domingo, 8 de maio de 2016

A capa de uma revista.

 
 
 
Procuro analisar em profundidade a capa de E, A Revista do Expresso, edição nº 2270, de 30 de Abril de 2016. Aparentemente simples, ela é de uma grande riqueza de significados. É ocupada na íntegra por uma fotografia do presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina, e diversos títulos e outros elementos verbais. Esta análise segue o seguinte alinhamento: o contexto; a reportagem anunciada na capa; análise dos textos verbais na capa; análise do texto visual da capa; análise conjunta dos textos verbais e visual da capa (Imagem 1).
 
Imagem 1

O contexto e a reportagem
         Fernando Medina é presidente da Câmara de Lisboa desde 2015, quando o então presidente se demitiu para assumir a presidência do Governo. Medina era o nº 2 na hierarquia da autarquia, a maior do país e correspondendo à capital do país. Deste modo, Medina, eleito na lista do seu partido, o PS, que venceu a eleição, não foi proposto aos eleitores como candidato a presidente da câmara. Este facto é geralmente considerado uma capitis deminutio em termos políticos, e não irrelevante: um primeiro-ministro legítimo pode ter a sua capacidade política severamente constrangida por não ter chefiado o partido no momento da eleição; foi o caso de Pedro Santana Lopes. Medina encontra-se na mesma situação. É, portanto, necessário um esforço adicional, político e de comunicação (informação, propaganda), para lhe devolver por esse meio o que a circunstância política da chegada ao topo da instituição lhe retirou.
         Dada a importância da CML no contexto político nacional, o seu presidente é considerado, por consenso informal na sociedade, ou pelo menos nos media, uma figura política nacional. Esta câmara tem sido, por isso, um trampolim para cargos políticos nacionais, quer para autarcas eleitos (Jorge Sampaio, Santana Lopes, António Costa), quer para candidatos perdedores (Marcelo Rebelo de Sousa).
         Sendo um político do círculo político íntimo do seu antecessor e actual primeiro-ministro, a comunicação do seu partido e a dos media (neste caso consciente ou inconscientemente), Medina começou rapidamente a ser promovido a político de primeira e, portanto, eventual sucessor de António Costa, caso este tivesse ou tiver de abandonar o cargo de líder do PS e de primeiro-ministro, em função das circunstâncias políticas. A capa e sete páginas  (pp.26-32) da E inscrevem-se nesta comunicação. O assunto é referido, sem indicação de fontes: “depois de ter sucedido a Costa na autarquia, há quem já o imagine a suceder-lhe no PS e na governação. Medina está em todas as bolsas de apostas para o futuro do partido e assim continuará se vencer as eleições [autárquicas] em 2017” (sublinhado meu). E a reportagem termina dizendo que “a política sempre” “lhe correu no sangue”, perguntando: “Até ser primeiro-ministro?” Na resposta, Medina não desmente. Antes, o repórter já opinara no sentido de catapultar o autarca através da sua presença no Jornal das 8 da TVI: “Para um político jovem e ainda pouco conhecido, o palco televisivo é precioso para ganhar notoriedade” (p.32; sublinhado meu).
         A reportagem do jornalista Filipe Santos Costa é em estilo laudatório ou mesmo hagiográfico, como se tenta provar adiante. Resulta do acompanhamento durante “uma semana” da actividade do autarca, num género comum que implica o assentimento do próprio. Em casos como este, a agenda dos políticos que abrem as portas aos repórteres é ou pode ser alterada para servir a comunicação, mas este texto nada diz sobre o assunto. O “retrato” é de um pragmático que quer deixar marca através de obras. Comprova-o, como marcador, a palavra “obra/obras”, que surge 17 vezes no texto (“a sua obra”, “é o dono da obra”; na p.32, a palavra aparece seis vezes em seis linhas com 35 palavras). A reportagem denuncia o desejo do próprio repórter em que o autarca possa avançar com muitas obras: “Por sorte a cidade não está toda assente em história”, o que permite avançar sem demoras escusadas com a arqueologia do subsolo (sublinhado meu).
         Sendo objectivo desta análise centrar-se na capa, ficam aqui apenas alguns elementos do texto da reportagem que permitem avaliar o estilo laudatório:
-      a reportagem não inclui contraditório político; há apenas uma pequena referência a uma crítica da oposição, não à acção, mas à atitude do autarca nas assembleias municipais;
-      Apesar de portuense, Medina é apresentado como um lisboeta convicto que “conhece bem as ruas da cidade”; os lisboetas são apresentados como o “seu povo” (p.29).
-      É um sonhador, vê muito à frente, é descrito como um líder, apesar de não se usar a palavra; este líder ainda não é reconhecido como tal, preocupação que a própria reportagem visa colmatar; Como tantos líderes, não tem paciência para o processo institucional democrático (“do parlamento nem trouxe saudades”), um empecilho que prejudica a sua visão de futuro e o seu empenho diário (até mesmo horário, na reportagem) em obras; por essa razão, o repórter escreve: “É como se tivesse descoberto em si um urbanista, um arquitecto e mestre de obras, além de um presidente de câmara” (p.31);
-      O realizador de obra é comparado com o Marquês de Pombal, “mas Medina garante que não”; a reportagem, porém, desmente o desmentido: numa “photo-opportunity”, mostra-se a imagem de Medina e do vereador das obras, Manuel Salgado, agindo sobre um mapa de Lisboa, como o Marquês e vários outros políticos ao longo da História; o texto confirma: “Medina está debruçado por cima de um mapa de Lisboa” (p.31).
-      A reportagem omite a data em que Medina se tornou presidente da CML (6 de Abril de 2015), preferindo referir a data da sua entrada no executivo camarário (2013), apesar de o texto ser sobre ele na qualidade de presidente da câmara. Por omissão, acrescenta dois anos à presidência de Medina.
