudo pousado em cima de uma toalha suja. Ibn Taymiyyah só consegue esconder o desapontamento graças “à rígida autodisciplina emocional” que adquirira no campo de treino militar de Khaldan. Além de servirem mal, na Al-Qaeda atribuíam missões difíceis aos funcionários. Durante o magro repasto, Bin Laden determina que Ibn construa uma bomba nuclear e, caso não fosse muita maçada, se fizesse explodir com ela. Ibn era crente mas não era parvo e como é óbvio tenta defender-se com evasivas técnicas: “Não se constrói uma bomba nuclear às três pancadas!”. A coisa lá se resolve às boas quando Osama Bin Laden anuncia que tinha escondido ali numa gruta uma quantidade razoável de urânio, enriquecido a noventa por cento e fornecido pelos seus comparsas chechenos. Planeado o plano, terminado o jantar, Osama despede-se polidamente do convidado, desejando-lhe um bom “Ghadhabum min’Allah”.
Enquanto isso, muito longe dali, o pessoal da CIA continuava na mesma, praguejando “shit!” e “fucking hell!” e tentando decifrar uma “fucking charada” com vista a caçar o “motherfucker” que queria fazer explodir uma bomba nuclear em Nova Iorque, cidade que à noite se converte numa “gloriosa coroa de jóias brilhantes, todas a cintilarem como diamantes incrustados por entre rubis, safiras e esmeraldas” (p. 576). Quando o perigosíssimo e perseguidíssimo motherfucker é finalmente localizado e vigiado pelo FBI, a sagaz Rebecca lembra-se de perguntar a Tomás se estariam mesmo em presença de um “fundamentalista islâmico”. “Suponho que sim”, responde ao de leve o professor da Nova, sem muitas certezas quanto às inclinações religiosas de uma pessoa que, em nome de Alá e a soldo de Bin Laden, pretendia explodir uma bomba nuclear no centro de Nova Iorque. Lindo, não? Tomás Noronha, o herói da jornada, consegue desactivar a bomba atómica literalmente no último segundo e, como diz sensatamente alguém, já no final do livro: “Nem em Hollywood! Nem o Spielberg!”. O velho director da CIA intervém, à maneira clássica, tratando Tomás Noronha por “fucking génio” e Rebecca Scott por “babe”.   
Sejam russos mafiosos ou islâmicos fanáticos, americanos estúpidos ou portugueses machistas, os participantes nas novelas JRS conversam entre si e falam sempre como se estivessem a tomar cafezinho numa pastelaria das Avenidas Novas ou a virar imperiais à Conde Redondo. É muito reconfortante. Sentimo-nos sempre, mas sempre, perto de casa, mesmo quando o autor, num só romance, nos atira de Veneza para o Cairo, passando pelos Açores e Coimbra, para daí aterrar em Nova Iorque, fazendo escala no Paquistão. O que desconcerta não é o movimento dos actores, mas a patética contradição nas suas falas: por um lado, Rodrigues dos Santos pretende ser fiel às línguas originais, transcritas a martelo para dentro dos seus romances; mas, por outro lado, quando se põem mais à vontade, as personagens exprimem-se num português muito galarote e faduncho. No mesmo livro, tanto temos um paquistanês a perguntar, sem tradução nem resposta, “Kyaap aap ko urdu atee hay?”, como encontramos Tomás Noronha a dar uma reprimenda aos americanos da CIA, exclamando “isso é conversa da treta!”. O cuidado posto em utilizar urdu, tibetano ou árabe deveria ser colocado, já agora, no uso do português, sobretudo quando falado com ou entre cidadãos estrangeiros. Assim não dá, não bate certo. Em Jerusalém, numa conversa de Tomás com um rabino venerável e um sábio israelita, os judeus saúdam o visitante com um “Na’im le’hakir otcha!” enquanto o português não se abstém de usar palavras bíblicas como “uma chatice” ou “esperteza saloia” (O Codex 632, p. 388). E, de uma vez por todos, evitemos expressões como “o rego dos seios”, que surge tanto em O Codex 632 (p. 277), como em Fúria Divina (p. 354) como até no mais recente O Homem de Constantinopla (p. 217).
 
