quarta-feira, 7 de outubro de 2020

O Sebastião foi à pesca (mas vem já).































O Sebastião/Ião, não desfazendo, é o melhor miúdo do mundo. E o meu e o nosso mundo ficam melhores porque há o Ião e há outros iões como ele, ainda que iões talvez não tão positivos como ele, mas enfim. O Ião foi à pesca e trouxe a rede cheia de belas coisas, vejam vejam fregueses, que isto é só uma selecção para amostra, mas muita selecionada e apertadinha. E digam lá se não são fotografias de um grande amador fotógrafo, com uma argúcia de olhar que é rara, bem rara, mesmo entre profissionais tarimbados. Até dá raiva, poças, um miúdo tão novo e a fotografar assim – sobretudo para quem já chega a uma certa idade e sabe que nunca por nunca irá fazer algo igual ou sequer parecido. Fixai-lhe o nome, mortais: Sebastião Roxo, pescador de imagens.
















 


 

Um Verão mesmo à mão.

 


Ilustração de Vítor Higgs


Um Verão mesmo à mão, ou andanças da família Durrell pela ilha de Corfu. Aqui





Ver-se Greco.


 


Ilustração de Vítor Higgs





Ver-se Greco, os trabalhos e os dias de um pintor de génio, em «Péssima Companhia», no Diário de Notícias, aqui









sábado, 3 de outubro de 2020

 


Covid-19 testa positivo a Trump-20. O Estado é crítico.

 


Ricardo Álvaro









Outonos.

 



Dizer que há tantos lotes de Estações quanto compositores é um exagero. Não é um enorme exagero. É muita alma, idiossincrasia e imaginação a trasnspôr para a pauta os sons, as cores, as sensações e efeitos da Primavera, do Verão, do Outono e do Inverno. Em música, o ano é sempre sensacional.

Quatro Estações há muitas, portanto. Resmas. Agora, é googlar e ver o que sai: 3…2…1… Vivaldi. Antonio Vivaldi. Ponto. Cadê o resto? Cadê as outras?

Mas ele há Vivaldis e Vivaldis. Resmas. É muita alma, idiossincrasia e imaginação a fazer sua aquela partitura do Antonio.

Há a interpretação assim e assado, leve e pesado, lento e apressado, cozido e frito, colorido ou a tender para o cinzentito.

Depois há as reduções, as subtrações, as comutações: tira os sopros, deixa as cordas -- a ver se o Outono não fica mais outonal, sei lá.

E, por fim, há as brincadeiras e as recomposições: o que nos podemos divertir com isto, ou inventar e imaginar a partir disto -- como luz refratada num copo.

Ao Outono de Vivaldi, então (III. Allegro).

1.Interpretações de eleição: a de Nemanja Radulovic com a Double Sens Orchestra. Há valores afirmados, como a de Amandine Beyer com Gli Incogniti. Mas esta de Radulovic (em baixo) é -- como dizer -- tão a minha favorita.

2. Brincadeiras: Les Saisons amusantes, de De Nicolas Chedeville, por Jean Pierre Rasle com o Palladian Ensemble.

3. Recomposições: a de Max Richter, por Daniel Hope com a Konzerthaus Kammerorchester Berlin

1.





2.




3.




 

Manuela Ivone Cunha




Grandes Variações.

 




Depois de tanto falatório sobre o António Variações, confesso que tinha receio deste livro, que hoje li. É uma notável biografia, com informação, investigação e ilustração, todas magníficas. Na mesma colecção, já tinha lido a do Bowie. Esta é incomparavelmente melhor. Sim senhor, conseguiram surpreender – e muito, muito positivamente.


                             



 


sexta-feira, 2 de outubro de 2020

As Listas de Sara & André.

 





São Cristóvão pela Europa (132),

 


O Convento de Cristo em Tomar é um dos mais extraordinários conjuntos monumentais do País. Pela sua dimensão, por ser o resultado de inúmeras eras artísticas, pela sua beleza arquitectónica. Também pelo seu papel na História de Portugal, que aí viveu muitos dos seus grandes momentos, desde a fundação pelos Templários à hábil reconversão da Ordem em Ordem de Cristo, desde a presença do Infante D. Henrique à realização das Cortes de Tomar que reconheceram Filipe II de Espanha como Rei de Portugal.

Dentro do Convento, a célebre charola avulta como um dos seus pontos superlativos. De forma cilíndrica no exterior, assume no interior a forma octogonal própria das construções templárias

Inspirada no que teria sido o Templo de Salomão em Jerusalém, a charola tem um tambor central ao redor do qual existe um deambulatório onde os cavaleiros faziam as suas preces.

Numa das paredes, um magnífico fresco representando São Cristóvão. Há quem queira ver nele uma imagem cinocéfala, ou seja, com cabeça de cão, como se vê no Oriente e em especial no Egipto. Mas eu não vejo tal coisa. Parece-me ser especulação.

Mas há elementos pouco habituais que parecem ter características herméticas como seja o caso dos pés tortos do Menino Jesus, a proliferação de flores, o facto da árvore empunhada por São Cristóvão parecer ser uma laranjeira, a presença de uma ave na dita árvore, o facto de a candeia segurada pelo monge estar deliberadamente apagada com o seu interior pintado de negro:



 

Fotografia de 16 de Abril de 2014.