-      A reportagem concreta, em termos de género, substitui outro género, a entrevista, para acentuar o homem em acção em vez do homem de palavras, o político comum. Além do texto, as fotografias mostram-no duas vezes a apontar para mapas, uma vez de capacete em visita a uma obra, uma vez a visitar o local de uma futura obra, duas vezes nas ruas com populares, uma vez dominando pelo olhar a cidade de uma janela, uma vez na TVI e uma vez (em onze fotos) sentado; em três das imagens o autarca usa o smartphone.
-      Na descrição de uma visita a uma futura obra, Medina “martela a importância da comunicação”. Pode dizer-se, em resumo, que a reportagem confirma-o, quer pelo conteúdo a respeito do autarca, quer pela sua própria existência, feita com o próprio Medina, para o dar a conhecer ao país. O lead da reportagem denuncia essa intenção: “Passámos uma semana com Fernando Medina para o conhecer melhor”(p.26).
         Os textos verbais da capa
         A capa da revista inclui referentes habituais, como o logótipo, numeração e data, no topo superior esquerdo, e, no canto inferior esquerdo, a informação sobre o uso de um código individualizado impresso num rectângulo branco “para ter acesso gratuito ao Expresso Diário” online. Sobre esta informação, um sinal mais indica três temas adicionais ao principal da capa no interior da revista.
         O tema da capa encontra-se no canto inferior direito, igualmente sobreposto sobre a fotografia que a ocupa por inteiro. Os textos são os seguintes:
         - Antetítulo: “Fernando Medina”
         - Título: “O homem que gosta de trabalhar nas obras”
         - Pós-título: “Uma semana nos bastidores da construção da nova Lisboa / Por Filipe Santos Costa”
         O antetítulo apresenta o referente da reportagem (e tema central deste número da revista). O título caracteriza o referente (Medina) por um ângulo, neste caso o gosto pelas obras. O pós-título objectiva o trabalho do repórter e desenvolve a sua subjectividade, já pressuposta no título, a respeito da política do autarca.
         A identificação de Medina com Lisboa só aparece vagamente no pós-título, o que remete para uma dimensão superior à da autarquia. Aliás, Medina não é identificado como autarca, mas como homem. Este substantivo pode ser interpretado como indicando ou pressupondo a hipótese, que já vimos encontrar-se na reportagem, de Medina vir a chefiar o PS e o Governo nacional. A simplicidade da expressão “O homem”, para mais isolada numa linha do texto, sugere o conceito de “homem providencial”. Recorde-se que no texto o repórter coloca a questão “Até ser primeiro-ministro” sem mencionar a necessidade de tal ocorrer após eleições legislativas. Dir-se-á: isso é óbvio. Mas é o óbvio que deve ser questionado, porque o óbvio, em análise, não existe. Neste caso, tanto mais é assim que não é constitucionalmente necessária uma nova eleição para substituir o primeiro-ministro.
         A expressão “gosta de trabalhar nas obras” tem uma denotação referencial (a reportagem afirma até à exaustão que, de facto, Medina gosta de trabalhar nas obras). Quanto à conotação, a frase sugere que Medina é um homem de acção; que o é por gosto; que faz obras; que trabalha nas obras. Numa conotação adicional, Medina é ou é como um homem das obras; mas, dado que o título abre com o artigo definido, Medina é o homem das obras. Esta conotação ainda acrescenta uma identificação com o elemento popular: Medina é homem das obras, homem da construção civil e de pôr a mão na massa.
         O título está conforme à reportagem nesta tarefa de retirar (aparentemente) o elemento ideológico da política, de forma a engrandecer o homem providencial que realiza obra(s).
         O pós-título indica que o repórter (em rigor a revista) esteve uma semana “nos bastidores da construção da nova Lisboa”. Refira-se desde logo que a frase não diz que o repórter ou a revista esteve uma semana com o autarca, sendo ele, efectivamente, o conteúdo principal da reportagem: a sua presença na TVI e uma reunião camarária, por exemplo, ocupam uma parte não negligenciável da reportagem, sem terem qualquer relação com as obras na cidade. A referência aos “bastidores” de obras substitui a indicação do cerne da reportagem: o acompanhamento de Medina em diversas actividades, nomeadamente obras.
         A última frase do pós-título é muito mais subjectiva do que objectiva: a “construção da nova Lisboa” diz directamente que as obras em curso ou previstas são um plano de conjunto, “a construção”, desde logo com um carácter positivo; mas a frase vai mais longe e afirma que está em construção “a nova Lisboa”. A frase avalia o conjunto de obras como dando origem a uma “nova” cidade. O artigo definido “a”, em vez de “uma”, torna-a definitiva e inquestionável. Tal como o Marquês, Medina não se limita a promover “umas obras”, mas a levar a cabo um plano de “a nova Lisboa”. É o desenlace do gosto pelas obras do homem providencial: dar ao país uma “nova” capital. Esta opinião ideológica é amplamente desenvolvida no texto da reportagem, sem contraditório; na frase da capa, é e apresentada como factual, isto é, há uma “nova Lisboa” em “construção” pelo “homem que gosta de trabalhar nas obras”. Este nexo lógico “o homem” (providencial)—> “obras” —> “nova Lisboa” é confirmado no lead da reportagem (p.27), que termina referindo-se “à cidade que ele quer fazer”. O homem de vontade surge novamente, no verbo “querer”. Este lead confirma que a reportagem é menos sobre os “bastidores da construção da nova Lisboa” do que sobre Medina em acção para a reportagem: “Passámos uma semana com Fernando Medina para o conhecer melhor e à cidade que ele quer fazer”.
 