 
 
 
 
Em A Fórmula de Deus também deparamos com diálogos vivos e coloridos, a lápis de cera. Em amena cavaqueira com o adido cultural da embaixada dos Estados Unidos e com um agente da CIA, Tomás Noronha afirma que em Lisboa “há malta que, ao volante, é mais perigosa do que o Bin Laden”.  A dada altura, como o criptanalista não conseguia decifrar uma charada e se queixava da falta de meios (um argumento clássico nos circuitos académicos), o director da CIA pergunta-lhe, num telefonema feito a partir de Langley: “O que quer? O rabo lavado com água-de-colónia?” Como Tomás não percebesse que tinha mesmo que decifrar a fucking mensagem, o americano avança: “Estou a perguntar-lhe o que quer você? Ter a papinha toda feita, é?”. Defende-se o professor, calão e madraço, mas em bom português: “não poderão estar vocês a fazer uma tempestade num copo de água?”. “Isso é que era bom”, retorquirá o americano ao telefone, desligando a chamada (Tomás pensa então: “Filho da puta.”).  Em Teerão, Tomás leva um encosto e confidencia a Ariana: “Estou tramado” (friamente, ela diz: “Engraçadinho”). Conduzido a Evin, uma das mais cruéis prisões iranianas, o seu companheiro de cela, um oposicionista ao regime, queixa-se dos “imbecis da Guarda Revolucionária”, que ali o aprisionaram, e da tibieza dos seus camaradas, que “meteram o rabo entre as pernas e foram-se embora” (“They left with their tail between their legs”, na tradução americana: The Einstein Enigma, p. 165). Além de os torturarem barbaramente e com muita regularidade, os carcereiros gozavam à grande com os reclusos; um oficial de alta patente chega a ironizar com Tomás: “nós aqui em Evin somos muito bonzinhos. Demasiado bonzinhos, até”. Depois, liberta-o da prisão de alta segurança com um sumário: “Ponha-se a andar daqui para fora”. Agora no Tibete, esse mesmo oficial, o coronel Kazemi, da tenebrosa polícia política iraniana, a VEVAK, confessa que matou às vergastadas um professor de Coimbra (“Foi um bocado chato (…) Isso atrapalhou-nos um bocado a vida, como deve calcular”) e adverte Tomás: “não se faça de parvo”, porque “não somos parvos”. Por acaso, são, como o são todas as personagens de José Rodrigues dos Santos. “Filhos da puta”, responde Tomás ao coronel da VEVAK, antes de fugir com Ariana. Esta, apesar de não falar português, usa expressões gingonas como “jogada fisgada”, “montar um teatrinho”, “assim do pé para a mão”. O mesmo ocorre com a italiana Valentina, que em O Último Segredo explica a Tomás, à porta do celebérrimo Hotel King David (Jerusalém), que ali se hospedara, ao longo da História, uma “catrefada de celebridades” (cujos nomes são todos citados, obviamente, como acontece sempre com a clientela dos hotéis e bares famosos que aparecem nestas fotonovelas de JRS). O polícia israelita que acompanhava Tomás e Valentina é um homem desconfiado: “meus amigos, não nasci ontem. Vocês não me estão a contar tudo.” Como Tomás e Valentina continuavam a fazer-se de lucas, o judeu irrita-se: “Mau, não nos estamos a entender!”. Não te escames, Arnie Grossman, nestes livros de JRS ninguém se entende (a página 261 termina com Tomás a proclamar, doutoral: “Cristo não era cristão.”). Isso, Arnie amigo, não te dá o direito de tratares o senhor Arpad Arkan, o poderoso presidente da Fundação Arkan, por “malandro da quinta casa”. Também não parece correcto que Tomás, tendo prometido a Valentina contar-lhe “a verdade todinha” sobre Jesus Cristo, se enrede numa dissertação de tal forma complexa que obriga a italiana a dizer-lhe, rispidamente: “Parece-me que você está a misturar alhos com bugalhos! Quando Jesus falava no reino de Deus, era tudo metafórico e simbólico!” Além de considerar que “não se fazem omeletas sem partir ovos” (p. 516), o inspector Grossman afirma sensatamente que tudo aquilo lhe parecia uma “história da carochinha” (além de “uma fantochada” e de “uma palhaçada”, p. 515, sendo a expressão “palhaçada destas” usada também por Valentina, p. 529). De facto, um livro cujo capítulo LXVII termina com a afirmação “Vamos clonar Jesus” (p. 484) não será bem um thriller, mas antes um clone ou talvez mesmo um clown.   
 
