sábado, 8 de dezembro de 2012

O leão da Metro.






Louis B. Mayer
 
 


Conta-se que Robert Taylor (1911-1969), no seu segundo ano como actor com contrato com a Metro, pediu para falar com Louis B. Mayer com o intuito de pedir um aumento de salário, pois ainda tinha o estatuto, e o vencimento, de principiante: 75 dólares por semana. Robert Taylor estava nervoso, pois o chefe do estúdio era um personagem assustador. Na ocasião, no entanto, Mayer não se irritou com a proposta. Com bons modos, pediu ao actor que se sentasse e, com voz amável, disse-lhe:
- Bob, Deus nunca entendeu por bem conceder-me a grande bênção de ter um filho. Deu-me duas filhas, duas filhas lindas, que foram para mim uma grande felicidade. Estão agora casadas com dois tipos de sucesso, grandes produtores, o Dave Selznick e o Billy Goetz. Mas, por alguma razão, na Sua infinita sabedoria, Ele nunca me deu um filho. Mas, se Ele me tivesse dado um filho, Bob, se Ele me tivesse abençoado com tão maravilhosa dádiva, não consigo pensar em ninguém com quem o meu filho se deveria parecer senão contigo, Bob. E, se esse filho tivesse vindo até mim e me dissesse: “Pai, estou a trabalhar para uma magnífica empresa, a Metro-Goldwin-Mayer, e para um bom homem, que está à frente da empresa, um homem que tem no coração a defesa dos meus melhores interesses. Mas ele apenas me paga 75 dólares por semana, Pai. O Pai pensa que eu lhe devo pedir um aumento?”  Sabes o que eu diria ao meu querido filho, Bob? Eu diria: -  “Meu filho, é uma bela empresa. Há-de fazer grandes coisas por ti – maiores ainda do que aquelas que já fez. Vai fazer de ti uma grande estrela. Vai-te proporcionar uma grande carreira. Serás famoso, meu filho! Isso é muito mais importante do que um pequeno aumento. Não peças um aumento agora, meu filho.”
Quanto Robert Taylor saiu do escritório, lá estava o seu agente, que lhe perguntou, ansioso:
- Então, ficaste com o aumento?
- Não, mas fiquei com um pai! – foi a resposta, diz-se, da estrela de Hollywood.
Por cá, nem sequer pedimos um aumento. Bastava que não nos reduzissem os salários. E, certamente, não queremos um pai como Mayer.


José Luís Moura Jacinto

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