terça-feira, 19 de dezembro de 2017

O rinoceronte de Tintin.

 
 
 
Sobre Tintin au Congo e as suas querelas pós-coloniais – e, inclusivamente, judiciais – já muito se disse, tudo ou quase tudo. Há até um livro, que muito recomendo, chamado Tintin au Congo de Papa.
 

 

 
Na Internet, um levantamento preguiçoso permite detectar de chofre esta carrada de links, todos muito úteis, que podem encontrar aqui.
 
 
Mas, e creio que o lapso já deve ter sido detectado há muito, muitíssimo tempo, pelos tarados tintinófilos (sem ofensa), o que me causa espanto é que, sendo Hergé um artista tão meticuloso, lhe tenha passado em claro, na translúcida clareza da sua ligne claire, que o rinoceronte que coloca do Congo é… indiano. A imagem já foi corrigida, a bem do politicamente correcto e, coisa que até se compreende, para não instruir as crianças na malvadeza racista ou em atitudes estúpidas contra os animais. Só não entendo – expliquem-me os entendidos – que, com tanta mudança nas vinhetas desta obra, não tenha ocorrido a George Remi alterar também a espécie de rhino apresentada, evitando a confusão trapalhona e a má instrução das crianças quanto aos bichos que observam ora em África, ora na Índia. Tudo isto sem qualquer menoscabo – longe disso! – para com o criador de Tintin e para com a sua criatura lendária, ainda que um pouquito insonsa e asséptica (e aí reside grande parte do seu encanto).
 

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