 
 
 
Quanto ao uso de portuguesismos em calão de rua, A Mão do Diabo ultrapassa tudo. Logo de início, dois francófonos à conversa, na elegante Côte d’Azur, trocam mimos como “Ah, meu grande camelo” ou “Andas mais nervoso que uma barata, hem?” (p. 14). Enquanto isso, Tomás envolve-se numa manifestação em Atenas, acabando por ir parar à prisão. Os gregos anarquistas, que consigo partilhavam a cela, desatam a agredir um alemão que lá estava: “Was ist das?”, pergunta o alemão perplexo, ao levar a primeira solha. “Das ist porrada, meu grande cabrão”. Chamam-lhe ainda “nazi da trampa” e dizem, sobre o povo germânico: “Andam armados ao pingarelho, hem?” (pp. 56-57). Em Madrid, Tomás e Raquel são capturados por um bando sinistro, a soldo de uma organização satânica poderosíssima. Um dos atacantes, logo que vê a bela Raquel, apalpa-lhe um seio, dizendo “Bom material!” (a espanhola, de pêlo na venta, troveja: “Tira a pata daí, cabrón!”). O gangue era comandado por uma personagem horrenda, o matador Decarabia, ex-operacional dos SAS, que indaga Tomás sobre o paradeiro de Filipe (“o teu amiguinho abelhudo”) e, perante as evasivas do historiador, perde a paciência e diz-lhe com desdém: “Estás armado em engraçadinho, hem?”. A ameaça funciona e Tomás, apertado, abre o jogo, mas Decarabia desconfia: “Espero bem que não me estejas a dar tanga” (p. 299). Depois, ao relatar o sucedido ao seu mandante (o “grande Magus”), Decarabia refere-se a Tomás como “o cabrão” e a Raquel como “a gaja da Interpol” (p. 315). Tomás Noronha fala mal o castelhano, arranhando apenas um “portunhol meio trapalhão” (p. 239; contudo, em A Fórmula de Deus, p. 39, diz dominar esse idioma). O seu fraco manejo da língua de Cervantes não o inibe de, durante uma viagem de comboio rumo a Florença, ministrar a Raquel de la Concha uma longuíssima aula de Economia e Finanças Públicas, em que o despesismo crónico dos países do Sul da Europa é descrito através de expressões técnicas como “festa de arromba”, “forrobodó” ou “fartar vilanagem” (p. 355). Como é evidente, Raquel ouve a lição de olhos arregalados (p. 363), mas, com o passar das horas, começa a queixar-se da duração da palestra macroeconómica: “Esta viagem vai ser uma estucha” (p. 350). Para se manter desperta, massaja o couro cabeludo (p. 386), algo que Tomás também fará mais adiante (p. 569), devendo realçar-se que este é um movimento corporal novo e atípico na obra de Rodrigues dos Santos, mais concentrada no arquear de sobrancelhas e de sobrolhos. Ao enunciar as causas do défice orçamental, Tomás destacaria os investimentos feitos “em auto-estradas para a Peidaleja e Ranholas de Cima e Alguidares de Baixo”. Tudo isso, entre outras “obras faraónicas”, conduziu os governantes portugueses a gritarem “ó tio, ó tio, acudam que não há dinheiro” (p. 391). Lembre-se que estas palavras constam supostamente de um diálogo ocorrido entre um cidadão português que mal falava espanhol e uma cidadã espanhola que decerto desconhecia onde fica a Peidaleja. Constatando ser tardíssimo, Tomás propõe-se terminar a aula para irem ambos dormir. A castelhana rebela-se: “Dormir? (…) Tu não te atrevas, Tomás Noronha! Ouviste? Primeiro tens que me responder à pergunta! O euro ajuda ou não as nossas economias?” Não, não eram horas de discutir o contributo da moeda única para o crescimento económico sustentável dos países da zona euro. À pergunta de Raquel, o professor Noronha obtemperou: “Agora, nhó-nhó”. Instantes depois, dormia a sono solto. Ternurento e nhó-nhó, JRS acaba o capítulo, embevecido: “Parecia um bebé”.
