quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Eu vim de longe: Gerald Bloncourt.

 
 
 
 
 


 



 
 
 
 















O meu amigo Onésimo lembrou-me a existência deste blogue, o blogue de Gerald Bloncourt. Já em tempos havia falado aqui de uma história extraordinária, a da petite portugaise, que mereceu uma não menos extraordinária reportagem de Patrícia Carvalho nas páginas do Público.
Bloncourt acompanhou a saga dos portugueses em França desde a década de cinquenta. Depois, nos anos sessenta, a época do grande salto, fotografou-os em Hendaia, nos comboios do Sud, nos bidonvilles dos arredores de Paris. Esteve cá logo nos primeiros dias a seguir ao 25 de Abril, acompanhou o 1º de Maio. Antes disso, percorreu Portugal de lés a lés – e é impressionante ver como éramos em 1966, o ano do Eusébio e dos Magriços. Concentrei-me nas imagens de França, mas o blogue de Bloncourt tem muitas fotografias dessa época, da Beira e de Trás-os-Montes.
Já existem vários livros sobre a emigração portuguesa. Um, publicado na altura, é uma reportagem de Nuno Rocha. Até já existe um livro, pelo menos, sobre Bloncourt e a sua obra. O melhor trabalho académico que conheço é da autoria de Victor Pereira (um abraço, Victor!), indiscutivelmente um dos grandes livros publicados este ano em Portugal: A Ditadura de Salazar e a Emigração. Bloncourt foi o fotógrafo que acompanhou mais de perto esta sangria de gente, entre lama e chuva e casas de zinco. Portugal deve-lhes muito, mais do que algum dia lhes poderá pagar. Já houve mostras interessantíssimas, como uma que esteve patente na Torre do Tombo, mas para quando uma grande exposição sobre a emigração portuguesa?    





1 comentário:

  1. Percebo que se tenha que fazer fretes aos amigos. É uma coisa universal. Sempre encapotada. Mesmo em que se afirma ser diferente e atira pedras aos outros (por exemplo à libertina marquesita de Sade socialista)... Mas alguém já leu mesmo o livro do Victor Pereira e a sua insistência recorrente na tese burra de ligar a emigração durante o Estado Novo Novo aos interesses de uma perversa e poderosa burguesia agrária?! Parece o pior Fernando Rosas da década de 1980.

    ResponderEliminar