 
Imagem 2
 
       
       A fotografia da capa
 
         A capa da revista é preenchida com uma fotografia da autoria, como as do interior, de António Pedro Ferreira. O Expresso online publicou não só a capa, como é hábito, mas também a mesma fotografia da capa sem os textos verbais e na sua versão integral, antes de reenquadrada, com cortes nas margens esquerda e direita (Imagem 2). Analisaremos aqui a fotografia tal como publicada na capa (Imagem 1), sublinhando apenas estes aspectos:
         - a foto original, “ ao baixo” tem uma relação mais equilibrada entre o elemento no primeiro plano e o fundo, “justificando” a composição o facto de Medina estar virado para o lado esquerdo.
         - o reenquadramento para a capa fez desaparecer um dos arcos de pedra do edifício no lado esquerdo e de parte de outro arco no lado direito, o que acentua o significado abaixo descrito.
         Analisemos a fotografia tal como surge na capa. Ela mostra Medina em primeiro plano. Não olha para a câmara (isso acontece apenas numa das fotografias do interior). Deste modo, Medina não se impõe pelo olhar, não é imposto pela revista, é dado ao observador, como objecto de contemplação para se ir tornando parte do catálogo icónico do “museu imaginário” da política nacional. Está em plano médio, da cintura para cima, o que cria uma relação social com o observador: é esta distância aparente entre o observador e o observado que prevalece nas relações sociais próximas. Medina veste uma camisa branca e gravata azul. Por opção paradigmática, isso significa em simultâneo que usa a “farda” dos políticos, mas que está sem casaco, o que o conota como homem de acção. Acresce que é um homem de mangas ligeiramente arregaçadas, o que de novo conota o caráter de homem de acção, mas sem desalinho formal. Apesar de ocupar sensivelmente a metade direita da imagem, como a sua cabeça se inclina no olhar para o smartphone, ela ocupa a zona central do enquadramento, principalmente no terço superior do rectângulo ao alto da capa (Imagem 3).
 