Pouco dado a estas ternuras, o Poderoso Magus ia fazendo pelo mundo fora as suas patifarias satânicas. Monta uma armadilha a Tomás e confidencia a um dos seus homens: “O gajo caiu que nem um patinho.” Enquanto isso, Tomás e Raquel prosseguiam viagem até Florença, conversando amenamente como se fossem dois altos quadros do Fundo Monetário. A espanhola pergunta ao português o que aconteceria se os seus dois países abandonassem a moeda única. “Poderá ser um evento catastrófico.”, esclarece doutamente o prof. Noronha. O diálogo ganha forma e adquire elevação, a pontos de Raquel de la Concha questionar: “Mas esse haircut não é uma espécie de default?” Sem dúvida, Raquel, sem dúvida que esse haircut pode ser uma espécie de default, pelo que não é preciso revirares os olhos e ficares “encanzinada”, como te sucede na página 428 deste A Mão do Diabo. Assistimos depois à sessão de abertura do julgamento dos responsáveis pela crise financeira planetária, acusados de crimes contra a Humanidade e levados à barra do Tribunal Penal Internacional, a funcionar no Palácio Vecchio, Firenze. Nessa sessão, soleníssima, era escusado que a acusação, protagonizada pelo procurador Carlo del Ponte, haja imputado a Alain Greenspan, antigo presidente da Reserva Federal, o seguinte crime: “assobiou para o ar” (p. 442). Não parece muito o tipo de linguagem própria de um processo no TPI, onde são indiciados todos os presidentes dos Estados Unidos, de Ronald Reagan a Barack Obama, além de outros figurões de alta roda (o procurador, com ironia, ataca pacholamente “o nosso amigo Larry Summers”, p. 450). O julgamento decorre de forma tão atabalhoada e tumultuária que a principal testemunha, arrolada às pressas, é… Tomás Noronha. O professor sai apressado da sala de audiências, pois tinha de ir, com Raquel, buscar um DVD explosivo que estava escondido no túmulo de Dante (depois de revolverem as pedras, acabam por descobrir o DVD junto às ossadas de Maquiavel). Saem a correr da Basílica de Santa Croce, para entrarem, encapuzados, numa animada orgia que fora marcada para a Galeria dei Uffizi. Aí, bebem um cocktail de vinho tinto com álcool destilado e incenso misturado com mirra e ervas tóxicas, como meimendro e beladona, além de asfalto, e de seguida fingem copular durante um “curto minuto” (p. 501) ao som de cânticos demoníacos, de que se destacam os conhecidos êxitos musicais Nee-thrat-ethun-aye-att-arz-oth e Binn-ann-ath-ga-waf-amm (p. 500). Raquel e Tomás são descobertos, em pêlo. O feroz Balam retira um punhal do interior da túnica e ameaça a espanhola, exibindo a sua “laminazinha” (ou a sua “amiguinha”) diante dos olhos de Raquel, que invoca argumentos de natureza jurídica: “Afaste essa faca! (…) Isso é… isso é crime de homicídio na forma tentada!”