domingo, 1 de março de 2015

Rio, 450 anos.

 
 
 
Fotografia de José Medeiros



Agora que o Rio comemora os seus 450 anos, poderíamos lembrar o que a cidade tem e oferece, o pior e o melhor.
 
 
 
 
         A culpa não é do Rio, mas de quem não o soube ver. O filme Rio, Eu Te Amo é um pavor de película. A série tem vindo a declinar: começaram por Nova Iorque, bem, depois foram a Paris, já mais tosco. Aplicada ao Rio de Janeiro, a fórmula resulta em desastre. Não há cliché carioca que lá não esteja, as histórias vão-se cruzando  sem nunca ganharem sentido, uma trapalhada nos trópicos. Sobram as paisagens, deslumbrantes. Talvez um pouco previsíveis e postaleiras, mas sempre de estarrecer. Pontuação final: péssimo.
          Em compensação, viajou até Lisboa uma exposição que vi em Berlim. Revisitada na Gulbenkian, continua na mesma: poderosa e soberba. Quatro grandes fotógrafos – José Medeiros, Marcel Gautherot, Hans Günter Flieg, Thomaz Farkas – em modernidades. Tem o Rio, mas não só. Já falámos aqui de José Medeiros, a propósito de uma retrospectiva patente no BES Arte. Dos quatro fotógrafos agora em exibição na Gulbenkian, Medeiros foi o único que nasceu no Brasil; tudo o mais é adoptivo. Numa iniciativa do radioso Instituto Moreira Salles, iremos ter Modernidades: Fotografia Brasileira (1940-1964) até 19 de Abril. Já foi notícia de jornal, aqui e aqui, por ex., pelo que não vale a pena adiantar muito mais.
 
 
          Em contrapartida, notícia de um livro fabuloso, que um amigo grande carregou pelo Brasil inteiro para me trazer até Lisboa. Estranhamente, inexplicavelmente, escandalosamente, não é possível comprá-lo deste lado do Atlântico. Publicado pela Fundación Mapfre e pela Editora Objetiva, é coordenado por Boris Kossoy e dirigiudo por Lilia Moritz Schwarcz. A não perder, por nada do mundo. Chama-se Um Olhar sobre o Brasil. A fotografia na construção da imagem da nação, 1833-2003. É de peso, o monumento.  
 
 


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