José Liberato





quinta-feira, 1 de outubro de 2020

Os bonecos de Tom.

 


Quino.


 


Quinou o Criador.

 

 

Quino, o Criador, quinou mas deixou obra gráfica e filosófica para entreter e educar a humanidade durante séculos. Valeu bem a pena, literalmente. O primeiro e único elemento vivo da Santíssima Trindade partiu para a outra banda desenhada e deixou-nos órfãos e apeados, sem vinhetas de transporte colectivo nem pranchas de salvação. 


Ricardo Álvaro










quinta-feira, 24 de setembro de 2020

Mais perto do céu.

 



Parece um teste de Rorschach ou um caleidoscópio de crianças, mas não é. É o génio de Gerhard Richter (naquele que, segundo ele, será o seu último trabalho), em colaboração com o artista afegão (e muçulmano) Mahbiba Maqsoodi. A abadia do mosteiro de Tholey, o mais antigo da Alemanha.







São Cristóvão pela Europa (131).

 


Já tínhamos ido a Portalegre: http://malomil.blogspot.com/2020/07/sao-cristovao-pela-europa-114.html.

Só que o meu amigo Jorge Guimarães encontrou-me mais dois São Cristóvãos, o que me levou, com imenso gosto, a revisitar Portalegre.

Com efeito, no Museu José Régio que dispõe de um espólio de arte sacra como há poucos em Portugal, pode encontrar-se um registo dedicado a São Cristóvão. Os registos, frequentes no nosso País, são pequenos quadros de imagens religiosas com uma moldura muito decorada e geralmente de formato invulgar:




 

Não muito longe, na Rua da Sé, um azulejo:





 

E por falar em azulejos, há um em Pero Pinheiro, concelho de Sintra, na rua principal:




 

Fotografias de 18 de Agosto e 21 de Setembro de 2020.

 

José Liberato




quarta-feira, 23 de setembro de 2020

Na Casa da Achada.

 





Iconografia Beethoven.

 







Preparava-me para apreciar lado a lado o Beethoven-action-man que me saiu ao caminho numa montra de um lugarejo remoto (boneco 1), e a mais icónica representação do compositor (boneco 2), quando com dou de caras com a extraordinária história deste último retrato – a história do artefacto, mais do que a da pintura.

 




Por extraordinário que seja o retrato e a sua história – se me é ainda permitido o à parte –, não obsta a que continue a ser bem-vindo aquele refrescamento da representação de Beethoven mais condizente com o século 21. A série de 4 gravuras que Andy Warhol extraíra em 1987 (boneco 3), qual lata de sopa Campbell, da pintura de 1820, resulta já, convenhamos, um nadinha século 20. Seja como for, nem o Beethov-man nem o Beethov-série apoucam um pedacinho sequer da obra, incluindo a sinfónica.

 

Em duas pinceladas, eis parte da história do artefacto -- ainda que a pintura, da autoria de Joseph Karl Stieler, tenha também ela que se lhe diga. Consta ser este o único retrato para que Beethoven acedeu posar em vida. Antoine Brentano, um dos membros do casal que patrocinou a obra, teria inspirado a Beethoven uma fervorosa paixão e, pelos vistos, uma inusitada paciência.

 

Mesmo assim, o arrebatado retratado não aguentou mais do que 4 sessões de pose, distribuídas ao longo de três meses. As mãos que na pintura seguram o manuscrito da Missa Solene já não são as que a compuseram, mas as que saíram da memória do pintor. Já aqui se aludiu à quase cómica intolerância do músico perante o que o aborrecia. De maneira que no retrato tanto podemos imaginar, como muitos, desprender-se do fundo florestal a força da natureza que ele próprio encarnava – ou do fundo de plantas o amor que lhes tinha –, como a impetuosa vontade de mandar tudo aquilo às malvas e voltar quanto antes para o piano, subito.

 

Mas seria bem mais atribulada a história do artefacto material, pelo menos a partir do momento em que entrou na posse de Henri Hinrichsen, um respeitado membro da comunidade judaica de Leipzig, e se tornou um alvo de eleição da gigantesca apropriação Nazi de obras de arte. O quadro foi um dos objetos do saque nazi na Noite de Cristal, a que se seguiria o confisco e arianização da editora musical de que Hinrichsen era proprietário, acabando na morte do próprio nas câmaras de gás de Auschwitz-Birkenau.

 

Finda a guerra, e após novo confisco – desta feita pelo Exército Vermelho – o retrato foi reavido pelo filho Hinrichsen, em Nova Iorque, através de intensa negociação.

 

E voltaria agora a atravessar o Atlântico para aterrar na casa onde Beethoven nasceu, em Bona, onde se encontra exposto.

 

Manuela Ivone Cunha







terça-feira, 22 de setembro de 2020

O barroco a Oriente.

 

 

E tudo e todos em Lisboa. A propósito do extraordinário festival Todos – a um tempo caloroso, festivo e rigoroso - que ontem fechou com clave de ouro.

 

Ballo cavalino · Com Renaud Garcia-Fons e Claire Antonini

 



 

Manuela Ivone Cunha