. Previsivelmente, esta observação suscita uma gargalhada na plateia dos diabinhos. Então, Balam dá uma cacetada em Raquel, e diz-lhe entre dentes: “Por te teres armado em parva, vais tu primeiro, minha linda”. Prometendo que a iria fazer sofrer lentamente, pede-lhe que grite, para sua satisfação erótica (“prefiro que grites. Dá-me tusa, sabias? Parecem gritos de prazer…”, p. 507). Aparecendo em cena os carabineri, o Poderoso Magus reclama, dizendo tratar-se de uma “cerimónia privada” (!), mas tudo acaba resolvido pela entrada fulminante de outra espanhola, Marilú (petit nom de Maria Luisa Navarro, agente policial à paisana). Descobre-se que o Poderoso Magus era, afinal, o juiz Axel Seth, presidente do Tribunal Penal Internacional e da Comissão Europeia. Seth ainda se defende com argumentos clássicos, afirmando que as acusações que lhe faziam eram “conversa da treta” (p. 521) e refugiando-se no popular adágio “Quem não deve não teme” (p. 517). Era tarde, porém. O vídeo é exibido. O DVD, na verdade, era explosivo. Filmagens de uma conversa bilateral entre um ministro alemão e o seu homólogo português, em que a propósito da venda de submarinos são utilizadas expressões de gema como “porcaria”, “uma grande Scheisse”, “água pela barba”, “coisa e tal”, “andamos com o Orçamento do Estado apertadíssimo” (esta, claro, é do português). Mas, como diz Tomás à procuradora-geral, “a procissão ainda vai no adro”. No resto da procissão, vemos no cortejo o comissário europeu Axel Seth a impingir um TGV ao primeiro-ministro de Portugal, falando ambos em: “sorrir perante os fotógrafos e apertar o bacalhau”, “você é um vivaço”, “quanto custa uma brincadeira dessas?”, “os papalvos irão engolir essa”, “meta ao barulho uma dessas parcerias público-privadas que vocês têm em abundância em Portugal”, “só se eu estivesse maluco de todo!”, “o importante é sermos uns para os outros, não é verdade?”, “os palermas pagam”, “isso dos contribuintes é conversa para papalvos”.
Os diálogos prosseguem a este alto nível, entre políticos corruptos e grandes empreiteiros. O primeiro-ministro fala com o comendador Pereira a propósito de uma questão complexa: o terreno de Vila Nova de Mexilhões. Ouçamos os que dizem: “olhe que vocês estão a arrecadar uma boa maquia dos cofres do Estado, hem?”; “chegou-me agora às mãos um projectozinho que é bem capaz de render uns carcanhóis valentes”, “não posso chegar atrasado, senão a gorda ainda me passa uma descasca em alemão”, “cumprimentos à malta aí da sua construtora. Especialmente ao tesoureiro, ouviu?” (palavras do chefe de governo de Portugal, proferidas entre gargalhadas). Fala-se ainda de “tubarões”, de uma “grande golpada” e de “um terreno agrícola baratucho”, enquanto os governantes temem “ir todos para a choça” quando saírem do “poleiro”. Um ministro vira-se para o chefe de governo e remata: “Primeiro-Ministro que fala assim não é gago!” O Primeiro-Ministro, que de facto não era gago, refere-se a uma cimeira europeia como “uma seca das antigas”, onde iria ter de “pedinchar mais umas ajudinhas”, e queixa-se ao titular das Finanças dos ataques dos “cabrões dos jornais”. Em contrapartida, o Senhor Ministro das Finanças parece mais preocupado com a quebra do IRS, do IRC e do IVA (“As receitas levaram um trambolhão do catano!”), mas o Primeiro-Ministro está noutra, completamente (“Estou-me a borrifar para a porra da dívida pública!”), preferindo baixar o IVA com propósitos eleitoralistas (“Fazemos um vistaço do camano. Vêm as eleições, a malta ganha com uma perna às costas e, logo a seguir, pimba!”). Obviamente, era tudo uma “tanga”, mas iria funcionar “sem espinhas”. Como os livros de Rodrigues dos Santos.
E pronto, “chega de galhofa”, como diz um americano a Tomás, no inultrapassável O Codex 632.   
 