 
Imagem 3
 
    
     Este homem está só na imagem. É o único protagonista, pois não há mais ninguém (outras pessoas distrairiam a conotação de liderança), e é o único tema, pois não se vêem obras nem o local é identificável. Os homens providenciais são amiúde representados como homens sós, o que não significa que são misantropos enquanto indivíduos ou dirigentes, mas antes que são auto-suficientes e singulares.
         Medina está numa zona escura, coberta, dum local que não é possível identificar (os títulos e a reportagem indiciarão como um local de uma futura obra). O local é tão escuro que a luz natural ocupa apenas a zona do fundo, após um arco de pedra do edifício, criando zonas quase negras em redor do autarca, na sua mão esquerda, no cabelo. Todavia, essa ausência de luz natural forte no local exacto em que se encontra Medina é compensada pela luz emitida pelo smartphone nas suas mãos, que incide fortemente na camisa e gravata e principalmente na cara de Medina. Qualquer pessoa ou objecto que receba uma luz forte torna-se a sua própria fonte de luz. A luz vem de baixo, o que é infrequente. Não é qualquer um. Chama a atenção e, entre outras sugestões, traz consigo a de magia. A luz natural por trás criando o contraste entre claro (fundo) e escuro (primeiro plano) e a luz do telemóvel que parece irradiar de Medina conotam a ideia de que se está a arrancá-lo da escuridão (é “ainda pouco conhecido”, dá-se-lo a “conhecer melhor”), de que ele é luz resgatada da escuridão nacional, de que ele mesmo é fonte de luz. Em suma, Medina é luz na escuridão. É líder.
         A escolha da imagem de Medina com o smartphone pode ser analisada deste modo: primeiro, é um elemento referencial, um instrumento de trabalho importante, tanto mais que no interior, como vimos, há mais duas fotografias de Medina a usá-lo (no meio da rua e no estúdio da TVI); segundo, sendo um instrumento de trabalho e comunicação, conota Medina como homem de trabalho e de acção e como homem em contacto com o mundo, tanto mais que ele está agir sobre o telemóvel com os polegares; terceiro, o aparelho nas mãos fornece uma luz intradiegética, integrante da narrativa da imagem, substituindo eventual luz extradiegética, artificial, para o iluminar num local escuro; quarto, tendo em conta que o telemóvel é um elemento acessório na imagem devido à sua posição subalterna de objectivo ou meta da sua acção na imagem, e tendo em conta que não se vê nenhum foco de luz do smartphone na sua direcção, Medina surge como que iluminado por fonte indeterminada, como que iluminado por dentro, ou, numa expressão conotada, como um iluminado, o que de novo remete para o conceito de homem providencial, de chefe. Acresce que a luz do mundo (a que forma o fundo) não interfere na figura humana, apenas a do seu trabalho e destino nas suas mãos, que ele manipula (o telemóvel). O único vector (indicando acção) na imagem é a do olhar do participante representado (Medina) em direcção ao smartphone, seguindo em paralelo à gravata (Imagem 4).
 
