domingo, 30 de agosto de 2026

Panados: fritos, sim senhor.


Os panados são uma das últimas alegrias verdadeiras da vida. Fritos, claro. Nunca no forno. E muito menos naquela aberração moderna chamada airfryer, onde tudo sai seco, triste e com sabor a penitência. Um panado deve ser frito em bom óleo a alta temperatura, com cheiro a fritura fresca.

A panadura é feita com pão ralado, como sempre foi. Nada de panko, nem de cereais crispy — isso é para quem confunde crocância com barulho. A espessura? Fina. Nunca grossa. De vitela, se possível. De porco, não ficam atrás. De frango, se tiver de ser. Perú, só em caso de emergência nacional.

Pode ser à italiana, uma milanesa com esparguete e molho de tomate, ou com salada de tomate cherry e basílico. À austríaca, o wiener schnitzel, com salada de batata — sem maionese, de preferência. Ou à portuguesa, com arroz de tomate ou seco de ervilhas. Sempre com muito limão. Um ovo estrelado nunca é demais. E umas boas batatas fritas também não. E se não houver tempo? Uma sanduíche de panado marcha sempre — empurrada por uma imperial.

No topo da hierarquia está o escalope Armando, criação da família Redruello de Madrid: gigante, glorioso, coroado com um ovo cozinhado a baixa temperatura. Por cá já o encontram no fismuler. E os nacionais “panadinhos” em muitas casas honestas, como o Colina ou o La Campania. Mas cuidado. Que não venha um jovem chef desconstruí-los: panadura de um lado, carne do outro, e o ovo — quem sabe — ainda na casca.


                                            José António Nogueira de Brito




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