 
A obra ficcional de José Rodrigues dos Santos, que conta já com treze títulos vertidos para várias línguas, incluindo o português do ensino básico, foi galardoada em 2009 com o prestigiadíssimo Prémio Clube Literário do Porto. Ao longo do seu percurso como romancista, Rodrigues dos Santos cobre um arco que vai de A Filha do Capitão (2004), onde Santo Agostinho, Schelling e Satanás são convocados para resolver o problema das incomodativas ejaculações nocturnas de um jovem seminarista (p. 94), a O Anjo Branco (2010), cujas primeiras páginas são dedicadas a debater o desmesurado tamanho da genitália de um recém-nascido, o “pirilauzinho do menino”, a “minhoca gorda”. “Aquele monstro era o pénis do bebé. E que pénis”, à vista do qual a mãe se apavora, balbuciando: “Valha-me Deus!” (p. 17). Valha-nos Deus.   
Sendo difícil resumir em breves palavras um trabalho de vários livros e milhares de páginas, talvez a síntese mais ajustada se encontre em A Fórmula de Deus, num diálogo travado em Coimbra entre Tomás e o seu pai. Às tantas, Manuel Noronha volta-se para o filho e pergunta:
“Tu sabes o que é um cérebro?”


 
 
Rodrigues dos Santos pretendeu dar resposta a esta pergunta no seu último livro, A Chave de Salomão (2014). “O cérebro é um computador bioquímico”, explicará Tomás Noronha a Maria Flor, na página 115 deste livro, o pior e o mais murchito de todos quantos JRS já produziu. De sexo, nem uma única cena. Nada de nada. Ouve-se um ranger de cama numa pensão do Cais do Sodré, mas nada mais. Muito, muito fraquito. Os altos quadros da CIA teimam em cultivar o linguajar taberneiro e, sempre que entram em cena, soltam um palavrão, usando 38 vezes as expressões “fuck” ou “fucking”, dizendo 17 vezes a palavra “motherfucker” e recorrendo em 11 ocasiões ao carinhoso “cocksucker”. O assassino de serviço, um operacional latino-americano que nos testes de admissão à CIA fora dado como “psicopata”, fica-se por uns coloquiais “coño” e “cabrón”, sendo bastante mais comedido do que os seus superiores hierárquicos. No clímax da acção, o hispânico homicida em poucos minutos liquida todos os seus adversários mas, ao chegar a Tomás, a arma encrava no instante decisivo, um expediente mais do que estafado nas novelas de crime e suspense. “Caray!”, praguejou então o major Manuel Fuentes, não tanto pelo falhanço da sua arma mas por ter sido enredado nas teias de um romance que tem frases como esta: “Mil pontos brilhantes forravam parte do céu naquela noite quase límpida” (p. 250). Ou esta: “Momentos antes a rega tinha acabado e as pontas da relva reluziam ao sol; pareciam uma constelação de diamantes a cintilar sob a luz límpida da manhã.” (p. 31). O livro é a apoteose dos grandiosos thrillers de JRS, com uma trama de opereta entremeada por explicações científicas quilométricas, todas profundas e densas, tais como “um átomo é uma estrutura elementar da matéria” (p. 86).
 
 
 