 
Imagem 4
 
       
      Resta referir a composição formada pelo primeiro plano e pelo fundo. A cabeça e a parte superior do corpo de Medina — o busto — foram enquadrados de modo a ficarem no meio do arco de pedra do edifício. Deste modo, a cabeça de Medina não só está no centro superior geométrico como está no centro do arco, criando como que um círculo em seu redor, o que acentua a sua posição central e foco da imagem. O círculo, na arte e, portanto, na fotografia, transmite protecção, calor, eternidade, harmonia. A composição corresponde, deste modo, à que na escultura e também na pintura é atribuída a uma pessoa notável (santo, político, artista, etc.) através da sua colocação num nicho. As imagens em nichos incluem amiúde instrumentos identificadores a personagem, como S. João de Deus na Basílica de Mafra (Imagem 5, detalhe). No caso do conotado conceito de Medina no nicho o instrumento é o telemóvel. O sólido arco de pedra sugere, em resumo, uma protecção de tipo superior. e uma ideia de santidade.
 
 
Imagem 5
 
         Baseada esta análise exclusivamente nos elementos verbais e icónicos disponibilizados na revista, não é possível estabelecer se a fotografia foi preparada; por exemplo, se a posição do autarca e a acção (usar o smartphone) foram sugeridas pelo fotógrafo. Interessa apenas avaliar o que é dado a ver, tal como analisado aqui. Preparada ou não, a fotografia apresenta-se e é recebida pelo observador como um “instantâneo”, uma fotografia jornalística de um momento de realidade. A arte do fotógrafo e dos responsáveis da capa (designers, direcção, repórter) está precisamente na potência de significados adicionais que ela transmite através da linguagem jornalística de palavras e imagem.
       Textos verbais e fotografia da capa
 
 
         De cima para baixo e da esquerda para a direita, o sentido de leitura apresenta-nos primeiro o que é ideal: o logo da publicação e Medina, sendo este “santificado” — apresentado como dado adquirido — através da sua inserção num nicho simbólico; a seguir a foto mostra o que é o real, a apresentação de Medina como “o homem” que trabalha, “o homem que gosta de trabalhar nas obras”, que faz coisas, e, por falácia argumentava de causa-efeito, “o homem” que está a fazer a “construção da nova Lisboa”; esse elemento do novo, geralmente representado nas imagens em baixo, está sugerido no telemóvel, o instrumento que recebe o vector do olhar de Medina, o objectivo do seu trabalho. Este elemento terreno (em baixo) junta-se ao elemento ideal (em cima) para formar o conceito do homem providencial por vir, que se afirma ele mesmo em construção pelo seu trabalho, pelas obras, pela “nova Lisboa”, e que se afirma pelo trabalho da própria revista do Expresso.  Esta leitura da imagem de cima para baixo corresponde à construção linguística da nossa linguagem verbal.  A capa da revista E poderia ter como legenda “Deus Quer, o homem sonha, a obra nasce”, pois é essa, em termos gerais, a mensagem que transmite.
         Consciente ou inconscientemente, é um conteúdo simultaneamente jornalístico e de propaganda, que se inscreve no modelo preferido da propaganda numa era de receptores desconfiados: sob o manto diáfano do jornalismo, a nudez forte da propaganda.
 
Eduardo Cintra Torres

 

 

 

 

5 comentários:

  1. Excelente análise semiótica. Ensino esta componente de comunicação no ensino superior e venho pedir-lhe a sua anuência para partilhar este conteúdo como suporte didactico, com a necessaria referência da fonte como é óbvio. Antecipadamente grato.

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  2. Muito obrigado. Com certeza que autorizo e fico honrado. O texto tem três ou quatro gralhas da minhas responsabilidade, todas facilmente identificáveis, excepto talvez um "argumentava" em vez de "argumentativa". Saudações cordiais. ECT

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  3. Excelente. Há que descodificar e chamar as coisas pelos nomes: propaganda é propaganda. Bem haja.

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  4. Muito boa análise, em particular para fins académicos, como oportunamente já foi identificada.

    Na realidade o jornal analisado funciona como instrumento de propaganda política e o "jornalista" produz um trabalho de promoção de alguém.

    Onde se lê Fernando Medina podia estar Francisco dos Anzóis que tudo batia certo.

    O sucesso deste jornal é ditado pela qualidade dos seus leitores.

    Possivelmente há quem o considere um símbolo, mas não é certamente um símbolo de honestidade.

    Poderá ser influenciador e eficaz, sobretudo pela falta de conhecimento e capacidade crítica dos seus leitores.

    Salvo melhor opinião, é excelente para limpar vidros.

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  5. o fernando medina é um homem inteligente,mas tanta prosa é um pouco exagerado!

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