Perante questões desta magnitude, a verossimilhança da narrativa é totalmente secundária. Ainda assim, ocorrem situações algo bizarras. Ao perseguir Tomás Noronha, com a missão de o matar, um operacional da CIA entra no lar de idosos de Coimbra onde se encontrava internada a mãe do criptonanalista português (na véspera, Dª Graça Noronha tinha atravessado uma “experiência de quase-morte”, coisa pouca). No entanto, a operação homicida é interrompida por instantes, já que as empregadas do lar decidem presentar o assassino americano com um almoço de feijoada (“Então essa feijoadinha? Está uma maravilha, não está?”, p. 163). Esta pausa gastronómica permite a Tomás escapar a uma morte certa. Entretanto, emergem alguns conflitos entre o pessoal da CIA e os serviços de segurança da embaixada dos Estados Unidos em Lisboa, com estes a queixarem que, no fim, quando as coisas correm mal, os espiões de Langley “chamam sempre os matrines para limpar a cagada toda” (p. 201).    
O par romântico da novela é composto por Tomás Noronha (“olhos verdes luminosos”) e Maria Flor Sequeira (“olhos grandes de chocolate”). Apesar de se encontrarem no encalço da “dupla fenda” (p. 223), jamais consumam o acto, preferindo almoçar arroz de berbigão num restaurante de fados da cidade de Coimbra (ao ouvir Verdes Anos, tangida por estudantes, ela solta uma furtiva lágrima; mais tarde, perante uma fotografia de Einstein, acha-o “fofinho” e faz “cutchi, cutchi, cutchi!” ao autor da teoria da relatividade).
Depois de uma aventura na sede da Gulbenkian, à Avenida de Berna, em busca da “mais misteriosa equação científica alguma vez formulada”, ambos viajam até Washington, cidade definida como uma “urbe cortada por uma grelha de ruas largas paralelas e perpendiculares”, à semelhança da “generalidade das povoações americanas” (pp. 302-303).
Na capital dos Estados Unidos da América, Tomás e Maria Flor dirigem-se à casa do mais alto responsável científico da CIA, que dirigia o maior projecto da Agência, a construção do famoso Olho Quântico (com maiúsculas, claro, pois era mesmo um grande Olho). A residência do cientista tinha uma divisão blindada, bunker de alta tecnologia para situações de crise, mas a porta era bastante acessível: com a ajuda de um gancho de cabelo e a aprendizagem que tivera na PSP de Coimbra, em breves minutos Maria Flor consegue abrir a fechadura. O director científico da CIA, que vivia num mundo de sombras e enganos, que comunicava por enigmas e mensagens encriptadas, usava como password informática… a sua data de nascimento. A dado passo, uma prostituta oferece os seus serviços, prometendo a um macho “cinco minutinhos tórridos em que te vou pôr doidão, meu garanhão vigoroso, meu galo emproado, meu touro potente…”. Note-se que esse diálogo e o abrasileirado “te vou pôr doidão” se processam em inglês, entre dois cidadãos norte-americanos, no centro de Washington, D.C. Há também pistolas automáticas sofisticadíssimas que encravam na hora H e até deitam fumo (“baixou a arma fumegante…”, p. 594). 
Tirando delícias como esta, o livro é pobrezinho e calão, sem sexo à bruta nem sequer umas boas onomatopeias. Temos um clic, a dar por terminada uma chamada telefónica, na página 138, e um ploc, assinalando na página 588 um disparo mortífero. Poucochinho. Ainda assim, há momentos filosóficos de grande calibre, como esta frase de Rodrigues-repórter de guerra: “Evento nenhum produz maior efeito numa pessoa do que ver uma arma apontada a si.” (p. 499). Temos também um belo pensamento de Tomás, profundíssimo, rasgado na página 56: “Sabia que a vida era o que era, um mero sopro na eternidade, o instante fugaz do bater de asas de uma borboleta, uma centelha de luz que se acendia e apagava na treva profunda, uma vitória que termina sempre em derrota, um caminho que por mais curvas que faça condiz inevitavelmente ao abismo, um sorriso que se desvanece em lágrimas.”
Mantém-se a tara do contorcionismo facial, um ex-líbris de JRS, com um “esgar de incredulidade” (p. 239), um “esgar de ironia” (p. 268) e um “esgar semelhante ao que ela fizera” (p. 343), entre outros. A Chave de Salomão, de facto, não é um livro, é um esgar de livro. Uma obra em que dois agentes da CIA são apanhados pelos seguranças da Gulbenkian num casa de banho daquela fundação. Alegam que tinham ido ouvir um concerto ao Grande Auditório e que um deles subitamente fora acometido de “um problemazinho”. Suspeito, no mínimo. “O facto de não haver nenhum cheiro desagradável a pairar no ar naquele instante pesava contra os intrusos.” (p. 281). Muito suspeito.
O filme termina bem, com os pombinhos num beijo longo nos lábios, ela a chamar-lhe “fofinho”, ele a tratá-la por “bimbona!”. Mais do que um qualificativo, fofinho-bimbo é todo um programa literário, uma forma de escrita. Nesse género, Rodrigues dos Santos não tem rival. Com mais de dois milhões de livros vendidos, é o maior, sem dúvida. O maior fofinho-bimbo da ficção portuguesa contemporânea.

 
 
António Araújo

 


 

19 comentários:

  1. Madame Agnès encontrava-se “ainda mal lubrificada”,
    Mulher prevenida anda sempre com uma latinha de Castrol EPL 2 ou LM 2.

    Muito obrigado, por estes momentos inolvidáveis.
    Até fiquei com um "esgar" de tanto me rir.

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    1. Com toda a campanha contra o SIDA, essa gente ainda não aprendeu a usar preservativos lubrificados?

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    2. Em 1918 ainda não havia SIDA.
      Ao menos JRS não pode serf acusado de falta de rigor histórico

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  2. ahahahahahhahhaha! não sei se rir do JRS, se da «latinha de Castrol»!!!

    Obrigada, muito.

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  3. Mais um a juntar á lista de marcas na coronha do AA.Vai para junto da Isabel Moreira.Admiravel capacidade de sacrificio para ler varios kg de papel impresso.Acha que vale mesmo a pena o tempo perdido?Quem o lê não o lê a si e portanto...é consigo.

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    1. Comparar as suaves e irónicas carícias aplicadas à Dra. Moreira com esta impiedosa carga de porrada literária prodigalizada (em 5 rounds, 5) ao pobre JRS é como comparar um curto aguaceiro com o Dilúvio. Até me vieram as lágrimas aos olhos (de tanto rir...)
      Depois disto, JRS vai ficar tão traumatizado que nem um simples SMS, daqueles cheios de abreviaturas, do tipo "kida xego + tde, ñ esperes p mim po jantar", se atreverá a escrever. E é uma pena...

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  4. Gabo-te a pachorra. Tens um ódio ao homem assim tão grande ?

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  5. Caro António
    Finalmente posso agradecer-lhe as boas horas passadas este fim-de-semana de leitura de liberdade crítica fundamentada (que falta nos faz!) ou de viagem no tempo (no Observador). Admirável sentido cívico, o seu.
    Gabriel Mithá Ribeiro

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  6. Do mais demolidor e hilariante que já li desde as saudosas críticas do João Pedro George. Mil agradecimentos pelas horas de riso. Também é verdade que não invejo a pachorra de quem conseguiu deglutir os quilos de papel assassinados pela maior alimária das letras lusas. Mas ainda bem que há quem esteja disposto a semelhantes martírios só para nos divertir!

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    1. Que exagero!Há muito pior e com melhores críticas.Mas é seguramente uma das maiores.

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  7. De chorar a rir ! Missão patriótica esta meu caro António Araújo ! Vai directo para partilha no Facebook !

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  8. Caro António Araújo.

    Quero aqui agradecer publicamente ao JRS por ser tão prolixo e nos ter brindado com tanta erudição wikipédico-romanesca. Mas vou mais longe: sem tanta obra de truz, você não teria produzido estes textos, esses sim que merecem ser lidos! Vá lá confesse: você precisa de detonador para nos brindar com tanta ironia. Sem o JRS a navegar à vista, você nunca atingiria este seu estilo de embandeirar à gargalhada. Mas claro, não há bela sem senão. Teve que suar as estopinhas e deglutir quilos e quilos de calhamaços e viagens à volta do mundo. Do Irão até ao Choupalinho Coimbrão. Gabo-lhe a paciiência! Mas o resultado é melhor que a obra. Conclusão: o JRS não está ao nível das suas críticas! Sem ainda tiver fôlego, continue.

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  9. Gott in Himmel que vou comprar e ler um fucking livro deste bimby. E porra que pedaço de mau caminho é esta sua fulgurante, fumegante e delapidante crítica. Considero-a extremamente fucking construtiva. Assim o autor da porra dos books a lesse. Respect!

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  10. Sempre me afastei dos livros do JRS (tal como do MSTavares) por desconfiar que era demasiada sagacidade, pesquisa, marketing... oportunismo, sem pelos vistos ter-me enganado. Mas é curioso, que este seu sublime texto (reclamo por mais do género, que concordo tanta falta fazem) despertou uma vontade masoquista de ler um livro do JRS. Deve ser aquela atração pelo local do crime, ou então o abrandar perto do acidente... Enfim, acho que vou esperar que passe. Obrigado

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  11. Já não gozava tanto com a abordagem da obra de um escriba como gozei então (2006) com o "Couves e Alforrecas - Os Segredos da Escrita de Margarida Rebelo Pinto" de João Pedro George.
    Parabéns!

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  12. Este texto é uma vergonha. Diz mais dos recalcamentos sexuais e mentais do autor do que da porcaria dos livros do José Rodrigues dos Santos. Que lixo... Se isto é crítica literária, por favor, volta João Gaspar Simões.

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  13. António Araújo, obrigado. Tenho reproduzido no face-book esta saga. Parabéns!

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  14. Obrigada, mil vezes obrigada, em todas as línguas já utilizadas ou que o venham a ser por JRS! Estes textos deram-me momentos únicos de galhofa e puro deleite, e são responsáveis por inúmeros esgares de consternação e afins...Impagável!
    Como é possível que se escreva tão mal???? Que bimbo!!! E parabéns pela paciência, claro!! É obra! Raquel

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  15. Parabéns pelo esforço que fez em ler os livros. Penso que esqueceu muitos assuntos que o José Rodrigues expõe e investiga. Estou de acordo em que de facto a parte literário não é brilhante, direi mesmo é muito vulgar. Mas considero que esquece muitos assuntos - ver por exemplo as questões científicas em "A chave de Salomão" .. Quanto aos comentários, de forma geral revelam uma preguiça, um agarrar-se a alguém para sem conhecimento de causa cascarem covardemente em alguém com quem embirram à partida...Meus caros, isso não é honesto! Há milhares de pessoas que lêem o J. R. Dos Santos...seremos assim tão estúpidos? Leiam se faz favor e depois falem de uma forma crítica...

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